A praça branca (Marilina Ross)

Recordo quando na praça
vi os filhos com as mães
que cantavam e saltavam
e brincavam de ser grandes
que brincavam de ser grandes
os filhos juntos as mães.
Porém chegou a tormenta
quando terminou o verão
a praça ficou deserta
nem as pombas ficaram
nem as pombas ficaram
Só as mães voltaram
mães que seguem buscando
aos filhos que deixaram
nessa praça brincando
brincando de que já eram livres
brincando, só brincando
brincando de que já eram livres
brincando…só brincando.

(Tradução de Maria Teresa Almeida Pina)

La plaza blanca
Marilina Ross

Recuerdo cuando en la plaza
vi a los hijos con las madres
que cantaban y saltaban
y jugaban a ser grandes
que jugaban a ser grandes
los hijos junto a las madres.
Pero llegó la tormenta
cuando terminó el verano
la plaza quedó desierta
ni las palomas quedaron,
ni las palomas quedaron.
Solo las madres volvieron
madres que siguen buscando
a los hijos que dejaron
en esa plaza jugando,
jugando a que ya eran libres
jugando, solo jugando
jugando a que ya eran libres
jugando,… solo jugando.

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Dança (Marilina Ross)

Dança sobre restos de cristais
deste tempo não tão belo
porque sozinha não estás
Dança sobre antigas cinzas
sobre todas as tuas feridas
sozinha não estás
Se a imagem de teu espelho já não está
será que estás
aprendendo a caminhar?
Dança sobre tua casa, entre a erva
o odor do inverno
sozinha não estás
Dança bela criança, pequena criança
distorções do tempo…
sozinha não estás
Sobre a fumaça que cobriu
a luz de nossa cidade
e ainda que doa
não a podemos modificar
Dança sobre a dor
que a dança à consumirá
Dança sobre a tua rua que dança
sobre esta casa que dança
se não se pode fazer mais…
Dança sobre a desventura
à luz da lua
sobre o campo e o mar
Dança, é caricia, é pudor
dança não é ódio, é amor
é aprender a voar
Se puderes dançar pelo ar
também as estrelas poderão abraçar-te
não sigas agarrada as tuas dores
que não sabem dançar
Dança junto a tua vida que dança
junto a tudo que falta
se não se pode fazer mais…
Dança…
Dança…
Dança…

(Tradução de Maria Teresa Almeida Pina)

Danza
Marilina Ross

Danza sobre restos de cristales
de este tiempo no tan bello
porque sola no estás
Danza sobre antiguas cenizas
sobre todas tus heridas
sola no estás
Si la imagen de tu espejo ya no está
será que estás aprendiendo a caminar
Danza sobre tu casa entre la hierba
el olor del invierno
sola no estás
Danza bella niña, pequeña niña,
distorsiones del tiempo
sola no estás
Sobre el humo que cubrió la luz de nuestra ciudad
y aunque duele no lo podemos modificar
Danza sobre el dolor que la danza
lo consumirá
Danza sobre tu calle que danza
sobre esta casa que danza
si no se puede hacer más…
Danza sobre la desventura
a la luz de la luna
sobre el campo y el mar
Danza es caricia, es pudor,
danza no es odio, es amor,
es aprender a volar
Si pudieras danzar por el aire
también las estrellas podrían abrazarte
De veras
No sigas aferrada a tus dolores
que no saben danzar
Danza junto a tu vida que danza
junto a todo lo que falta
si no se puede hacer más
Danza, danza, danza.

Obs.: Esta canção originalmente foi escrita em italiano por Ivano Fossati, e gravada por Mia Martini. A tradução publicada aqui, no entanto, se baseia na versão em espanhol feita pela cantora Marilina Ross.

Marilina Ross – Danza (Soles -1982)
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Carvalho (Miguel Huezo Mixco)

Esta imensa árvore
não servirá jamais
para madeira.
A serra se quebrará
os dentes
na armadura deste carvalho
que há guardado sem sangrar
dentro do peito
os restos da metralha.

(Tradução de Maria Teresa almeida Pina)

Roble
Miguel Huezo Mixco

Este inmenso árbol
no servirá jamás
para madera.
La sierra se romperá
los dientes
en la armadura de este roble
que ha guardado sin sangrar
dentro del pecho
los restos de la metralla.

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A Carmen (Dolores Veintimilla)

(Remetendo-lhe um jasmim do Cabo)

Menos bela que tu, Carmela minha
vai essa flor a ornar tua cabeleira;
eu mesma a colhi na planície
e carinhosa minha alma ta envia
quando seca e murcha caia um dia
não a jogues, por Deus, na ribeira;
guarda-a qual memória lisonjeira
da doce amizade que nos unia.

(Tradução de Maria Teresa Almeida Pina)

» Biografia de Dolores Veintimilla

A Carmem
(Remitiéndole un jazmín del Cabo)

Dolores Veintimilla

Menos bella que tú, Carmela mía,
vaya esa flor a ornar tu cabellera;
yo misma la he cogido en la pradera
y cariñosa mi alma te la envía
cuando seca y marchita caiga un día
no la arrojes, por Dios, a la ribera;
guárdala cual memoria lisonjera
de la dulce amistad que nos unía.

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Não sei quem é (Mario Benedetti)

É provável que venha de muito longe
não sei quem é nem a onde vai
é só uma mulher que morre de amor
nota-se em suas pétalas de lua
em sua paciência de algodão/ em seus
lábios sem beijos ou outras cicatrizes/
nos olhos de oliva e penitência

esta mulher que morre de amor
e chora protegida pela chuva
sabe que não é amada nem nos sonhos/
leva nas mãos suas carícias virgens
que não encontraram pele onde pousar/
e/ com o passar do tempo/ sua luxuria
derrama-se em um pote de cinzas.

(Tradução de Maria Teresa Almeida Pina)

» Biografia de Mário Benedetti

No sé quién es
Mario Benedetti

Es probable que venga de muy lejos
no sé quién es ni a dónde se dirige
es sólo una mujer que se muere de amor
se le nota en sus pétalos de luna
en su paciencia de algodón/ en sus
labios sin besos u otras cicatrices/
en los ojos de oliva y penitencia

esta mujer que se muere de amor
y llora protegida por la lluvia
sabe que no es amada ni en los sueños/
lleva en las manos sus caricias vírgenes
que no encontraron piel donde posarse/
y/ como huye del tiempo/ su lujuria
se derrama en un cuenco de cenizas.

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Arte poética (Mario Benedetti)

Que golpeie e golpeie
até que ninguém
possa já se fazer de surdo
que golpeie e golpeie
até que o poeta
saiba
ou pelo menos creia
que é a ele a quem chamam.

(Tradução de Maria Teresa Almeida Pina)

» Biografia de Mário Benedetti

Arte Poética
Mario Benedetti

Que golpee y golpee
hasta que nadie
pueda ya hacerse el sordo
que golpee y golpee
hasta que el poeta
sepa
o por lo menos crea
que es a él a quien llaman.

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O melhor de tua vida (Manuel Alejandro)

Foste minha,
só minha, minha, minha,
quando tua pele era fresca
como a grama molhada

Foste minha,
só minha, minha, minha,
quando tua boca e teus olhos
de juventude se cobriam

Foste minha
só minha, minha, minha,
quando teus lábios de menina
meus lábios os estreavam

Foste minha
só minha, minha, minha,
quando teu ventre era ainda
uma colina fechada

O melhor de tua vida
o tenho levado eu
o melhor de tua vida
o tenho desfrutado eu.
Tua experiência primeira
o despertar de tua carne
tua inocência selvagem
a tenho bebido eu
a tenho bebido eu.

Foste minha
só minha, minha, minha,
quando o teu corpo era espiga
de palma recém plantada

Foste minha
só minha, minha, minha,
quando fechavas os olhos
e apenas eu me aproximava

Foste minha
só minha, minha, minha,
quando tremiam tuas mãos
tão somente se as roçava

Foste minha
só minha, minha, minha,
quando teu ontem não existia
pensavas só no amanhã…

(Tradução de Maria Teresa Almeida Pina)

Lo mejor de tu vida
Manuel Alejandro

Fuiste mía,
sólo mía, mía, mía,
cuando tu piel era fresca
como la hierba mojada.

Fuiste mía,
sólo mía, mía, mía,
cuando tu boca y tus ojos
de juventud rebozaban.

Fuiste mía,
sólo mía, mía, mía,
cuando tus labios de niña
mis labios los estrenaban.

Fuiste mía,
sólo mía, mía, mía,
cuando tu vientre era aún
una colina cerrada.

Lo mejor de tu vida
me lo he llevado yo,
lo mejor de tu vida
lo he disfrutado yo.
Tu experiencia primera,
el despertar de tu carne,
tu inocencia salvaje
me la he bebido yo,
me la he bebido yo.

Fuiste mía,
sólo mía, mía, mía,
cuando tu cuerpo era espiga
de palma recién plantada.

Fuiste mía,
sólo mía, mía, mía,
cuando cerrabas los ojos
apenas yo me acercaba.

Fuiste mía,
sólo mía, mía, mía,
cuando temblaban tus manos
tan sólo si las rozaba.

Fuiste mía,
sólo mía, mía, mía,
cuando tu ayer no existía
pensabas sólo en mañana…

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Abraça-me (Rafael Ferro Garcia)

Abraça-me
E não me digas nada
Só abraça-me
Me basta teu olhar
Para compreender que tu irás

Abraça-me
Como se fosse agora a primeira vez
Como se me quisesses hoje igual a ontem
Abraça-me

Se tu fores
Te esquecerás que um dia
Já faz tempo
Quando éramos ainda crianças
Me começaste a amar
…E eu te dei minha vida. Se tu fores…

Se tu fores
Já nada será nosso
Tu te levarás em um só momento
Uma eternidade
Ficarei sem nada se tu fores

Abraça-me
E não me digas nada
Só abraça-me
Não quero que tu vás
Porém sei muito bem que irás

Abraça-me
Como se fosse agora a primeira vez
Como se me quisesses hoje igual a ontem
Abraça-me

Se tu fores
Me ficará o silêncio para conversar
A sombra de teu corpo e a solidão
Serão meus companheiros se tu fores

Se tu fores
Irá contigo o tempo
E minha melhor idade
Seguirei te querendo cada dia mais
…Esperarei que voltes. Se tu fores…

(Tradução de Maria Teresa Almeida Pina)

Abrázame
Rafael Ferro Garcia

Abrázame
y no me digas nada,
sólo abrázame,
me basta tu mirada
para comprender
que tú te irás.

Abrázame
como si fuera ahora
la primera vez,
como si me quisieras
hoy igual que ayer,
abrázame.

Si tú te vas
te olvidarás que un día,
hace tiempo ya,
cuando eramos aún niños
me empezaste a amar
y yo te di mi vida.
Si te vas.

Si tú te vas,
ya nada será nuestro,
tú te llevarás
en un solo momento
una eternidad,
me quedaré sin nada.
Si tú te vas.

Abrázame
y no me digas nada,
sólo abrázame
no quiero que te vayas,
pero sé muy bien
que tú te irás.

Abrázame
como si fuera ahora
la primera vez,
como si me quisieras
hoy igual que ayer,
abrázame.

Si tú te vas,
me quedará el silencio
para conversar,
la sombra de tu cuerpo
y la soledad
serán mis compañeras
si te vas.

Si tú te vas,
se irá contigo el tiempo
y mi mejor edad
te seguiré queriendo
cada día más,
te esperaré a que vuelvas,
si tú te vas…

Abrázame – Rafael Ferro García – 2018
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Só peço a Deus (Leon Gieco)

Só peço a Deus
Que a dor não me seja indiferente
Que a seca morte não me encontre
Vazio e só sem haver feito o suficiente.

Só peço a Deus
Que o injusto não me seja indiferente
Que não me esbofeteiem a outra face
Depois que uma garra me arranhou esta sorte.

Só peço a Deus
Que a guerra não me seja indiferente
É um monstro grande e pisa forte
Toda a pobre inocência das pessoas.

Só peço a Deus
Que o engano não me seja indiferente
Se um traidor pode mais que uns tantos
Esses tantos não esqueçam facilmente.

Só peço a Deus
Que o futuro não seja indiferente
Desesperançoso está o que tem que marchar
A viver uma cultura diferente.

Só peço a Deus
Que a guerra não me seja indiferente
É um monstro grande e pisa forte
Toda a pobre inocência das pessoas.

(Tradução de Maria Teresa Almeida Pina)

Sólo le pido a Dios
Leon Gieco

Sólo le pido a Dios
que el dolor no me sea indiferente
que la reseca muerte no me encuentre
vacío y solo sin haber hecho lo suficiente

Sólo le pido a Dios
que lo injusto no me sea indiferente
que no me abofeteen la otra mejilla
después de que una garra me arañó a esta suerte

Sólo le pido a Dios
que la guerra no me sea indiferente
es un monstruo grande y pisa fuerte
toda la pobre inocencia de la gente

Sólo le pido a Dios
que el engaño no me sea indiferente
si un traidor puede más que unos cuantos
que esos cuantos no lo olviden fácilmente

Sólo le pido a Dios
que el futuro no me sea indiferente
desahuciado está el que tiene que marchar
a vivir una cultura diferente

Sólo le pido a Dios
que la guerra no me sea indiferente
es un monstruo grande y pisa fuerte
toda la pobre inocencia de la gente.

León Gieco – Solo le pido a Dios – Festival de la Solidaridad (1982)
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Não sei (Manuel Machado)

Esta vaga quietude… Um sol espera
Que o denso véu da nevoa rasgue?
Ou uma noite sem lua e tenebrosa?…
Será tarde ou aurora?… Quem o sabe!

(Tradução de Maria Teresa Almeida Pina)

No sé
Manuel Machado

Esta vaga quietud… un sol espera
que el denso velo de la niebla rasgue?
O una noche sin luna y tenebrosa?…
Será tarde o aurora?…Quién lo sabe!

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