Autran Dourado – Ópera dos mortos

Considerado um dos renovadores do romance brasileiro, Autran Dourado, autor deste livro, é normalmente associado à linha do regionalismo introspectivo atribuído ao Estado de Minas Gerais.

 Ali, o autor criou a fictícia cidade de Duas Pontes, onde se passam muitas de suas histórias.

 O livro foi incluído pela UNESCO na Coleção de Obras Representativas da Literatura Universal. Conta a história de Rosalina Honório Cota, última remanescente de sua família.

        Ela e Quiquina, uma empregada muda, habitavam um sobrado velho e decadente, construído pelos antepassados de Rosalina.

        Ali, ela passava os dias fazendo flores de pano entre os relógios parados – cada tendo sido desligado na hora da morte dos antigos moradores.

        Os habitantes da cidade viam na residência um lugar misterioso e distante, até que surge Juca Passarinho, um empregado falante, que quebra a rotina da casa e se envolve sexualmente com a patroa. 

 

 

“Outras Palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura do Brasil.

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Antonio Bivar – Contos atrevidos

As histórias falam de alegria, solidão, lembranças, abandono, decadência. Falam também em artistas, pintores, músicos…

 Segundo o autor, Antonio Bivar, os contos foram escritos à média de dois a quatro por dia, num bloquinho não pautado. E, devido à facilidade com que saíam, o entusiasmo de escrevê-los foi aumentando.

 O resultado é esta coletânea de contos repletos de sentimento nos quais o autor se utiliza da realidade que o cerca para apresentar suas impressões sobre o mundo.

  Ao falar do individual, Bivar trata do sentimento coletivo. A realidade é transformada por meio de sua perspectiva em contos cheios de significado que levam à reflexão.

 

 

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Alexandre Rodrigues – Veja se você responde esta pergunta

Este não é um livro em que os personagens buscam a felicidade. Pelo menos não explicitamente.

Na real, são indiferentes à felicidade e também à infelicidade. Não que não se importem. Simplesmente não pensam nela.

Movidos por pura obsessão, funcionam às vezes em um estado de sabedoria e aceitação.

E, paradoxalmente, em outras vezes, as mesmas pessoas dão a impressão de que são obrigadas, a rotinas e tarefas aparentemente absurdas.

Nestes casos parecem personagens desumanizadas e perdidas na tentativa de viver em sociedade, e que se tornaram máquinas por alguma falha de programação.

 

 

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“Bendito maldito” – Uma biografia de Plínio Marcos

 

Finalmente o livro “Bendito maldito – Uma biografia de Plínio Marcos” (Prêmio APCA – Associação Paulista de Críticos de Arte em 2009) será lançado no Rio, e do jeito que eu gostaria (e o Plínio também): em parceria com o grupo Nós do Morro. Será na quinta-feira (29/4) junto com a reestreia de “Barrela”, às 19h30, na Casa do Mercado – Rua do Mercado, 54, Centro. Bendito Maldito, Nós do Morro e Barrela têm tudo a ver, Conto com sua presença. Segue em anexo o convite digital. abraços Oswaldo Mendes

Algumas opiniões sobre o livro

Jorge Takla, diretor de teatro, em e-mail ao autor: É lindo! De uma sensibilidade e de uma ética ímpares!

Luiz Valcazaras, diretor de teatro, em e-mail ao autor: Maldito Oswaldo, você me tirou algumas noite de sono, quando tinha que acordar cedo! E bendito, no que eu achei que seria  uma leitura jornalística se transformou numa narrativa tão humana que eu não conseguia parar de ler!

Ugo Giorgetti cineasta e colunista de esportes de O Estado de S. Paulo: Quem ler “Bendito Maldito” à procura de futebol ainda ganha de brinde mais trezentas páginas de um livro empolgante, cheio de peripécias, aventuras e histórias de uma figura maior da cultura brasileira.

 

Christina Manhães, leitora, em e-mail ao autor: Li numa tirada. Achei ótimo. Acabei ficando fã do Plínio Marcos.

 

Fernando Paz, ator, tradutor e músico: Maravilha, adorei o livro. São 500 páginas que a gente lê avidamente, ora deliciado, ora chocado (com a brutalidade do ser humano e do país), sem querer que chegue ao fim. Espero que muita gente que não conheceu o Plínio possa ter em mãos essa biografia. Fala do teatro, fala do país e fala dos homens através dessa figura que eu adoraria ter conhecido pessoalmente.

  

Luiz Fernando Ramos, crítico de teatro da Folha de S. Paulo: “Bendito Maldito – Uma Biografia de Plínio Marcos”, de Oswaldo Mendes, além de narrar a saga desse extraordinário dramaturgo, revela-o como um personagem fascinante… Entre os achados mais notáveis, incluem-se histórias deliciosas de personalidades do teatro brasileiro, como Procópio Ferreira, Cacilda Becker, Tônia Carrero e Alberto D’Aversa, que trançaram suas vidas e feitos artísticos com a do protagonista do livro… A biografia resgata com honestidade e paixão uma história que não podia ser esquecida. Entre as várias facetas de Plínio Marcos a identidade que emerge mais forte é a de um ser humano raro e que teve como principal virtude ser ele mesmo sempre, sem retoques, o tempo todo.

 

Washington Luiz de Araújo, leitor do Rio, em e-mail ao autor: Quero lhe agradecer pelos ótimos momentos que vivi lendo o seu livro. O Plínio já era uma figura de destaque para mim, ficou mais ainda. Você acentuou uma personalidade complexa sem ser piegas e nem sensacionalista.

 Ercílio Tranjan, publicitário, amigo de Plínio Marcos: Acabei de ler, fascinado, a história do Frajola, do Bobo Plin, do querido Plínio, da gente. Porém (e sempre tem um porém) fiquei triste no fim. E com a sensação de que histórias como essa nunca mais serão vividas nem, portanto, contadas. O Plínio não era deste mundo. Ao menos, não do que virou este mundo. Ainda assim, espero que muita gente leia. Que ainda haja muitos sobreviventes.

Raimundo Matos, ator e mestre em Artes Cênicas pela- Universidade Federal da Bahia, em e-mail ao autor: Ganhei o livro de presente de Natal e li de uma sentada. Belo trabalho! Você revela Plínio como ele é, além de colocar o leitor diante do tempo em que ele viveu. A leitura flui de maneira tranquila e seguimos em frente sem querer largar o livro.

 

Beth Néspoli, crítica de teatro de O Estado de S. Paulo: “Biografia é malha da qual a vida real escapa.” A frase, de Oscar Wilde, é pinçada por Oswaldo Mendes na abertura de Bendito Maldito, alentada biografia do autor de Navalha na Carne e Dois Perdidos numa Noite Suja… Pois corajosamente Oswaldo Mendes – amigo pessoal e, como ele, também ator, dramaturgo e jornalista – se propôs a puxar os fios dessa teia para revelar as várias facetas de Plínio Marcos, sem temor das menos favoráveis, mas também sem pudor de trazer à tona atos de rara grandeza, cuidadosamente escondidos pelo seu autor quando vivo… Bendito Maldito é obra de fôlego.

Noemi Marinho, atriz, dramaturga e diretora de teatro, em e-mail ao autor: Acabei de ler teu livro. Que maravilha! Não li; comi com farinha. Obrigada pelos históricos e amorosos registros.

Décio Gentil, dramaturgo e publicitário, em e-mail ao autor: Você não apenas resgata uma figura importante no cenário teatral, mas nos presenteia com uma visão ampla, precisa e emocionada de uma época que marcou profundamente nossos palcos. Uma era de agitações, de verdades sem concessões, de fé irrestrita, enfim, de um caldeirão efervescente onde a criatividade é temperada com boas doses de resistência e esperança nas discussões apimentadas… Nesses tempos de internet, twitters e facebooks (nada contra os meios), onde a mediocridade impera, é indispensável a leitura de Bendito Maldito.

Eto Coelho, leitor de Bauru (SP), em e-mail ao autor: Acabo de ler o seu livro. Com exceção do Grande Sertão: Veredas e do Tom Sawyer, porque hipnotizado, não me lembro de ter lido um livro tão rapidamente… Confesso que fiquei intimidado pelo número de páginas. Não que eu tenha qualquer problema com livros grossos, pelo contrário. acho que eu estava com medo. Bom, o fato é que seu livro é muito gostoso de ler e é muito generoso com todo mundo que é citado. Eu me interesso particularmente por aquela história da censura, do AI5, mas nunca encontrei alguém com paciência e tempo para me falar sobre. Você matou minha curiosidade.

Cecília Prada, escritora e crítica de teatro: Bendito maldito permanecerá como livro de referência, inclusive, para todos os que quiserem entender e refletir sobre os meandros da complexa vida cultural e política deste país, na segunda metade do século XX.

 

Rafael de Luna Freire, autor do livro Navalha na tela, em e-mail ao autor: É uma leitura agradável e fluente, ao mesmo tempo em que você preza pelo rigor da pesquisa e a atenção aos nomes, datas e fatos – o que é importante. Embora, como você sabe, seja um tema e um personagem íntimo para mim, acho que você teve o grande mérito de dar clareza a episódios e épocas menos conhecidos (ou mal-conhecidos) da vida do Plínio… O livro é, sobretudo, muito honesto com a figura do Plínio e, ao final, você consegue alcançar a maior qualidade de uma biografia, que é revelar ao leitor um personagem contraditório e complexo – enfim, humano – e com o qual nos sentimos mais íntimos ao fim da leitura.

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INVERSÃO DE PAPÉIS – A Imprensa como Partido Político

 

 

Por Washington Araújo em 20/4/2010 (Observatório da Imprensa) 

 

Esperei baixar a poeira. Em vão, porque a poeira existiu apenas na internet. E tudo porque me causou estranheza ler no diário carioca O Globo (18/3/2010) a seguinte declaração de Maria Judith Brito, presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e executiva do grupo Folha de S.Paulo:

“A liberdade de imprensa é um bem maior que não deve ser limitado. A esse direito geral, o contraponto é sempre a questão da responsabilidade dos meios de comunicação e, obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada. E esse papel de oposição, de investigação, sem dúvida nenhuma incomoda sobremaneira o governo.”

E como a poeira não baixou resolvi colocar no papel as questões que foram se multiplicando, igual praga de gafanhotos, plantação de cogumelos, irrupção de brotoejas. Ei-las:

1.

É função da Associação Nacional de Jornais, além de representar legalmente os jornais, fazer o papel de oposição política no Brasil?

2.

É de sua expertise mensurar o grau de força ou de fraqueza dos partidos de oposição ao governo?

3.

Expirou aquela visão antiquada que tínhamos do jornalismo como sendo o de buscar a verdade, a informação legítima, para depois reportar com a maior fidelidade possível todos os assuntos que interessam à sociedade?

4.

Como conciliar aquela função antiquada, própria dos que desejam fazer o bom jornalismo no Brasil, como tentei descrever na questão anterior, com a atuação político-partidária, servindo como porta-voz dos partidos de oposição?

5.

Sendo o Datafolha propriedade de um dos grandes jornais do Brasil e este um dos afiliados da ANJ, como deveríamos fazer a leitura correta das pesquisas de opinião por ele trabalhadas? O Datafolha estaria também a serviço de uma oposição “que no Brasil se encontra fragilizada”?

6.

Na condição de presidente da Associação Nacional dos Jornais (ANJ) será que Maria Judith Brito não se excedeu para muito além de suas responsabilidades institucionais?

7.

Ou será próprio de quem brande o estatuto da liberdade de imprensa que entidade de classe de veículos de comunicação assuma o papel de oposição política no saudável debate entre governo e oposição?

8.

Historicamente, sempre que um dirigente ou líder de partido político de oposição desanca o governo, seja justa ou injustamente, é natural que o governo responda à altura e na mesma intensidade com que o ataque foi desferido. Mas, no caso atual, em que a ANJ toma si para a missão de atuar como partido político de oposição, não seria de todo natural esperar que o governo reaja à altura do ataque recebido?

9.

E, neste caso, como deveria ser encarada a reação do governo? Seria vista como ataque à liberdade de expressão? Ou seria considerado como legítima defesa de da liberdade de expressão ou de ideologia?

Claro e transparente

10.

Durante o período de 1989 a 2002, em que a oposição política no Brasil esteve realmente fragilizada, e ao extremo, não teria sido o caso de a ANJ ter tomado para si as dores daquela oposição, muitas vezes, capenga?

11.

E, no caso acima, como a ANJ acha que teriam reagido os governos Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso?

12.

Com o histórico de nossos veículos de comunicação, muitos deles escorados em sua antiguidade, como aferir se há pureza de intenções por parte da ANJ em sua decisão de tomar para si responsabilidade que só lhe poderia ser concedida pelo voto dos brasileiros depositados nas urnas periodicamente? Não seria uma usurpação de responsabilidade?

13.

Afinal, não é através de eleições democráticas e por sufrágio universal e secreto que a população demonstra sua aprovação ou desaprovação a partidos políticos?

14.

Será legítimo que, assinantes de jornais e revistas representados pela associação presidida por Maria Judith Brito passem, doravante, a esmiuçar a cobertura política desses veículos, tentando descobrir qual a motivação dessa ou daquela reportagem, dessa ou daquela nota, dessa ou daquela capa?

15.

E quanto ao direito dos eleitores de serem livremente informados… que garantias estes terão de que serão informados, de forma justa e o mais imparcial possível, das ações e idéias do governo a que declaradamente se opõe a ANJ?

16.

Para aqueles autoproclamados guardiães da liberdade de expressão e do Estado democrático de direito: será papel dos meios de comunicação substituir a ação dos partidos políticos no Brasil, seja de situação ou de oposição?

17.

Em isso acontecendo… não estaremos às voltas com clássica usurpação de função típica de partido político? E não seria esta uma gigantesca deformação do rito democrático?

18.

Repudiam-se as relações deterioradas entre governo e mídia na Venezuela, mas ao que tudo indica nada se faz para impedir sua ocorrência no Brasil. Ironicamente, os maiores veículos de comunicação do país demonizam o país de Hugo Chávez. A origem do conflito político na Venezuela não está umbilicalmente ligado ao fato que na Venezuela os meios de comunicação funcionam como partido político de oposição, abrindo mão da atividade jornalística?

19.

Esta declaração da presidente da ANJ, publicada no insuspeito O Globo, traduz fielmente o objetivo de a ANJ estabelecer a ruptura com o governo, afetar a credibilidade da imprensa e trazer insegurança a todos os governantes, uma vez que serve também aos governos estaduais e dos municípios onde a oposição estiver fragilizada?

20.

Considerando esta declaração um divisor de águas quanto ao sempre intuído partidarismo e protagonismo político dos grandes veículos de comunicação do país, será que não seria mais que oportuno e inadiável a ANJ vir a público esclarecer tão formidável mudança de atitude e de missão institucional? Por que não abordar o assunto de forma clara e transparente nas páginas amarelas da revista Veja? Por que não convidar a Maria Judith Brito para ser entrevistada no programa Roda Vida da TV Cultura? Por que não convidá-la para o Programa do Jô? E para ser entrevistada pelo Heródoto Barbeiro na rádio CBN? Por que não solicitar a leitura de “Nota da ANJ”sobre o assunto no Jornal Nacional? Por que não submeter texto para publicação na seção “Tendências/Debates” do jornal Folha de S.Paulo, onde a presidente trabalha? De tão interessante não seria o momento de a revista Época traçar o perfil de Maria Judith Brito? E que tal ser sabatinada pela bancada do Canal Livre, da Band?

Prudente e sábio

Já que comecei falando de estranheza, estranhamento etc., achei esquisito a não-repercussão ostensiva da fala da presidente da ANJ junto aos veículos de seus principais afiliados. Estratégia política? Opção editorial? Ou as duas coisas?

Finalmente, resta uma questão de foro íntimo: que critério deverei usar, doravante, para separar o que é análise crítica própria de um partido político, para consumo interno de seus filiados, daquilo que é matéria propriamente jornalística, de interesse da sociedade como um todo?

Todos nós, certamente, já ouvimos centenas de vezes o ditado “cada macaco no seu galho”. E todos nós o utilizamos nas mais diversas situações. O ditado é um dos mais festejados da sabedoria popular, é expressão de conhecimento, nascido da observação de fatos; um aprendizado empírico. Vem de longa data e se estabelece porque pode ser comprovado através da vivência e mais recentemente foi citado por Michel Foucault e Jurgen Habermas. No caso aqui abordado, o ditado popular cai como luva assim como as palavras de Judith Brito ficarão por muito tempo gravadas no bronze incorruptível da nossa memória.

Mesmo assim sinto ser oportuno aclarar que entendo como papel da mídia atividades como registrar, noticiar os fatos, documentar, fiscalizar os poderes, denunciar abusos e permitir à população uma compreensão mais ampla da realidade que nos abarca. Neste rol de funções não contemplo o de ser porta-voz de partido político, seja este qual for. Ora, o governo tem limites de ação: operacionais, constitucionais, políticos. A mídia, quando não investida de poderes supraconstitucionais, também tem seus limites que não são tão flexíveis a ponto de atender as conveniências dos seus proprietários ou concessionários. É prudente e sábio reconhecer que em uma sociedade democrática todos os setores precisam de regulação – e a mídia não é diferente. E é bom que não seja. Afinal, a lei é soberana e a ela todos devem se submeter, já escrevia o pensador Shoghi Effendi (1897-1957) na segunda metade de 1950. Nada mais atual que isto.

 

 

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Poema para Davi

Muito feliz com a nascimento de meu neto Davi, escrevi o poema abaixo, iniciado em 28/2/2010 e finalizado quando ele completou um mês de vida. Foi entregue aos seus pais Roberta e Paulo nesta data, ocasião em que estiveram presentes os quatro avós, seu tio Daniel, irmão de Roberta, alguns parentes e amigos.

Tentei caprichar na arte final e o resultado está aí. Espero que vocês gostem.

  

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Visconde de Taunay – Inocência

O romance revela, detalhadamente, a vida sertaneja do interior do Mato Grosso na metade do século passado.

Fiel à tendência romântica, o livro possui no seu núcleo uma história de amor impossível.

A jovem cabocla Inocência está prometida por seu pai ao rude sertanejo Manecão, mas apaixona-se pelo forasteiro Cirino, gerando uma série de conflitos devido ao rigoroso código de honra da época.

Um clássico da literatura juvenil que agrada a leitores de todas as idades.

 

 

 

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Stanilaw Ponte Preta – Garoto linha dura

Este livro de humor é do consagrado autor Sérgio Porto que usava o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta.

Também foram escritos por ele os famosos dois volumes do Febeapá – sigla para Festival de Besteiras que Assola o País.

Sérgio nos legou ainda o famoso Samba do Crioulo Doido até hoje cantado por aí.

Neste livro, o autor transforma temas do dia a dia – como política, minorias sexuais, mulheres fatais, paqueras, seduções, viagens etc. – em alta literatura.

Com o talento de sua pena, repressão vira humor, na crítica que faz ao regime militar quando este começava a instalar a censura.

O cartunista Jaguar foi o maior cúmplice de Stanislaw na medida em que enriquece a obra com suas antológicas ilustrações.

Disto resulta ótimo livro para lembrar e, principalmente rir muito.

 

 

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Sérgio Sant´Anna – A senhorita Simpson

A novela que dá título ao livro compõe, junto com alguns contos novos deste volume, as personagens do livro didático de um curso de inglês em Copacabana. 

Os alunos se misturam, numa fábula carioca-estadunidense vertiginosa.

A senhorita Simpson é, num primeiro momento, impassível como uma personagem de Henry James. Mas, logo depois, decididamente à vontade, ela participa desse efeito delicioso de empastelamento cultural.

O que o autor, Sérgio Sant’Anna, busca, mais do que a consumada e arrebatante emoção estética, é a cena, a encenação e tudo o mais que rege essas e outras emoções.

 

 

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Otto Lara Resende – O braço direito

Na opinião do crítico literário Antonio Cândido “este é um livro poderoso e estranho, narrado na primeira pessoa pelo zelador de um orfanato no interior de Minas.

O autor elaborou um estilo que adere ao modo de ser do personagem narrador, traduzindo a sua mediocridade, a sua angústia e ao mesmo tempo a sua busca de uma pureza cheia de equívocos e dominada pela obsessão do pecado.

O zelador é religioso do tipo mais convencional e parece submeter-se inteiramente às hierarquias e tradições, mas sob a estreiteza do seu ponto de vista a sociedade e as pessoas vão aparecendo nas cores reais.

Como se brotasse das entrelinhas uma força desmistificadora que faz da pequena cidade miniatura do mundo, com suas fragilidades e descaminhos.

O narrador tacanho revela-se um personagem patético e doloroso, vítima da própria insignificância, dotado de uma lucidez implícita, que faz da narrativa o desvendamento do mundo pelo avesso.

Ao cabo, sentimos que a arte de Otto Lara Resende consistiu em elaborar uma voz narrativa destacada do autor, que envolve o leitor e o mantém preso à força desse universo de humilhados e ofendidos. O livro recebeu o Prêmio Jabuti 1994 de Melhor Romance.

 

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Moniz Bandeira – O Governo João Goulart – As lutas sociais no Brasil – 1961-1964

João Goulart, último presidente constitucional antes da ditadura militar, é um protagonista da história brasileira cuja imagem cresce com o tempo.

Quando vivo e ativo, além do medo que despertava nas elites dirigentes, era visto com desdém até por setores da intelectualidade e da esquerda.

Depois do golpe militar de 64, essa visão deturpada de Jango foi ampliada pela mídia submetida aos militares.

Algumas vozes, como Darcy Ribeiro, se ergueram para proclamar que Jango caiu pelas suas virtudes, não pelos seus defeitos. Mas a imagem negativa permaneceu.

Este livro é uma contribuição de grande valor para recuperar a verdade histórica. Com fartura de documentação, mostra que aquele foi talvez o período mais fértil e criativo da história política do país.

Chegamos muito perto de um projeto de reconstrução nacional voltado para o desenvolvimento com soberania e justiça social. O livro faz justiça à figura de Jango e recupera um período de nossa história com o qual temos muito a aprender até os dias de hoje.

 

 

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Mariel Reis – John Fante trabalha no Esquimó

Segundo o crítico André Seffrin, o autor deste livro, Mariel Reis, é grande leitor e escritor de talento.

Assim, escreve encharcado de literatura e, como ele mesmo diz, à moda dos escritores que povoam a sua imaginação, sejam eles vivos ou mortos.

De fato, Mariel assimilou a lição de Drummond: somos contemporâneos dos escritores que amamos, isto é, somos contemporâneos de Shakespeare e de Virgílio, “somos amigos pessoais deles”.

 Assim, Mariel e seus personagens acompanham com familiaridade os passos de João do Rio, Marques Rebelo ou Moacir C. Lopes por um Rio de Janeiro mítico.

É este Rio de Janeiro que Mariel percorre como poucos, porque conhece os segredos das ruas e avenidas literárias, ou seja, o segredo da literatura.

 

 

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Márcio Souza – Galvez Imperador do Acre

Este livro marcou a estréia literária de Márcio Souza e foi aclamado pela crítica nacional e internacional.

É uma novela folhetinesca, com todas as suas características – aventura e uma causa a ser defendida. Tudo com humor, muito humor.

Mas sua maior qualidade é a capacidade de induzir o leitor a refletir, no relato de acontecimentos do passado, sobre o presente caótico da realidade brasileira e latino-americana.

‘Galvez, O Imperador do Acre’ conta a vida e a prodigiosa aventura de Dom Luiz Galvez Rodrigues de Aria nas fabulosas capitais amazônicas, e a burlesca conquista do território acreano.

Ambientado no fim do século XIX, mostra como o rápido avanço da revolução industrial multiplicou a demanda da borracha, motivo e fundamento do delirante boom amazônico.

O monumento mais vistoso deste fenômeno é Manaus, a capital da selva, a meca dos caçadores de fortuna, politiqueiros, rameiras de luxo e de outros gêneros, além de outros visionários e aventureiros.

 

 

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Luiz Vilela – Tremor de Terra

O livro relança os 20 contos que Luiz Vilela publicou pela primeira vez em 1967 revelando o autor hoje considerado um dos maiores contistas brasileiros contemporâneos.

Este escritor mineiro despontou como mestre na arte de criar diálogos em contos curtos de admirável eficiência narrativa. Com apenas 24 anos ganhou o Prêmio Nacional de Ficção concorrendo com nomes consagrados.

Vilela, dono de um virtuosismo técnico, trabalha com temas como a morte, a solidão e o amor. É autor também do romance Graça e dos livros de contos O Fim de Tudo e A Cabeça.

 

 

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João Simões Lopes Neto – Contos Gauchescos

As narrativas, plenas de humanidade, não tratam de grandes feitos, nem os personagens são tipos heróicos.

        São histórias da vida comum de pessoas simples, presas ao isolamento típico dos que vivem no campo.

        Mas, são também vidas marcadas pelas guerras que assolaram o Rio Grande do Sul e pelas conseqüentes mudanças que marcaram a época.

        A linguagem marcadamente regional não diminui a universalidade dos textos que justifica a importância da obra.

        Também notas de vocabulário ajudarão o leitor a penetrar com mais segurança pelos caminhos deste grande mestre.

        Uma breve apresentação e resumos comentados de cada um dos contos iluminam a leitura e auxiliam a compreensão, ampliando o universo semântico e enriquecendo os textos. Por fim, a cronologia destaca aspectos que marcaram a vida e a morte do autor e a época em que viveu.

 

 

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Ignácio de Loyola Brandão – A altura e a largura do nada

Ao se voltar para a sua cidade natal, Araraquara, interior de São Paulo, Loyola, o autor, mistura ficção com realidade e envolve o leitor com figuras reais contrapostas a outras imaginárias.

Assim, reacende a curiosidade sobre mistérios e enigmas, fala de sexo, religião, política e tantos outros temas, sempre com ironia e muito bom humor.

Aparecem os dinossauros que viveram no maior deserto da antiguidade, bem embaixo de Araraquara; o homem que escreveu o maior número do mundo; e a jovem que esperou a vida inteira por um oficial da Marinha.

Ainda veremos o padre que enlouqueceu com o strip-tease de Rita Hayworth, no filme Gilda; o homem que procura a todo custo medir o tempo; e o menino que cresceu com medo de tudo. ***O leitor vai conhecer também a trajetória de José Celso Martinez Correa, do Teatro Oficina e a noite em que Tônia Carrero se lambuzou com manteiga.

A cidade é vista pelos olhos de figuras muito diversas como um ferroviário e a antropóloga Ruth Cardoso.

 

 

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Dyonelio Machado – Os ratos

Publicado em 1935, este livro rendeu ao gaúcho Dyonelio Machado o prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras. Naquele ano, o prêmio foi divido com outras feras: Erico Veríssimo, Marques Rebelo e João Alphonsus de Guimaraens.

Os anos 30 foram marcados por grandes romances dedicados aos dramas cotidianos da população mais pobre. E, por esta senda, Dyonelio transformou Naziazeno Barbosa, o atormentado protagonista de ‘Os Ratos’, em uma das figuras mais marcantes da galeria de personagens desvalidos que povoam a literatura brasileira no período.

 Naziezeno precisa de cinqüenta e três mil-réis para pagar a conta do leite e sai pela cidade – Porto Alegre – para cavar o dinheiro.

Como num lance de jogo, a ação ocorre durante um único dia. E o narrador seguirá as andanças, venturas e desventuras desse funcionário público, movido apenas pela mais estrita necessidade.

 

 

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Julio Travieso Serrano – Chuva Sobre Havana

O narrador conhece profundamente todos os personagens, e com eles percorre as ruas e meandros de Havana. É um jornalista que combateu o regime de Batista, mas depois caiu em desgraça e viu desmoronar sua vida familiar e profissional. Em sua trajetória, cruza com outras figuras que lutam pela sobrevivência.

Prostitutas e cafetões são personagens fortes nesse mundo povoado por coadjuvantes que exercem as mais variadas atividades profissionais e formam um mosaico humano. É também como se estivesse criando um mosaico que o autor estrutura seu livro: as histórias seguem em paralelo e aos poucos vão convergindo de forma dramática, revelando sua posição nesse grande quebra-cabeça.

Mónica, a bela prostituta que se transforma no amor de sua vida e o resgata do fundo do poço; Malú, também prostituta, melhor amiga de Mónica e que se transforma em elemento decisivo para a mudança radical na vida de todos; Francis, seu melhor amigo e companheiro na luta contra o regime de Batista, que também caiu em desgraça, mas conserva o bom humor. Os cafetões Camel e Pichi, cujas vidas acabam se enredando de maneira trágica. Em torno deles, giram dezenas de personagens que, de uma forma ou de outra, revelam aspectos da realidade cubana.

Paralelamente também, ao leitor é oferecido um outro retrato da vida em Havana. As ruas, os bairros, os lugares mais conhecidos vão fornecendo detalhes e compondo em grandes pinceladas um amplo painel da revolução cubana, real, verdadeiro. Sem fazer uma crítica aberta, pelo contrário, expondo todo o seu amor por Cuba e por sua gente, o autor vai expondo os problemas, as limitações, a censura, as dificuldades do dia-a-dia de maneira profundamente reveladora.

 

 

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Bernardo Élis – O tronco

No início do século passado, as disputas de poder levam ao rompimento entre os grandes proprietários de terra no Estado de Goiás.

 De um lado, os coronéis do sul, que comandam o governo, e, do outro, os do norte do estado.

Um homem idealista, o coletor de impostos Vicente Lemes, luta para impedir a guerra, sonhando com uma sociedade de justiça e respeito às leis.

Como funcionário de um governo de coronéis, vai para o norte do estado de Goiás controlar os coronéis inimigos do governo. ***Estes são da família Melo, justamente parentes de Vicente. Por achá-los violentos, tenta impor seus ideais, mas acaba acirrando o conflito.

Vendo-se derrotado, apela para a força do governo, que vem para agir de acordo com os seus interesses e não os de Vicente. Ele se vê, então, em meio a uma luta sangrenta, absolutamente selvagem.

O personagem Vicente perde sua fugaz capacidade dirigente, de personagem principal. Será um mero coadjuvante em meio à barbárie.

 

 

“Outras Palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura do Brasil.

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Antonio Callado – Quarup

A obra nos conta a história de Nando, um jovem padre que se sente perdido em conflitos existenciais ao ver-se diante dos pequenos prazeres da vida mundana.

Mas ele ganha uma nova percepção do mundo, dos seus semelhantes e de si mesmo numa tribo de índios do Xingu.

Este livro, do consagrado autor Antonio Callado, é considerado pela crítica um dos romances mais representativos do Brasil nas últimas décadas.

Foi transformado em filme pelo diretor de cinema Ruy Guerra. Mais recentemente, o fotógrafo Paulo Marcos fez excelente livro de fotos intitulado Kuarup, Quarup.

 

 

“Outras Palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura do Brasil.

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