A carta (Violeta Parra)

Me mandaram uma carta
Pelo correio cedo
Nessa carta me dizem
Que caiu preso meu irmão
E sem compaixão com grilhões
Pelas ruas o arrastaram.
Sim…

A carta disse o motivo
Que há cometido Roberto:
Haver apoiado a greve
Que já se havia resolvido
Se acaso isso é um motivo
Preso vou também sargento.
Sim…

Eu que me encontro tão longe,
Esperando uma notícia,
Me vem a dizer na carta
Que em minha pátria não há justiça.
Os famintos pedem pão,
Os molesta a polícia.

Haverá se visto insolência,
Ignorância e traição.
De apresentar o trabuco
E matar a sangue frio.
Há quem defesa não tem
Com as duas mãos vazias.
Sim…

A carta que me mandaram
Me pede contestação:
Eu peço que se divulgue
Por toda população
Que o leão é um sanguinário
Em toda geração
Sim…

Por sorte tenho guitarra
E também tenho minha voz,
Também tenho sete irmãos
Fora do que se algemou,
Todos revolucionários
Com o favor de meu Deus.
Sim…

(Tradução de Maria Teresa Almeida Pina)

» Biografia de Violeta Parra

La carta
Violeta Parra

Me mandaron una carta
por el correo temprano,
en esa carta me dicen
que cayó preso mi hermano,
y sin compasión, con grillos,
por la calle lo arrastraron.
Sí…

La carta dice el motivo
que ha cometido Roberto:
haber apoyado el paro
que ya se había resuelto.
Si acaso esto es un motivo
presa voy también, sargento.
Sí…

Yo que me encuentro tan lejos
esperando una noticia,
me viene a decir la carta
que en mi patria no hay justicia,
los hambrientos piden pan,
los molesta la milicia.

Habráse visto insolencia,
barbarie y alevosía,
de presentar el trabuco
y matar a sangre fría
Hay quien defensa no tiene
con las dos manos vacías.
Sí…

La carta que me mandaron
me pide contestación,
yo pido que se propale
por toda la población,
que el «león» es un sanguinario
en toda generación.
Sí…

Por suerte tengo guitarra
para llorar mi dolor,
también tengo siete hermanos
fuera del que se engrilló,
todos revolucionários
con el favor de mi Dios.
Sí…

Sobre Maria Teresa Pina

Nasci em 27 de dezembro de 1962, em São Paulo, e me formei bibliotecária em 1983 pela Escola de Sociologia e Política - Faculdade de Biblioteconomia de São Paulo. Apesar de não exercer mais a profissão, nunca perdi o interesse pela pesquisa/informação e pelos meios de comunicação.
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