O CUSTO DA VERDADE

Se os superlativos absolutos sintéticos existem é para serem usados. Não há pois evitá-los quando estamos diante de um livro como Repórteres, trabalho que merece pelo menos dois deles: originalíssimo e oportuníssimo.

Quanto a originalidade, imagine-se que algum veterano jogador de futebol, dos mais reconhecidos como Pelé, Garrincha, Jairzinho, Zico, Sócrates tantos outros, tivesse a iniciativa de montar a seleção brasileira de todos os tempos ou, já que muitos se foram, pelo menos a das últimas décadas. Resultaria não só num super dream team, teoricamente muito melhor que qualquer equipe em atividade, mas também numa rica e rara troca de experiências quanto a esquemas táticos, estilos de jogo… Imagine-se então que os craques não seriam chamados a jogar mas a contar algumas de suas estórias mais marcantes em torno de suas mais celebradas partidas. Interessante? Interessantíssimo.

Pois é mais ou menos isto o que ocorre com o livro do qual estamos tratando. Aí estão textos de Audálio Dantas (também organizador do livro), Caco Barcelos, Carlos Wagner, Domingos Meirelles, Joel Silveira, José Hamilton Ribeiro, Lúcio Flávio Pinto, Luiz Fernando Mercadante, Marcos Faerman, Mauro Santayana e Ricardo Kotscho a contarem cada um a estória de uma ou mais de suas mais consagradas reportagens; vicissitudes, aventuras, venturas e desventuras por trás daquilo que nos foi dado a ler na ocasião.

Muitos certamente se recordam das principais reportagens que marcaram a carreira destes repórteres, de sua repercussão e até dos muitos prêmios que ornamentam suas estantes. Vai agora o que poucos sabem, como cada uma delas foi feita, o método de investigação de seus autores, a frenética busca da boa informação e principalmente de sua confirmação através de fontes e meios confiáveis e quanto isto custou de tempo e trabalho na incessante, às vezes infindável pesquisa. Verdadeira enciclopédia para os novatos, estão no livro as artimanhas usadas para contornar obstáculos aparentemente intransponíveis na busca do fio da meada que atava duas ou três pistas que, solitárias, não passavam de pistas.

E ponham-se obstáculos nisso. Principalmente se nos lembrarmos que muitos de seus trabalhos foram realizados no período militar, censura plena,  ninguém abrindo o bico e, tudo constatado, tudo checado e confirmado, mutila-se a matéria, dela se tira o mais picante, o essencial muitas vezes. Ou não se publica. Ora porque a censura prévia não deixa; ora porque a autoritária Lei de Imprensa do período vocifera ameaças; ora ainda porque os donos do jornal tem seus medos. Ou interesses, sabe-se lá…

Vem daí, portanto, outra impressão que colhemos do livro. É um libelo pela liberdade de expressão e denúncia de sua negação. Ontem ou hoje. E de outras atrocidades que assolaram e ainda assolam o povo desta terra. Desvelam os autores, cada um a seu modo, as mazelas que vitimam os cidadãos e a cidadania: violência, miséria, corrupção, impunidade, escamoteação de conflitos, o sorriso amarelo ou cínico das meias verdades, meias mentiras com que as autoridades as distilam diariamente sobre nós.

E o fazem as autoridades através da mídia, fato que exige maior atenção. Finda a censura oficial, a imprensa se impõe como a mais acreditada das instituições, como o comprovam as pesquisas de opinião. Isto confere ao profissional de comunicação – e, conseqüentemente ao repórter – senão poder, inquestionável prestígio. Ocorre que, se no período ditatorial quase todos enfrentavam juntos a censura, comum e escancarado inimigo, hoje o bom repórter enfrenta, às vezes solitário, um inimigo mais tinhoso da verdade, sutilmente travestido em “pensamento único”. Sob a vigência deste não há livre pensar, cerceados que somos pelo excesso de informações pautadas menos para o esclarecimento que para o convencimento. Atolados pelas mesmas informações, pelas mesmas interpretações, o público é objeto de um futuro e falso consenso a favor das políticas que interessam aos poderosos de sempre.

Isso faz ressaltar a diferença entre o repórter e o homem de comunicação em geral, ainda que este seja continente daquele. É que o repórter busca a verdade enquanto os demais, pautados por seus chefes e pela imensa e nem sempre racional burocracia das redações, esmeram-se na prática do já denunciado convencimento. Bolinam-se com o publicitário a ponto de quase se confundirem com este.

A leitura atenta de Repórteres salienta a distinção acima. E acrescenta que a busca da verdade completa-se no compromisso de ter o homem – e sua vontade – como agente da História. Daí o faro “das pessoas que perguntam” para a busca daquilo que poderá ser História. Este é o caso de Caco Barcelos ao investigar um conflito entre índios e posseiros, ambos pobres e vítimas da exploração, que redundaria bem mais tarde no Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST. Diferente do historiador que busca compreender fatos do passado de reconhecida importância, o repórter investiga hoje aquilo que poderá ser objeto do historiador amanhã.

Como num jogo, às vezes acerta, às vezes erra.

E, no intuito de mais acertar vai o repórter à procura do socialmente relevante deixando para o cronista social as futricas de limitado interesse, assim como deixou para seus demais colegas comunicadores a divulgação da propaganda disfarçada em notícia. Daí que a busca da verdade é quase sempre forma de se fazer justiça. Ou, pelo menos, de indignar-se e indignar aos outros pela denúncia da injustiça, coisa infelizmente tão abundante em nosso meio. Neste afã, transfigura-se o “fazedor de perguntas” em fazedor de história. Ao lançar luzes, com a objetividade possível e a paixão indispensável à boa reportagem, sobre acontecimentos distantes, exóticos ou desconhecidos, realçando-lhes detalhes reveladores, o repórter contribui para transformá-los em História. Esta não haveria sem o indispensável registro.

Canudos não seria Canudos como o conhecemos hoje sem o hercúleo trabalho de Euclides da Cunha. E, nem este seria o mesmo sem o guerreador arraial perdido na caatinga, caso não raro em que obra e autor quase que se confundem. Conclui-se, portanto, que bons repórteres como esses que o livro nos apresenta trazem no olhar, nas rugas, na alma as marcas das histórias que viram, contaram e ajudaram a fazer. Trazem-na às vezes no mutilado corpo, como é o caso de José Hamilton Ribeiro, quem perdeu uma das pernas como correspondente de guerra no Vietnã, triste atestado dos muitos riscos a que estão sujeitos os repórteres.

Aos riscos se sucumbe ou sobrevive. Na primeira hipótese não haveria o que contar. Na segunda, entretanto, quem por eles passou teve a mais radical das experiências, aquela que se situa no limite entre vida e morte. E delas está o livro repleto de exemplos, aventuras que fariam dos filmes de Indiana Jones meros contos de fada. Basta imaginar as vicissitudes que acometem um correspondente de guerra, quem para ambos os contendores pode ser um suspeito: nem sempre fala a língua das pessoas que entrevista e com as quais mal convive; não raro se põe na perigosa linha do fogo cruzado, sendo jogado para lá ou cá conforme as circunstâncias, as medidas de segurança, etc. E, certamente o pior, cobram-se-lhe posições. Afinal dentre as paixões de vida ou morte que uma guerra desencadeia não há clima para a amena neutralidade. Cobra-se do repórter a assunção dos pontos de vista do lado em que ele geográfica e circunstancialmente se encontra.

Por isso as experiências narradas pelos correspondentes de guerra são um dois pontos fortes do livro. Entre elas, as descritas por Joel Silveira durante a  Segunda Guerra Mundial; por Audálio Dantas numa aparentemente insana “guerra do futebol”  entre Guatemala e Honduras; além do já citado Hamilton Ribeiro no Vietnã.

Situam-se no mesmo diapasão a invasão da Checoslováquia pelas tropas do Pacto de Varsóvia em 1968, analisada por Mauro Santayana, além das  inúmeras guerras civis que estes repórteres, a exemplo do mestre Euclides, descreveram. Inclui-se entre elas algumas absurdas situações que as ditaduras – e os crimes comuns que elas acobertam – ensejam para repórter eventualmente transformado em testemunha, como ocorreu a Domingos Meirelles no Paraguai, estória de dar inveja a qualquer filme de espionagem.

Não se esgotam em guerras ou ditaduras as experiências narradas no livro Repórteres. Ou, vá lá, talvez se esgotem se considerarmos a guerra surda e sempiterna entre oprimidos e opressores principalmente quando esta se expressa sob suas formas mais brutais como o assassinato, a impunidade, a corrupção, a ameaça ou sumiço de testemunhas, a apropriação de territórios indígenas, a exploração da prostituição infantil, entre outras.

Para além de tão marcantes experiências, os repórteres autores do livro nos remeterão à uma profunda reflexão sobre as mesmas e, ao fazerem uma espécie de meta reportagem, ao próprio papel da imprensa nos tempos de hoje.

Isto justificaria o segundo superlativo a que nos referimos no início, o de que o livro é oportuníssimo.

Move-se o bom repórter pela busca do novo, do inusitado, do outro lado da história oficial; move-se, enfim, pela idéia talvez ingênua de que a verdade a ser descoberta e mostrada ao mundo porá fim às injustiças que o indignam. Bem diferente, portanto, do jornalismo burocrático e apalermado, oficioso e dominante a que cotidianamente somos submetidos, aquele que como já dissemos é movido pela lógica do convencimento.

Se há outro lado, não há pensar único.

O que nos mostra a televisão e a maioria dos jornais é o conto de fadas só travestido para conseguir credibilidade e, assim, eventualmente temperado com chocantes estórias nas quais o lobo mau é aquele que desserve ao projeto dominador. Daí a colagem de press releases, a pauta preestabelecida, idêntica em todos os veículos, inclusive nos menores detalhes do escândalo de plantão. Idêntica sobretudo na linguagem, esta ora presa ao mesmo e padronizado modo de narrar.

O padrão hodierno de redação jornalística, que já ensejou inclusive manuais, a todos impõe a linguagem chamada enxuta, de fácil digestão, o que somente contribui para o empobrecimento da mesma, aprisionada esta ao vocabulário reduzido, à sintaxe e à semântica previsíveis, às figuras de linguagem mais próximas do lugar comum.  Assim algemado o estilo, rompe-se a tradição, senão universal ao menos brasileira, da redação literária, do jornalista escritor que tantos gênios da literatura nos revelou, de Machado de Assis a Guimarães Rosa, de Euclides da Cunha a Graciliano Ramos, de Monteiro Lobato a  Nelson Rodrigues, e por aí vai…

Na contramão dessa perniciosa tendência, os textos apresentados em Repórteres recuperam a saudável tradição. Aos saborosos ingredientes que cada um destes artesãos da notícia nos oferece, acrescentam-se os molhos, o modo de preparar o prato e apresentá-lo aos comensais, o característico e sempre admirável estilo de quem, na melhor escola, aprendeu a arte de contar histórias.

Pensamento e linguagem únicos não combinam com liberdade; ao contrário constituem a essência de um novo totalitarismo imposto pelo poder que se concentra.

A liberdade se expressa principalmente através da linguagem. E segue pelo compromisso com a verdade que virá à tona graças à obstinação que por ela nutrem profissionais como os autores de Repórteres, livro que, pelas qualidades apontadas e outras que o leitor haverá de pinçar, alçam-no à categoria dos de leitura indispensável, tanto para estudantes e profissionais de jornalismo, como para todos os que cultivam a liberdade de expressão como basilar princípio da democracia e da civilização

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Sabato Magaldi

Bibliografia

Obras

Obras

Panorama do Teatro Brasileiro. São Paulo: Difusão Européia do Livro, s.d. [1962]; reimpressão: Rio de Janeiro, Ministério da Educação e Cultura / DAC / Funarte/ Serviço Nacional de Teatro, s.d. 3.a ed., revista e ampliada. São Paulo: Global Editora, 1998.

Temas da História do Teatro. Porto Alegre: Curso de Arte Dramática da Faculdade de Filosofia da Universidade do Rio Grande do Sul, 1963.

Aspectos da Dramaturgia Moderna. São Paulo: Comissão de Literatura do Conselho Estadual de Cultura, 1963.

Iniciação ao Teatro. São Paulo: DESA, 1965; 4.a edição, São Paulo: Ática, 1993.

O Cenário do Avesso. São Paulo: Editora Perspectiva e Secretaria da Cultura, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, 1977; reimpressão, São Paulo: Editora Perspectiva, 1991.

Um Palco Brasileiro (O Arena de S. Paulo). São Paulo: Editora Brasiliense, 1984.

Nélson Rodrigues: Dramaturgia e Encenações. São Paulo: Editora Perspectiva e Editora da Universidade de São Paulo, 1987; 2.a edição, revista e ampliada, São Paulo: Editora Perspectiva, 1992.

O Texto no Teatro. São Paulo: Editora Perspectiva e Editora da Universidade de São Paulo, 1989.

Moderna Dramaturgia Brasileira. São Paulo: Editora Perspectiva, 1998.

Cem Anos de Teatro em São Paulo, em parceria com Maria Thereza Vargas. São Paulo: Editora SENAC, 2001.

Depois do Espetáculo. São Paulo: Editora Perspectiva, 2003.

Teatro da Ruptura: Oswald de Andrade. São Paulo: Global Editora, 2004.

Teatro da Obsessão: Nelson Rodrigues. São Paulo: Global Editora, 2004.

Teatro Sempre. São Paulo: Editora Perspectiva,2006.

Teatro em Foco. São Paulo: Editora Perspectiva, 2008.

Artur Azevedo. Rio de Janeiro: Academia Brasileira de Letras, 2009.

Amor  ao Teatro. São Paulo, Edições Sesc. 2015             

Participação em obras coletivas

“O teatro moderno”, in O Período Moderno. Rio de Janeiro: Museu Nacional de Belas Artes, 1981.

“O texto no moderno teatro brasileiro”, in Literatura Brasileira: Ensaios – Crônica, Teatro e Crítica, vol. I. São Paulo: Norte Editora, 1986.

“O papel de Brecht no teatro brasileiro: uma avaliação”, in Brecht no Brasil – Experiências e Influências. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1987.

“O crítico de teatro”, in Sobre Anatol Rosenfeld. São Paulo: Com-Arte, s.d.

“Dramaturgia brasileira moderna”, in O Teatro através da História. Vol. II. O Teatro Brasileiro. Rio de Janeiro: Centro Cultural Banco do Brasil e Entourage Produções Artísticas, 1994.

“Saudação”, in Homenagem a Décio de Almeida Prado. São Paulo: União Brasileira de Escritores/SP e João Scortecci Editora, 1995.

Theaterstücke aus Brasilien. Antologia do moderno teatro brasileiro, em colaboração com Henry Thourau. Berlim, 1996.

“O texto no moderno teatro brasileiro”, in Stepalcos. Revista da Cena Lusófona. Associação Portuguesa para o Intercâmbio Teatral, n.o 3, setembro de 1998.

“A mulher no teatro brasileiro moderno”, no ciclo de palestras A Mulher na Sociedade Contemporânea, Academia Brasileira de Letras, 16 nov. 1998.

“Princípios estéticos desentranhados das peças de Pirandello sobre teatro”, in J. Guinsburg (org.) Pirandello – Do Teatro no Teatro. São Paulo: Editora Perspectiva, 1999.

“Depoimento”, in Maria M. Delgado e Paul Heritage (org.) Diálogos no Palco –26 Diretores Falam de Teatro. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1999.

“Narrativa e drama fundidos”, in Gilgamesh (adaptação de Antunes Filho). Mairiporã: Editora Veredas, 1999.

“Le mauvais tour que joue la vie” (sobre a dramaturgia de Nelson Rdodrigues), in Théâtre/Public, revista bimestral do Théâtre de Gennevilliers, 1999.

“O diálogo em Machado de Assis”, no Ciclo Machado de Assis. Academia Brasileira de Letras, 1999.

“Teatro em São Paulo de 1943 a 1968”, in Brasil: Palco e Paixão. Um século de Teatro.  Rio de Janeiro: Aprazível Edições, 2004/2005.

Direção e consultoria de coleções

Direção e organização da Série Teatro Universal da Editora Brasiliense de São Paulo, constante de 34 volumes de peças, publicadas de 1965 a 1969.

Consultoria da coleção Teatro Vivo da Abril Cultural, constante de 35 peças, publicadas em 1976 e 1977.

Organização e introdução do Teatro Completo de Nelson Rodrigues, publicado em 4 volumes. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1981 a 1989; organização geral e prefácio do Teatro Completo de Nelson Rodrigues, em um volume. Rio de Janeiro: Editora Nova Aguilar, 1993; reimpressão, 1994.

Direção da coleção “O Melhor Teatro”, publicada pela Editora Global de São Paulo. Mais de 10 títulos publicados.

Consultor da Enciclopédia Abril. Autor do verbete sobre o Teatro Brasileiro, na Enciclopédia Mirador Internacional.

Autor de cerca de 30 prefácios de peças e estudos sobre teatro.

Autor do verbete sobre o Teatro Brasileiro, no Dictionnaire des Littératures. Presses Universitaires de France.

Crítico teatral da revista Visão, de 1968 a 1975; organizador, junto com Décio de Almeida Prado, do Dossiê Teatro, publicado no número 14 da Revista USP – junho a agosto de 1992.

Autor de verbetes sobre Teatro no Dicionário Aurélio. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999.

 

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A tortura no Paraguai

A tortura no Paraguai

livro stroessner- retrato de uma ditadura

A tortura era prática comum na ditadura do general Alfredo Stroessner (1954-1989). Os agentes da repressão não distinguiam cidadãos anônimos de autoridades ou políticos. Não havia critério para alguém ser vítima dos agentes da repressão.

O livro Stroessner: retrato de uma ditadura, de Julio José Chiavenato, que ilustra o post, relata alguns dos milhares de episódios ocorridos durante o regime do ditador.

Reproduzo abaixo caso ocorrido com o político Euclides Acevedo.

euclides acevedo

Euclides Acevedo

Em dezembro de 1974, Euclides Acevedo, diretor do semanário El Pueblo, órgão semiclandestino do Partido Revolucionario Febrerista, acabara de chegar ao Paraguai, vindo da Inglaterra, onde estudava economia, para passar as festas de fim de ano com a família. Foi preso na rua por um ex-colega de faculdade e agente do regime Stroessner. Acevedo foi levado ao Departamento de Vigilância y Delitos. Segue seu relato conforme publicado no livro de Chiavenato:

“Ali me desnudam, me levam a um quartinho onde havia uma banheira, então vazia. Atam-me as mãos atrás das costas. Atam-me os pés. Começam previamente a açoitar-me perguntando onde estava o dinheiro que eu tinha trazido da Hungria. Querem que eu lhes dê nomes de dirigentes de um movimento subversivo ao que me acusam de estar ligado. Eu não posso dizer, eu não sei nada do que falam. Então começam a encher a banheira de água. Me fazem sentar à beira da banheira e, com um pontapé no peito, derrubam-me de costas. Começam a me submergir. Quando eu luto desesperado para respirar, eles me tiram um pouco e, logo em seguida, submergem-se de novo. Isso durante duas horas aproximadamente. Há um policial sentado na porta do quarto, com um papelzinho, fazendo-me perguntas sobre nomes, quem são os dirigentes do Partido, que instruções recebi em Cuba, que instruções recebi na União Soviética. Como não podia responder, começaram a esmurrar-me, sentado à beira da banheira. Comecei a sangrar continuadamente e a vomitar água. Os torturadores comunicam-se por telefone com os policiais de Investigaciones. Na sala contígua colocam um gravador com música barulhenta, para encobrir meus gritos, quando comecei a ficar desesperado. Esse tratamento foi aproximadamente até as 4 da manhã, tendo começado às 23h.

Então colocaram-se um eletrodo dentro do ouvido – e por isso fiquei surdo do ouvido esquerdo – e me dão choques. Golpeiam-se ainda com um cassetete de borracha na cabeça. Me torturam até as 4:45 da manhã. Aí, então, levaram-me, esgotado, quase morto, a Pastor Coronel, que exige minha confissão por escrito. Ele me diz que “escreva tudo”, tudo o que sei, e que ande depressa. Me diz: “não se faça de louco porque vou matá-lo aqui mesmo”. Me davam café para beber, muito café, nenhuma água: era para não dormir.

Na noite seguinte, seguiram com a mesma operação de torturas, só que agora só torturavam, não perguntavam mais nada. Açoite, banheira e picada elétrica. Depois me isolaram num quartinho e nada me perguntaram durante 15 dias, quando então me apresentaram um questionário idiota, que serviu para formar meu processo.

Estive em Investigaciones 57 dias; estavam presas quase 300 pessoas, num calor tremendo. De 1974 a 1976 passaram por Investigaciones cerca de 3 mil pessoas. Estive numa cela durante 27 dias, sem poder tomar banho. Superava-me muito o ouvido perfurado e minhas feridas não cicatrizavam. Depois de 57 dias fui transferido para a 3ª Comisaría, onde estão os presos políticos mais antigos do Paraguai. Na 3ª estive 10 meses sem ver a luz do sol. Depois de um mês ali, recebi pela primeira vez a visita de minha mãe. Podia recebê-la uma vez por semana e a visita durava cinco minutos.

E não podíamos conversar. Já não éramos torturados fisicamente, mas faziam nossa vida impossível. Depois de dez meses de convivência com patriotas que estavam há 17, 18 anos presos ali, fomos transferidos para a cadeia pública.

Fui condenado a 3 anos de prisão. Saí depois de 2 anos com “arresto familiar”: não podia sair de casa. Depois de 2 meses, o comissário informou-me que eu podia sair. Mas não tinha documentos…”

 

Loyola Guzmán

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Loyola Guzmán

Loyola Guzmán tinha 21 anos quando conheceu Che Guevara. Era janeiro de 1967, na região de Ñancahuazú. O contato com o revolucionário argentino foi decisivo para Loyola continuar na luta armada. A luta armada, afirmava Che, era o verdadeiro caminho para se construir uma sociedade diferente, e não as eleições. O discurso do líder da revolução cubana tinha um apelo enorme junto ao grupo de jovens guerrilheiros. Embarcaram todos na jornada que terminaria no dia 8 de outubro do mesmo ano, quando Che foi capturado e assassinado por forças do exército boliviano e da CIA.

Quando encontrou Che na selva, Loyola integrava o Partido Comunista Boliviano. Apesar de ele estar disfarçado e insistir em ser chamado Ramón, ela sabia quem ele era. Depois de um encontro estratégico na região usada pela guerrilha, Loyola recebe ordens de voltar a La Paz com a missão de levantar recursos para financiar o movimento e recrutar militantes.

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Che Guevara e Loyola Guzmán na selva boliviana.

Loyola e seu grupo na capital fariam contato com Che Guevara por meio de um mensageiro, e não fariam qualquer operação militar sem ordens diretas dele. O mensageiro, no entanto, foi preso e o grupo perdeu contato com Che.

Logo depois Loyola foi capturada e tentou se jogar por uma janela durante um interrogatório. Torturada, foi condenada por apoiar a guerrilha. Ela soube da morte de Che na prisão. Libertada, Loyola passou a atuar na defesa dos Direitos Humanos e até hoje participa ativamente da vida política da Bolívia.

Loyola Guzmán, de 73 anos, é uma das personagens do livro-reportagem Os Últimos Guerrilheiros. Estarei com ela em La Paz a partir de 14 de agosto.

Douglas Bravo

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Douglas Bravo

Douglas Bravo, um dos personagens do livro-reportagem Os Últimos Guerrilheiros, é considerado o guerrilheiro mais famoso da Venezuela. Sua luta nos movimentos de esquerda começa em 1946, quando ele tinha apenas 12 anos e ingressa no Partido Comunista da Venezuela (PCV).

Em 1962, ele integra as Forças Armadas de Libertação Nacional (FALN), criado pelo PCV como braço armado da Frente de Libertação Nacional (FLN).

No início da década de 1960, surgem vários grupos guerrilheiros no país, descontentes com os rumos seguidos pelo presidente Rómulo Betancourt. Político de esquerda, Betancourt se afasta dos ideais socialistas, adere à Aliança para o Progresso e passa a enfrentar forte oposição de grupos armados.

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Douglas Bravo nas selvas venezuelanas

Uma divisão no PCV resulta no rompimento com o líder cubano Fidel Castro e na expulsão de Douglas Bravo da organização. Em declarações públicas, Fidel refere-se ao venezuelano como “um autêntico combatente comunista”. Com alguns companheiros, Bravo cria o Partido da Revolução Venezuelana (PRV) e assume o comando das FALN.

Em 1973, o presidente Rafael Caldera praticamente elimina os grupos guerrilheiros na Venezuela. Três anos depois, já no governo de Carlos Andrés Pérez, as guerrilhas ressurgem por questões ideológicas. No centro das discussões estão as divergências em torno da distribuição dos lucros do petróleo.

Dois anos depois, Bravo retira-se da luta armada. Viaja a Paris para tratamento de saúde e só retorna ao país em 1977. Em 79, ele e outros guerrilheiros recebem indulto do governo. As atividades do PRV, no entanto, continuam.

Um dos grandes feitos de Bravo e seu partido foi infiltrar elementos nas Forças Armadas da Venezuela. Esses agentes atraíram militares para a causa guerrilheira. O mais famoso deles foi o então coronel Hugo Chávez, futuro presidente do país. Foi pelo PRV que Chávez, ao lado de Bravo, participou dos golpes de Estado frustrados de 4 de fevereiro e de 27 de novembro de 1992. Os dois foram presos e indultados no ano seguinte.

Desde o primeiro governo Chávez, em 1999, adotou uma postura crítica e de oposição ao ex-pupilo. Bravo chegou a acusar Chávez de neoliberal e burguês. Atualmente, o ex-guerrilheiro dirige o movimento Terceiro Caminho, uma evolução do PRV-FALN.

A Guerra do Paraguai

Mais uma indicação de Maria Stella Cáceres de Almada, esposa de Martín Almada: um programa da televisão argentina sobre a Guerra do Paraguai. O formato mistura atores da atualidade com personagens históricos na reconstituição de alguns episódios. É uma boa introdução ao tema.

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O livro Che Guevara – uma biografia, do jornalista americano Jon Lee Anderson, é considerado uma das biografias mais completas do guerrilheiro argentino e herói da revolução cubana. Durante o processo de apuração, ele conseguiu a informação do local em que estavam enterrados os restos mortais de Che, assassinado no dia 8 de outubro de 1967 na Bolívia.

No link a seguir é possível ler uma entrevista que a jornalista Cynara Menezes, aSocialista Morena, fez com Anderson na ocasião dos 40 anos da morte de Che Guevara. No texto ela também relata a indignação do biógrafo com um texto publicado na revista Veja sobre o assunto.

Para ler, é só clicar aqui.

35 anos de terror

A TV Pública do Paraguai produziu três programas sobre a ditadura do general Alfredo Stroessner que merecem ser vistos por quem se interessa pela história da América Latina. A partir de entrevistas com ex-presos políticos, torturados, historiadores e cientistas políticos, a série “Los 35 años del Stronismo” explica como o ex-ditador construiu sua rede de poder que aterrorizou os paraguaios por mais de três décadas.

As prisões sem justificativa, os abusos, as torturas, as traições e a corrupção que permeavam a sociedade paraguaia estão no centro das discussões. Sem conhecer o que aconteceu com o Paraguai é impossível entender a realidade do país. Como complemento, recomendo o obituário de Stroessner publicado no jornalThe New York Times.

Os três programas seguem abaixo. Foram indicação de Maria Stella Cáceres de Almada, esposa de Martín Almada, um dos personagens do livro-reportagem Os Últimos Guerrilheiros. Estarei com ele em Assunção em agosto, para uma série de entrevistas. Maria Stella e Martín criaram o Museo Memorias, cuja página no facebook merece uma visita.

Programa 1 – “Los 35 años del Stronismo”

Programa 2 – “Archivos del Terror”

Programa 3 – “Desaparecidos”

A revolução boliviana

Aqui no site estarão disponíveis dicas de livros, reportagens, filmes, documentários e músicas. Muitos fora de catálogo, encontráveis apenas em sebos e merecendo reedição. Sempre que possível postarei o link para a página de onde o produto pode ser adquirido, de uma referência na internet e a imagem.

Toda dica nova entra aqui na lista de posts e também fica na seção Para ler, ver e ouvir. Para acessá-la, basta clicar no link no alto da página.

Se alguém se sentir provocado a saber mais sobre qualquer um deles, esta seção terá justificado sua existência.

The Bolivian Revolution and the United States, 1952 to the Present, de James F. Siekmeier

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A tortura no Paraguai

livro stroessner- retrato de uma ditadura

A tortura era prática comum na ditadura do general Alfredo Stroessner (1954-1989). Os agentes da repressão não distinguiam cidadãos anônimos de autoridades ou políticos. Não havia critério para alguém ser vítima dos agentes da repressão.

O livro Stroessner: retrato de uma ditadura, de Julio José Chiavenato, que ilustra o post, relata alguns dos milhares de episódios ocorridos durante o regime do ditador.

Reproduzo abaixo caso ocorrido com o político Euclides Acevedo.

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Euclides Acevedo

Em dezembro de 1974, Euclides Acevedo, diretor do semanário El Pueblo, órgão semiclandestino do Partido Revolucionario Febrerista, acabara de chegar ao Paraguai, vindo da Inglaterra, onde estudava economia, para passar as festas de fim de ano com a família. Foi preso na rua por um ex-colega de faculdade e agente do regime Stroessner. Acevedo foi levado ao Departamento de Vigilância y Delitos. Segue seu relato conforme publicado no livro de Chiavenato:

“Ali me desnudam, me levam a um quartinho onde havia uma banheira, então vazia. Atam-me as mãos atrás das costas. Atam-me os pés. Começam previamente a açoitar-me perguntando onde estava o dinheiro que eu tinha trazido da Hungria. Querem que eu lhes dê nomes de dirigentes de um movimento subversivo ao que me acusam de estar ligado. Eu não posso dizer, eu não sei nada do que falam. Então começam a encher a banheira de água. Me fazem sentar à beira da banheira e, com um pontapé no peito, derrubam-me de costas. Começam a me submergir. Quando eu luto desesperado para respirar, eles me tiram um pouco e, logo em seguida, submergem-se de novo. Isso durante duas horas aproximadamente. Há um policial sentado na porta do quarto, com um papelzinho, fazendo-me perguntas sobre nomes, quem são os dirigentes do Partido, que instruções recebi em Cuba, que instruções recebi na União Soviética. Como não podia responder, começaram a esmurrar-me, sentado à beira da banheira. Comecei a sangrar continuadamente e a vomitar água. Os torturadores comunicam-se por telefone com os policiais de Investigaciones. Na sala contígua colocam um gravador com música barulhenta, para encobrir meus gritos, quando comecei a ficar desesperado. Esse tratamento foi aproximadamente até as 4 da manhã, tendo começado às 23h.

Então colocaram-se um eletrodo dentro do ouvido – e por isso fiquei surdo do ouvido esquerdo – e me dão choques. Golpeiam-se ainda com um cassetete de borracha na cabeça. Me torturam até as 4:45 da manhã. Aí, então, levaram-me, esgotado, quase morto, a Pastor Coronel, que exige minha confissão por escrito. Ele me diz que “escreva tudo”, tudo o que sei, e que ande depressa. Me diz: “não se faça de louco porque vou matá-lo aqui mesmo”. Me davam café para beber, muito café, nenhuma água: era para não dormir.

Na noite seguinte, seguiram com a mesma operação de torturas, só que agora só torturavam, não perguntavam mais nada. Açoite, banheira e picada elétrica. Depois me isolaram num quartinho e nada me perguntaram durante 15 dias, quando então me apresentaram um questionário idiota, que serviu para formar meu processo.

Estive em Investigaciones 57 dias; estavam presas quase 300 pessoas, num calor tremendo. De 1974 a 1976 passaram por Investigaciones cerca de 3 mil pessoas. Estive numa cela durante 27 dias, sem poder tomar banho. Superava-me muito o ouvido perfurado e minhas feridas não cicatrizavam. Depois de 57 dias fui transferido para a 3ª Comisaría, onde estão os presos políticos mais antigos do Paraguai. Na 3ª estive 10 meses sem ver a luz do sol. Depois de um mês ali, recebi pela primeira vez a visita de minha mãe. Podia recebê-la uma vez por semana e a visita durava cinco minutos.

E não podíamos conversar. Já não éramos torturados fisicamente, mas faziam nossa vida impossível. Depois de dez meses de convivência com patriotas que estavam há 17, 18 anos presos ali, fomos transferidos para a cadeia pública.

Fui condenado a 3 anos de prisão. Saí depois de 2 anos com “arresto familiar”: não podia sair de casa. Depois de 2 meses, o comissário informou-me que eu podia sair. Mas não tinha documentos…”

 

Loyola Guzmán

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Loyola Guzmán

Loyola Guzmán tinha 21 anos quando conheceu Che Guevara. Era janeiro de 1967, na região de Ñancahuazú. O contato com o revolucionário argentino foi decisivo para Loyola continuar na luta armada. A luta armada, afirmava Che, era o verdadeiro caminho para se construir uma sociedade diferente, e não as eleições. O discurso do líder da revolução cubana tinha um apelo enorme junto ao grupo de jovens guerrilheiros. Embarcaram todos na jornada que terminaria no dia 8 de outubro do mesmo ano, quando Che foi capturado e assassinado por forças do exército boliviano e da CIA.

Quando encontrou Che na selva, Loyola integrava o Partido Comunista Boliviano. Apesar de ele estar disfarçado e insistir em ser chamado Ramón, ela sabia quem ele era. Depois de um encontro estratégico na região usada pela guerrilha, Loyola recebe ordens de voltar a La Paz com a missão de levantar recursos para financiar o movimento e recrutar militantes.

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Che Guevara e Loyola Guzmán na selva boliviana.

Loyola e seu grupo na capital fariam contato com Che Guevara por meio de um mensageiro, e não fariam qualquer operação militar sem ordens diretas dele. O mensageiro, no entanto, foi preso e o grupo perdeu contato com Che.

Logo depois Loyola foi capturada e tentou se jogar por uma janela durante um interrogatório. Torturada, foi condenada por apoiar a guerrilha. Ela soube da morte de Che na prisão. Libertada, Loyola passou a atuar na defesa dos Direitos Humanos e até hoje participa ativamente da vida política da Bolívia.

Loyola Guzmán, de 73 anos, é uma das personagens do livro-reportagem Os Últimos Guerrilheiros. Estarei com ela em La Paz a partir de 14 de agosto.

Douglas Bravo

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Douglas Bravo

Douglas Bravo, um dos personagens do livro-reportagem Os Últimos Guerrilheiros, é considerado o guerrilheiro mais famoso da Venezuela. Sua luta nos movimentos de esquerda começa em 1946, quando ele tinha apenas 12 anos e ingressa no Partido Comunista da Venezuela (PCV).

Em 1962, ele integra as Forças Armadas de Libertação Nacional (FALN), criado pelo PCV como braço armado da Frente de Libertação Nacional (FLN).

No início da década de 1960, surgem vários grupos guerrilheiros no país, descontentes com os rumos seguidos pelo presidente Rómulo Betancourt. Político de esquerda, Betancourt se afasta dos ideais socialistas, adere à Aliança para o Progresso e passa a enfrentar forte oposição de grupos armados.

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Douglas Bravo nas selvas venezuelanas

Uma divisão no PCV resulta no rompimento com o líder cubano Fidel Castro e na expulsão de Douglas Bravo da organização. Em declarações públicas, Fidel refere-se ao venezuelano como “um autêntico combatente comunista”. Com alguns companheiros, Bravo cria o Partido da Revolução Venezuelana (PRV) e assume o comando das FALN.

Em 1973, o presidente Rafael Caldera praticamente elimina os grupos guerrilheiros na Venezuela. Três anos depois, já no governo de Carlos Andrés Pérez, as guerrilhas ressurgem por questões ideológicas. No centro das discussões estão as divergências em torno da distribuição dos lucros do petróleo.

Dois anos depois, Bravo retira-se da luta armada. Viaja a Paris para tratamento de saúde e só retorna ao país em 1977. Em 79, ele e outros guerrilheiros recebem indulto do governo. As atividades do PRV, no entanto, continuam.

Um dos grandes feitos de Bravo e seu partido foi infiltrar elementos nas Forças Armadas da Venezuela. Esses agentes atraíram militares para a causa guerrilheira. O mais famoso deles foi o então coronel Hugo Chávez, futuro presidente do país. Foi pelo PRV que Chávez, ao lado de Bravo, participou dos golpes de Estado frustrados de 4 de fevereiro e de 27 de novembro de 1992. Os dois foram presos e indultados no ano seguinte.

Desde o primeiro governo Chávez, em 1999, adotou uma postura crítica e de oposição ao ex-pupilo. Bravo chegou a acusar Chávez de neoliberal e burguês. Atualmente, o ex-guerrilheiro dirige o movimento Terceiro Caminho, uma evolução do PRV-FALN.

A Guerra do Paraguai

Mais uma indicação de Maria Stella Cáceres de Almada, esposa de Martín Almada: um programa da televisão argentina sobre a Guerra do Paraguai. O formato mistura atores da atualidade com personagens históricos na reconstituição de alguns episódios. É uma boa introdução ao tema.

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O livro Che Guevara – uma biografia, do jornalista americano Jon Lee Anderson, é considerado uma das biografias mais completas do guerrilheiro argentino e herói da revolução cubana. Durante o processo de apuração, ele conseguiu a informação do local em que estavam enterrados os restos mortais de Che, assassinado no dia 8 de outubro de 1967 na Bolívia.

No link a seguir é possível ler uma entrevista que a jornalista Cynara Menezes, aSocialista Morena, fez com Anderson na ocasião dos 40 anos da morte de Che Guevara. No texto ela também relata a indignação do biógrafo com um texto publicado na revista Veja sobre o assunto.

Para ler, é só clicar aqui.

35 anos de terror

A TV Pública do Paraguai produziu três programas sobre a ditadura do general Alfredo Stroessner que merecem ser vistos por quem se interessa pela história da América Latina. A partir de entrevistas com ex-presos políticos, torturados, historiadores e cientistas políticos, a série “Los 35 años del Stronismo” explica como o ex-ditador construiu sua rede de poder que aterrorizou os paraguaios por mais de três décadas.

As prisões sem justificativa, os abusos, as torturas, as traições e a corrupção que permeavam a sociedade paraguaia estão no centro das discussões. Sem conhecer o que aconteceu com o Paraguai é impossível entender a realidade do país. Como complemento, recomendo o obituário de Stroessner publicado no jornalThe New York Times.

Os três programas seguem abaixo. Foram indicação de Maria Stella Cáceres de Almada, esposa de Martín Almada, um dos personagens do livro-reportagem Os Últimos Guerrilheiros. Estarei com ele em Assunção em agosto, para uma série de entrevistas. Maria Stella e Martín criaram o Museo Memorias, cuja página no facebook merece uma visita.

Programa 1 – “Los 35 años del Stronismo”

Programa 2 – “Archivos del Terror”

Programa 3 – “Desaparecidos”

A revolução boliviana

Aqui no site estarão disponíveis dicas de livros, reportagens, filmes, documentários e músicas. Muitos fora de catálogo, encontráveis apenas em sebos e merecendo reedição. Sempre que possível postarei o link para a página de onde o produto pode ser adquirido, de uma referência na internet e a imagem.

Toda dica nova entra aqui na lista de posts e também fica na seção Para ler, ver e ouvir. Para acessá-la, basta clicar no link no alto da página.

Se alguém se sentir provocado a saber mais sobre qualquer um deles, esta seção terá justificado sua existência.

The Bolivian Revolution and the United States, 1952 to the Present, de James F. Siekmeier

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SEMANA DE LAS LETRAS HISPANO-BRASILEÑAS EN SAO PAULO

Escritores, editores, críticos literarios y traductores de España y Brasil se darán cita en Sao Paulo en la Semana de las Letras Hispano-Brasileñas organizada por el Instituto Cervantes en colaboración con el Ministerio de Cultura

“Narrativas de la ciudad contemporánea” es el título de la Semana de las Letras Hispano-Brasileñas que se celebra en el Instituto Cervantes de Sao Paulo entre el lunes 8 y el viernes 12 de noviembre.
Será inaugurada por el director del Instituto Cervantes, César Antonio Molina, el embajador de España en Brasil, José Coderch, y el presidente de la Unión Brasileña de Escritores, Levi Bucalem Ferrari.

Manuel de Lope, José Ovejero, Tomás Eloy Martínez, Carmen Posadas, Alicia Giménez Barlett, José María Ridao, Juan Pedro Aparicio y José María Guelbenzu, entre otros autores, participarán en los debates, cuyo objetivo último es estrechar las relaciones literarias entre España y Brasil.

El próximo lunes, además, Francisco Umbral inaugurará la biblioteca del Instituto Cervantes de Sao Paulo, que llevará su nombre. El escritor y columnista intervendrá a través de una grabación en este acto, que se enmarca en la decisión del Instituto de bautizar a sus bibliotecas con el nombre de los escritores galardonados con el Premio Cervantes. El documento adjunto contiene la transcripción de su intervención.

El novelista Francisco Umbral (Madrid, 1935), que no podrá viajar a Sao Paulo por motivos de salud, intervendrá en la inauguración de la biblioteca del Instituto Cervantes con un mensaje grabado en vídeo. El autor de “Mortal y rosa” reconoce, en el discurso improvisado, su fascinación por el “personaje real” de Cervantes, más que por el “personaje imaginario” de don Quijote.

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A grande noite de homenagem a Gonzaga Belluzzo

São Paulo, 28 de outubro de 2005 – A noite de quinta-feira, dia 27, não poderia ter sido mais agradável para o professor Luis Gonzaga Belluzzo. O auditório da Academia Paulista de Letras, no largo do Arouche, estava lotado de familiares, como sua mãe, e intelectuais e políticos do porte da escritora Lygia Fagundes Telles e do secretário municipal Aloísio Nunes Ferreira. Foram todos prestigiar a cerimônia de entrega a ele do prêmio “Intelectual do Ano 2005-Troféu Juca Pato”, concedido pela União Brasileira de Escritores (UBE), com apoio do jornal “Folha de S.Paulo”.

Levi Bucalem Ferrari, presidente da UBE, presidiu a sessão, tendo ao seu lado o jurista Ives Gandra Martins, presidente da APL; o jornalista Vinicius Motta, representando a Folha; o escritor Alberto da Costa e Silva, premiado do ano passado, e o emocionado Gonzaga Belluzzo, eleito pelo voto direto dado por outros escritores e autoridades culturais. Ele é professor do curso de Gestão do Esporte da Universidade São Marcos e da FACAMP.

Criado em 1962, por proposta de Marcos Rey, um dos fundadores e então vice-presidente da UBE, o prêmio é singular por ser o único no gênero no País. Foi criado pelo escritor Marcos Rey, juntamente com seu irmão Mário Donato, e leva o nome de “Juca Pato” em referência a uma personagem criada pelo jornalista Léllis Vieira e celebrizada em 1925 na caricatura feita pelo ilustrador Benedito Carneiro Bastos Barreto, o popular Belmonte.

Homem simples, de estatura baixa, óculos redondos e gravata borboleta, Juca Pato escondia por detrás da aparência um sujeito de pavio curto. Era uma espécie de porta-voz de algumas camadas médias da sociedade paulistana, conforme lembrou Levi Ferrari. “Irritava-se com os desmandos, a prepotência, o arbítrio dos governantes e poderosos em geral. Sob o lema “Poderia ser pior”, desfilava seus reclamos em coluna publicada na “Folha da Manhã”. Desde a primeira edição o Prêmio Intelectual do Ano visou a consagrar autores de estudos e reflexões sobre o País que comungam do mesmo espírito crítico”.

O professor Gonzaga Belluzo, que ganhou o troféu por seu livro “Ensaios sobre o Capitalismo do Século XX” (Unesp), é muito parecido com a personagem, por sua luta e impaciência com os enganos do poder, nas palavras de Alberto da Costa e Silva, seu antecessor. Em seu discurso de agradecimento, Luiz Gonzaga Belluzzo apresentou uma forte crítica à globalização da economia, citando várias vezes Keynes, seu autor predileto. Em sua visão, “a crise do Brasil não é feita da banalidade do mal, mas da maldade das banalidades”. Saudou, em especial, o economista João Manoel Cardoso de Melo, com quem criou a FACAMP, um antigo companheiro a quem considera um verdadeiro irmão; o jornalista Mino Carta, outro dileto amigo, que lhe abriu os caminhos do jornalismo; e à senhora Elza Resk, viúva do ex-vereador e deputado estadual Antonio Resk, recém falecido, que como vice-presidente da UBE formulou a candidatura de Gonzaga Belluzo para o prêmio. O outro candidato foi o jornalista Paulo Markun e a disputa foi acirrada.

“Meu apego ao passado se deve ao fato de que ele é um intrometido, está sempre presente”, disse ao final Luiz Gonzaga Belluzzo, lembrando frase similar de Ferreira Gullar que lhe foi dita por Luciane Miranda de Paula, vice-reitora da Universidade São Marcos, dois dias antes, em encontro casual que tiveram na Prefeitura. Na ocasião, o professor antecipou à vice-reitora: “você me deu uma bela idéia para meu discurso”.

Palmeirense roxo, Luiz Gonzaga Belluzzo dá aulas sobre a história do esportes no Curso de Gestão do Esporte da Escola do Esporte da Universidade São Marcos, que está prestes a realizar seu terceiro vestibular. José Luiz Portella, coordenador do curso, representou a São Marcos no evento, em companhia do jornalista Júlio Moreno, diretor de comunicação institucional. Presentes ainda o ex-reitor da USP Flávio Fava de Moraes; os economistas Frederico Mazuchelli, João Manoel Cardoso de Melo, Roberto Macedo e Luciano Coutinho; Guilherme Santos Mendes, da delegacia paulista da Receita Federal, representando o governo federal; o deputado Arnaldo Jardim; os jornalistas Audálio Dantas e Nirlando Beirão; Djalma Alegro, da OAB; os escritores Cláudio Wille, Fábio Lucas e Paulo Bonfim, o “principe dos poetas”, entre muitos outros. Enviaram cumprimentos o presidente Lula, o governador Alckmin, o vice-governador Lembro, o ex-arcebispo dom Arns e vários reitores de universidades paulistas.

BNED: NG

FONTE: UNIVERSIDADE SÃO MARCOS
CONTATOS: GISELLE STAZAUSKAS
PRISCILA GIMENEZ
TELS: 11 3471-5701/11 3471-5700
E-MAILS: giselle.stazauskas@smarcos.br pgimenez@smarcos.br

PALAVRA-CHAVE: RJ
PALAVRA-CHAVE/RAMO DE ATIVIDADE: EDUCAÇÃO
PALAVRA-CHAVE/EMPRESA: UNIVERSIDADE SÃO MARCOS

O texto acima, distribuído pela PR Newswire Brasil, é de inteira responsabilidade de seu cliente. A utilização deste material não implica em custo.

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Feira do Livro de Ribeirão Preto reúne personalidades da literatura, cinema e música nesta segunda-feira (13)

Ribeirão Preto (SP), 10 de junho de 2016 – Na próxima segunda-feira (13), segundo dia de atividades da 16ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto, a programação apresenta à cidade grandes nomes da literatura, cinema, televisão e até do cenário musical brasileiro.
Para os apreciadores do cinema, este dia traz como atração no Theatro Pedro II, a partir das 20h30, o encontro “Escritor, ator e diretor de cinema, juntos para falar do livro e do filme”. O evento reúne Augusto Cury, cientista e escritor; o diretor de televisão e cinema, Jayme Monjardim e o ator Dan Stulbach. Os três vão falar sobre a adaptação para o cinema do livro de Augusto Cury “O vendedor de sonhos”.

Quem já conhece o talento do cantor e compositor, Martinho da Vila, durante a feira poderá conhecer seu trabalho no mundo literário. O cantor vai lançar seu mais novo livro. “Barras, Vilas & Amores” também no dia 13 de junho. O romance conta uma história de amor que tem como pano de fundo os lugares, personagens e canções que, em cada época, pontuaram as memórias do narrador e de seus protagonistas. O título editado pela SESI-SP Editora, tem Salão de Ideias às 18h30, no Theatro Pedro II e sessão de autógrafos na sequência.

Às 19h acontece Salão de Ideias com Antonio Carlos Sartini, superintendente do Museu da Língua Portuguesa, criado em 2006. O bate-papo acontecerá na Biblioteca Padre Euclides. O tema é “O papel do museu no universo da literatura”.

Debate sobre a Colômbia
A 16ª edição da Feira do Livro, como em todos os anos, faz homenagem a um país. Desta vez é a Colômbia, considerado o país das bibliotecas. E para discutir este tema haverá na segunda-feira o Salão de Ideias com o colombiano Norberto Garcia, professor titular do Departamento de Fisiologia da USP Ribeirão Preto, que vai discutir o tema “ Colômbia: do Eldorado aos desafios da contemporaneidade”, a partir das 14 horas, no auditório Palace (1º andar).
Outra atração dentro desta temática, acontece no auditório Meira Junior, às 16h, com o Salão de Ideias sobre Bibliotecas. Participarão José Castilho, secretário executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura (consultor internacional na área do livro, leitura e bibliotecas); Cláudia Ricci, diretora da Biblioteca Parque dos Manguinhos e Pierre Ruprecht, diretor-executivo da SP Leituras (Associação Paulista de Bibliotecas e Leituras. O debate vai enfocar nas políticas públicas de bibliotecas no Brasil.

OUTRAS ATIVIDADES DO DIA
OBS> Todos os eventos são gratuitos. Nos espaços sujeitos à lotação, os participantes devem retirar uma senha com uma hora de antecedência. Nos demais locais, a entrada será feita por ordem de chegada.

8h30 | Theatro Pedro | Raphael Montes – Advogado e escritor, é autor de “Suicidas” (Ed. Benvirá), romance finalista do Prêmio Benvirá de Literatura 2010, do Prêmio Machado de Assis 2012 da Biblioteca Nacional e do Prêmio São Paulo de Literatura 2013; “Dias Perfeitos” (Ed. Companhia das Letras), com os direitos de tradução vendidos para 16 países e “O Vilarejo”, que mereceu comparações a Stephen King. Os três livros serão adaptados para o cinema. Atualmente, Raphael assina uma coluna mensal no Blog da Companhia das Letras e outra semanal no Jornal O Globo. Além disso, escreve roteiro para cinema e séries de TV.

9 horas | Auditório Palace | 1º andar – Jogos Florais – O pedagogo, especialista em Educação, poeta e trovador, Nilton Manuel realiza anualmente os Jogos Florais Internacionais de Ribeirão Preto e os Jogos Florais Estudantis de Ribeirão Preto e fala sobre este projeto.

9h30 | Auditório Pedro Paulo | Palace – Apresentação musical Zé Roberto, Guedes e Odílio Sanfoneiro.

10 horas | Auditório Pedro Paulo | Palace – Salão de Ideia Leio, logo escrevo –
O Salão de Ideias reúne a cientista social Regina Baptista autora dos romances “Cárcere Privado”, “Ato Penitencial”, “Fórum Virtual”, a coletânea de pequenas narrativas “Mundo Suspenso”, o livro de contos “Revista Masculina: o homem exposto”; o poeta Alfredo Rossetti e autor de “Colheita dos Ventos”, “Trem das Palavras” e “Luz de Alpendre”; a atriz e autora do livro “Adorável Pecadora”, Juliana Sfair e Nicolas Guto, autor de “Dê uma chance para a poesia”; “Um guia de como se perder” e “Você acredita em tudo o que houve”.

10 horas | Biblioteca Padre Euclides | Oficina “Jogos sobre Língua Portuguesa”
Formada em Artes pela FAAP e mestre em Artes/Teatro pela ECA/USP, desde 2007, Marina Toledo coordena o Núcleo Educativo do Museu da Língua Portuguesa.
25 vagas – Inscrições tel.: 3911.1050

10 horas | Oficina Cultural Candido Portinari | Biblioteca Padre Euclides – O drama da descolonização em imagens em movimento – a propósito do “nascimento” dos cinemas luso-africanos – Participação de Carolin Overhoff Ferreira. Ela é professora de Cinema Contemporâneo na Unifesp. Pós-doutora pela ECA/USP, trabalha com a relação entre arte e política através dos seguintes temas: cinema contemporâneo, identidade nacional e transnacional, relações coloniais e pós-coloniais, adaptação literária e dramaturgia contemporânea.

10h30 | Auditório Meira Júnior | Um Plano Municipal do Livro, Leitura e Biblioteca para Ribeirão Preto – Depois de quatro encontros com a presença de representantes de entidades culturais e educacionais, o grupo concluiu uma proposta de Plano Municipal do Livro, Leitura e Biblioteca para Ribeirão Preto. O documento será apresentado durante o evento à comunidade em um debate com as presenças de José Roberto da Silva, do Minc e Ilíria Ruiz Pilissari da Secretaria de Estado da Cultura.

14 horas | Auditório Meira Júnior – Sessão Jabuti – Ignácio de Loyola Brandão
Nascido em Araraquara, Ignácio de Loyola Brandão é escritor e jornalista, tem 43 livros publicados entre romances, contos, crônicas, viagens, infantis e infantojuvenis. Traduzido para 14 línguas, possui cinco Prêmios Jabutis em suas estantes. Escreve quinzenalmente no Caderno 2 de O Estado de São Paulo.

14h30 | Apresentação da cantora Graça Abreu | Auditório Pedro Paulo – Palace

15 horas | Oficina sobre POESIA | POESIA: PALAVRA EM POTÊNCIA MÁXIMA | Auditório Pedro Paulo – Palace
Alex Dias é poeta, ator, pesquisador e gestor de projetos culturais. Autor do livro de poemas “lírica abissal”, pela editora Urutau e tem poemas publicados em diversas antologias e revistas especializadas em literatura, no Brasil e no exterior. É produtor cultural do Sesc Ribeirão Preto e fundador e diretor de OSNAÚTICOS.

15 horas | Biblioteca Padre Euclides | Salão de Ideias e lançamento do Livro “O Caderno da avó Clara”. Susana Ventura é doutora em Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa pela Universidade de São Paulo. Professora e pesquisadora das Literaturas de Língua Portuguesa.
Obs. A atividade se repete no dia 14, às 15h.

17 horas | Auditório Pedro Paulo | Palace – Felipe Vianna é formado em Gastronomia pelo SENAC-SP. Ele é um dos autores do livro Sanduíches Especiais e conta como é possível inovar a partir do tradicional sanduíche.

19 horas | Oficina Cultural Candido Portinari | Biblioteca Padre Euclides
Prosa de Saberes e lançamento do livro “A Resistência”, de Júlian Fuks, escritor e crítico literário, que em 2012 foi eleito pela revista Granta como um dos 20 melhores jovens escritores brasileiros.

19 horas | Auditório Pedro Paulo – Palace – Rotas Literárias de São Paulo – Goimar Dantas é jornalista, roteirista, escritora e mestre em Comunicação e Letras. É autora de obras de diversos gêneros, como o livro reportagem Rotas literárias de São Paulo (Editora Senac São Paulo/2014), que traça um panorama dos espaços e personagens literários da capital paulista desde o século 19 até os dias atuais.

19 horas | Cineclube Cauim – Levi Bucalem Ferrari é sociólogo e tem quatro livros publicados. Ele foi presidente da União Brasileira de Escritores e atualmente é diretor da área Internacional. Marcelo Nocelli é formado em Letras. Como escritor, estreou em 2007 com o romance “O Espúrio”. Em 2009, publicou o romance policial “O Corifeu Assassino”. Possui diversos contos e crônicas publicadas em revistas e sites especializados. Há cinco anos é cronista da Revista ZN. Em 2008, recebeu o prêmio Lima Barreto – Novos talentos da Literatura e publicou “Reminiscências” em 2013.

19 horas | Jardim da Biblioteca Altino Arantes | também nos dias 15 e 16 – Sarau Artístico do Curso de Letras do Centro Universitário Barão de Mauá
Com a participação de estudantes matriculados nos vários anos do curso de Letras do Centro Universitário Barão de Mauá, o Sarau Artístico apresentará, com muita irreverência, textos dos autores homenageados na Feira do Livro.

OBS Os dois jovens que participaram deste lançamento serão anunciados como curadores da Feira do Livro
19h30 | Auditório Meira Júnior | Centro de debates literários – Fundação do Livro e Leitura lança Centro de Debates – Gabriela B. Pedrão é bibliotecária e doutoranda em Ciência da Informação pela Unesp. Começou com seu canal no Youtube como uma forma de divulgar e incentivar a leitura. O projeto deu certo e hoje o canal ‘É o último, juro!’ conta com resenhas semanais e discussões que vão de literatura à Biblioteconomia.
Renan Rocha, 21 anos, é estudante de Publicidade e Propaganda no Centro Universitário Moura Lacerda e o responsável pelo canal “Se Livrando”. Há três anos no universo literário, Renan tem como foco, no canal e no dia-a-dia, o incentivo à leitura, apresentando livros de maneira descontraída, o que já o proporcionou reconhecimento no maior telejornal do país.

Sinopse
A Feira Nacional do Livro faz parte do calendário cultural de Ribeirão Preto e região. Trata-se de uma feira reconhecida nacionalmente e consolidada como um dos mais importantes eventos do interior e uma das sete maiores feiras literárias da América Latina.
A 16ª edição da Feira Nacional do Livro de Ribeirão, como em todos os anos, faz homenagem a um país. Desta vez é a Colômbia, considerado o país das bibliotecas. Quanto aos escritores celebrados, a premiada Lygia Fagundes Telles é a escritora do ano, atual membro da Academia Brasileira de Letras e da Academia das ciências de Lisboa. Na categoria infantojuvenil, a autora homenageada é Maria Clara Machado, escritora e dramaturga de sucesso entre crianças e adolescentes. O filósofo, escritor e educador Mario Sergio Cortella é o destaque na categoria autor educação e a premiada Rita Mourão, atual integrante da Academia Ribeirãopretana de Letras, é a homenageada na categoria autor local. Como patrono, a Feira indicou o empresário e Fundador do Grupo Rodonaves, João Naves.
Nesta edição, o evento mantém seus pilares associados aos princípios da democratização do acesso ao livro e à leitura ao realizar uma programação de atuação diversificada com: saraus, contação de histórias, exposições de livros, salão de ideias, palestras, oficinas, música, dança, teatro e outras modalidades.
A programação completa é gratuita e acessível a todos os públicos. Uma das características desta agenda cultural é incluir atividades para diversos locais da cidade, como escolas, instituições, bibliotecas, praças, Ongs, universidades, museu, shoppings e centros culturais na periferia. O evento atende não só a cidade de Ribeirão Preto, mas também em cerca de 25 municípios da região.

Sobre a Fundação
A Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto é uma entidade de direito privado, sem fins lucrativos. Trata-se de uma evolução da antiga Fundação Feira do Livro, criada em 2004, especialmente para realizar a Feira Nacional do Livro da cidade – hoje considerada a segunda maior feira a céu aberto do país, realizada tradicionalmente no mês de junho.

A diretoria é eleita para um mandato de dois anos, sob acompanhamento do Conselho Fiscal. Com nova diretoria, a Fundação se prepara para implementar uma nova política de atuação em Ribeirão Preto e em outras cidades, com projetos na área de formação de professores e mediadores de leitura.

REALIZAÇÃO
O Ministério da Cultura, Governo do Estado de São Paulo, Secretaria de Estado da Cultura e Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto apresentam a 16ª Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto com Patrocínio Ouro do BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Patrocínio Prata da Gás Brasiliano e Savegnago. Como mantenedores são a ACIRP, Shopping Iguatemi. Patrocínio Bronze da AB Triângulo do Sol, Banco do Brasil, Pedra Agroindustrial, RTE Rodonaves e Itaú Unibanco. Conta também com o patrocínio da Caixa, Centro Universitário Estácio Uniseb e Mineração Jundu. Apoio Cultural do SESC – Serviço Social do Comércio, SENAC, SESI-SP Editora, Santa Helena, Centro Universitário Barão de Mauá, CBL – Câmara Brasileira do Livro, Instituto CPFL, Saraiva, UNAERP. Tem como parceiros culturais Heurys, Livraria Travessa, Monreale Hotel, NW3 Comunicação, Verbo Nostro, São Martinho, EPTV, Jornal A Cidade, CBN e G1. Apoio da Secretaria da Cultura, Secretaria do Turismo, Secretaria da Educação, Câmara de Ribeirão Preto, Fundação Dom Pedro II e Theatro Pedro II, MARP – Museu de Arte de Ribeirão Preto, Centro Cultural Palace, Instituto do Livro, Cine Clube Cauim, Atlântica Simbios, Biblioteca Altino Arantes e Fundação Educandário, Colégio Marista, Lotérica Galeria do Ribeirão Shopping, Coderp, Daerp, Transerp, Bombeiros, Guarda Civil, Polícia Militar, Polícia Civil, SINCOVARP, AMAECO, Evolua, Criar, Recicla Bytes, POIESIS e Oficina Cultural Candido Portinari. Realização: Fundação do Livro e Leitura de Ribeirão Preto, Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto, Governo do Estado de São Paulo – Secretaria da Cultura, Ministério da Cultura – Governo Federal.

Informações para a Imprensa:
Verbo Nostro Comunicação Planejada – (16) 3632-6202 / 3610-8659
Jornalistas responsáveis: Luciana Grili (16) 99152 2707, Andréa Berzotti (16) 991386185, Valter Jossi Wagner (16) 99152 2700
Colaboração: Julio Fontes

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Intelectuais e artistas apoiam Dilma em abaixo assinado

Não há como lavar as mãos e terceirizar os próximos quatro anos da nação brasileira ao acaso. Ou pior, aos impulsos irracionais dos mercados entregues à própria lógica.

Um ciclo de crescimento se esgota; outro terá que ser construído.

É vital a participação de todas as forças da sociedade na definição das linhas de passagem que devem ordenar o curso seguinte da história brasileira. As urnas de outubro são um pedaço da caminhada.

Conscientes do peso histórico do que será decidido no próximo dia 26, um grupo de intelectuais e artistas brasileiros decidiu emprestar o seu nome, a sua voz e a sua coerência histórica para amplificar o alerta ao risco condensado no júbilo dos mercados com o credenciamento da agenda conservadora na disputa deste segundo turno.

Esse alerta tomou a forma de um abaixo assinado de apoio à reeleição da Presidenta Dilma Rousseff, que começou a circular nas últimas horas em todo o país.

O que o impulsiona é evidência de que, em nome da mudança, articula-se na verdade a restauração do projeto que vigorou no país nos anos 90, com as sabidas consequências econômicas e sociais.

Vulgarizadores do credo neoliberal celebram as multidões de junho de 2013 como um endosso à qualquer mudança.

Tomam a nuvem por Juno e por isso trombam no essencial: o que anda para frente não se confunde com o cortejo empenhado em ir para trás.

O que o Brasil reclama não cabe no programa regressivo que se apresenta às urnas agira como modernizante.

O Brasil quer mudar porque o país que emergiu na última década de governos progressistas não cabe mais nos limites do atual sistema político.

A resposta é mais democracia.

Mas os que apregoam a mudança são contra o plebiscito da reforma política; rejeitam referendos e demonizam a simples menção a uma Constituinte para tratar da mãe de todas as mudanças: a reforma política.

Milhões de homens e mulheres que ascenderam na pirâmide de renda desde 2003 querem mais, porque ainda não encontram acolhida bastante na infraestrutura secularmente planejada para 30% da população.

A resposta é mais investimento público; melhor planejamento urbano; maior presença do Estado na coordenação do esforço de inversões público e privadas.

Mas o conservadorismo quer dobrar a aposta no arrocho fiscal, na alta dos juros, no desmonte do regime de partilha do pré-sal, no fim da exigência industrializante de conteúdo nacional nas compras da Petrobrás.

Os brasileiros querem mais mudança porque não tem expressão no esquizofrênico ambiente de um sistema de comunicação que exacerba e distorce a natureza dos desafios brasileiros, ao mesmo tempo em que interdita o debate e veta as respostas progressistas a eles.

A opção é a regulação democrática do sistema de comunicação, para que se torne mais ecumênico e plural.

Tudo o que eles qualificam como ‘autoritário e intervencionista’.

Não por acaso se desdenha do voto dos que precisam de fato que o Brasil mude.

Quem?

Os 14 milhões de lares beneficiados pelo Bolsa Família e outros programas sociais, por exemplo.

O expurgo dos pobres da cabine eleitoral é uma velha aspiração conservadora.

Foi só em 1988, com a Constituinte Cidadã, que o Brasil universalizou o direito ao voto. Um fundamento democrático e republicano ainda hoje mal digerido por aqueles que sonegam ao voto do nordestino ‘mal informado’ a mesma qualidade e peso que tem o voto do eleitor do Sudeste do país.

O Brasil tem razões adicionais para não aceitar que a regressão fale em seu nome.

A desigualdade entre nós ainda grita alto em qualquer competição mundial.

Mas entre 2003 e 2011, o crescimento da renda dos 20% mais pobres superou o dos BRICs, exceto a China. (Fonte: IPEA).

O Brasil foi o país que melhor utilizou o crescimento econômico dos últimos cinco anos para elevar o padrão de vida e o bem-estar da população, graças às políticas públicas deliberadamente voltadas aos mais pobres. (Fonte: consultoria Boston Consulting Group, que comparou indicadores de 150 países).

A narrativa conservadora sempre desdenhou da dinâmica estruturante embutida nesse degelo social.

Ou isso, ou aquilo.

Ou se reconhece os novos aceleradores do desenvolvimento ou o alarde dos seus gargalos é descabido.

A verdade é que ambos são reais.

O malabarismo está na pretensão de afinar multidões na rejeição ao ciclo que as gerou, despertou e agregou.

Esse contrassenso rebaixa e infantiliza o debate das escolhas que devem aprofundar a mutação em curso no país.

Contra isso se levanta o abaixo assinado lançado nas últimas horas ao qual já aderiram nomes como os de Marilena Chauí , Luiz Gonzaga Belluzzo, Raduan Nassar, Luiz Carlos Bresser-Pereira, Antônio Cândido , João Manuel Cardoso de Mello, entre dezenas de artistas, professores e intelectuais de diferentes áreas.

Une-os um mesmo propósito: o de libertar o debate eleitoral de 2014 do sequestro conservador. E o futuro do país também.

Por isso declaram seu apoio à reeleição de Dilma Rousseff.

Leia, abaixo, o texto do manifesto e a lista com as primeiras adesões

Manifesto de Apoio a Dilma Rousseff

Trabalhadores da cultura, da ciência e da universidade, os abaixo-assinados declaram apoio à candidatura de Dilma Rousseff.

Nosso apoio tem o propósito de resguardar os inegáveis e importantes avanços no combate à pobreza e a desigualdade. Estamos certos do empenho de Dilma Rousseff em prol do aperfeiçoamento das instituições democráticas e de seu compromisso com os princípios republicanos da Liberdade, Igualdade e Solidariedade.

Adalberto Cardoso sociólogo IESP/UERJ
ADINARI MOREIRA DE SOUSA PROFA CURSO SERVIÇO SOCIAL DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CEARÁ
Adriana Maria Giubertti Doutora em Sociologia pela UnB e professora universitária
Adriano Codato cientista político Univ Federal do Paraná
Adriano Luiz Duarte – Proferros Uninversidade Federal de Santa Catarina
ADÃO NOGUÊS Presidente da Seção Sindical Pelotas / RS do SINPAF representante dos trabalhadores da Embrapa
Alan Soares – Advogado e Ativista LGBT
Albene Miriam Menezes Klemi Professora associada da Universidade de Brasília /UnB Brasília/DF
Alessandra Maia – cientista social professora e pesquisadora – Puc Rio
Alexandre Busko Valim Dpto de História Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC
Alexandre Gustavo Melo Franco Bahia – UFOP
Alexandre Ronaldo da Maia – UFPE
Alexis Cortés Morales Doutor em Sociologia Departamento de Sociología Universidad Alberto Hurtado Chile
Alexsander Lemos de Almeida Gebara – Professor de História da África Universidade Federal Fluminense
ALOISIO SÉRGIO ROCHA BARROSO – Médico Mestre e doutorando em Economia Social e do Trabalho Unicamp
Amélia dos Santos Souza moro no Município da Cidade de Wagner na Bahia sou graduada em Arte Educação e estou no período de conclusão do curso de pós graduação em Educação do Campo no Piaui na UESPI pelo PRONERA Sou dirigente Estadual do MST e coordenadora de Brigada
Ana Costa – Professora da Universidade Federal Fluminense – UFF/RJ
Ana Cristina barra Murad
Ana Fonseca NEPP/UNICAMP
Ana Helena Tavares – Jornalista – Rio de Janeiro/RJ
Ana Karenina Arraes – universidade federal do rio grande do norte
Ana Laura dos Reis Corrêa – Professora Universidade de Brasília
Ana Laura Prates Pacheco psicanalista AME da Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano e pesquisadora do LABEURB- UNICAMP
Ana Lúcia Pastore Schritzmeyer – Professora do Depto de Antropologia da USP
Ana Maria Pereira Aires – UFRN
Ana Paula Lopes de Melo – Professora do Curso de Saúde Coletiva da UFPE
Ana Santana Souza doutora em Estudos da Linguagem e sou professora do Centro de Educação da UFRN
Andrea Lage Guaraciaba -Escola de Comunicação – UFRJ Aposentada
Andrea Paula dos Santos Oliveira Kamensky Universidade Federal do ABC – UFABC
Andreia Vicente Professora Adjunta/Unioeste – Toledo/PR
André Botelho professor da UFRJ
André Cordeiro Alves Dos SantosUniversidade Federal de São CarlosDepartamento de BiologiaCampus Sorocaba
André de Macedo Duarte – Filosofia/Universidade Federal do Paraná – UFPR
André Leclerc IES Universidade Federal do Ceará UFC
André Martins Biancarelli – Universidade Estadual de Campinas – Instituto de Economia
André Martins Biancarelli Universidade Estadual de Campinas Instituto de Economia
André Martins Biancarelli-Universidade Estadual de Campinas Instituto de Economia
André Singer professor da ciências políticas da USP
André Videira de Figueiredo Sociólogo da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
André Vieira físico
Andréa Maria Altino de Campos Loparic – USP
Andréia Galvão – Departamento de Ciência Política – Unicamp
Angela Bernardo de Lorena UFSCar
Angela Ganem – Prof do Instituto de Economia da UFRJ
Angela Ganem- Instituto de Economia-UFRJ
Angela Maria Carvalho Borges – UCSAL/BA
Angela Maria Ferreira Tygel professora aposentada do IACS da Universidade Federal Fluminense da cadeira de Antropologia
Angelita Matos Souza UNESP
Angelo Brayner – Professor da Univ de Fortaleza/UNIFOR
Anikele Frutuoso _ Uern/PPGL
Anita Simis UNESP
Anna Luiza Andrade Coli Bergische Universität Wuppertal
Antonio Albino Canelas Rubim – Universidade Federal da Bahia
Antonio Brasil Jr – Prof Adjunto Depto Sociologia – Universidade Federal Fluminense UFF
Antonio Carlos Macedo e Silva economista e professor do IE – Unicamp
Antonio Celso Ferreira professor titular em História do Brasil da Unesp campus de Assis
ANTONIO EDUARDO OLIVEIRA BARROS BANCÁRIO
Antonio Jorge de Siqueira
Antonio José Alves Junior – UFRRJ e BNDES
Antonio Luigi Negro Professor de História da UFBa
Antonio Maués – Universidade Federal do Pará/UFPA
ANTONIO PAULO REZENDE- UFPE-DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA
Antonio Roberto Bertelli Sociólogo e editor
Antonio Trigueiros – Prof Associado Livre Docente do Instituto de Fisica da UNICAMP Sao Paulo
António Gellis administrador professor da FGV/SP
ANTÔNIA MARA VIEIRA LOGUERCIO – Juíza do Trabalho aposentada
Antônio Cândido – USP
Antônio de Almeida Universidade Federal de Uberlândia docente
Antônio Torres Montenegro UFPE
Argelina Figueiredo cientista político Univ Estadual do Rio de Janeiro
Argemiro Cardoso Moreira Martins – Professor da UnB
Argemiro Cardoso Moreira Martins Professor Adjunto de Direito Público da Faculdade de Direito da Universidade de Brasília
ArilsonFavareto UFABC
Aristóteles Cardona Júnior Médico de Família e Comunidade e Professor da Universidade Federal do Vale do São Francisco – Petrolina/PE
Arlete Moysés Rodrigues – Geografa- UNICAMP – SP
Armando Boito Jr – Professor Ciência Política Unicamp
Artemisia Caldas Estudante de Doutoramento em Engenharia Têxtil na Universidade do Minho
Arthur Coelho Bezerra – Pesquisador do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia IBICT/MCTI
Aton Fon Filho-Advogado-OAB/SP 100 183-Dirigente Nacional da Consulta Popular
Aura Helena Ramos – UERJ
Aurelio Michiles –Ccineasta
Aytan miranda sipahi-hospital das clinicas faculdade de medicina da usp
Beatriz Augusto de Paiva – Professora do Curso de Serviço Social da UFSC
Beatriz Bezerra Tone professora curso se Arquitetura e Urbanismo Universidade Dão Judas Tadeu
Beatriz Kushnir UFF/UniRio
Benito Bisso Schmidt Departamento de História-IFCH-UFRGS
Bernard Herman Hess – prof UnB
Bernardo Ricupero – FFLCH/USP
Bianca Correa – Professora do Curso de Pedagogia da USP/Ribeirão Preto
Breno Isaac Benedykt Mestrando em Educação pela Universidade de São Paulo
Bruno De Conti – Professor do IE/Unicamp
Bruno Konder Comparato – UNIFESP
Camila Maria Risso Sales – Universidade Federal de São Carlos
Camila Petroni – historiadora – São Paulo SP
Candida Maria Bezerra Dantas – UFRN
Carla Ferreira Soares – PUC-Rio
Carlos Alberto da Silva Mazza Sou pesquisador na área de Ecologia e Recursos Naturais com Doutorado na UFSCar Atuo no Território Centro Sul do Paraná Território do MDA e região sul do Brasil Moro em Irati no Paraná
Carlos Domínguez Avila – UNIEURO/Brasil
Carlos Henrique Santana INCT-PPED
Carlos Hernab Rodas Cespedes UNIPAMPA
Carlos José Wanderley Ferreira – UFRN
Carlos Magno Spricigo Venerio
Carlos Pinkusfeld Bastos Cargo Profesor do Instituto de Economia da UFRJ
Carlos Ranulfo Felix de Melo – professor do DCP/UFMG
Carlota Boto – Departamento de Filosofia da Educação e Ciências da Educação Faculdade de Educação – Universidade de São Paulo
Carmen Lúcia Rodrigues Arruda – Coordenadora do Desenvolvimento Cultural – Unicamp
Celia N Galvão Quirino Professora Aposentada – FFLCH/USP
Cely Bertolucci – DF
Christian Edward Cyril Lynch – Iesp-Uerj e Fundação Casa de Rui Barbosa
Cimone Rozendo – Socióloga- UFRN/Natal/ Rio Grande do Norte
Ciro José Tavares advogadoe escritor CPF 00365530425 OAB/RN 175 A
Clara Araújo – Departamento de Ciências Sociais – Universidade do Estado do Rio de Janeiro/UERJ
Claudia Miranda –UFBA
Claudia Pagnoncelli Sou professor na Educação Básica em CAscavel Centro Pulo Freire/ Semed e aluna do mestrado na UNIOESTE e participante do Hitedopr
Claudia Satie Hamasaki
Claudia Satie Hamasaki Economia – FACAMP/Mackenzie
Claudivan Feitosa de Lacerda – Profissão Professor Doutor em Ciências Agrárias/Fisiologia vegetal Instituição Departamento de Engenharia Agrícola-Universidade Federal do Ceará
Clenes Costa Louzeiro geógrafa Técnica na FFLCH/USP
Clodualdo de Oliveira Lima
Cláudia Rosane Roesler – UnB
Clécio Azevedo da Silva Professor do Departamento de Geociências – UFSC
Cornelis Johannes van Stralen UFMG
Cristiane Kerches da Silva Leite EACH/USP
Cristina Fróes de Borja Reis
Cristina Soreanu Pecequilo – UNIFESP
Cristine Garcia Gabriel Professora – Universidade Federal de Santa Catarina – Florianópolis SC
Cássia de Fátima Matos dos santos sou professora da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte UERN
Daniel Brazil – Roteirista e Diretor de TV
Daniel Moraes dos Santos – UNESA-BH
Daniela Tranches de Melo – FGV/RJ
Daniele Ellery Mourão – Antropóloga pesquisadora professora e documentarista
Danielle Costa da Silva – IES Universidade do Estado do Rio de Janeiro – Instituto de Estudos Sociais e Políticos – IESP-UERJ
Danilo Araújo Fernandes
Danyelle Nilin Gonçalves- Universidade Federal do Ceará
Darlan Montenegro – UFRJ
Dayane Priscila Pereira de Souza Instituição Universidade do Estado do Rio Grande do Norte
Deborah Neves Mestre em História Social pela USP e historiadora do Condephaat
Delmar Mattes
Denis Maracci Gimenez – IE/UNICAMP
Domingos Savio da Cunha Garcia – Professor – Departamento de História – Universidade do Estado de Mato Grosso – UNEMAT – Cáceres /MT
Drauzio Gonzaga Pontifícia Universidade Católica/RJ e Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro EMERJ
Débora Cristina Morato Pinto – Departamento de Filosofia e Pró-Reitora de Pós-Graduação da Universidade Federal de São Carlos
Ecila Moreira de Meneses professora da Estácio -Ceará do Curso de Direito Filosofia Geral e Jurídica
Edilson José Graciolli Professor de Ciência Política e Sociologia da Universidade Federal de Uberlândia
Edmar Ramos de Siqueira – Pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros Aracaju Sergipe
Edson Lacerda de Resende
Eduardo Augusto Costa – Doutorando em História – IFCH – Unicamp
Eduardo Fagnani Professor do Instituto de Economia/UNICAMP
Eduardo Freitas da Costa Silva – Mestre em Ciências Sociais – UFJF
EDUARDO MACHADO
Eduardo Marques cientista política USP
Efrain Pantaleón Matamoros UFRN- Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Elciene Azevedo História UEFS
Eleonora Schettini M Cunha – Professora Adjunta Vice-coordenadora do Colegiado do Curso de Gestão Pública do Dep Ciência Política / UFMG
Eleutério Fernando da Silva Prado-Professor da FEA/USP
Eliane Christina de Souza Universidade Federal de São Carlos
Elizia Cristina Ferreira – UNILAB – Professora Adjunta
Elsa Sousa Kraychete – Universidade Federal da Bahia – UFBa
Elson Faxina – Jornalista e professor UFPR
Elza Marinho Lustosa da Costa Professora da Universidade Federal Fluminense UFF
Emiliano José – jornalista escritor professor aposentado da UFBA deputado federal PT/Ba
Emilio Peluso Neder Meyer-Professor Adjunto I da FD/UFMG Visiting Researcher no King’s College London
Enio Squeff artista plástico escritor e jornalista
Erica Renata de Souza Professora Adjunta II – Depto Antropologia e Arqueologia DAA/FAFICH/UFMG
Erika Moreira Martins – Unicamp
Erminia Maricato
Evandro Oliveira de Brito – UFSM/USJ
Evergton Sales Souza – Dep de História UFBA
Fabiana da Silva Andersson – Engenheira Agrônoma Doutoranda do curso de Pós-Graduação em Sistemas de Produção Agrícola Familiar – UFPel Pelotas RS
Fabiana Jardim
Fabiano Dalto economista UFABC
Fabricio Gallo – DEPLAN – Depto de Planejamento Territorial e Geoprocessamento IGCE/UNESP – Câmpus de Rio Claro
Fabricio Pereira da Silva Professor Adjunto de Ciência Política da UNIRIO Professor da Pós-Graduação em Ciência Política da UFF
Felipe Camargo Gaiotto doutorando no Programa de Pós-Graduação em Estudos Estratégicos Internacionais na UFRGS PPGEEI-UFRGS
Felipe Ricardo Homrich EA/UFRGS
Felipe Silva – Unicamp
Fernanda Alencar Pereira Línguas Estrangeiras Aplicadas LEA-MSI Universidade de Brasília – IL/LET
Fernanda dos Santos Castelano Rodrigues Docente da Universidade Federal de São Carlos UFSCar
Fernanda Graziella Cardoso – UFABC
Fernanda Novo da Silva Eng Agrônoma Pós-doutoranda PNPD/CAPES na UFPel Pelotas – RS
Fernanda Peixoto antropóloga professora USP
Fernando Antonio de Carvalho Dantas
Fernando Antônio Azevedo Cientista Político
Fernando Duarte Caldas – historiador
Fernando Filgueiras cientista político UFMG
Fernando Nogueira da Costa Professor IE-UNICAMP
Fernando Santomauro Professor de Relações Internacionais da Faculdade Santa Marcelina Também sou pesquisador de Relações Internacionais do Programa San Tiago Dantas concluindo o doutorado e Secretário de Relações Internacionais da Prefeitura de Guarulhos
Fernando Seffner – Faculdade de Educação UFRGS
Filipe Luiz Proiete de Souza – Publicitário São Paulo – Sp
Flavio Koutzii ativista político
Flávio Eustáquio Bertelli – Psicanalista e sociólogo Belo Horizonte
Flávio Ferreira Paes Filho Professor Doutor – Adjunto III Do Departamento de História da Universidade Federal de Mato Grosso
Flávio Limoncic Departamento de História Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro UNIRIO
Flávio Teixeira da Silva Universidade de São Paulo – USP
Flávio Weinstein Teixeira – UFPE
Francisco Antonio Doria – Professor emérito da UFRJ ex-professor titular visitante do Instituto de Estudos Avançados da USP
Francisco Antônio Doria professor emérito da Ufrj Rio de Janeiro ex professor titular visitante do IEA da USP
Francisco Carlos Orlandini – IE/UNICAMP
Francisco Cataldi Martins Ícaro C Martins – cineasta
Francisco Chiaravalloti Neto – Departamento de Epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da USP
Francisco das Chagas Sousa – Engº Agrônomo /Pós-graduando em Educação do Campo e Política Pública Municipal – Coordenador de Certificação Orgânica –
Francisco de Guimaraens – PUC-Rio
Francisco Fonseca cientista político FGV/SP
Franklin Trein – UFRJ
Frederico Almeida cientista político professor Unicamp
Frederico Marzuchelli- Unicamp
Fábio de Carvalho Leite – PUC-Rio
Fábio de Carvalho Leite – PUC-Rio
Fábio Roberto Rodrigues Belo – UFMG
Gabriel pedrosa escritor e professor universitário são Paulo SP
Gabriela Lotta administradora UFABC
George Dantas de Azevedo médico professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e atual Diretor da Escola Multicampi de Ciências Médicas do RN
Geralda Luiza de Miranda-Professora do Departamento de Ciência Política da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais
Giane Ambrósio Alvares – Advogada
Giane moliari Amaral Serra Professora da Universidade federal do estado do rio de janeiro UNIRIO
Giorgio Romano – Coordenador Bacharelado em Relações Internacionais BRI – Membro corpo docente de Economia e da Pós-Graduação em Ciência Humanas e Socais naUniversidade Federal do ABC UFABC
Giorgio Romano economista e professor de relações da UFABC
Giorgio Romano professor UFABC
GIOVANA PAIVA DE OLIVEIRA – UFRN
Giovana Scareli – Departamento de Ciências da Educação – DECED/UFSJ – Núcleo de Estudos Corpo Cultura Expressão e Linguagens – NECCEL – Grupo de Pesquisa em Educação Filosofia e Imagem – GEFI
Girolamo Domenico Treccani – UFPA
Gisele Cittadino – Professora da PUC-Rio
Gisele Cittadino – PUC-Rio
Gisele Silva Araújo – UNIRIO
Glauber Miranda Florindo
Gloria da Anunciação Alves Dep geografia FFLCH Usp
Gláucia Campregher – UFRGS
Glícia Maria Pontes Bezerra – Universidade Federal do Ceará
Graciela Foglia – Docente – Letras/UNIFESP – São Paulo
Graciela R Quijano – Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS e Universidade Federal da Integração Latino- Americana UNILA – Professor da Universidade Federal de Mato Grosso – Suplente de Senador/PCdoB
Guilherme Simões Reis – Professor de Ciência Política da UNIRIO
Gustavo Antônio Schropfer – Estudante de Ciências Econômicas UFRGS
Gustavo Costa Souza administrador e professorUniv Federal de Lavras
Gustavo Ferreira Santos –PUC-Pernambuco/UFPE
Gustavo Just da Costa e Silva – a UFPE
Helen Santana Mangueira de Souza Psicóloga do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de Mato Grosso
Heloisa Buarque de Holanda antropóloga professora USP
Heloisa Maria Lyra da Silva Bulcão – Professora da Universidade Candido Mendes – Pesquisadora na Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ
Heloísa Fernandes socióloga professora aposentada da FFLCH/USP
Henrique Espada Lima Departamento de História – Universidade Federal de Santa Catarina
Hermenegildo Bastos – professor da Universidade de Brasília
Hermógenes Saviani Filho – Professor do Departamento de Economia e Relações Internacionais DERI da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Humberto Hermenegildo de Araújo sou professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte UFRN
Humberto Kzure-cerquera Arquiteto e Urbanista Cineasta e Prof Dr do Departamento de Arquitetura e Urbanismo – DAU/IT/UFRRJ Conselheiro do IAB/RJ Rio de Janeiro/RJ
Iara Maria de Almeida Souza Professora de Sociologia da UFBa
Iara Mesquita da Silva Braga- Professora da Universidade Federal do Piauí
Igor L Rocha – University of Cambridge – PhD Student
Ilmar Pereira do Amaral Júnior – mestrando em Direito/Universidade de Brasília UnB
Instituto Latino-Americano de Economia Sociedade e Política ILAESP
Inês Barbosa de Oliveira – IES Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Iram Jácome Rodrigues sociólogo USP
Irapuan Peixoto Lima Filho- Universidade Federal do Ceará
Iris Kanto professor de História USP
Iris Kantor DH-FFLCH/USP
Isabel Frontana Caldas – Historiadora
Isabel Noemi Campos Reis – Sou doutoranda pela Faculdade de Letras da UFRJ
Ismara Izepe de Souza – Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP Escola Paulista de Política Economia e Negócios – EPPEN Curso de Relações Internacionais
Ivana de Campos Ribeiro – Professora Universitária do Instituto Brasileiro de Educação para a Vida Rio Claro-SP
Ivana Jinkings – editora Boitempo
Izabel Hazin – UFRN
Izabela Tamasso – Antropóloga/UFMG
Jair Reck – Brasília DF
Jair Reck – Brasília – DF
Janes Jorge Departamento de História/UNIFESP – Universidade Federal de São Paulo
Janes Jorge UNIFESP – Universidade Federal de São Paulo Departamento de História
Jean Tible professor fundação santo André
Jeovane Camargo – Universidade Federal de São Carlos UFSCar
Jeroen Klink UFABC
Joelson Gonçalves de Carvalho – Universidade Federal de São Carlos UFSCar Departamento de Ciências Sociais DSCo
John Fontenele Araujo – Médico e Doutor em Neurociencia Prof da UFRN e Pesquisador 1C do CNPq
Jonathas Moreira Silva – Professor da Rede Estadual de Ensino – SP na Disciplina de História Cidade de Rosana –SP
Jorge Eduardo L Mattoso Prof do IE – UNICAMP aposentado Secretário Municipal em São Paulo e SBC e Presidente da Caixa Econômica Federal É coordenador do site Brasil Debate www brasildebate com br
Jorge Furtado cineasta
Jorge Tarcísio da Rocha Falcão INSTITUIÇÃO UFRN Natal-RN departamento de Psicologia
Jose Carlos Braga – Unicamp
JOSE LUIS FIORI – INSTITUTO DE ECONOMIA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO
Jose Ribas Vieira – Puc-rio e UFRJ OAB 23495 RJ
José Afonso de Oliveira Departamento de Matemática Universidade Federal do Ceará Fortaleza CE
José Angelo Machado – Professor Adjunto – Departamento de Ciência Política / UFMG
José Arrabal – Professor e Escritor
José Carlos Durand EACH USP
José Carlos Vaz – EACH-USP – Universidade de São Paulo – Escola de Artes Ciências e Humanidades USP Leste
José Filipe e Sousa Pessanha de Brito Ferreira
José Flôres Fernandes Filho – UFU
José Marcos Nayme Novelli UFSCar campus Sorocaba
José Paulo Pietrafesa – Universidade Federal de Goiás UFG – Sociólogo
José Porfiro da Silva – Professor – Universidade Federal do Acre
José Reinaldo Carvalho jornalista editor do Portal Vermelho
José Renato de Campos Araújo – Gestão de Políticas Públicas Escola de Artes Ciências e Humanidades EACH Universidade de São Paulo USP
José Ricardo Ramalho – Professor IFCS-UFRJ
João Augusto de Lima Rocha Professor Associado da Escola Politécnica da UFBA
João Feres Júnior- Instituto de Estudos Sociais e Políticos – IESP Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ
João Manuel Cardoso de Mello – FACAMP
João Ricardo Wanderley Dornelles – PUC-Rio
João Ricardo Wanderley Dornelles Professor do Programa de Pos-Graduação em Direito d PUC-Rio Coordenador-Geral do Nucleo de Direitos Humanos da PUC-Rio Membro da Direção da ANDHEP Associação Nacional de Direitos Humanos – Pos-Graduação e Pesquisa
Juarez Guimarães cientista político e professor da UFMG
JUAREZ LOPES DE CARVALHO FILHO DOUTOR EM SOCIOLOGIA – Professor do departamento de Sociologia e Antropologia da UFMA São Luis-MA
Julia Moretto Amancio Univ Federal ederal de Lavras
Julia Zanetti Rocca Prof Dra do curso de Psicologia da Universidade Federal do Mato Grosso
Juliana Neuenschwander Magalhães – Professora da Faculdade de Direito/UFRJ
Juliano Zaiden Benvindo – Professor da UnB
Juliano Zaiden Benvindo Professor de Direito Público Coordenador do Programa de Pós-Graduação Editor da Revista Direito UnB/Faculdade de Direito Universidade de Brasília
Julio Cesar Lemes de Castro – UFRJ
Junia Furtado historiadora UFMG
Juçara da Silva Barbosa de Mello Professora na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro Departamento de História
JÁDER FERREIRA LEITE – PROFESSOR UNIVERSITÁRIO – NATAL/RN
Júlio Calasso cineasta produtor cultural
Júlio Simões antropólogo professor USP
Karina Biondi antropóloga Universidade Federal de São Carlos
Kenneth Camargo Jr IMS/UERJ
Ladislau Dowbor
Ladislau Dowbor economista e professor da PUC-SP
Laura Guimarães Corrêa – UFMG
Lavínia Uchôa Azevedo de Araújo – professora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Laymert Garcia dos Santos – IFCH-Unicamp
Leandro Cruz professor da UFMG
Leandro De Martino Mota professor do Departamento de Saúde Coletiva DSC da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro UNIRIO
Leda Paulani doutora em economia e professora da FEA-USP
Leila Rechenberg
Leonardo Avritzer doutor em sociologia e professor da UFMG
Leonardo Avritzer UFMG
Leonardo Boff teólogo professor e escritor – Petrópolis/RJ
Leonardo de Oliveira Carneiro-Professor da UFJF Juiz de Fora MG
Leonardo Silva Andrada Universidade Federal de Juiz De Fora
Leonilde Servolo de Medeiros – CPDA/UFRRJ
Levi Bucalem Ferrari UBE União Brasileira dos Escritores / Presidente do Conselho deliberativo e fiscal
Lia Carneiro Silveira – Universidade Estadual do Ceará – UECE
Liana Maria Aureliano – professora – Campinas – SP
Ligia Fabris Campos – Doutoranda em Direito da Humboldt Universität zu Berlin
Liliana Rolfsen Petrilli Segnini – UNICAMP
Loreine Hermida da Silva e Silva-Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro
Lorena Almeida Gill – Professora da UFPel – Pelotas – RS
Lorena Avellar antropóloga USP
Lucia Ribeiro socióloga e pesquisadora ISER Assessoria Rio de Janeiro
Luciana Heymann FGV/RJ
LUCIANO REZENDE MOREIRA – PROFESSOR DO INSTITUTO FEDERAL FLUMINENSE
Lucilene Reginaldo Dep de História – Unicamp
Lucio Flavio de Sousa Moreira – Prof aposentado do Depto De Saude Coletiva da UFRN
Lucio Manfredo – Lisboa
Ludmila Cerqueira Correia Professora do Curso de Direito da Universidade Federal da Paraíba Doutoranda no Programa de Pós-graduação em Direito da UnB
Luiz Alberto Gomez de Souza sociólogo Diretor do Programa de Estudos Avançados Universidade Candido Mendes Rio de Janeiro
Luiz Alberto Moniz Bandeira jurista
Luiz Antonio Cintra – jornalista
LUIZ AUGUSTO PASSOS – PROFESSOR ASSOCIADO UFMT Grupo de Pesquisa Movimentos Sociais e Educação GPMSE – CUIABÁ – MT
Luiz Carlos Bahia Ator Compositor e cantor Cidade de São Paulo
Luiz Carlos Bresser Pereira economista FGV/ SP
Luiz Carlos Soares Professor Titular do Departamento de História da UFF
Luiz Fernando Rangel Tura/ Universidade Federal do rio de Janeiro/ RJ
Luiz Gonzaga Beluzzo economista Facamp
Luiz Merege economista FGV/SP
Luiz Pedro Jutuca – UNIRIO
Luzia Alves da Silva – UNIVERSIDADE FEDERAL DA INTEGRAÇÃO LATINO-AMERICANA
Luís Antônio Cunha Ribeiro – professor – Universidade Federal Fluminense-UFF
Luís da Mota DFT – Departamento de Física Teórica Instituto de Física Armando Dias Tavares – UERJ
Luís Reznik UERJ
Lúcia Pimenta
Lúcio Lourenço Prado do Departamento de Filosofia-Unesp-Marlia
Ma Graça Andrade médica profa UNICAMP
Maerbal Bittencourt Marinho Engenheiro Civil Professor da UFBA Salvador – BA
Marcelo B Ceccarelli – Graduando em Ciências Sociais/Unicamp e Direito/PUCCAMP
Marcelo Cattoni – Professor Associado da Faculdade de Direito da UFMG
Marcelo de Oliveira Cattoni – Professor da UFMG
Marcelo de Souza Magalhães Professor do Departamento de História da UNIRIO
Marcelo Sampaio Carneiro – UFMA
Marcelo Weishaupt Proni – Unicamp
Marcia de Paula Leite socióloga profa Titular da Unicamp RG 3959575-4
Marcia Nina Bernardes – Professor da PUC-Rio
Marcia Nina Bernardes – PUC-Rio
Marcia Paraiso – documentarista Plural Filmes – Florianópolis SC
Marcia Paraiso – documentarista Plural Filmes
Marcio D’Olne Campos – UNIRIO/PPG-PMUS Programa de Pós-Graduação em Museologia e Patrimônio Rio de Janeiro
Marcio Sotelo Felippe ex-procurador – geral do Estado de São Paulo
MARCOS BAGNO – Professor da Universidade de Brasília – Linguista e escritor
Marcos Francisco Martins – IES professor da UFSCar/Campus Sorocaba
Marcos Pedrosa médico e professor da UFPE
Marcos Sorrentino professor de educação e política ambiental Esalq/USP-Piracicaba
MARCOS ZARAHI PROFISSÃO PROFESSOR UNIVERSITÁRIO NA ÁREA FILOSOFIA POLÍTICA DOUTORANDO ECO/UFRJ
Marcus Ianoni – UFF Ciência Política
Margarida Maria Lacombe Camargo UFRJ
Maria Angela Fernandes Ferreira – UFRN
Maria Aparecida Abreu professora adjunta e Diretora adjunta de Graduação do IPPUR/UFRJ
Maria Auxiliadora Bueno Andrade Megid professora da Puc-Campinas
Maria Clementina Pereira Cunha Departamento de História – Unicamp
Maria Cristina G Vicentin professora da PUC-SP São Paulo
Maria da Conceição Tavares – Economista e Professora Emérita da UFRJ
Maria de Fátima Ferreira Rodrigues Professora Associada III do Departamento de Geociências e do Programa de Pós Graduação em Direitos Humanos e Políticas Públicas Membro da Comissão de Direitos Humanos da UFPB
Maria Elisabeth Goidanich – Professora – Rio de Janeiro
Maria Fernanda Cardoso de Melo – Facamp
Maria Fernanda Lombardi Fernandes
Maria Gabriela Marinho UFABC
Maria Helena Pelegrinelli Fungaro – Pesquisador 1D do CNPq Universidade Estadual de Londrina
Maria Ines Couto de Oliveira
Maria Izabel Brunacci Professora Brasília-DF
Maria Lourdes Souza Oliveria Univ Federal Lavras
Maria Luiza Tonelli – Advogada mestre e Doutora em Filosofia/USP
Maria Rita Andrade psicanalista São Paulo
Maria Rita de Assis César – Educação/Universidade Federal do Paraná – UFPR
Maria Rita Loureiro socióloga FGV/ SP e FEA/SUP
Maria Rosa Lombardi – Fundação Carlos Chagas
Maria Silvia Portela de Castro – Socióloga
Mariana Barreto- Universidade Federal do Ceara
Mariana Giubertti Guedes Greenhalgh Profissão Bibliotecária Cidade Brasília
Mariana Joffily professora do Departamento de História Centro de Ciências Humanas e da Educação Universidade do Estado de Santa Catarina UDESC
Mariana Leal Rodrigues Profa Dra Depto Saúde Coletiva/Unirio
Marilena Chauí – filósofa USP
Marilia Amorim professora da Universidade de Paris VIII
MARILIA LOMANTO VELOSO ADVOGADA OAB BA 13 556 – ROFESSORA DE DIREITO DA UNIVERSIDADE ESTADUAL DE FEIRA DE SANTANA BAHIA
Marilisa Azevedo Barros médica profa UNICAMP
Mariléa Venancio Porfirio – Professora – Núcleo de Estudos de Políticas Públicas em Direitos Humanos Suely Souza de Almeida – NEPP-DH/UFRJ – Rio de Janeiro
Marina Gusmão de Mendonça – Universidade Federal de São Paulo
Mario Aquino Alves administrador e professor da FGV/SP
Mario Francisco Giani Monteiro Médico de Saúde Pública PhD pela Universidade de Londres Professor Associado Aposentado do Instituto de Medicina Social da UERJ
Mario J Brasil Xavier – Prof UEPA
Marisa Greeb sociopsicodramatista
Marise Reis de Freitas – Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Marjorie Corrêa Marona – UFMG Departamento de Ciência Política da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas
Marlise Matos – Professora Adjunta do Departamento de Ciência Política e Coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher NEPEM e Centro do Interesse Feminista e de Gênero CIFG da UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
Marlise Matos Professora Adjunta do Departamento de Ciência Política/Political Science Department Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher e Centro do Interesse Feminista e de Gênero Universidade Federal de Minas Gerais/Federal University of Minas Gerais
Marta Leandro da Mata
Martonio Mont’Alverne Barreto Lima – UNIFOR/CE
Mauricio Compiani professor titular da UNICAMP
Mauricéia Ananias – Universidade Federal da Paraíba
Max Altman jornalista
Mazé Leite – Artista plástica – São Paulo
Melvina Afra Mendes de Araújo Departamento de Ciências Sociais Escola de Filosofia Letras e Ciências Humanas – Unifesp
Miliandre Garcia de Souza – Universidade Estadual de Londrina
Monica Herz
Monica Hirst Universidad nacional de Quilmes
Muniz Sodré Cabral
Márcia Aparecida Lima Vieira Coordenadora de Projetos de Extensão do NEPEPNúcleo de Estudos e Programas em Educação Popular da UNIMEP Piracicaba/SP
Márcia Bertoldi – Professora da UFPel
Márcia de Almeida Gonçalves UERJ
Márcia Helena Carvalho Lopes
Mário Augusto Medeiros da Silva – Professor do Departamento de Sociologia – IFCH/Unicamp
Mônica Castagna Molina – Docente da Universidade de Brasília – UnB
Mônica Lima e Souza professora de História da África do Instituto de História da UFRJ
Nelson Giordano Delgado economista Rio de Janeiro
Nelson Marconi economista FGV/SP
Newton de Menezes Albuquerque – Professor da Univ de Fortaleza e UFC
Nubélia Vieira Barreto professora aposentada da UFBa
Olgamir Amancia Ferreira professora da UnB campus Planaltina FUP
Oswaldo França Neto- Departamento de Psicologia / UFMG
Otávio Ribeiro Chaves – Professor Adjunto da Universidade do Estado de Mato Grosso
Pablo Enrique Abraham Zunino Professor Adjunto da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia – UFRB
Patricia Birman – UERJ
Patrícia Vieira Trópia Professora da Universidade Federal de Uberlândia
Paula Campos Pimenta Velloso- Departamento de Ciências Sociais PUC-Rio
Paulo Abrão – professor licenciado da Faculdade de Direito da PUCRS
Paulo Cavalcante de Oliveira Junior professor associado do Departamento de História da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO
Paulo Cavalcante – UNIRIO
Paulo Cezar Mendes Ramos PhD Analista Ambiental MS Ecologia Ms em Agroecologia PhD em Geografia GT sobre Agrotóxicos e Transgênicos Associação de Especialistas em Meio Ambiente — ASIBAMA
Paulo d’Avila Filho DPCIS/PPCIS/UERJ
Paulo Fontes historiador professor do CPDOC/FGV Rio de Janeiro
Paulo Gustavo Pelegrino Corrêa – Professor da Universidade Federal do Amapá
Paulo Henrique Fernandes Silveira Faculdade de Educação USP
Paulo Pereira Rocha – Professor e Poeta/ Piauí
Pedro Chadarevian – UNIFESP
Pedro de Almeida Costa professor na Escola de Administração da UFRGS
Pedro Estevam Serrano – Prof de Direito Constitucional da PUC/SP
Pedro Germano Leal Universidade Federal do Rio de Janeiro
Pedro Paulo Gastalho de Bicalho Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Universidade Federal do Rio de Janeiro
Pedro Rossi – Professor de Economia da Unicamp
Pedro Selvino Neumann Prof Associado do PPGExR da UFSM
Pierre Normando Gomes-da-Silva – Professor Universitário – UFPB
Plínio Spinatto Schereschewsky bancário
Prof Dr João Bosco Figueiredo Gomes Programa de Pós-graduação em Letras/UERN Departamento de Letras/CAWSL/Açu-RN – Brasil Pesquisador do PRADILE e do GPEF/UERN Bolsista Produtividade de Pesquisa da UERN
Prof Dr Luiz Bezerra Neto Departamento de Educação da UFSCar
Prof Dr Luiz Fernando Scheibe Florianópolis SC
Prof Dr Maurício de Campos Araújo Coordenador do Bacharelado de Têxtil e Moda Universidade de São Paulo USP /Escola de Artes Ciências e Humanidades EACH-USP
Prof Dr Wagner Iglecias sociólogo – Curso de Graduação em Gestão de Políticas Públicas – EACH-USP & Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina da USP
Prof Dr Wagner Pralon Mancuso- Curso de Gestão de Políticas Públicas Escola de Artes Ciências e Humanidades – Universidade de São Paulo
Prof Edward Neves M de B Guimarães Professor de Cultura Religiosa do Departamento de Ciências da Religião Secretário Executivo do Observatório da Evangelização – PUC Minas
Prof Everaldo de Oliveira Andrade – Depto História – USP
Rafael Haddock-Lobo – Departamento de Filosofia UFRJ
Rafael Lobato Pinheiro psicólogo mestre em psicologia Psicanalista Professor da faculdade leão Sampaio- Juazeiro do Norte/ CE
Rafaela Alves Pacheco – Professora Auxiliar do Curso de Medicina do Centro de Ciências da Vida – UFPE Caruaru Médica de Família e Cominidade
RAIMUNDO DE SOUSA LEAL FILHO – DOUTOR EM ECONOMIA CEDEPLAR/UFMG – MESTRE EM ECONOMIA IE/UNICAMP – PROFESSOR E PESQUISADOR DA FUNDAÇÃO JOÃO PINHEIRO GOVERNO DO ESTADO DE MINAS GERAIS E PROFESSOR DO DEPARTAMENTO DE ECONOMIA DA PUCMINAS
Ramon Garcia economista UFABC
Raquel de Almeida Prado tradutora
Regiane Nitsch Bressan Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP Escola Paulista de Política Economia e Negócios – EPPEN Prof Adjunta do Curso de Relações Internacionais
Regina Coeli Soares – Professora de Direito da PUC-Rio
Regina Stella Pereira do Nascimento Abreu – Professora aposentada da UECE
Reginaldo Nasser doutor em ciências sociais e professor de relações internacionais da PUC-SP
Reinaldo Pacheco – Professor EACH-USP Lazer e Turismo
Remi Castioni – UnB – Brasilia diretor de políticas educacionais do PROIFES-Federação
Renata Bechara – arquiteta e urbanista
Renata Bichir – Curso de Gestão de Políticas Públicas Escola de Artes Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo
Renata Bichir cientista política professora EACH USP
Renata Menasche – antropóloga professora da Universidade Federal de Pelotas UFPel – Pelotas Rio Grande do Sul
Renata Peixoto de Oliveira – Dra Ciência Política UFMG – Professora de Ciência Política no Curso de Relações Internacionais e Integração
Renato Perissinotto sociólogo professor Univ Federal do Paraná
Renato Santos de Souza
Renato Sérgio Maluf professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro ex-Presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional CONSEA
René Louis de Carvalho – Professor associado 4 do IE UFRJ
Ricardo Bedin
Ricardo Carneiro
Ricardo Pirola – Departamento de História da Unicamp
Risoleide Rosa Freire de Oliveira – Universidade do Estado do Rio Grande do Norte
Rita de Cássia Fagundes – Professora – Residência Agrária UFS
Roberta Astolfi cientista política USP
Roberta Gondim Professora/Pesquisadora ENSP/FIOCRUZ Rio de Janeiro
Roberto Gervitz – Cineasta
Roberto Grün professor UFSCar
Roberto Lopes de Abreu – Professor aposentado da UERJ
Roberto Salles -Reitor da UFF
Roberto Véras de Oliveira Professor Associado – UFPB Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da UFCG
Robson Amâncio sociólogo Univ Federal Rural do Rio de Janeiro
Rodrigo Alves Teixeira doutor em economia e professor da PUC-SP
Rodrigo Alves Teixeira PUC-SP
Rogerio Arantes cientista político professor UPs
Rogerio Dultra dos Santos – UFF
Rogerio Dultra dos Santos – UFF
Romeu de Brito Brandão – Museólogo com habilitação em História da Arte pela Universidade Federal da Bahia/UFBA
Romulo Orrico Dr Ing Professor da COPPE/UFRJ
Rosana Denaldi professora UFABC
Rosangela Costa Araujo – Professora da UFBA
Rosangela Marione Schulz Professora de Ciência Política/ Universidade Federal de Pelotas
Rose Mary C L Favalelli
Rosângela Gavioli Prieto – Docente da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo
Rubem Murilo Leão Rego sociólogo Unicamp
Rudá Ricci
Rômulo Guilherme Leitão – Professor da Univ de Fortaleza
Samantha Viz Quadrat Departamento de História Universidade Federal Fluminense
Sandra B V Fernandes – Professor de Agronomia Ensino Superior
Sandra Helena de Souza – Professora da Univ de Fortaleza
Sebastião Velasco e Cruz cientista político Unicamp
Semiramis Biasoli
Sergio Francisco Carlos Graziano Sobrinho IES PUC/RS
Sergio Pereira Leite sociólogo Univ Federal Rural do Rio de Janeiro
Severina Ilza do Nascimento – Professora aposentada da UFPB
Severina Ilza do Nascimento – Professora aposentada da Universidade Federal da Paraiba João Pessoa-PB
Sidnei Rinaldo Priolo Filho – Mestre em Psicologia e Doutorando pela Universidade Federal de São Carlos
Silvia Maria Santiago médica profa UNICAMP
Silvia Regina Ferraz Petersen- Profa Depto História -Universidade Federal do RGS
Solange L’ Abbate socióloga
Sonia Maria Vanzella Castellar Profa Livre Docente da FEUSP Metodologia do Ensino de Geografia Pós-graduação da Geografia Humana/USP
Soraia Marcelino Vieira – Universidade Federal Fluminense
Stanley Souza Marques – Mestrando em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais UFMG
Stella Bruna Santo – Faculdade de Direito/ USP
Suelen Rosa Pelissaro professora São Bernardo do Campo
Suely Muniz economista do Instituto de Pesquisas Tecnológicas aposentada
Sulamis Dain professora titular aposentada do IMS UERJ
Sulamis Dain Professora Titular Instituto de Medicina Social da UERJ Rio de Janeiro
SULAMITA VIEIRA – professora do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Ceará Campus de Fortaleza
Suzana Maia Prof Adjunta – Universidade Federal do Recôncavo da Bahia UFRB
Suzane Wonghon – RS – artista plástica
Sônia de Souza Mendonça Menezes – Professor UFS-Universidade Federal de Sergipe
Tatiana Savoia Landin iUniversidade Federal de São Paulo
Tatiane Marina Pinto de Godoy – Professora da Universidade Federal de São João del-Rei
Telma Menicucci cientista político Univ Federla de Minas Gerais
Teodoro Isnard Ribeiro de Almeida – Professor Associado Instituto de Geociências USP
Tereza Verônica Vieira Costa
Thana Mara de Souza IES Universidade Federal do Espírito Santo Professora Adjunta II do Curso de Filosofia
Thereza Cristina Cardoso Menezes PPGAS-UFAM
Thomas Henrique de Toledo Stella – Historiador pela USP Mestre em Desenvolvimento Econômico pela Unicamp e Professor de Relações Internacionais da UNIP
Thomás A S Haddad- Professor – Universidade de São Paulo
Tiago Ventura cientista político pesquisador FGV-RJ
Tiarajú Pablo D’Andrea – Sociólogo/USP
UFSM
Universidade Federal da Integração Latino Americana UNILA
Urariano Mota escritor e jornalista
Valter Júnior de Souza Leite Professor PQ-2/CNPq CEFET-MG/ campus Divinópolis MG
Vanessa Aparecida de Oliveira – UFSCar Função Assistente em Administração no Curso de Filosofia e Mestranda em Estudos de Literatura
Vanessa Bello Figueiredo PUC-Campinas
Vanessa Elias de Oliveira cientista política UFABC
Vanessa Oliveira Batista Berner – UFRJ
Vanessa Oliveira Batista Berner – UFRJ
Vera Paiva psicóloga professora USP
Victor Marchetti cientista política UFABC
Vinicius Spira arquiteto
Vinícius Dantas
Vinícius de Rezende – Prof Adjunto de História Contemporânea da UFRB Salvador-BA
Vinícius dos Santos – professor substituto de Filosofia da FCHS da UNESP – campus Franca
Vitor Peixoto doutor em ciencia politica pelo Iuperj docente da UENF
Wagner de Melo Romão Unicamp
Waleter Belik– IE/Unicamp
Walmick Vieira – físico UFC Fortaleza
Walnice Nogueira Galvão – USP
Walquíria Domingues Leão Rego socióloga Unicamp
Walter Pereira Carpes Jr Departamento de Engenharia Elétrica e Eletrônica – UFSC
Walter Ruggeri Waldman Universidade Federal de São Carlos – campus Sorocaba
Walter Tadahiro – Professor Associado Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas – UFPR
William Nozaki – FESPSP Fundacao Escola de Sociologia e Política de São Paulo
Wilson Vieira – Instituto de Economia – Universidade Federal do Rio de Janeiro IE-UFRJ
Wlaumir Souza – Centro Universitário Barão de Mauá – RP
Yllan de Mattos professor do Departamento de História da Universidade Estadual de São Paulo – UNESP Franca

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A resistência ao Golpe de 2016

Livro que denuncia e analisa o Golpe será lançado no Rio

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Por Carol Proner, Gisele Cittadino e Rogerio Dultra dos Santos

No próximo dia 31 de maio, no Teatro Oi Casagrande (Shopping Leblon), às 19h, será lançado o livro “A Resistencia ao Golpe de 2016”. O lançamento contará com a presença de intelectuais, artistas, políticos e líderes de movimentos sociais que debaterão a conjuntura do golpe de Estado travestido de impeachment.

Na obra, que poderá ser adquirida no local, advogados, professores, jornalistas, cientistas políticos, artistas, escritores, arquitetos, líderes de movimentos sociais, brasileiros e estrangeiros reúnem em 450 páginas argumentos para denunciar a quebra da institucionalidade democrática que está ocorrendo no Brasil.

A complexidade do golpe em curso precisa ser avaliada de forma multifacetada porque não se resume à abreviação do mandato constitucional da Presidente da República por um processo de impeachment sem crime, mas inclui ataques e desmonte das conquistas sociais, políticas e jurídicas fruto de lutas permanentes ao longo de mais de 30 anos desde o fim da ditadura civil-militar. Do papel do STF à atuação da mídia, das “pedaladas fiscais” aos meandros do Poder Legislativo, da função dos atores políticos internacionais aos bastidores da Lava Jato, da crise de representatividade à ofensiva golpista contra direitos e políticas sociais, são inúmeros os recortes, ângulos e perspectivas sobre o golpe de 2016 que, em muitos aspectos, já se consumou.

Muitos desses textos já foram, em datas variadas, publicados. A maior parte deles entre os últimos meses de 2015 e o início do mês de maio de 2016. Reuni-los em um só local nos pareceu importante por vários motivos: esse livro é uma arma de luta política que chegará em muitas mãos em todos os recantos do país, representa a identidade de um grupo de pessoas que pretende resistir ao golpe e, para cada um de nós, uma maneira de publicamente traduzir nosso compromisso com a democracia e com a legalidade.

 Autores: Aderbal Freire-Filho. Afrânio Silva Jardim . Agostinho Ramalho Marques Neto . Alexandre Gustavo Melo Franco de Moraes Bahia . Aline Sueli de Salles Santos . Alipio Freire . Andrea Ribeiro Hoffmann . Antonio Baylos . Baltasar Garzón Real . Beatriz Vargas Ramos . Boaventura de Sousa Santos . Camila Prando . Carol Proner . Cláudia Grabois . Claudia Maria Barbosa . Cristiano Paixão . Cristina Ninô Biscaia . Daniel Cerqueira . Denise Assis . Diogo Bacha e Silva . Djefferson Amadeus . Eduardo Guimarães . Emilio Peluso Neder Meyer . Eneá de Stutz e Almeida . Eugênia Augusta Gonzaga . Florian Hoffmann . Francisco Celso Calmon . François Houtart . Gabriel Galípolo . Geraldo Prado . Gilberto Bercovici . Giovanni Alves . Gisele Cittadino . Gladstone Leonel Júnior . Guilherme Castro Boulos . Gustavo de Faria Moreira Teixeira . Gustavo Ferreira Santos . Gustavo Fontana Pedrollo . Gustavo Teixeira . Jandira Fehgali . Jean Keiji Uema . João Feres Junior . João Paulo Fernandes de S. Allain Teixeira . João Pedro Stedile . João Ricardo W. Dornelles . José Carlos Moreira da Silva Filho . José Maurício Domingues . José Ribas Vieira . Juliana Neuenschwander Magalhães . Katarina Peixoto . Larissa Ramina . Lenio Luiz Streck . Leonardo Avritzer . Leonardo Boff . Leonardo Isaac Yarochewsky . Levi Bucalem Ferrari . Lindbergh Farias . Luciana Boiteux . Luis Nassif . Luiz Alberto Moniz Bandeira . Luiz Gonzaga Belluzzo . Luiz Moreira . Magda Barros Biavaschi . Marcelo Andrade Cattoni de Oliveira . Marcelo Labanca Corrêa de Araújo . Marcelo Neves . Marcelo Ribeiro Uchôa . Marcelo Semer . Marcio Sotelo Felippe . Marcio Tenenbaum . Margarida Lacombe Camargo . Maria Goretti Nagime . Maria José Fariñas Dulce . Maria Luiza Quaresma Tonelli . Mariana Kalil . Mariana Sousa Pereira . Marilia Guimarães . Marilson Santana . Mauro Noleto . Meire Cavalcante . Miguel do Rosário . Monica Herz . Nasser Allan . Paulo Pimenta . Paulo Roberto Iotti Vecchiatti . Paulo Teixeira . Pedro Estevam Serrano . Prudente José Silveira Melo . Ricardo Lodi Ribeiro . Roberto Amaral . Rogerio Dultra dos Santos . Rômulo de Andrade Moreira . Rubens Casara . Salah H. Khaled Jr. . Samuel Pinheiro Guimarães . Tarso Cabral Violin . Tarso Genro . Thomas Bustamante . Tiago Resende Botelho . Tuca Moraes . Wadih Damous . Wanderley Guilherme dos Santos . Wilson Ramos Filho . Zacarias Gama

Como e por que esta obra nasceu

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APRESENTAÇÃO
Por Gisele Cittadino

Foi de Wilson Ramos Filho, o Xixo, meu amigo desde a década de 80, quando compartilhamos a mesma turma do mestrado em direito da Universidade Federal de Santa Catarina, a ideia de organizarmos juntos esse livro, em parceria com nossos companheiros de vida e de luta política, Carol Proner e Marcio Tenenbaum. Colaborar na organização desse livro foi uma tarefa que, em alguma medida, me fez superar o trauma de uma importante derrota política. Não foi fácil atravessar o indigno e infame dia 17 de abril de 2016 – histórico, na avaliação da Rede Globo. Afinal, ali praticamente se consumava um golpe, um rompimento com o princípio democrático, uma violação da decisão soberana de mais de 54 milhões de brasileiros que, em 2014, legitimamente elegeram Dilma Rousseff como Presidente da República.

A decisão tomada pelo plenário da Câmara dos Deputados – a de aceitar a abertura do processo de impeachment contra a Presidente da República – foi uma violência em si, mas também representou a vitória da ignomínia, da corrupção, do populismo. Tampouco foi fácil ver uma parte da sociedade brasileira expressando de forma tão pública o ressentimento, o preconceito, o ódio de classe, o machismo e a misoginia.

Se a classe política majoritariamente aderiu ao golpe, tampouco foi possível contar com os membros do nosso Poder Judiciário na defesa da Constituição Federal. De guardião da Lei Maior, o Supremo Tribunal Federal decidiu homenagear a sua própria tradição: curvou-se aos interesses das elites dominantes. A trágica e paradoxal mistura entre covardia, golpismo e egos inflados arrebentou a jurisdição constitucional e manteve o STF afivelado a sua própria história. Como no passado, fará ouvidos de mercador ao povo brasileiro, tentará fazer de conta que nada tem a ver com a arena política, e não se surpreendam se ministros ainda tiverem a ousadia de dar um colorido de legalidade ao golpe. Esperar algo diferente disso é confiar em quem, nos últimos meses, tem ignorado o estado de exceção e a violência política imposta por uma maioria parlamentar que atua violando a lei.

Não vamos poder contar, na defesa do estado democrático de direito, com boa parte da classe política e judicial. Nada de novo sob o nosso sol tropical. No entanto, desde que tiveram início as tratativas vergonhosas, os acordos espúrios e os golpes covardes, já no final de 2014, nós fomos capazes de imediatamente voltar a fazer aquilo que sempre fizemos muito bem: organização e luta política, sem esquecermos que traumas existem para serem superados. Temos sido capazes de construir narrativas e argumentos, sabemos que estamos do lado correto, e mantivemos a capacidade de mobilizar multidões.

Esse livro inscreve-se nessa luta política. Reunimos aqui advogados, professores e operadores do direito, cientistas políticos, jornalistas, filósofos, economistas, políticos, escritores, todos comprometidos com a resistência ao golpe, ainda que não necessariamente alinhados política ou partidariamente. Do papel do STF à atuação da mídia, das “pedaladas fiscais” aos meandros do Poder Legislativo, do papel dos atores políticos internacionais aos bastidores da Lava Jato, da crise de representatividade à ofensiva golpista, são inúmeros os recortes, ângulos e perspectivas sobre o golpe em curso no Brasil. Muitos desses textos já foram, em datas variadas, publicados. A maior parte deles entre os últimos meses de 2015 e o início do mês de maio de 2016. Mas reuni-los em um só local nos pareceu, a todos nós, importante por vários motivos: esse livro é uma arma de luta política que chegará em muitas e muitas mãos em todos os recantos do país; representa também a identidade de um grupo de pessoas que pretende resistir ao golpe; finalmente, significa, para cada um de nós, uma maneira de publicamente traduzir nosso compromisso com a democracia e com a legalidade.

***

FICHA TÉCNICA

Ilustração da capa: “A Balsa da Medusa”
Théodore Géricault (1818-1819) Museu do Louvre, Paris

      A11196
A resistência ao golpe de 2016 / Carol Proner, Gisele Cittadino, Marcio Tenenbaum e Wilson Ramos Filho (orgs). — Bauru: Canal 6, 2016.
425 p. ; 23 cm. (Projeto Editorial Praxis)
ISBN 978-85-7917-368-4
1. Brasil – Direito constitucional. 2. Impeachment – Brasil. 3. Responsabilidade administrativa – Brasil. I. Proner, Carol. II. Cittadino, Gisele. III. Tenenbaum, Marcio. IV. Ramos Filho, Wilson. V. Título.
CDD 341.25115

Projeto Editorial Praxis
Free Press is Underground Press
http://www.canal6editora.com.br
Impresso no Brasil/Printed in Brazil
2016

***

SÍTIO ELETRÔNICO

http://www.resistenciaaogolpe2016.com.br
Criação e edição: Meire Cavalcante
Jornalista – MTB: 42.370/SP

***

TEXTOS E AUTORES

1 . INFORMADOS E INTELIGENTES
ADERBAL FREIRE-FILHO

2 . O SIGNIFICADO TÉCNICO DA EXPRESSÃO “JULGAMENTO JURÍDICO E POLÍTICO DO IMPEACHMENT” DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA
AFRÂNIO SILVA JARDIM

3 . O JUIZ COMO PROTAGONISTA DO ESPETÁCULO: A PARANOIA COMO METÁFORA PARA PENSAR ESSA POSIÇÃO
AGOSTINHO RAMALHO MARQUES NETO

4 . AFINAL, QUEM É O GUARDIÃO DA CONSTITUIÇÃO
ALEXANDRE GUSTAVO MELO FRANCO DE MORAES BAHIA, DIOGO BACHA E SILVA, EMILIO PELUSO NEDER MEYER, MARCELO ANDRADE CATTONI DE OLIVEIRA E PAULO ROBERTO IOTTI VECCHIATTI

5 . GOLPE VERGONHOSO PASSA NA CÂMARA
ALEXANDRE GUSTAVO MELO FRANCO DE MORAES BAHIA, EMÍLIO PELUSO NEDER MEYER, DIOGO BACHA E SILVA, MARCELO ANDRADE CATTONI DE OLIVEIRA E PAULO ROBERTO IOTTI VECCHIATTI

6 . O JUDICIÁRIO NA CRISE POLÍTICA BRASILEIRA
ALINE SUELI DE SALLES SANTOS

7 . DEPOIS DA QUEDA
ALIPIO FREIRE

8 . EXCEPCIONALIDADE POLÍTICA E NEOLIBERALISMO: EUROPA E BRASIL
ANTONIO BAYLOS

9 . ÉTICA POLÍTICA E JUSTIÇA NO BRASIL
BALTASAR GARZÓN REAL

10 . ALGO ALÉM DO RITO DO PROCESSO DE IMPEACHMENT
BEATRIZ VARGAS RAMOS E CAMILA PRANDO

11 . INGREDIENTES DE UM GOLPE PARLAMENTAR
BEATRIZ VARGAS RAMOS E LUIZ MOREIRA

12 . OS PERIGOS DA DESORDEM JURÍDICA NO BRASIL
BOAVENTURA DE SOUSA SANTOS

13 . GOLPE BRANCO NO BRASIL: DILMA ALERTA NA ONU
CAROL PRONER

14 . UM GOLPE NA INCLUSÃO SOCIAL E NO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO
CLÁUDIA GRABOIS E MEIRE CAVALCANTE

15 . MORO E STF: DA INDEPENDÊNCIA À IRRESPONSABILIDADE
CLAUDIA MARIA BARBOSA

16 . UM GOLPE DESCONSTITUINTE?
CRISTIANO PAIXÃO

17 . UM GOLPE CHAMADO MACHISMO
CRISTINA NINÔ BISCAIA

18 . PARA ENTENDER: IMPEACHMENT, RECALL E OUTROS BICHOS
DANIEL CERQUEIRA E GUSTAVO FONTANA PEDROLLO

19 . QUANDO A PRESIDENTE FOI DILMA ROUSSEFF
DENISE ASSIS

20 . MÍDIA E NOVO GOLPE
DENISE ASSIS

21 . FALTAM ELEGÂNCIA E FIDALGUIA
DENISE ASSIS

22 . OS AGENTES E AS AGÊNCIAS DO GOLPE, UM A UM
DENISE ASSIS, GISELE CITTADINO, JOÃO RICARDO DORNELLES, MARCIO TENENBAUM E ROGERIO DULTRA DOS SANTOS

23 . NOMEAÇÃO DE LULA AO CARGO DE MINISTRO É LEGAL: UMA NECESSÁRIA AULA DE HISTÓRIA E FILOSOFIA AO JUIZ MORO, AO JUDICIÁRIO E À OAB
DJEFFERSON AMADEUS

24 . CONFIRA PROVA DE QUE LAVA JATO E MÍDIA FORMAM UMA POLÍCIA POLÍTICA
EDUARDO GUIMARÃES

25 . É HORA DE O GOVERNO DILMA DENUNCIAR AO MUNDO A OFENSIVA GOLPISTA
EDUARDO GUIMARÃES

26 . SOBRE SONHOS
ENEÁ DE STUTZ E ALMEIDA

27 . A POSSIBILIDADE DE ATUAÇÃO DO STF NA ATUAL FASE DO PEDIDO DE IMPEACHMENT
EUGÊNIA AUGUSTA GONZAGA E PAULO PIMENTA

28 . ALGUNS PENSAMENTOS SOBRE (E DO) BRASIL
FLORIAN HOFFMANN

29 . A CONJUNTURA NÃO CAIU DO CÉU
FRANCISCO CELSO CALMON

30 . AMÉRICA LATINA SOFRE SOB O JUGO DO CAPITAL
FRANÇOIS HOUTART

31 . EM DEFESA DA CONSTITUIÇÃO
GERALDO PRADO

32 . O GOLPE DO IM PEACHMENT
GILBERTO BERCOVICI

33 . A PULSÃO GOLPISTA DA MISÉRIA POLÍTICA BRASILEIRA
GIOVANNI ALVES

34 . SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL . ENTRE A VAIDADE, O GOLPISMO E A OMISSÃO
GISELE CITTADINO

35 . O ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA E OS ATOS PRÓIM PEACHMENT
GLADSTONE LEONEL JÚNIOR

36 . CONVULSÃO SOCIAL
GUILHERME CASTRO BOULOS

37 . O DIA EM QUE MORO DEIXOU DE SER JUIZ
GUSTAVO FONTANA PEDROLLO

38 . PARECER SOBRE A RESPONSABILIDADE DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA
GUSTAVO FERREIRA SANTOS, MARCELO LABANCA CORRÊA DE ARAÚJO E JOÃO PAULO FERNANDES DE SOUZA ALLAIN TEIXEIRA

39 . SE A NOMEAÇÃO DE LULA MINISTRO É UM ATO NULO, O QUE DIZER DO IMPEACHMENT DEFLAGRADO POR EDUARDO CUNHA?
GUSTAVO TEIXEIRA E TIAGO RESENDE BOTELHO

40 . A LUTA SÓ COMEÇOU
JANDIRA FEGHALI

41. IMPEACHMENT : JULGAMENTO POLÍTICO COM BALIZAS JURÍDICAS
JEAN KEIJI UEMA

42 . BREVES REFLEXÕES SOBRE A CONJUNTURA DO GOLPE . DESAFIOS PARA A ESQUERDA BRASILEIRA
JOÃO RICARDO W. DORNELLES E CAROL PRONER

43 . BOSTON, BRAZIL: O PGR E A DEFESA DA LAVA JATO
JOÃO FERES JUNIOR

44 . FRENTE AO GOLPE, A MOBILIZAÇÃO POPULAR!
JOÃO PEDRO STEDILE

45 . O JOGO DOS SETE ERROS – 1964-2016
JOSÉ CARLOS MOREIRA DA SILVA FILHO

46 . A RADICALIZAÇÃO ESTÉRIL
JOSÉ MAURÍCIO DOMINGUES

47 . SOBRE CONSTITUIÇÃO E DIREITO DE RESISTÊNCIA
JULIANA NEUENSCHWANDER MAGALHÃES

48 . CRIACIONISTAS E JUSNATURALISTAS ESTAMENTAIS. SOBRE OS DESPACHANTES DO GOLPE E COMO ENFRENTÁ-LOS
KATARINA PEIXOTO

49 . A INCONFESSÁVEL AGENDA DO GOLPE
LARISSA RAMINA E CAROL PRONER

50 . A QUESTÃO DE TEORIAS JURÍDICAS MERAMENTE DESCRITIVAS OU DE COMO O POSITIVISMO JURÍDICO INFLUENCIA NA CRISE POLÍTICA BRASILEIRA
LENIO LUIZ STRECK

51 . O IMPEACHMENT E O ESTADO DAS INSTITUIÇÕES DEMOCRÁTICAS NO BRASIL
LEONARDO AVRITZER

52 . OS CONTINUADORES DA CASA GRANDE ESTÃO VOLTANDO
LEONARDO BOFF

53 . O IMPEACHMENT COMO UMA ANTI-REVOLUÇÃO
LEONARDO BOFF

54 . TCHAU, DEMOCRACIA!
LEONARDO ISAAC YAROCHEWSKY

55 . DA NOVA GUERRA FRIA AO IMPEACHMENT DE DILMA
LEVI BUCALEM FERRARI

56 . O IMPEACHMENT DE KEYNES
LINDBERGH FARIAS

57 . LAVA JATO: TUDO COMEÇOU EM JUNHO DE 2013 COM A PRIMAVERA BRASILEIRA
LUIS NASSIF

58 . O BRASIL ESTÁ NA MIRA DE WALL STREET
LUIZ ALBERTO MONIZ BANDEIRA

59 . A PONTE PARA O PASSADO . OS IMPICHADORES PROMETEM REAVIVAR UM PROGRAMA ECONÔMICO COM VALIDADE VENCIDA
LUIZ GONZAGA BELLUZZO E GABRIEL GALÍPOLO

60. IMPEACHMENT E CHANTAGEM
LUIZ MOREIRA

61 . MISOGINIA NO GOLPE
LUCIANA BOITEUX

62 . O IMPEACHMENT E OS DIREITOS SOCIAIS DO TRABALHADOR: CAMINHOS DE UMA ORDEM MAIS DESIGUAL
MAGDA BARROS BIAVASCHI

63 . BREVES NOTAS ÀS DECISÕES DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL NA LONGA SESSÃO DA NOITE DE 14 PARA 15 DE ABRIL DE 2016: PARA UM EXERCÍCIO DE PATRIOTISMO CONSTITUCIONAL
MARCELO ANDRADE CATTONI DE OLIVEIRA

64 . INSTITUIÇÕES POLÍTICAS E JUDICIAIS DOMINANTES ESTÃO CORROMPIDAS . AS MUDANÇAS DEVEM VIR DE BAIXO
MARCELO NEVES

65. IMPEACHMENT FRAUDULENTO E DIREITO DE RESISTÊNCIA
MARCELO RIBEIRO UCHÔA

66 . GOLPISMO À BRASILEIRA VESTE ROUPAGEM JURÍDICA
MARCELO SEMER

67 . MENTES PERIGOSAS: CARL SCHMITT E O IMPEACHMENT
MARCIO SOTELO FELIPPE

68 . O GOLPE FOI DADO. SERÁ CONSOLIDADO?
MARCIO TENENBAUM

69 . CARTA AOS MINISTROS DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
MARCIO TENENBAUM

70 . O IMPEACHMENT E A INSTRUMENTALIZAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO PELAS MÃOS DO JUIZ SERGIO MORO
MARGARIDA LACOMBE CAMARGO E JOSÉ RIBAS VIEIRA

71 . RODA VIVA
MARIA GORETTI NAGIME

72 . REGRESSÃO DO ESTADO DE DIREITO NO BRASIL
MARIA JOSÉ FARIÑAS

73 . NÃO AO GOLPE PARLAMENTAR
MARIA LUIZA QUARESMA TONELLI

74 . RELATO FEMININO DE RESISTÊNCIA INTERNACIONAL AO GOLPE DE 2016
MARIANA KALIL

75 . A CRISE DE LEGALIDADE BRASILEIRA E A VIOLAÇÃO DAS FRONTEIRAS DO ABSURDO
MARIANA SOUSA PEREIRA

76 . DETERMINAÇÃO, NOSSA META
MARILIA GUIMARÃES

77 . CARTA DE UM CIDADÃO COMUM À CORTE SUPREMA BRASILEIRA
MARILSON SANTANA

78 . O GIGANTE ACORDOU FELIZ
MAURO NOLETO

79 . STEFAN ZWEIG E A ATMOSFERA MORAL DO GOLPE
MIGUEL DO ROSÁRIO

80 . CRISE POLÍTICA NO BRASIL E REAÇÃO INTERNACIONAL
MONICA HERZ E ANDREA RIBEIRO HOFFMANN

81 . PARA DEPOIS DO GOLPE: O ATAQUE AOS DIREITOS DOS TRABALHADORES
NASSER ALLAN

82 . O GOLPE
PAULO TEIXEIRA

83 . IMPEACHMENT DE DILMA: GOLPE OU MEDIDA DE EXCEÇÃO?
PEDRO ESTEVAM SERRANO

84 . HÁ SEMELHANÇAS ENTRE O GOLPE CIVIL-MILITAR DE 1964 E O GOLPE EM 2016?
PRUDENTE JOSÉ SILVEIRA MELLO

85 . AS PEDALADAS HERMENÊUTICAS E O IMPEACHMENT
RICARDO LODI RIBEIRO

86 . É GOLPE, SIM
ROBERTO AMARAL

87 . OS SENHORES DA LEI: FUNDAMENTOS E FUNÇÕES DA “OPERAÇÃO LAVA-JATO”
ROGERIO DULTRA DOS SANTOS

88 . A CONDUÇÃO COERCITIVA DO EX-PRESIDENTE LULA COMO ESTRATÉGIA RUMO AO GOLPE
RÔMULO DE ANDRADE MOREIRA

89 . O PÓS-GOLPE
RUBENS CASARA

90 . JAMAIS IMAGINEI QUE VIVERIA PARA VER OUTRO GOLPE
SALAH H. KHALED JR.

91 . IMPEACHMENT , GOLPE DE ESTADO E DITADURA DE ‘MERCADO’
SAMUEL PINHEIRO GUIMARÃES

92 . NÃO HÁ FUNDAMENTO JURÍDICO PARA O IMPEACHMENT
TARSO CABRAL VIOLIN

93 . AGONIA E ÊXTASE DO LIBERALISMO DECADENTE
TARSO GENRO

94 . O IMPEACHMENT DE DILMA ROUSSEFF: UM GOLPE DA CONSTITUIÇÃO AOS TRATADOS INTERNACIONAIS
TIAGO RESENDE BOTELHO E GUSTAVO DE FARIA MOREIRA TEIXEIRA

95 . O PROCESSO DE IMPEDIMENTO E ARGUMENTO DA INSINCERIDADE: O SENADOR ANTONIO AUGUSTO ANASTASIA EM FACE DO GOLPE
THOMAS BUSTAMANTE

96 . O MUNDO NÃO TERMINA NA PORTA DO TEATRO
TUCA MORAES

97 . DILMA COMETEU CRIME DE RESPONSABILIDADE? NÃO . UM GOLPE DISFARÇADO
WADIH DAMOUS

98 . A DEMOCRACIA CONTEMPORÂNEA É FRÁGIL PORQUE FOI SEQUESTRADA, CONDICIONADA E AMPUTADA PELO CAPITAL
WADIH DAMOUS

99 . HÁ UM GOLPE DE ESTADO EM CURSO
WADIH DAMOUS

100 . GRANDE DÚVIDA CONSTITUCIONAL DE QUE O SUPREMO FUGIRÁ
WANDERLEY GUILHERME DOS SANTOS

101 . ALGUMA COISA ESTÁ FORA DA ORDEM . A POLÍTICA NASCEU
WILSON RAMOS FILHO

102 . RECONCILIAÇÃO OU LUTA DE CLASSES ACIRRADA? O DIA SEGUINTE DA VOTAÇÃO DO IMPEACHMENT
WILSON RAMOS FILHO

103 . A PONTE PARA O FUTURO E EDUCAÇÃO NACIONAL: DE VOLTA AO PASSADO
ZACARIAS GAMA

 

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Antologia com 75 Autores da UBE

Antologia com 75 Autores da UBE-SP

Lançamento do volume publicado pela Global Editora está programado para o dia 23 de março

A Antologia de Poesias, Contos e Crônicas da UBE está em processo de finalização gráfica e o lançamento já está programado. Será no dia 23 de março, no auditório da Academia Paulista de Letras, no Largo do Arouche, em São Paulo, às 19 horas.

O evento será ao final da cerimônia de posse da nova Diretoria e Conselho Consultivo e Fiscal da UBE. O novo presidente, Durval de Noronha Goyos Jr., substitui a partir do dia 15 de março o atual presidente, Joaquim Maria Botelho.

Cada autor, pelo contrato assinado pela UBE com a Global Editora, teria direito a uma cota de 15 (quinze) livros, a título de direitos autorais, caso fossem publicados três volumes, como inicialmente planejado. No entanto, por medida de economia e agilidade, a editora decidiu pela publicação de um só volume, reunindo os três gêneros (contos, crônicas e poesias). Dessa forma, reviu o contrato e reduziu a cota para direitos autorais para 5 (cinco exemplares) para cada autor. No entanto, permanece a facilidade de aquisição, pelos autores, de exemplares com 50% (cinquenta por cento) de desconto sobre o preço de capa.

Como noticiado, a seleção final foi realizada pela Global Editora a partir de uma lista inicial de 150 nomes, encaminhada pela UBE. Os autores contemplados no volume são os seguintes:

POESIA: Anderson Braga Horta, Antonio Ventura, Aricy Curvello, Beatriz Helena Ramos do Amaral, Betty Vidigal, Carlos Vogt, Cláudio Willer, Dalila Teles Veras, Djalma Allegro, Eros Grau, Eunice Arruda, Francisco Moura Campos, Gláucia Lemos, Hamilton Faria, Hélder Câmara, Luís Avelima, Moniz Bandeira, Mara Senna, Marco Aqueiva, Mariza Baur, Nei Lopes, Oleg Almeida, Péricles Prade, Renata Pallottini e Severino Antônio. CONTOS: Anna Maria Martins, Arine de Mello Júnior, Audálio Dantas,  Caio Porfírio Carneiro, Cyro de Mattos, Deonísio da Silva, Edmundo Carvalho, Edson Amâncio, Fábio Lucas, Frei Betto, Jean Pierre Chauvin, Jeanette Rozsas, João Batista de Andrade, Joaquim Maria Botelho, Levi Bucalem Ferrari, Lygia Fagundes Telles, Menalton Braff, Nicodemos Sena, Paulo Veiga, Regina Batista, Reivanil Ribeiro, Renato Modernell, Ricardo Ramos Filho, Ruth Guimarães e Suzana Montoro. CRÔNICAS: Alaor Barbosa, André Carlos Salzano Masini, Antonio Candido, Antonio Luceni, Antonio Possidônio Sampaio, Betty Milan, Betty Mindlin, Celso Lafer, Daniel Pereira, Dirce Lorimier Fernandes, Ely Vieitez Lisboa, Enéas Athanázio, Fernando Jorge, Gabriel Kwak, Leda Pereira, Luiz Cruz de Oliveira, Marcos Eduardo Neves, Moacir Japiassu, Mouzar Benedito, Regina Helena de Paiva Ramos, Ricardo Uhry, Rodolfo Konder, Ronaldo Costa Couto, Thereza Freire Vieira e Thiago Sogayar Bechara.

Segue a íntegra da apresentação da antologia, de autoria do organizador:

NOSSO TEXTO E NOSSA VOZ

Em três volumes, a UBE – União Brasileira de Escritores, com o patrocínio da Global Editora, reúne 75 autores nesta antologia, cada qual dono de sua voz, cada qual dando voz a uma criação.

Gostaríamos que mais autores fossem contemplados. Nossa seleção inicial, aliás, era maior. Mas a dinâmica da publicação de livros tem seus custos. E tivemos que nos curvar à realidade.

Enfim, estamos celebrando a edição de 25 contos, 25 crônicas e 25 poemas de autores associados à nossa entidade, para que perdure, pelo tempo que durarem os livros, a voz dessa gente que vive da lida com a palavra, nem tão vã como vaticinou um dia o poeta. Não é vã, porque inspira vocações, acalenta imaginários, prepara espíritos e agiganta almas. A literatura é a irmã mais velha das artes, e, do fonema à sílaba, da voz ao texto, vem construindo a nossa história e a nossa identidade.

Nós, da UBE, vivemos para a literatura.

A UBE é a mais antiga associação de escritores do Brasil. Fundada em 17 de janeiro de 1958, deriva-se da fusão da Associação Brasileira de Escritores – SP e da Sociedade Paulista de Escritores, que, por sua vez, resultaram da divisão da antiga Sociedade de Escritores Brasileiros, criada em 1942 e que teve como mentores Mario de Andrade e Sérgio Milliet. Sediada na Capital paulista, a UBE é entidade nacional e conta em seus quadros com aproximadamente 3.800 associados, dos quais 1.600 ativos.

Sua missão é discutir políticas culturais que atendam aos interesses da categoria e representá-los em todas as manifestações literárias, em poesia e prosa. Também busca orientar seus associados em questões relacionadas a direitos autorais. Teve a presidi-la nomes como Paulo Duarte, Sérgio Buarque de Hollanda, Mário Donato, Afonso Schmidt, Abguar Bastos, Fabio Lucas, Cláudio Willer, Ricardo Ramos, Henrique L. Alves e Levi Bucalem Ferrari.

A UBE realizou quatro Congressos nacionais de escritores. Os dois mais recentes foram o de 1985, em São Paulo, e o de 2011, em Ribeirão Preto. Ambos foram prestigiados por mais de 1.000 representantes de todo o Brasil e do exterior.

A UBE também está representada nas Bienais do Livro, da Câmara Brasileira do Livro, expondo em seu estande livros de associados, promovendo lançamentos e recebendo escritores visitantes. Todos os anos envia comitiva representativa para dar palestras e oficinas na conceituada Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto. E foi uma das entidades que assinaram, em 2010, na Alemanha, o acordo com a direção da Feira Internacional do Livro de Frankfurt, para que o Brasil fosse o país homenageado no ano de 2013. Tive o orgulho de assinar o documento, ao lado de Levi Bucalem Ferrari. 

A UBE também realiza iniciativas culturais de tradição, como o movimento Mutirão Cultural, uma iniciativa que já ofereceu cursos de oratória e literatura a mais de 30.000 pessoas. Temos celebrado convênios com entidades de relevo no Brasil e no exterior, e temos sob nossa responsabilidade a publicação do jornal bimestral O Escritor, com colaborações, ensaios e resenhas assinadas por respeitados escritores, críticos e acadêmicos associados à entidade. Está representada em diversos órgãos e instituições, como o Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta.

Desde 1962, a UBE concede o Prêmio Juca Pato ao Intelectual do Ano que tenha produzido significativa obra literária publicada no ano anterior. Já foram agraciados com o Juca Pato grifes das nossas letras como Afonso Schmidt, Alceu Amoroso Lima, Érico Veríssimo, Jorge Amado, R. Magalhães Jr., Sérgio Buarque de Holanda, Rachel de Queiroz, Carlos Drummond de Andrade, Cora Coralina, Barbosa Lima Sobrinho, Jacob Gorender, Antonio Candido, Lygia Fagundes Telles, Aziz Ab’Sáber, Tatiana Belinky e Audálio Dantas.

Para a presente antologia, a UBE contou com o incansável trabalho do nosso então vice-presidente, Luís Avelima (correntemente conselheiro). Sem o seu concurso, a sua dedicação, a sua seriedade e o seu amor pelas letras, estes livros não teriam sido possíveis. Em nome dele, agradeço a todos os diretores, conselheiros, associados e funcionários que trabalharam para que esta edição se realizasse.

Também não posso deixar de agradecer ao meu antecessor na presidência da UBE, Levi Bucalem Ferrari, cujos esforços e tirocínio permitiram que uma antologia anterior fosse publicada pela mesma Global Editora, abrindo caminho para a continuidade dessa generosa parceria.

E, a propósito de generosidade, cabe-me cumprimentar e agradecer a família Alves pela oportunidade que abre para os autores da UBE. Ao fundador, Luís Alves Júnior, meu velho amigo, e aos atuais condutores dessa casa editorial, Jefferson e Richard, nossos votos de que mantenham sempre o conceito de apoiar e privilegiar a literatura brasileira, nossa voz para o resto do mundo.

Joaquim Maria Botelho

Presidente

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“Caio Prado Júnior — Uma Biografia Política” – Bernardo Pericas

O historiador Luiz Bernardo Pericás conseguiu o que parecia impossível, dada a moda das hagiografias: escreveu uma biografia extraordinária de um historiador que, de alguma maneira, também era um pensador do Brasil, na seara de Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Darcy Ribeiro e Raymundo Faoro. “Caio Prado Júnior — Uma Biografia Política” (Boitempo, 485 páginas) é um estudo exaustivo e de clareza ímpar da trajetória política e intelectual de Caio Prado Júnior.Caio Prado-Pericás

Pós-doutor em ciência política, Luiz Bernardo Pericás faz, por assim dizer, uma biografia amorosa — o que não quer dizer sentimental — de um intelectual notável e um homem de mérito. Expõe suas virtudes políticas e de pesquisador, exibindo também suas contradições, em profunda conexão com o contexto em que viveu o autor dos clássicos “Formação do Brasil Contemporâneo” — em boa hora reeditado pela Companhia das Letras — e “Histórica Econômica do Brasil”.

Não se trata de uma biografia “do contra”. Mas o autor não se furta a publicitar as contradições do autor, identificando e distinguindo, milimetricamente, o historiador rigoroso e o militante político. Luiz Bernardo Pericás mostra que havia, em Caio Prado Júnior, a tentativa de unir o pesquisador criterioso — que não falsificava a história para torná-la instrumento político da ação imediata — e o militante político do Partido Comunista Brasileiro (PCB). O balanço do biógrafo é amplamente favorável: Caio Prado Júnior era um intelectual e um militante político de rara decência e, ao mesmo tempo, competência.

Homem de família riquíssima, de porte aristocrático, Caio Prado Júnior optou por se envolver politicamente com a esquerda. Foi político, intelectual, militante, editor de livros. Mas nunca um tarefeiro manipulável, ao estilo de Marilena Chauí (que, como filósofa, tem inegáveis méritos, sobretudo como explicadora de Espinosa). Tanto que era visto com reserva pelos camaradas.

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Carlos Marighella: a chama que não se apaga

marighella-3Carlos Marighella era um sonhador com os pés no chão e a cabeça no lugar. E ele ainda desafia os seus perseguidores. Texto de Florestan Fernandes A A+ Florestan Fernandes (via PCB.org.br) reprodução
Leia, a seguir, artigo de Florestan Fernandes sobre Marighella publicado na Folha de S. Paulo em sua edição de 12 de novembro de 1984.

O 4 de novembro de 1969 incorporou-se à história graças a um feito policial-militar que culminou na morte de Carlos Marighella. Faz portanto, quinze anos que morreu o principal líder da Ação Libertadora Nacional (ALN), figura política que se tornara conhecida como militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), seu dirigente de cúpula e também seu deputado no Congresso que elaborou a Constituição de 1946. Ele foi perseguido como a caça mais cobiçada e condenado à morte cívica, à eliminação da memória coletiva. Só em dezembro de 1979, quando seus restos mortais foram trasladados para Salvador, sua cidade natal, Jorge Amado proclamou o fim da interdição expiatória: “Retiro da maldição e do silêncio e aqui inscrevo seu nome de baiano: Carlos Marighella”. No ano passado, removemos outra parte da interdição, em uma cerimônia pública de recuperação cívica e de homenagem que “lavou a alma” de socialistas e comunistas em São Paulo.

Um Homem não desaparece com a sua morte. Ao contrário, pode crescer depois dela, engrandecer-se com ela e revelar sua verdadeira estátua à distância. É o que sucede com Marighella. Ele morreu consagrado pela coragem indômita e pelo ardor revolucionário. Os carrascos trabalharam contra si próprios; ao martirizá-lo, forjaram o pedestal de uma glória eterna. Agora, esse homem volta à atualidade histórica. Ele não redimiu os oprimidos nem legou um partido novo. Mas atravessou as contradições que vergaram um partido que deveria ter enfrentado a ditadura revolucionariamente, acontecesse o que acontecesse. Desmascarou assim a realidade dos partidos proletários na América Latina. Em uma situação histórica de duas faces (como gosto de descrever), contra-revolução e revolução ficam tão presas uma à outra que são os dois lados de uma mesma moeda. À superfície, parece que a luta de classes opera em mão única – no sentido e a favor dos donos do capital e do poder. Todavia, no subterrâneo (na “infra-estrutura da sociedade” ou no “meio social interno”) existem várias fogueiras, e o aparecimento de alternativas históricas pode depender de “um punhado de homens corajosos” ou de partidos organizados e preparados para a revolução.

Em vários países da América Latina, entre eles o Brasil, a burguesia – apesar da dependência econômica, cultural e política – está encravada nas estruturas de poder nacional e as controla com mão de ferro. As ditaduras, “tradicionais” ou “modernas”, marcam as oscilações súbitas, às vezes de curta duração, da guerra civil latente para a guerra civil aberta. Nenhum partido dos oprimidos pode pretender-se revolucionário, na orientação socialista ou comunista, se não estiver preparado para enfrentar tenaz e ferozmente essas oscilações. A “legalidade”, na acepção de uma sociedade civil civilizada, é uma ficção.

O grande valor de Carlos Marighella – como o de outros que enfrentaram corajosa e tenazmente aquelas contradições, com a “crise interna do partido” – está no fato de ter compreendido objetivamente e exposto sem vacilações o que a experiência lhe ensinava. No diagnóstico, algumas vezes, ficou preso a uma terminologia equivocada e a concepções que ele pretendia apurar e superar através de uma prática revolucionária conseqüente com o marxismo-leninismo e com as exigências da situação histórica. Por fim, acabou vitimado pela vulnerabilidade central: a inexistência do partido que poderia abrir novos rumos na transformação revolucionária da sociedade. Um partido desse tipo não nasce de um dia para o outro. Requer uma longa e difícil construção. Marighella caiu nos ardis que apontara, tentando derrotar o inimigo onde era impossível fugir ao seu “cerco militar estratégico”. Não fora ao fundo da análise da revolução cubana, ignorando o quanto uma situação histórica revolucionária simplificara os caminhos daquela revolução. A “via militar” revolucionária, no entanto, se mostraria frágil sob o capitalismo dependente mais diferenciado e, por vezes, avançado na América do Sul, especialmente depois da vitória do Exército Rebelde em Cuba.

As deficiências e os equívocos de Carlos Marighella resultaram de fatores incontroláveis e insuperáveis. Ele foi até onde seu dever exigia, sem meios para tornar a missão necessária realizável. A revolução proletária não é um “objetivo” do partido revolucionário. Ela é, ao mesmo tempo, sua razão de ser, seu sustentáculo e seu produto, mas de tal modo que, quando o partido revolucionário surge, ele é um coordenador, concentrador e dinamizador das forças sociais explosivas existentes. Como assinalou Karl Marx, “a humanidade não se propõe nunca senão os problemas que ela pode resolver, pois, aprofundando a análise, ver-se-á sempre que o próprio problema só se apresenta quando as condições materiais para resolvê-lo existem ou estão em vias de existir”. O que qualifica e distingue as posições assumidas por Carlos Marighella é o propósito de romper com uma linha adaptativa, que retirava o Partido Comunista do pólo proletário da luta de classes, convertendo-o em “cauda” permanente e em esquerda da burguesia.

O seu marxismo-leninisimo ficou muito mais próximo da intenção que da elaboração teórica e prática conseqüente. O que não o impediu de encontrar, através da prioridade política e da acumulação de uma vasta experiência concreta negativa, uma versão objetiva das sinuosidades do comunismo adaptativo e tolerante que o marxismo acadêmico só descobriu tarde demais ou, então, nunca teve gana de desmascarar. No momento mesmo no qual nos vemos de novo impelidos para os erros do passado, parece indispensável voltar às suas críticas e às razões de suas rupturas (ainda que seja impensável reabsorver o conjunto de soluções teóricas e práticas que inspirou e difundiu). Em três pontos, pelo menos, é indispensável tomá-lo como referência de uma purificação marxista dos nossos partidos revolucionários.

O primeiro ponto tem a ver com os vínculos diretos da teoria com os fatos concretos e com a realidade, pela experiência crítica e pela ação crítica. Essa orientação é básica para a elaboração de um comunismo made in América Latina, construído por nós, embora com raízes marxistas e leninistas. Ele situa em plano secundário o intelectual “teórico”, eurocêntrico, e repele as “soluções importadas”, que impunham os modelos invariáveis de algum monolitismo soviético, chinês, etc.

O segundo ponto é o mais decisivo, pois põe em questão qual é o partido revolucionário que deve surgir das condições econômicas, sociais e políticas dos países da América Latina (e do Brasil, em particular). Uma sociedade civil que repele a civilização para todos e um Estado que concentra a violência no tope para aplicá-la de forma ultra-opressiva e ultra-egoísta envolvem uma barbárie exasperada específica. Tal partido deverá ser, sempre, uma espécie de iceberg, por mais confiável e durável que pareça sua “legalidade”. Isso lhe permitirá interagir dialeticamente nos dois níveis da trasformação revolucionária da sociedade – o burguês, por dentro da ordem, e o proletário e camponês, contra a ordem.

O terceiro ponto refere-se à aliança com a burguesia, que nunca deveria ter alcançado a densidade e a permanência que atingiu. Um partido comunista dócil à burguesia nunca será proletário nem revolucionário e terá, como sina inexorável, que perverter a aliança política. “O segredo da vitória é o povo”. O eixo de gravitação das alianças está, portanto, na solidariedade entre os oprimidos; em suas lutas antiimperialistas, nacionalistas e democráticas, tanto quanto nas suas tentativas de domar a supremacia burguesa, conquistar o poder ou implantar o socialismo.

Em suma, Carlos Marighella era um sonhador com os pés no chão e a cabeça no lugar. Ele ainda desafia os seus perseguidores e merece dos companheiros de rota (e do antigo partido) que levem seriamente em conta sua tentativa de equacionamento teórico e prático do enigma do movimento comunFlorestan-Fernandesista no Brasil.

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História, memória e ideologia.

Muitos estranharam a demonstração de força que a Rússia deu por ocasião da comemoração da queda do nazismo e fim da 2a. guerra mundial na Europa. Eu gostei e explico: No cinema, na TV, nos livros e revistas, os EUA ganharam aquela guerra; fizeram mais que os russos… E assim, vamos esquecendo o papel da União Soviética e das resistências populares ao nazismo nos países ocupados por Hitler,  particularmente na Iugoslávia, Hungria, Polônia, Itália, França… Se não todos os países, quase, incluindo-se a própria Alemanha.

Pesquisas informam que, a cada ano que passa, é menor a percentagem da população européia que se lembra do papel do Exército Soviético e de próprias resistências em seus países. Devido a intensa propaganda anglo-americana, a desmemória provoca a ingratidão dos europeus de hoje para com os russos e ses  Pouquíssimos sabem que

Se hoje já é difícil alguém saber ou mesmo lembrar que a URSS foi uma potência tão importante quanto os EUA, imagine concordar que havia aspectos positivos no “socialismo real” que seduziu tantas lideranças e trabalhadores, além de políticos, intelectuais e artistas pelo mundo afora. E por tanto tempo. Seduziu também líderes políticos e populações a ponto de, por volta dos anos 60, quase a metade da humanidade viver sob regimes semelhantes.

Kruschev chegou a afirmar que “cada dia de paz no mundo era uma vitória da revolução socialista”. Recentemente em Frankfurt, no lançamento do livro de Moniz Bandeira sobre a re-unificação da Alemanha, houve um debate. O livro esculhamba, com fartura de dados, o atraso da ex-Alemanha Oriental vis a vis o progresso da Ocidental em todos os aspectos. Há provas, inclusive, de que a KGB – já sob influência da perestróica e da glasnost – teria ajudado a derrubar o premiê oriental Honecker, um dos últimos stalinistas. O lançamento foi precedido de um debate. E um dos palestrantes, professor da Universidade de Colônia, nascido e criado na A. Oriental, contestou Bandeira no sentido de que havia aspectos positivos até lá. Segundo ele, a vida era mais barata e os mais pobres teriam mais acesso a educação e à cultura. Deu outros exemplos que não vêm ao caso.  

Vendo os retratos de Stálin e Lênin, a sisudez das personagens do Kremlin, e a estética do realismo socialista, tão retrógrada e tão relacionável hoje a regimes totalitários, fica mais difícil ainda imaginar que a revolução de 1917 apresentou aspectos extremamente libertários para a época. Inclusive nos costumes. Falei-lhe do detalhe do “amor livre”, como se dizia à época, ou seja, o sexo, o morar junto etc. sem casamento… Coisas inimagináveis no ocidente, a ponto de o fato ser usado como “prova” de que o socialismo destruía as famílias. Aqui a infidelidade e o amor pago eram – como ainda são – hipocritamente toleráveis. Mas, juntar sem casar, mudar de cônjuge sem maiores burocracias, absolutamente não. Repare no detalhe: se todos têm emprego, e se os salários de homens e mulheres são idênticos, estas últimas estão mais livres para tomar as decisões que lhes convêm. Sobre isso, colhi depoimentos de comunistas brasileiros que estiveram na URSS e falaram da independência da mulher soviética.

Quanto à estética pense também no tempo. Aqueles cartazes não eram tão diferentes dos produzidos em países ocidentais em casos de guerra, campanhas políticas, e até campanhas de vacinação, saúde pública etc… Ou seja, era um pouco a estética daquele tempo. Veja os cartazes da revolução constitucionalista de 1932, p.ex.

É que no caso da URSS, esta estética se cristalizou para eles e tem sido ainda mais cristalizada nos países ocidentais. Serve para demonstrar um pouco o trágico e um pouco o ridículo da revolução soviética.

Na época da perestroika, eu assisti a uma palestra do Shevarnadze, então ministro de relações exteriores da URSS. Tive também outro contato com russos que queriam modernizar-se, democratizar-se e partir para uma economia de mercado etc. Eram tão ingênuos.

Enfim, tudo indica que os líderes soviéticos desta última época queriam partir para a democratização. O atraso tecnológico da URSS; a longa ditadura; a inexistência de líderes para um novo regime etc., contribuíram para a desordem e a conseqüente derrocada do regime, extensiva aos demais países do leste europeu.

Interessante é que até isso se esquece. As intenções liberalizantes de Gorbatchev e outros não são consideradas. Vende-se a idéia de que os EUA e outras potências aliadas derrubaram o poder soviético e libertaram os demais países quase como se tivesse havido uma guerra real entre os dois lados.

 

(Vou parar por aqui. Continuarei em outra ocasião, centrando-me na questão de como uma revolução se burocratiza e, depois, se nega a si mesma. Finalmente o ressurgimento da auto-estima do povo russo com Vladmir Putin e a 2a. Gerra Fria. Aguardem)

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O Feroz Círculo do Homem

Este novo romance de Carlos Nejar é como se um coro de vozes levantasse outras vozes no respirar intranquilo de um círculo desenhado em linhas de fogo. Ou uma catedral de forma barroca onde as figuras, no milagre de um tempo passado, podem ser vistas de vários ângulos e várias faces. Então, a luz do texto passa a ser a palavra na convergência do espaço poético-real ou surreal, numa visão quase mística adotada pelo autor, ele mesmo quase um profeta. Surge, daí, as várias incorporações criativas numa espécie de projeção imaginária, como se num sonho transparecesse “toda a realidade, principalmente a humana”. Cria-se, então, uma constelação de planos de cunho reflexivo. Afirmações e negações projetadas em um círculo fechado em signos ou símbolos, como se o falar e o pensar ecoassem por espaços históricos e retornassem em ecos metamorfoseados em palavras, reflexos das urdiduras metafóricas propostas pelo poeta.

“E era noite e era cedo, e era de manhã, e as janelas de vidros evidenciavam as dobras iluminadas das chamas dos tempos’. E a palavra, senhora de todos os espaços, como se desse cor ao coro de vozes, vibrava ao vento. O branco silêncio aberto em sinais, integrado ao processo narrativo oscila sobre as flutuantes conotações das imagens, tendo-se em mente a representação quase que sagrada das palavras: “Empenho minhas palavras tão severas e vigorosas e bem amestradas para devorar as traças. Até na ferocidade, triturá-las”.

É evidente que para se levantar questões literárias sobre o círculo da vida, da morte, não é suficiente debruçar-se em análises sobre estas duas realidades, pois elas se desdobram em outras tantas funções passíveis de discussão. É possível encontrar ambiguidades, numa operação metalinguística buscada pelo autor. Daí as idas e vindas (círculos se abrindo e fechando), as negações e afirmações, a rigorosa conotação das frases, num procedimento que não se limita ao exterior das coisas, mas, sim, redefinido num espaço interior, numa espécie de ultra-dimensionalismo em que tudo passa por reflexões ou lições extraídas a partir de um jogo de extrema ferocidade. Um espaço abrindo outro espaço para outro jogo, assim, como círculos de giz desenhados em um chão arquitetônico particularizado pela singularidade do texto.

Estão ao alcance do grande escritor os capítulos em contraponto, a exemplo de James Joyce, os efeitos iniciais do rompimento das tradições, da busca das premissas alicerçadas pelas teorias dos grandes filósofos da humanidade. Os achados, inapelavelmente integrados ao processo de instauração de um textopoema veiculado à palavra-signo, podem ser vistos como um novo tecido, uma nova pele, tessitura marcadamente impressa nos procedimentos criativos nejarianos. Ele mesmo senhor e dono da palavra, um dos grandes monumentos da nossa literatura. Dizer, portanto, que se trata apenas de um romance casual é dizer pouco. É dizer nada. Buscar em que medida o autor escreveu o seu Feroz Círculo do Homem (ou do Fogo?) é não achar resposta acerca dessa produção fadada à reflexão, integrada aos conceitos dos dados histórico-culturais, cujo peso maior está na força da própria palavra. Não há medida para este romance, ou ensaio filosófico. Ou peça para um teatro de sensações históricas, capaz de revelar a dicotomia ou trilogia incorporada ao conceito literário modernista. “Entendi, no entanto, o paradoxo. Não são os sonhos que enlouquecem, nós é que corremos o risco de enlouquecer, se não tivermos palavra. Pois ter palavra é mudar o sonho da alma”.(Texto das “orelhas” por Miguel Jorge)

 O AUTOR

 Carlos Nejar nasceu em Porto Alegre (RS) em 11.01.1939. Procura­dor de Justiça, atualmente aposentado, radicou-se na “Morada do Vento”, em Vitória (ES). Pertence à Academia Brasileira de Letras, Academia Brasileira de Filosofia, PEN Clube do Brasil, Academia Espiritossantense de Letras. Recebeu a mais alta condecoração de seu Estado natal, o Rio Grande do Sul, “A Comenda Ponche Verde”, e de Minas Gerais, “A grande Medalha da Inconfidência”, em 2010. Recebeu, ainda, a “Co­menda do Mérito Aeronáutico”, no dia do Aviador, Rio. Chega aos setenta e cinco anos graças a seu espírito renascentista, com fama de poeta reconhecido, tendo construído uma obra importante em vários gêneros — tanto no romance, quanto no teatro, no conto, na criação infantojuvenil — publicou, em 3ª edição, sua História da Literatura Brasileira, onde assinala a marca do ensaísta. É considerado um dos 37 escritores-chave do século, entre 300 autores memoráveis, no período com­preendido de 1890-1990, segundo ensaio, em livro, do crítico suíço Gustav Siebenmann. (Poesia y poéticas Del siglo XX em la América Hispana y El Brasil, Gredos, Biblioteca Românica Hispânica, Madrid, 19970). Teve sua Poesia Reunida: A Idade da Noite e A Idade da Auro­ra, Ateliê editorial de S. Paulo e Fundação da Biblioteca Na­cional, 2002. Ao completar setenta anos, publicou a reunião da maior parte de sua poética, com I. Amizade do mundo; II. A Idade da Eternidade, editora Novo Século, São Paulo, 2009. E Odysseus, o Velho, 2010.

Suas Antologias foram: De Sélesis a Danações (Ed. Quíron, SP, 1975), A Genealogia da Palavra (Ed. Iluminuras, SP, 1989), Carlos Nejar Minha Voz se chamava Carlos (Unidade Editorial-Prefeitura de PA, RS, 1994), Os Melhores poemas de Carlos Nejar, com prefácio e seleção de Léo Gilson Ribeiro (Ed. Global, S. Paulo, 1998); Breve História do Mundo(Antologia), Ediouro, prefácio e seleção de Fabrício Carpinejar, 2003, já esgotado.

Romancista de talento reconhecido pela ousada inventivi­dade, entre suas publicações estão, O Túnel Perfeito, Carta aos loucos, Riopampa, ou o Moinho das Tribulações (Prêmio Machado de Assis, da Fundação da Biblioteca Nacional, em 2000) e O Poço dos Milagres (Prêmio para a melhor prosa poética da Asso­ciação Paulista de Críticos de Artes, São Paulo, 2005). É autor de Teatro em versos: Miguel Pampa, Fausto, Joana das Vozes, As Parcas, Favo branco (Vozes do Brasil), Pai das Coisas, Auto do Juízo Final (Deus não é uma andorinha), Funarte, Rio, 1998. Saiu também, em 2011, a 3ª edição de seusViventes (trabalho de mais de trinta anos, espécie de “Comédia humana em miniatura”), que será encenada no teatro.

Publicou, em 2012, Contos Inefáveis, pela editora Nova Alexandria, de São Paulo; A negra labareda da Alegria, romance, em 2013; A vida secreta dos gabirus, Record, e Matusalém de Flores, ed. Boitempo, 2014.

Traduzido em várias línguas, tem sido estudado nas universidades do Brasil e do exterior.

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A bela Helena

Miriam Mambrini é autora de nove livros – o romance A bela Helena é o mais recente, com lançamento dia 8 de junho na livraria 7Letras –, venceu vários concursos literários, participou de coletâneas prestigiosas como 30 mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira, organizada por Luiz Ruffato, e teve os romances As pedras não morrem e O crime mais cruel (Bom Texto) adquiridos pelo Programa Nacional de Bibliotecas Escolares, com o que ganhou um bom dinheiro. Apesar disso, nenhum de seus livros jamais saiu por uma grande editora. Miriam antecipou uma tendência do século XXI, quando a produção literária se pulverizou, cada autor orbitando seu próprio público-alvo, em um fenômeno observado também nos mercados cinematográfico e fonográfico. Uma vantagem é que os parâmetros do sucesso estão sendo revistos. O que é mais importante para um escritor? Ser lido por quem? Para quê?

Para quem você escreve?
Escrevo para o leitor comum, que vai à livraria à procura de um bom livro. Escrevo para alguém como eu, que gosta de ler uma história que distraia, mas que vá além disso, e que não despreze o lado estético da escrita.

Já ficou chateada por nunca ter um livro publicado por uma grande editora? Houve tentativas nesse sentido?
Tentei inúmeras vezes ser editada por uma grande casa, sem conseguir. Achei que meus livros podiam ser uma boa alternativa aos montes de best-sellers estrangeiros que encontramos em todas as livrarias. Antes de mais nada, sou brasileira, falo de nossas coisas e sei contar bem uma história, talvez melhor do que muitos desses autores. Mas é mais seguro publicar um romance já consagrado no exterior ou um livro de pessoa famosa em outro ramo de atividade do que apostar num autor desconhecido. Já me questionei: para que escrever tanto se tão poucos leem meus livros, se nunca me senti verdadeiramente reconhecida? Mas logo percebo que não importa ser reconhecida ou não, ser lida por muitos ou por poucos. O que importa é o prazer de olhar a vida com curiosidade, deixar a imaginação passear nos campos do real e escrever – o que mais gosto de fazer.

A bela Helena é a história de uma mulher que viveu intensamente a vida, sem se poupar de amores e dores. Quem é Helena? Como a concebeu?
Sempre me impressionou a história verdadeira de uma moça que conheci. Aos cinco anos, foi deixada pela mãe na casa dos avós, que não sabiam de sua existência. Parti desse fato. Imaginei uma menina, Talita, que queria ser Helena. Ela não teria uma prosaica vida burguesa. Estaria sempre se adaptando a mudanças, indo e vindo ao sabor das ondas e marés, atormentada por paixões e lutando para realizar seus desejos. Foi assim que a construí. Os dramas das duas vidas, a real e a ficcional são bem diferentes, e posso dizer que Talita foi mais afortunada do que aquela que me inspirou.

São mais de 20 anos de carreira e nove livros publicados. Algo mudou na escritora Miriam Mambrini ao longo desse tempo? O quê?
Hoje trabalho mais devagar, corrigindo, reescrevendo, procurando ouvir as vozes de meus personagens, ver seus gestos, sentir o que eles sentem. Meu texto perdeu um pouco da espontaneidade, ganhou em densidade. À medida que escrevo, leio e vivo, fico mais consciente de que a literatura é uma arte e uma técnica. A técnica, agora domino melhor. A arte, vou tecendo da maneira que posso.

Alguns de seus contos de livros como Vícios ocultos e o romance O crime mais cruel dialogam com o gênero policial, que está em moda. De onde vem essa vertente? Planeja escrever algo nessa área?
O mistério, o suspense, o crime e a investigação sempre me interessaram, no livro e no cinema. Gostei muito de escrever O crime mais cruel, e só não enveredei direto pelo romance policial porque fui atraída por outros temas. Tenho uma tendência à dispersão. Há muitas coisas que me interessam: as relações humanas, o quotidiano, as surpresas da vida, o caminho de tudo em direção a seu fim. No momento trabalho num romance policial clássico, no qual Próspero e Ferrero, personagens de O crime mais cruel, estão presentes, ajudando a desvendar um crime.

O que é a literatura para você? O que significa na sua vida e na sua maneira de olhar o mundo?
Sempre quis saber como era ser o outro, homem ou mulher, experimentar existências diferentes. A literatura me leva a viver quantas vidas quiser.

 

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O PROGRAMA MAIS MÉDICOS COMO CONTRAPONTO À PRIVATIZAÇÃO DA SAÚDE PÚBLICA POR INTERESSES POLÍTICO – CORPORATIVOS

Eugênio Carlos Ferrari(*)

No desencadeamento dos já exitosos Programas Mais Médicos e Estratégia de Saúde da Família, sancionados pelo Governo da Presidenta Dilma Rousseff, forças retrógradas se manifestam de modo falacioso no sentido de esconder seus interesses subalternos. Tais interesses, por sua vez, contrapõem-se às necessidades sentidas no campo da saúde, expressas justamente nas frações socialmente mais vulneráveis da população brasileira.

A importância das Políticas Públicas de Saúde direcionadas à visão holística proposta pela medicina generalista, são amplamente contempladas na Estratégia de Saúde da Família, que visa à promoção e recuperação do bem-estar biopsicossocial, proposto como normativa pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Torna-se flagrante a contraposição dos interesses privatistas, que pretendem a Expropriação da Saúde Pública pela pseudo-filantropia, ardilosamente contemplada por notórios opositores.

No exato momento em que se discute  a ética nos hospitais, há que se ter uma visão mais abrangente de todo um processo criado pela legislação privatista promulgada pelo Presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1998, motivo de Adin – Ação Direta de Inconstitucionalidade – que se arrasta no seu julgamento final no STF, a partir do voto do Ministro Ayres Brito – Adin.1923/1998 contra lei 9637 (que legaliza a terceirização da gestão de serviços e bens coletivos para entidades privadas mediante o repasse do patrimônio, bens, serviços, servidores e recursos públicos), hoje se encontra vítima de inúmeras manobras protelatórias no seu processo decisório.

Cabe assinalar que no referido período – 1998/2014 – houve crescente e avassaladora apropriação privada dos recursos públicos destinados ao setor saúde, que assume aspectos particularmente teratológicos, com nomenclatura as mais variadas – OSs, Oscips, Ongs, Fundações e PPPs -, em características terceirizações e quarteirizações. Para tanto, basta examinar as bilionárias dotações orçamentárias, transferência de equipamentos de saúde, construídos com dinheiro público, destinadas a essas entidades pseudo-filantrópicas realizadas, nos últimos anos, muito especialmente no Estado de São Paulo e inspiradas em propostas a partir da consultoria, alavancada pelo PSDB e aliados, designada como Via Pública, de seu Diretor Executivo Pedro Paulo Martoni Branco.

A legitimação política das atividades do sistema médico financiado pelos contribuintes, contemplados pelas dotações orçamentárias  expressas no orçamento público consolidado,  só pode ser estabelecida  por um programa assistencial que defina e controle os custos e a qualidade dos serviços oferecidos no seu complexo médico-hospitalar, obrigatoriamente comprometido com a produção de decisivos indicadores de boa saúde da população.

Dotar recursos, da forma que está sendo instada a fazer a gestão pública, por “lobbies” pseudo-filantrópicos, liderados pelos eternos predadores dos parcos recursos públicos  implica, literalmente, hospitalizar todo o nosso orçamento federal ( o Brasil destina, desde a década de 90, considerada uma série histórica, em média 3,5% do orçamento público consolidado, ante uma média latino-americana de 10% e nos países ricos do hemisfério norte, entre 11% e 12%). Podemos dizer ainda que o país facilmente consumiria todo o nosso limitado PIB (os gastos americanos em saúde hoje consomem, aproximadamente, 3 trilhões de dólares), caso atendesse ao modelo propugnado pelos atuais nobres conselheiros dos poderes centrais.

No plano federal, hospitalizar o orçamento do Ministério da Saúde e do SUS, em benefício dos que se locupletam com os dinheiros públicos, uma vez enredada as mais altas instâncias do poder nacional em falaciosa argumentação, tecidos em sedutoras atitudes de conotação pseudo-afetivas, seria cair em erro crasso, que imobilizaria a nação em nome de interesses inconfessáveis desses atípicos oráculos da não Hipocrática Medicina Brasileira.

As distorções verificadas, particularmente no Estado de São Paulo, remontam a antecedentes históricos, que demandam uma reconstituição do equivocado processo evolutivo, na gênese dos métodos de implantação e operacionalização do sistema de saúde instalado há décadas no âmago do modelo técnico-científico proposto: os que propugnam esse modelo técnico-científico, só aplicado nos Estados Unidos e aqui inoculado na Faculdade de Medicina da USP, na década de 50, pela Fundação Rockefeller, com a mimetização colonial do sistema de ensino e modelo de assistência médica americanos, contaminaram imperialmente todas as nossas instituições de saúde e as práticas médicas. Tais práticas, disseminadas por efeito demonstração em todo o território nacional, mostraram-se, desde então, incongruentes com as necessidades sentidas específicas da nossa população e a custos inexequíveis para a solução dos problemas de saúde de um país em desenvolvimento.

Os atuais gestores desta apropriação privada dos recursos públicos pelos eternos donos da “Casa Grande Médica”, herdeiros vinculados aos seus vícios genéticos históricos da natural sucessão familiar dinástica no Incor e demais departamentos do HC da FMUSP   (basta consultar a biografia  dos senhores donos do poder da Academia “Casa Grande e Senzala” e seus parentescos filogenéticos),  reproduzem esse modelo contraproducente. Tipificam, ainda hoje, o nosso clássico nepotismo acadêmico em que pontificam os ancestrais (Pais, tios, aparentados em diversos graus e até mesmo afilhados dos antigos Professores Catedráticos).  Ao modo dos protocolos do antigo estilo de convivência política, os descendentes outorgados com os títulos de Professores Titulares, perseveram o tradicional papel de convivas palacianos, pertencentes ao aristocrático círculo afetivo e, porque não dizer, muito pior que afetivos, nefastamente efetivos e influentes na formulação de uma política nacional de saúde, marcada hoje pela espoliação dos nossos escassos recursos, em detrimento dos interesses coletivos.

Tais fatos implicam distorções no tocante ao pensamento pertinente à saúde pública  dos nossos bem intencionados dirigentes republicanos máximos, enredados inocentemente por confrarias médicas, inspirados pelos eternos “Donos do Poder”, nos remetendo ao grande mestre, Raymundo Faoro.

O processo organizatório do sistema de produção da saúde deve estar submetido a uma permanente dinâmica crítica, informado pelas necessidades sentidas, sem minimizar problemas no setor saúde e delineando novas diretrizes programáticas. É imperativo jamais abdicar do dever indeclinável das autoridades sanitárias federais no sentido  de manterem estrito controle no tocante aos recursos disponibilizados, vetando terceirizações e quarteirizações em perdulárias parcerias com entidades privadas, caldo de cultura por excelência destinado à malversação de recursos públicos.

Constitui prática temerária, diante dos fatos apontados, discutir afoitamente todos os dispositivos legais que contemplem transferências orçamentárias federais, que açodadamente são pleiteadas por governadores e prefeitos com ousada pretensão acusatória ao ignorarem todo o empenho da administração pública no intuito de implementar uma política responsável e exequível nos anos do seu mandato. Nada justifica dotar com verbas hipertrofiadas Estados e Municípios, que insistam nessas práticas predatórias do financiamento do Setor Saúde.  O referido expediente, disseminado especialmente no Estado de São Paulo, é flagrantemente inconstitucional, propiciando malversação dos escassos recursos públicos, como se pode facilmente comprovar, em prática contumaz, na gestão de OSs,  Oscips e Ongs de variadas designações.

Há que se ressaltar, a título de exemplificação histórica dos riscos a que nos expomos, reproduzindo modelos de assistência à saúde anômalos, presididos pelos interesses da “Indústria de Saúde Privada”, por natureza espoliativa dos recursos públicos. Recordemo-nos, a título de exemplo no nosso meio,  a dilapidação de recursos federais bilionários do INPS, desde 1966, Inamps, SUDS em São Paulo na gestão Quércia e do SUS nas gestões Fleury e PSDB em São Paulo,  com o expediente da utilização de métodos de terceirização e quarteirização, a partir de 1998,  de recursos provindos para o financiamento da saúde.

No intuito de alertar para a dimensão de  riscos prospectivos, da má alocação de recursos no setor saúde, devo assinalar o registro de que a inflação média mundial nos últimos 20 anos esteve situada entre 2% e 3% ao ano, enquanto no mesmo período a inflação média mundial do segmento econômico pertinente à  saúde transitou entre 16% a 18% ao ano. Como motivo de reflexão, podemos ainda examinar o fato exemplar expresso pelos gastos da economia americana no ano de 2013, que consumiram 3 TRILHÕES DE DÓLARES, com resultados considerados desastrosos, implicando imperativa reforma do sistema de saúde americano, com alto custo político para o Governo Obama.

Para uma possível contribuição adicional, julgo de suma importância atentar para o fato reconhecido internacionalmente, segundo o qual o primeiro determinante do estado de saúde de uma população é o FATOR RENDA, o segundo, condições sócio-ambientais, representados por MORADIA E SANEAMENTO, e o terceiro determinante da melhora das condições de saúde coletiva é consubstanciado no ATO MÉDICO! Concluo recomendando, como médico, que se apreciem os dados extraídos dos IDHs e o Atlas de Morbi-mortalidade, recentemente aferidos na Cidade de São Paulo, que mostram a congruência dos dados ali representados, demonstrando cabalmente a coincidência entre o baixo IDH e as piores condições de saúde.

 

 

(*)Eugênio Carlos Ferrari, médico Neuropsiquiatra, membro titular do corpo clínico do Hospital Albert Einstein, graduado, em 1973, pela FMUSP – Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Foi Coordenador Estadual do Ministério da Saúde – FUNASA – na gestão do Ministro Jamil Haddad, Secretário da Saúde, Higiene e Bem Estar Social do Município de Jundiaí, Superintendente do Hospital-Escola da Faculdade de Medicina de Jundiaí e Consultor da Fundap para assuntos médicos. ___________

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Mais jovens do que somos

Ruy Castro

RIO DE JANEIRO – Nas fotos, eles estão sempre de terno escuro, pérola na gravata e competente chapéu. Alguns usam sobretudo, capa de chuva ou guarda-pó, donde concluo que fazia mais frio, chovia e ventava no Brasil do passado. Pelo menos, sobre os escritores.

São belas fotos. Numa delas, José Lins do Rego, Otavio Tarquínio de Souza, Paulo Prado, José Américo de Almeida e Gilberto Freyre parecem a ponto de tomar um navio para a Europa. Em outra, Guimarães Rosa, de paletó riscado e gravata borboleta, afaga seu gato. E, ainda em outra, os rapazes de 1922, alguns com suspeitos colarinhos parnasianos, posam pimpões para o futuro -sentado no chão, sem comprometer o vinco da calça, o galhofeiro Oswald.

Enquanto Hemingway ia direto da caçada, cheirando a elefante, para uma festa de gala, nossos escritores ainda viviam engomados. O primeiro a se deixar fotografar de calção, descalço e camisa aberta ao peito talvez tenha sido Jorge Amado. Em seguida, Vinicius de Moraes começaria sua transição do terno cinza para a camisa de malha preta, existencialista, e mocassins sem meias. E, pouco depois, Fernando Sabino diria que os escritores estavam perdendo a aura -por acaso, isso coincidia com a sua adesão às mangas curtas.

Não sei se pelas becas, mas todos aqueles homens pareciam mais velhos do que eram. Pense bem:

Graciliano Ramos morreu com 60 anos; Rosa, 59; Zé Lins, 56; Clarice Lispector, 56; Olavo Bilac, 53; José de Alencar, 48; João do Rio, 39. Como construíram obras tão grandes em vidas tão curtas?

Daí penso nos colegas com quem cruzo no Leblon -bronzeados, de chinelo, bermudas, camiseta do Pernalonga, iPods à orelha-, todos parecendo mais jovens do que realmente somos. E me pergunto se esse à vontade quase indecente se refletirá em obras que atravessem décadas ou séculos, como as dos antigos.

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DO ESTADO, DO DIREITO E DA POLÍTICA: reflexões.

Samuel Pinheiro Guimarães
06 de janeiro de 2015

Introdução
1. Os conceitos de Estado, de Direito e de Política muitas vezes, em teoria, são apresentados e discutidos de forma distinta. Em realidade, encontram-se tão profundamente interligados que não se pode com proveito analisá-los separadamente. Não há Direito sem Estado, pois a aceitação e a observância das normas jurídicas e sua eventual sanção em caso de descumprimento dependem da existência e da força do Estado que se expressam através de suas agências, entre elas e muito em especial sua polícia. A afirmação de que não há Direito sem Estado não significa negar a existência de direitos humanos inalienáveis. Todavia, somente a luta política pela consagração desses direitos e pelo seu reconhecimento pela legislação e pelo Estado é que permite impor sua observância.
2. Não há Direito sem Política, pois as normas jurídicas não são elaboradas, executadas e interpretadas em gabinetes acadêmicos a partir de conceitos e de estruturas lógicas cartesianas, mas, sim, em processos conflituosos de disputa de interesses no seio da sociedade e dos organismos do Estado, ainda que cada grupo de interesses conte nestes processos com o auxílio precioso de seus juristas para melhor articular a defesa de seus pontos de vista.
3. Não há Estado sem Política, pois os dirigentes das distintas agências do Estado, isto é das múltiplas agencias que compõem os seus três Poderes -Legislativo, Executivo e Judiciário – são escolhidos através de processos políticos, mesmo quando esses processos são disfarçados como procedimentos de aparência tecnocrática, de reduzida transparência e nenhuma participação popular, como ocorre em regimes ditatoriais.
4. Há uma tendência em certas áreas de estudos acadêmicos e de certos autores a se estabelecer uma distinção e uma separação entre Sociedade Civil e Estado; entre Economia e Estado. A Sociedade Civil é apresentada com uma aura e uma natureza inerentemente boa, um lugar ideal onde os cidadãos, iguais e livres, conviveriam em harmonia se não fora pela existência do Estado, ente maléfico e autoritário que perturba e impede o desabrochar da sociedade civil. A Economia é representada como um espaço livre, dinâmico e criativo, onde empresários, capitalistas e investidores são responsáveis pelo progresso e pela prosperidade de todos enquanto que o Estado aparece como uma entidade intervencionista, ineficiente, corrupta e corruptora.
5. Todavia, não existe Sociedade Civil sem Estado, mesmo quando este aparece como instrumento de um regime ditatorial ou autoritário, pois sem o Estado e sem normas jurídicas, a sociedade seria tão somente um emaranhado confuso de lutas violentas de interesses. A não ser nos territórios coloniais, onde as instituições do Estado colonial aparecem como criaturas da potência estrangeira, alheia e opressora da sociedade local, se pode falar de separação entre Sociedade Civil e Estado.
6. Por outro lado, não há Economia sem Estado, pois são as normas jurídicas que regulam as atividades econômicas e que, através das agências do Estado, garantem a observação das relações entre trabalho e capital (lato sensu), qualquer que seja o sistema econômico de uma determinada sociedade: agrária primitiva, antiga, feudal, capitalista, socialista ou comunista. À “economia” tida como natural pelos economistas clássicos (liberais), Marx contrapunha o conceito de “economia política”, no sentido de que esta é sempre resultante das atividades dos homens, causa e efeito de interesses e conflitos sociais permanentes.
7. Hoje há uma tendência a considerar que a expressão mais moderna da Sociedade Civil seriam as organizações não governamentais, que representariam melhor os interesses do povo, principalmente em Estados em que as classes hegemônicas são conservadoras e opressoras. Todavia, em muitas circunstâncias, as organizações não governamentais que atuam em um país, em especial quando é ele subdesenvolvido, representam em realidade interesses particulares e estrangeiros e estão longe de representar a sociedade civil. De toda forma, não têm essas organizações representatividade e legitimidade já que seus integrantes se auto-escolheram, e assim é de estranhar e de preocupar a tendência atual de incorporar representantes de ONGs em organismos do Estado.

8. As potências imperiais tem incentivado esta falsidade ideológica no sentido de fragmentar e enfraquecer os demais países: ao Estado centralizado e opressor deve-se opor as ONG ´s “representantes” mais eloqüentes de uma sociedade civil idealizada. Levi Ferrari afirmou que “Seria romântico, se não fosse enganoso, fazer crer que o Estado possa ser substituído com vantagem por um difuso conceito de mercado, eventualmente travestido – e nobilitado – em sociedade civil, como se nesta não se gestassem perversas desigualdades e congruentes formas de dominação. Lembre-se que onde não houver Estado, estados paralelos surgirão, seja o dos oligopólios multinacionais, seja o do crime organizado, seja o dos meios de comunicação, seja ainda uma combinação dos três” (Ferrari, L. B. Anais da 48a. Reunião Anual da SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência – S.Paulo, PUC, 09/07/96).
9. Da mesma forma a falsa idéia de que a cada etnia, cultura, formação sócio-histórica deve corresponder um Estado. Isto para fragmentar e enfraquecer os Estados que não se submetem, como ocorreu na antiga Iugoslávia. Daí também a esdrúxula expressão “nações indígenas” p. ex. quando o correto é “povos indígenas”. O Estado moderno desde sua origem é sempre plurinacional, incorporando etnias e culturas diversas.
10. Ao tratar dos temas do Estado, do Direito, da Política, da Sociedade e da Economia há sempre uma certa repetição de ideias e de argumentos, devido à sua estreita interelação, pelo que me penitencio.

Do Estado
11. Reconhecendo as características, detalhes e diferenças da evolução de cada Estado nacional, pode-se afirmar que os atuais Estados surgiram de desagregação ou de integração, violenta ou pacífica, de Estados ou “unidades políticas” anteriores; de processos de colonização que importaram e implantaram estruturas estatais exógenas e de processos de descolonização, violenta ou pacífica, que herdaram instituições administrativas das Potências coloniais; de revoluções que herdaram e criaram estruturas estatais.
12. Os Estados nacionais de hoje (e do passado), apesar de seu nome, muitas vezes são constituídos por populações de diferentes origens étnicas e nacionais, que foram submetidas à hegemonia de uma delas enquanto que certas nações se encontram dispersas em territórios de diferentes Estados. Fato importante é que, em realidade, foram muitas vezes os Estados, as organizações construídas pelas etnias ou classes hegemônicas, que vieram a criar as “nações” atuais e não o contrário e que fizeram equivaler à noção de Estado a de uma só “Nação”, quando, na realidade, a própria “Nação” atual é constituída por populações de etnias e culturas diversas. A frase de Sêneca, em carta para sua mãe Hélvia, revela que toda pretensão atual, de qualquer sociedade, à pureza racial já era, em sua remota época, absurda:
“dificilmente se encontrará um só lugar (no Império Romano) ainda povoado por seus habitantes originais: em toda parte a população é miscigenada e de estoque étnico de origem estrangeira.”
13. Em todas as sociedades, desde aquelas de longa história soberana até aquelas que conquistaram recentemente sua independência, há características comuns nos primórdios dos respectivos processos de formação de seu Estado nacional.
14. À medida que as comunidades primitivas foram adquirindo a capacidade de cultivar vegetais e criar animais deixaram de ser nômades para se tornarem sedentárias. Teve início a Revolução Agricola que caracterizou a economia e as sociedades até a Revolução Industrial.
15. A agricultura supunha o domínio e o estabelecimento permanente de uma comunidade em um determinado território, o que, de um lado, levaria à emergência da propriedade coletiva, e mais tarde da propriedade privada, e da acumulação de riqueza e de Poder por indivíduos dentro de cada comunidade e, de outro lado, à formação de núcleos urbanos, as primeiras cidades.
16. A diversificação de atividades dentro de cada comunidade primitiva e o surgimento do excedente econômico gera a possibilidade de acumulação de riqueza, existente de forma embrionária nas sociedades pastoris, e nômades, tornando inevitáveis as disputas pela apropriação de riqueza.
17. Essas disputas, com sua violência e sua insegurança, tornavam indispensável estabelecer normas para organizar as relações entre indivíduos e entre os distintos grupos sociais: homens, mulheres, guerreiros, sacerdotes, mercadores, artesãos, lavradores, caçadores etc.
18. A primeira distinção que surge dentro das comunidades primitivas é entre,de um lado, homens adultos e, de outro lado, mulheres, velhos e crianças, grupos esses naturalmente mais fracos e indefesos, vitimas de opressão durante milênios. Certas desigualdades, de tão históricas, querem parecer naturais.
19. As diferenças de fertilidade dos solos e de possibilidade de irrigação levavam à disputa entre comunidades primitivas pela posse daqueles territórios que eram mais adequados para a atividade agrícola, por serem mais férteis e com nascentes, pela posse de rebanhos e pela aquisição de mão de obra escrava.
20. As disputas internas entre os diversos grupos sociais e os conflitos externos com outras comunidades levaram à emergência, no seio das comunidades primitivas, de grupos de indivíduos que, devido à sua força ou habilidade para a guerra, se destacavam na defesa de sua comunidade e, eventualmente, nos ataques a outras comunidades e que reivindicavam para si “direitos” especiais de posse de terras, de botins, de escravos.
21. A diferenciação de atividades e os conflitos com outras comunidades levaram à necessidade de normas e à formação de estruturas sociais de Poder capazes de organizar a sociedade para dentro e para fora e impor a obediência a essas normas por parte dos indivíduos.
22. Essas estruturas foram criadas pelos grupos mais poderosos em cada comunidade. Esses grupos procuraram fundamentar e justificar sua existência e seus privilégios não na sua força, mas sim como emanados de entidades divinas. Essas entidades, e seu culto, estariam relacionadas com o “controle” das forças da natureza e de fenômenos tais como a chuva, o vento, o sol, a fecundação, o nascimento, a morte e assim por diante, incompreensíveis para o homem primitivo, porém aspectos fundamentais na vida das comunidades mais antigas.
23. As religiões foram animistas em seus primórdios e assim continuaram durante longo tempo. Esta característica sobreviveu mesmo em civilizações sofisticadas como a grega, chegando aos tempos modernos de forma sublimada como ocorre, por exemplo, na devoção católica a santos protetores contra fenômenos naturais tais como raios e tempestades, contra doenças, ou propiciadores do amor e da saúde e intercessores junto à divindade máxima.
24. Estas estruturas sociais de poder que são os Estados primitivos diferem em sua organização e na sofisticação dos controles que exercem as classes hegemônicas (cuja composição evolui no tempo e tem a ver com a evolução econômica e social) sobre os demais grupos. A natureza essencial dessas estruturas é a mesma, qual seja a elaboração de normas e a manipulação de “ideias” sobre como se organiza a sociedade e sua relação com as divindades e o uso da força física para impor os interesses das classes hegemônicas no processo de apropriação de uma parcela maior da produção social de bens e de honrarias.
25. A escassez de dados sobre muitos desses aspectos nas sociedades primitivas e na Idade Antiga devido à ausência ou à precariedade de registros históricos, o que ocorre mesmo no caso de Roma, faz com que a atenção dos historiadores tenda a se concentrar nas ações e façanhas dos soberanos dos Estados antigos os quais, aliás, não somente se preocupavam como tinham condições de registrar seus feitos. A História tende a ser, assim, a história das classes hegemônicas e a romantizar ou a não examinar os mecanismos de seu domínio e de sua exploração das classes oprimidas. Registre-se aqui o surgimento da burocracia antiga como forma de sedimentação da segmentação social i.e. as castas na Antiguidade, especializadas em atividades econômicas e outras, sempre justificadas pela tradição e religião. Na China Imperial antiga, somente os filhos de mandarins podiam aprender a ler e escrever.
26. A evolução dos Estados, isto é, dessas estruturas de costumes, de normas e de instituições de controle social, é um processo complexo e inter-relacionado que é influenciado pela evolução tecnológica, i.e, pelo crescente conhecimento das técnicas de produção de bens para a paz e para a guerra; pela evolução política, i.e das relações de força e de interação entre os distintos grupos sociais; pela evolução jurídica, i.e. pela crescente complexidade das normas que regem o convívio social, econômico e político entre indivíduos, grupos e classes que integram uma determinada sociedade
27. O Estado é, assim, o conjunto de normas, elaboradas pelas classes hegemônicas, e de “agências” que elaboram essas normas e as “fazem” cumprir se necessário pela força. Esses conjuntos de normas e de agências evoluíram historicamente na própria medida em que se desenvolveram as relações de produção e em que surgiram novas atividades e novas classes sociais a elas correspondentes e que em um processo de lutas foram transformando as normas e as agências do Estado. Mas o Estado era e é ainda hoje o resultado do embate das classes hegemônicas – ainda que dentro delas haja uma disputa permanente pela liderança – com as demais classes sociais para organizar as atividades sociais e para regular a distribuição dos recursos resultantes das atividades produtivas.
28. No caso dos Estados que surgiram da desintegração de impérios, como o Brasil, herdaram eles instituições coloniais transplantadas e, por vezes,outras de sua própria sociedade, mas a formação de suas classes hegemônicas tem semelhança com a dos Estados que não surgiram da desintegração colonial.

Do Direito
29. O Direito é o conjunto de normas que regulam as relações civis, comerciais, políticas, religiosas e militares entre indivíduos, entre indivíduos e pessoas jurídicas privadas, entre pessoas jurídicas privadas e entre os indivíduos, as pessoas jurídicas privadas e as agências do Estado.
30. Este conjunto de normas, com maior ou menor rigor, e com maior ou menor grau de formalização, existe em todo tipo de comunidade humana, desde as mais primitivas sociedades nômades e depois agrícolas, até as mais sofisticadas sociedades chamadas de pós-modernas.
31. As normas que regulavam as relações sociais de toda ordem eram, em seus primórdios, consuetudinárias e muitas vezes de natureza religiosa e foram se tornando progressivamente escritas.
32. Até a Revolução Americana e a Revolução Francesa, a quase totalidade dos regimes políticos baseava-se na tradição, fossem eles monarquias absolutas, sistemas feudais, de castas e outros. Todos justificados pelo direito divino caracterizando os sistemas jurídicos nacionais durante cerca de sete mil anos, desde as remotíssimas civilizações sumérias da Mesopotâmia até a Revolução Americana em 1776.
33. Nessas formações sociais pré-capitalistas os segmentos sociais hegemônicos, fundamentalmente a nobreza, o clero e os militares, eram perfeitamente identificados e exerciam o “direito“ de elaborar a legislação, muitas vezes arbitrária, contraditória e diferente para cada estrato social e de executar as normas jurídicas que estabeleciam em nome da tradição, particularmente da religião.
34. Até a época de Beccaria (1738-1794), o princípio básico de nullum crimen, nulla poena sine praevia lege poenali não era aceito e assim a conduta criminosa podia ser definida a posteriori assim como a sua pena. A tortura, os julgamentos secretos, as execuções por feitiçaria eram corriqueiros e parte dos instrumentos de controle pelas classes hegemônicas dos demais setores da sociedade.
35. Este conjunto de normas que chamamos Direito, em seus distintos ramos, é elaborado pelas classes hegemônicas de uma sociedade através de seus representantes.
36. Nas democracias representativas modernas e desde as Revoluções Americana e Francesa se afirma que o povo é soberano e exerce sua soberania através de representantes eleitos.
37. A Constituição Americana de 1787, aprovada pela Convenção Constitucional de Filadélfia, declarava:
“Nós, o Povo dos Estados Unidos, a fim de formar uma União mais perfeita, estabelecer a Justiça, assegurar a tranquilidade interna, prover a defesa comum, promover o bem-estar geral, e garantir para nós e para os nossos descendentes os benefícios da Liberdade, promulgamos e estabelecemos esta Constituição para os Estados Unidos da América.
ARTIGO I
Seção 1-Todos os poderes legislativos conferidos por esta Constituição serão confiados a um Congresso dos Estados Unidos composto de um Senado e de uma Câmara de Representantes.
Seção 2 – 1. A Câmara dos Representantes será composta de membros eleitos bianualmente pelo povo dos diversos Estados (…)
Seção 3 – 1. O Senado dos Estados Unidos será composto de dois Senadores de cada Estado, eleitos por seis anos pela respectiva Assembleia estadual (…)

38. A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789, que viria a se tornar o preâmbulo da Constituição Francesa de 1791, estabelecia a soberania popular, na realidade a soberania nacional, e afirmava:
Art.1.º Os homens nascem e são livres e iguais em direitos.(…)
Art. 3.º O princípio de toda a soberania reside, essencialmente, na Nação. Nenhum corpo, nenhum indivíduo pode exercer autoridade que dela não emane expressamente.

39. Todavia, a definição de povo sempre foi feita pelas classes hegemônicas em cada sociedade. Esta definição excluía, em diversos momentos e Estados, os escravos, as mulheres, os analfabetos, os indivíduos abaixo de certa idade, os pobres e os não-proprietários.
40. Na própria medida em que as primeiras democracias representativas resultaram de revoluções conduzidas pelas burguesias mercantis enquanto que a noção de proletariado industrial era inexistente, já que mal tinha se iniciado a Revolução Industrial, a definição de povo inicialmente correspondia àqueles que tinham determinada renda ou propriedade e que constituíam, assim, a burguesia e os proprietários rurais. (Na França pré-revolucionária e mesmo durante algum tempo após a tomada da Bastilha, na Assembléia Nacional, o Terceiro Estado abrangia de banqueiros a artesãos, de comerciantes a pequenos proprietários rurais.
41. Desde então, os representantes do “povo” podem ser escolhidos através de eleições diretas ou indiretas com maiores ou menores restrições do eleitorado ou por sistemas não eleitorais, como na Arábia Saudita, entre outras dezenas de exemplos.
42. Em muitos Estados, não sendo o voto obrigatório, os representantes do povo não correspondem, necessariamente, à maioria do “povo”. Em recentes eleições em países que se apresentam como campeões da democracia o número de pessoas que exerceram o direito de voto correspondeu a percentual pequeno do total de eleitores, de cidadãos habilitados a votar.
43. Em outros Estados, como a Itália atual, a legislação eleitoral faz com que através de vários mecanismos legais, os representantes do povo não correspondam proporcionalmente aos votos que obtiveram no processo eleitoral.
44. O fato de o regime político de uma sociedade não ser democrático, não significa que não haja um grupo de pessoas encarregado de elaborar as normas jurídicas que regem as relações sociais. Há uma precedência histórica entre o Estado de Direito, ainda que monárquico, feudal ou autocrático, sobre o Estado Democrático de Direito como o conhecemos hoje.
45. As determinações das normas jurídicas são impostas aos indivíduos, às pessoas jurídicas privadas e aos próprios dirigentes estatais pelo próprio Estado.
46. Este detém o monopólio da força no território sob sua soberania para obrigar a obediência às determinações dessas normas. A definição de soberania é justamente o território nos limites do qual as classes hegemônicas que controlam o Estado têm força para impor obediência às normas que elaboram.
47. O processo pelo qual são escolhidos os legisladores e o processo pelo qual são elaboradas essas normas é a Política. Assim, como faz parte da Política o processo pelo qual os dirigentes das agências do Estado implementam essas normas.
48. Não há um conjunto de normas único, perfeito, natural, que possa ser aplicado a todas as sociedades, pois são elas diferentes em sua evolução e em suas características econômicas, sociais, religiosas, culturais etc., assim como são diferentes os interesses e as visões de suas classes hegemônicas (e de frações dentro dessas classes).
49. Não há conflito entre o sistema jurídico, o ordenamento jurídico de uma sociedade e os interesses essenciais de suas classes hegemônicas. Não há conflito entre Direito e atividade política, pois é esta ultima que gera as normas jurídicas e as implementa.
50. O conflito político essencial é sempre entre as classes hegemônicas de uma sociedade, de um lado, e as demais classes sociais, sujeitas à sua hegemonia que se exerce pelas normas jurídicas e pelos agentes de sua implementação, enquanto conflitos menores surgem permanentemente entre diferentes segmentos das classes hegemônicas constituindo o que se denomina, superficialmente, de disputa política quotidiana naqueles Estados onde existem parlamentos.
51. O conjunto de normas jurídicas de uma sociedade, o seu Direito tem como principal fundamento o sistema econômico e social que as classes hegemônicas impõem àquela sociedade.
52. O conjunto de normas jurídicas que organiza os procedimentos pelos quais a sociedade escolhe representantes para elaborar a legislação, isto é, as normas jurídicas sobre quem pode votar, e quem pode ser eleito,é o cerne do sistema político-jurídico.
53. O Estado é o conjunto de normas e de agências que as elaboram e as implementam, criadas pelas classes hegemônicas que controlam a população que habita um determinado território. O controle da população que habita determinado território é exercido em primeiro lugar pelo controle do processo de formação de ideologias, de visões da sociedade, de interpretação da realidade e, em último caso, pela força.
54. O processo histórico, desde as revoltas de escravos na antiga Roma e as guerras camponesas das Idades Média e Moderna, corresponde essencialmente à luta dos segmentos, depois classes, oprimidas contra os hegemônicos para procurar alterar, em seu benefício, as normas que organizam a vida social e econômica de uma comunidade, o que torna necessário assumir o controle das agências do Estado, de forma revolucionária ou não.
55. O controle que as classes hegemônicas exercem sobre um território e a população que o habita tem como finalidade principal organizar a atividade econômica em seu proveito e garantir a defesa de seu sistema contra eventuais agressões externas.
55. Um desafio fundamental do sistema político-econômico liberal nas sociedades capitalistas modernas, desenvolvidas ou subdesenvolvidas, é de como transformar em poder político o poder econômico altamente concentrado nessas sociedades. No sistema econômico capitalista, cada unidade monetária corresponde a um voto e quanto mais rico o indivíduo, maior seu poder econômico. No sistema político liberal, a partir das conquistas dos direitos civis, políticos e sociais, (ver Marshall, T. H. Cidadania, Classe Social e Status. Rio de Janeiro. Zahar Editores, 1967). i.e. dos movimentos pelo sufrágio universal, pelo sufrágio feminino e dos movimentos políticos dos trabalhadores, a cada cidadão, como tal definido pela norma, passou a corresponder um voto. Estas conquistas pelo sufrágio criaram entre o sistema econômico capitalista e o sistema político liberal uma contradição de grande importância e, na realidade, um dilema crucial da sociedade moderna, pois é no sistema político que são elaboradas as normas que organizam as atividades econômicas de produção e de distribuição dos resultados da produção.
56. Nos primeiros sistemas políticos liberais a partir da Revolução Francesa, esta questão tinha sido resolvida pela adoção do sistema censitário, que excluía os não-proprietários e as mulheres do sistema político, enquanto que nos Estados Unidos as mulheres e os escravos eram excluídos do sistema político.
57. À medida que as reivindicações econômicas e políticas das massas de trabalhadores e das mulheres foram sendo vitoriosas, transformando-se em direitos, as classes hegemônicas nas diferentes sociedades resolveram este dilema através da influência do poder econômico no processo político de escolha dos representantes do povo; da adoção de sistemas de voto não obrigatório, a partir da ideia de que o voto é apenas um direito e não um dever do cidadão; e da desmoralização permanente pela mídia da atividade política como corrupta e corruptora e, portanto, da qual os cidadãos comuns não deveriam participar a não ser por ocasião das eleições.
56. Os meios de comunicação, através de seus múltiplos veículos e manifestações, são, no Estado moderno, instrumentos das classes hegemônicas (de seu conjunto ou de frações delas) para garantir o controle por uma ínfima minoria do sistema político e econômico e para garantir que a enorme maioria se resigne ou aceite o domínio das classes hegemônicas em um mundo que, apesar de toda violência, exploração e opressão, é apresentado, por estes meios de comunicação (e pela academia) como o melhor dos mundos possíveis.

Da Política Internacional
57. O Direito Internacional é construído pela política internacional a qual é, por sua vez, o entrechoque de iniciativas e ações de toda ordem, desde as pacificas às mais violentas, em que se envolvem as diversas agências dos Estados nacionais, os organismos intergovernamentais, as megaempresas multinacionais e as organizações não governamentais.
58. O sistema internacional durante o período que se inicia com a Descoberta das Américas em 1492 até o inicio do processo de descolonização no final da década de 1960, foi um sistema formalmente oligárquico, dominado por grandes impérios e seus territórios coloniais e resultado da expansão e da evolução do sistema de produção capitalista e das diversas formações políticas em que este foi se estruturando, desde as monarquias absolutas de direito divino, às monarquias constitucionais até as democracias liberais da atualidade.
59. Durante o longo período que se inicia com a derrota de Napoleão em 1815 e vai até a Primeira Guerra Mundial, a expansão político-econômica capitalista foi liderada pelo Império Britânico quando esta liderança passou a sofrer a contestação alemã imperial na Primeira Guerra Mundial e nazista na Segunda Guerra Mundial e do sistema socialista na URSS; e mais tarde na China (e em alguns outros Estados menores, mas não menos importantes pelas consequências, como Cuba e o Vietnam ).
60. A partir da Segunda Guerra Mundial e do movimento de descolonização e mais tarde de desintegração e adesão dos países ex-socialistas ao capitalismo, as classes hegemônicas dos países altamente desenvolvidos capitalistas, tendo à sua frente as classes hegemônicas dos Estados Unidos, procuraram reconquistar e consolidar o seu domínio através de acordos internacionais que consagrassem e legalizassem (e assim de certa forma legitimassem) seus privilégios. Neste processo político-econômico-militar-jurídico tinham elas pela frente o desafio do conceito de Estado nacional soberano (tão caro aos países vitimas do nazismo e em crescente difusão no mundo colonial) e os princípios de não intervenção e autodeterminação, consagrados na Carta das Nações Unidas, e também tão caros aos países menos poderosos militarmente de todos os continentes.
64. Os Estados nacionais, entre eles especialmente os Estados Unidos, são os atores essenciais do entrechoque de iniciativas e ações que se verificam no sistema internacional e que constitui a política internacional. Gera ela o Direito Internacional.

Do Direito Internacional
65. Somente os Estados têm o poder de elaborar normas jurídicas e de impor o seu cumprimento, se necessário pela força, aos indivíduos e às empresas que se encontram em seu território. Organismos internacionais, organizações não governamentais, megaempresas internacionais não têm poder para elaborar e impor normas jurídicas, por mais influentes e poderosas que possam ser.
66. O Estado nacional pode ser definido como o conjunto de órgãos que em uma sociedade elabora normas jurídicas, as implementa e dirime conflitos quanto à sua interpretação e a seu cumprimento. A forma como são escolhidos os indivíduos que integram estes órgãos do Estado – Executivo, Legislativo e Judiciário – varia de país para país, assim como o seu funcionamento, mas isto não afeta a natureza e os direitos dos Estados em nível internacional.
67. Os Estados podem ser mais ou menos democráticos. O grau de democracia depende do grau de participação da população nos organismos que elaboram as leis, que as executam e que resolvem os conflitos que decorrem de sua execução. Todavia, democráticos ou não, são eles soberanos e tem sua soberania reconhecida pelos demais Estados.
68. A soberania como característica essencial do Estado corresponde ao poder exclusivo de elaborar leis e de fazer cumpri-las em seu território, sobre todos aqueles – indivíduos e empresas – que nele habitam ou que nele se encontram, ainda que temporariamente. As leis de outros Estados não se aplicam em seu território nem os agentes estrangeiros podem pretender nele implementá-las. Em seu território, tal como delimitado por suas fronteiras e aceito pelos demais Estados, o Estado exerce o monopólio legal da força em relação a qualquer indivíduo ou organização. Não há região da Terra, à exceção dos oceanos, da Antártica, e do espaço aéreo internacional que não se encontre sob a jurisdição de algum Estado.
69. Não há nenhum poder acima dos Estados na esfera internacional. Os acordos internacionais que limitam a competência dos Estados tem vigência no território dos Estados porque estes os aceitam e incorporam suas disposições a seus ordenamentos jurídicos nacionais. Os Estados podem a qualquer momento denunciar qualquer um desses acordos, sem serem legalmente, ainda que possam ser politicamente, sancionados por isto.
70. Os Estados não são apenas o resultado de um pacto entre os cidadãos que abdicaram, em um momento histórico, de parte de sua liberdade “natural” em favor de um organismo criado para permitir a convivência pacifica na sociedade, como pregava Hobbes face à barbárie de seu tempo. Os Estados hodiernos são, de fato, a emanação dos segmentos sociais hegemônicas de uma sociedade. São estes que o organizam os Estados, definem sua estrutura, suas normas de funcionamento e o fazem em seu próprio benefício. Os Estados, que são uma emanação da correlação estrutural de forças em uma sociedade, tem o poder de se autodeterminar. A autodeterminação é o direito de uma sociedade, através de seu Estado, de definir as normas que regem as relações entre indivíduos, empresas e organizações privadas e públicas, quer sejam políticas, econômicas, sociais, religiosas, sem obedecer a quaisquer parâmetros externos, exceto aqueles que tenha aceito em decorrência de sua adesão a acordos internacionais. Este direito da sociedade, e de seu Estado,à autodeterminação corresponde à ideias de origens e de evolução distintas das diferentes sociedades humanas.
71. As relações pacíficas entre as distintas sociedades e respectivos Estados e a segurança internacional dependem do respeito ao princípio de não-intervenção nos assuntos internos dos Estados e do reconhecimento, pelos Estados mais fortes, do direito de autodeterminação dos demais. Todavia, a violação do principio de não-intervenção ocorre permanentemente de modo que pode ser direto, militar, ou assumir a forma de ameaças, pressões e sanções políticas e econômicas.
72. Os Estados mais poderosos, militar, econômica e politicamente, intervém nos assuntos internos dos Estados menos poderosos para fazer com que adotem normas ou políticas de seu interesse, isto é que beneficiem as sociedades que representam, em flagrante desrespeito ao direito de autodeterminação. Esta intervenção pode ter como objetivo modificar a própria estrutura do outro Estado ou modificar as políticas desenvolvidas por seu governo ou promover a queda, a mudança de governo. Esta intervenção pode ser exercida de forma aberta ou pode ser promovida através de operações encobertas, pela ação constante de agências de informação, de contrainformação, de espionagem e de subversão. Essas formas de intervenção são ilegais à luz do Direito Internacional, mas ocorrem todos os dias, sem cessar.
73. Os princípios de natureza política, econômica e militar que constituem os marcos gerais das relações entre os Estados se encontram definidos na Carta das Nações Unidas. Esses princípios são a igualdade soberana dos Estados; a autodeterminação; a não-intervenção nos assuntos internos dos países; o respeito às fronteiras nacionais; a solução pacífica de controvérsias; o não uso da força e de ameaças à integridade territorial e à independência política; a cooperação entre os Estados para enfrentar os problemas econômicos, sociais e culturais.
74. A Carta das Nações Unidas foi aprovada por 51 Estados, na Conferência de São Francisco, em 1945, e tem hoje 194 membros. Seu objetivo principal era criar um sistema de segurança coletiva que evitasse um novo conflito mundial de dimensões catastróficas, como a Segunda Guerra Mundial, e organizações econômicas que impedissem uma nova crise econômica internacional das dimensões da crise de 1929, que contribuiu para a emergência do nazismo. A Carta dividiu os Estados em dois grupos: aqueles cinco Estados – Estados Unidos, União Soviética, Grã Bretanha, França e China – com direito a assentos permanentes no Conselho de Segurança e os demais Estados. O Conselho de Segurança detém o monopólio legal do uso internacional da força e todos os Estados, enquanto membros das Nações Unidas, são obrigados a cumprir suas decisões. Todavia, os membros permanentes tem o poder de impedir, pelo exercício do direito de veto, o exame e a tomada de qualquer decisão pelo Conselho de Segurança que possa prejudicar seus interesses.
75. As regras jurídicas fundamentais que regem as relações econômicas entre os Estados se encontram definidas principalmente nos acordos que criaram o Fundo Monetário Internacional e a Organização Mundial do Comércio e seus princípios correspondem basicamente aos conceitos da economia clássica liberal, hoje sob o nome de neoliberalismo.
76. O Fundo Monetário Internacional exerce uma função fiscalizadora dos compromissos de política econômica que dezenas de Estados subdesenvolvidos vieram a assumir em decorrência de dificuldades de balanço de pagamentos e de endividamento externo que os levaram a solicitar o auxilio do FMI para renegociar dividas e obter empréstimos junto a bancos privados e instituições financeiras oficiais de países altamente desenvolvidos. O FMI somente atende a estas solicitações em troca de compromissos de execução rígida de políticas econômicas clássicas. Naturalmente, os desequilíbrios e os desregramentos na execução das políticas econômicas dos grandes Estados não ficam de nenhuma forma sujeitos à fiscalização e muito menos às sanções do Fundo Monetário.
77. A Organização Mundial do Comércio resultou de uma longa negociação, iniciada e conduzida pelos Estados Unidos no âmbito do Acordo Geral de Tarifas Aduaneiras e Comércio – GATT, cujo objetivo, aliás alcançado, era criar uma entidade econômica de nível mundial que pudesse tornar legitimas e obrigatórias, em especial para os países subdesenvolvidos, políticas econômicas baseadas em princípios adotados pelos países altamente desenvolvidos, basicamente os princípios do neoliberalismo.
78. Na área militar, os acordos para impedir a proliferação de armas de destruição em massa – em especial nucleares – dividiram os Estados em dois grupos: aqueles Estados que tem o direito legal de possuir e de usar tais armas – por “coincidência” os membros permanentes do Conselho de Segurança – e, por outro lado, os demais Estados.
79. A construção do Direito Internacional, desde a Segunda Guerra Mundial, correspondeu a um esforço no sentido de fortalecer os direitos oligárquicos das Grandes Potências capitalistas ocidentais, conduzidas pelos Estados Unidos, nas áreas política, econômica e militar. As tão apregoadas conquistas na área de direitos humanos, tais como o Tribunal Penal Internacional e os tratados sobre direitos humanos nas Américas, não contam com a participação dos Estados Unidos, a grande potência com capacidade de intervenção em nível mundial.
80. A atual sociedade internacional não é, portanto, nem de fato nem de direito uma sociedade democrática criada e constituída por Estados iguais e soberanos, mas sim uma sociedade oligárquica em que, no dizer de Tucídides,
“… os poderosos extorquem tudo que podem e os fracos concedem o que são forçados a conceder.”
81. Este processo de consolidação do Poder pelos Estados Unidos (e os Estados desenvolvidos em sua órbita) através da negociação sob intensa pressão, de uma teia de acordos de toda ordem ocorre sob disfarce ideológico e midiático permanente que divulga a visão utópica de uma comunidade internacional democrática, regida pelo direito internacional, voltada para os ideais de segurança, de desenvolvimento e de progresso, objetivos que não se alcançam apenas devido à existência e à ação maligna de Estados párias, fora da lei, e de organizações terroristas demoníacas.
82. Se não fosse pela ação destes Estados e destas organizações, (que “tem” de ser combatidos a qualquer custo, tais como assassinatos seletivos, embargos econômicos, ações militares unilaterais) a comunidade internacional, sob a liderança “benéfica” dos Estados desenvolvidos, capitalistas e liberais, em especial os Estados Unidos da América, o Novo Império, certamente, segundo eles, atingiria aqueles objetivos de paz, igualdade soberana, desenvolvimento e progresso.
83. Todavia, diante dessa hegemonia dos Estados Unidos (para a qual colaboram e da qual se beneficiam os Estados desenvolvidos capitalistas em sua órbita) surge a “ameaça” da República Popular da China, em pleno processo de acelerado desenvolvimento econômico, científico, tecnológico e militar, diante da qual já se organiza a defesa americana de seus privilégios imperiais.

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A volta do debate econômico

Nilson Araújo de Souza

O Brasil foi, inquestionavelmente, o país fora dos circuitos centrais em que, neste século, mais avançou o pensamento econômico. No entanto, nestes tempos obscuros em que tem predominado a ideologia neoliberal, a ausência de qualquer pensamento é que tem caracterizado o mundo oficial da economia e da ciência econômica no país. Os preconceitos forjados por essa ideologia – “globalização”, “falência do Estado”, “eficiência do mercado”, “fim da história” – têm assumido foros de verdade e invadido, não apenas a política econômica, mas o mundo da academia, que deveria estar mais preocupado com a ciência.

É, portanto, muito alvissareiro o fato de que, com certa frequência, estejamos sendo recentemente brindados com livros, dissertações e teses que procuram recuperar o debate econômico que se processou no Brasil no período anterior. Esse novo interesse pelo trabalho criativo que os brasileiros realizaram no domínio da economia política é sintoma, não apenas do fato de que, apesar das pretensões arrogantes, o neoliberalismo não se converteu em “pensamento único”, como também do esgotamento a que chegou essa ideologia, esgotamento que se manifesta na verdadeira fúria com que a crise econômica que se alastra pelo mundo vem atingindo os países que foram mais longe na implementação dos dogmas neoliberais.

Reúnem-se, agora, em livro alguns capítulos de teses e dissertações de três professores universitários, José Adalberto Mourão Dantas, Cinthia Maria de Sena Abrahão e Geraldo Antônio dos Reis, que, sob o título “Pensamento Econômico Brasileiro”, procuram debater o pensamento econômico do período mais rico da economia brasileira, inaugurado com a Revolução de 30. Um importante livro, que, de certa forma, serve de referência para esses novos trabalhos, já se escrevera sobre o assunto, de autoria de Ricardo Bielschowsky, intitulado “Pensamento Econômico Brasileiro – o ciclo ideológico do desenvolvimento”.

Longe de serem repetitivos, esses trabalhos procuram desvendar novos caminhos. Escolheram os três principais economistas que intervieram no debate entre os anos 40 e os anos 70, além de haverem comandado a área econômica do governo, nas pastas da Fazenda ou do Planejamento. Referimo-nos a Eugênio Gudin, Octávio Gouveia de Bulhões e Celso Furtado.
Os dois primeiros expressam uma mesma corrente de pensamento, que, de filiação teórica neoclássica, pautam suas elaborações na crença das faculdades alocativas do mercado e do livre-cambismo. Uma espécie de precursores do neoliberalismo tupiniquim. Furtado é o principal prócer brasileiro de uma outra escola de pensamento, que vem de Alexandre Hamilton e Friedrich List, o nacional-desenvolvimentismo, que advoga a ação do Estado e o protecionismo como instrumentos para a ruptura com o subdesenvolvimento.

É evidente que essa caracterização simplifica um pouco a real contribuição desses pensadores, na medida em que, além de terem recorrido a outras fontes teóricas (Furtado, por exemplo, usou bastante Karl Menheim no desenvolvimento de sua idéia sobre planejamento), deram uma insubstituível contribuição pessoal. Mas, por outro lado, não devemos descurar o fato de que são, disparadamente, os principais representantes dessas escolas de pensamento no Brasil. Essas são, aliás, as correntes de pensamento econômico que vêm se digladiando no Brasil ao longo deste século. Essa afirmação não desmerece as contribuições de inspiração marxista que ocorreram no período. Estas, no entanto, vieram, no fundamental, em reforço à segunda corrente, na medida em que a estratégia dos comunistas passava pela ruptura com a dependência externa.

E era natural que fosse esse o enfrentamento principal no terreno das idéias econômicas, já que era esse o principal enfrentamento no terreno ideológico. Esse embate, que teve sua pré-história na época do Segundo Império, assumiu significação mais decisiva com a República. O nacional-desenvolvimentismo sentou praça no Brasil quando o ministro Manuel Alves Branco, depois de dizer em seu “Relatório” de 1844 que “um povo sem manufaturas fica sempre na dependência de outros povos”, elevou as tarifas de importação de 15%, que vigia desde 1828, para faixas entre 30% e 60%. E teve continuidade com o fundador da Associação Industrial, Antônio Felício dos Santos, que, em seu “Manifesto”, datado de 1881, caracterizou bem o que é um livre-cambista: “E chamam-se livre-cambistas os que assim se mostram realmente protecionistas… do estrangeiro”.

A República colocou o debate num novo patamar. De um lado, estavam os republicanos do Rio de Janeiro, que, reunindo intelectuais e militares, tinham peso decisivo nos governos de Deodoro e Peixoto e defendiam que a industrialização seria o caminho para o desenvolvimento. Rui Barbosa, como ministro da Fazenda de Deodoro, foi o principal defensor desse caminho, chegando a dizer que “a República só se consolidará, entre nós, sobre alicerces seguros, quando as suas funções se firmarem na democracia do trabalho industrial”. E deu sequência às suas idéias através de um amplo programa de incentivo à industrialização, que ia desde a cobrança em ouro das tarifas de importação até uma reforma tributária e uma reforma bancária que estimulavam a formação de indústrias. De outro lado, estavam os republicanos de São Paulo, representados por políticos ligados à oligarquia cafeeira, como Prudente de Moraes e Campos Salles, que defendiam a “vocação agrícola” do Brasil e estavam, portanto, de acordo com as idéias do “livre”-comércio internacional, que significava, na prática, a livre importação de produtos industriais ingleses e o bloqueio à industrialização brasileira.

No começo deste século, com a República já convertida em República Velha pelas mãos da oligarquia cafeeira, que ascende ao poder em 1894 com Prudente de Moraes e começa a desmontar os mecanismos pró-industrialização implantados por Rui Barbosa, reacende o debate sobre os dois caminhos do desenvolvimento brasileiro. O desmonte industrial foi realizado sobretudo pelo ministro da Fazenda de Campos Sales, Joaquim Murtinho, que, na virada do século, antecedendo os neoliberais de plantão, varreu as tarifas de importação, cortou os investimentos públicos, apertou o crédito e elevou os juros, promovendo uma brutal recessão, com o único intuito de arranjar divisas para pagar a dívida externa junto aos bancos ingleses. Murtinho dizia que o Brasil não podia seguir o caminho industrial dos EUA porque não tínhamos “as aptidões superiores de sua raça”. Na oposição, estavam os fundadores e dirigentes do Centro Industrial do Brasil (atual FIRJAN), entre eles o General Serzedelo Correa e o engenheiro Luiz Rafael Vieira Souto. Serzedelo, que defendia a intervenção do Estado e o protecionismo, dizia que “os povos que não têm a independência econômica não podem jamais constituir o tipo de grande nação”. Vieira Souto, em complemento, depois de denunciar o livre-cambismo, como sendo favorável unicamente à Inglaterra industrializada, declarou que “o problema das tarifas (de importação) é o epicentro da defesa da indústria”.

A Revolução de 30 transformou as idéias dos nacional-desenvolvimentistas em realidade. A industrialização brasileira, que tivera alguns surtos no passado, converteu-se em um fenômeno inexorável. Além de contar com uma conjuntura internacional favorável (Grande Depressão e Segunda Guerra), passou a ser o objetivo central do governo de Getúlio Vargas, que recorreu largamente aos instrumentos propugnados pelos nacional-desenvolvimentistas, a saber, a ação estatal na economia (através do planejamento, da legislação trabalhista e da construção de estatais) e o protecionismo. É nesse novo quadro que é retomado o debate econômico. O primeiro grande debate se dá entre o engenheiro-economista Eugênio Gudin e o engenheiro-empresário Roberto Simonsen e ocorre, em 1945, a propósito da discussão do Plano de Organização da Economia Brasileira, do governo Vargas. Membro do Conselho Nacional de Política Industrial e Comercial, Simonsen foi encarregado de elaborar o relatório; por sua vez, membro da Comissão de Planejamento Econômico, Gudin foi incumbido de apresentar o respectivo parecer.

Simonsen vinha desenvolvendo suas idéias desde a década de 20, quando, por razões profissionais, teve oportunidade de conhecer boa parte do território brasileiro. Essa experiência o fez concluir que “o engrandecimento da nação (se daria) pelo desenvolvimento industrial”. Segundo ele, “da liberdade ampla no intercâmbio comercial resulta, pela atuação natural de conhecidos fatores, o predomínio dos mais fortes”. Por isso, “não se pode conceber a idéia de nação sem a do protecionismo”. Além disso, “o tipo de grande empresa, servida por supermáquinas, seria reservado para as indústrias basilares e aí se justificaria, a par de uma necessária emulação, um maior controle do Estado, para evitar os malefícios decorrentes do excesso de poder econômico em mãos de poucos”. Simonsen, que continuou a tradição dos nacional-desenvolvimentistas, além de estar em dia com o pensamento econômico, depois que a Grande Depressão deu um golpe mortal no pensamento neoclássico e deu origem ao pensamento keynesiano, foi não apenas um teórico e animador do desenvolvimento industrial e da independência econômica, mas também um implementador dessas idéias, tanto como integrante de comissões econômicas governamentais quanto como dirigente de órgãos empresariais: foi presidente da FIESP e fundador e presidente da CNI.

Gudin, objeto do estudo de Cynthia Abrahão (“Eugênio Gudin, disseminador do laissez-faire no Brasil”), iniciou sua vida profissional como engenheiro de empresas estrangeiras de serviços públicos, experiência que, conforme a autora, pode ter influenciado sua posição futura no domínio da economia. A Grande Depressão, aliada a uma experiência frustrada de empresário de laranjas, despertou seu interesse por economia. A partir de 1929, iniciaria toda uma obra que vai até 1986, ano de sua morte. Um fato importante é que, apesar de sua oposição ao caminho seguido por Getúlio, este sempre o convidou para participar das comissões econômicas que criava. De acordo com Abrahão, Gudin chega a responsabilizar Getúlio por sua opção pela economia: “Eu fui entrando no plano da economia sem projeto, sem plano. O Dr. Getúlio tem muita responsabilidade nisso. Ele nunca formou uma comissão – e foram muitas – sem me nomear”.

Independente de outras passagens de Gudin pela economia (inflação, por exemplo), é evidente que a questão central que estava no debate dizia respeito à industrialização. Há quem defenda que, ainda que não fosse um entusiasta da industrialização, Gudin não lhe era um opositor ferrenho. Celso Furtado, por sua vez, conforme diz Abrahão, acreditava que ele era “um representante da oligarquia agrária, opositor da indústria”. Na verdade, pode-se perceber dois momentos do pensamento de Gudin sobre a industrialização. Num primeiro momento, que vai dos anos 30 aos 50 e em que a indústria ainda se debatia para nascer no ventre do modelo primário-exportador, ele era um opositor aberto da industrialização. Era isso o que significava sua defesa de que não deveria haver uma política estatal favorável à industrialização, deixando-a ao sabor das “forças de mercado”. É evidente que, se dependesse do mercado, o Brasil seguiria primário-exportador e as nações desenvolvidas manteriam o monopólio da indústria. Num segundo momento, que se inaugura nos anos 50, quando a industrialização já se tornara inevitável, deixou de fazer-lhe oposição. Refutava, no entanto, a ação empresarial do Estado, que considerava “como elemento deturpador da economia de mercado”, nos termos de Abrahão, e, para sanar o que considerava de “deficiência de recursos para financiar os investimentos privados”, defendia “a entrada do capital estrangeiro”. Nesse mesmo momento, segunda a autora, coincidentemente deixou de criticar a falta de experiência dos EUA para exercer o papel de economia hegemônica. Portanto, quando a industrialização se tornou inevitável, passou a defender que ela se desse sob controle estrangeiro, particularmente norte-americano. E, passando da teoria à prática, aproveitou-se do curto interregno em que esteve à frente do Ministério da Fazenda, com a morte de Getúlio, para elaborar a Instrução 113, da antiga SUMOC (atual Banco Central), destinada a favorecer a entrada do capital estrangeiro no Brasil.

Tinha razão Antônio Felício dos Santos, quando, no século passado, percebeu que os livre-cambistas eram “protetores do estrangeiro”. Não está correto, portanto, o termo “liberal” para designar a esses senhores, que, em nome da liberdade, propugnam, na prática, o monopólio estrangeiro sobre nossas economias.

Os principais personagens do embate seguinte foram Octávio Gouveia de Bulhões e Celso Furtado, objetos de estudo, respectivamente, de Geraldo dos Reis e José Adalberto Dantas. O pano de fundo do debate foram as idéias da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina). Órgão da ONU, com sede no Chile, abrigou, desde os anos 40, importantes intelectuais da América Latina, preocupados em desvendar a realidade da região, bem como os caminhos da superação do atraso e do subdesenvolvimento. Celso Furtado foi o principal pensador brasileiro que participou da elaboração e divulgação das idéias cepalinas. E Bulhões foi também o principal brasileiro a combater essas idéias.

A obra teórica mais importante de Furtado é, inquestionavelmente, “Desenvolvimento e subdesenvolvimento”, de 1961, assim como “Formação Econômica do Brasil” é sua principal obra de história e análise econômica. Tem sido uma verdadeira obsessão para Furtado, ao longo de sua vida científica, descobrir as razões do subdesenvolvimento e os caminhos para viabilizar o desenvolvimento. Segundo ele, o subdesenvolvimento dos países da periferia é produto do desenvolvimento dos países do centro, assim como o desenvolvimento destes é, de certa forma, produto do subdesenvolvimento daqueles. E, assim, o subdesenvolvimento ocorre “em economias que não podem ser concebidas fora de certo sistema de relações internacionais que engendra o fenômeno da dependência” (cit. em Dantas, “O Pensamento Econômico de Celso Furtado”). Isso porque, além de parte do excedente criado nas economias subdesenvolvidas ser transferido para o centro, este bloqueia o acesso daquelas às novas tecnologias e à produção de meios de produção: “o subdesenvolvimento, por conseguinte, é uma conformação estrutural produzida pela forma como se propagou o progresso tecnológico no plano internacional”. A teoria da deterioração dos termos de intercâmbio, formulada por Raul Prebisch, fundador e principal dirigente da CEPAL, serviu de base para explicar os caminhos por onde o excedente econômico é drenado para o exterior.

A efetivação do desenvolvimento econômico nos países periféricos exigia, de acordo com Furtado, o rompimento com a dependência externa: “A partir desse momento, o conceito de desenvolvimento ligou-se explicitamente à idéia de interesse nacional”. Para ele, a indústria é o motor do desenvolvimento e “cabe… à tecnologia desempenhar o papel de fator dinâmico da economia industrial”. Nesse sentido, o conceito de forças produtivas, formulado por List, cumpre um papel chave no sistema teórico de Furtado. O desenvolvimento das forças produtivas é o elemento decisivo para o desenvolvimento econômico, mas este não se limita apenas a isso. Desenvolvimento não é um mero sinônimo de crescimento econômico. Implica também em desenvolvimento social, político e cultural. A cultura, aliás, cumpre importante papel na teoria furtadiana, na medida em que a criação de uma mentalidade favorável é um importante fator propulsor do desenvolvimento. Por fim, no processo desenvolvimentista, cabe ao Estado o papel de “agente propulsor e orientador das atividades econômicas e árbitro dos conflitos de classes na definição do interesse nacional”.

O título escolhido por Geraldo Reis para o trabalho sobre Bulhões não poderia ser mais apropriado – “O anti-desenvolvimentismo de Bulhões” -, pois, à sua época, ninguém foi mais ferrenhamente contra o desenvolvimento do que ele. Referimo-nos, certamente, à fase madura de Bulhões, pois, conforme nos lembra Reis, em sua primeira fase, ele chegou a participar da assessoria econômica do primeiro governo de Vargas, quando comungava, no fundamental, com as idéias que o norteavam, como a industrialização, a ação estatal na economia, o protecionismo. Nesse período, participou da conferência de Bretton Woods, quando chegou a rascunhar com Keynes uma proposta para correção dos desequilíbrios do balanço de pagamentos, o que, segundo ele, “foi um dos fatos mais marcantes da sua vida intelectual” (cit. in Reis).

A partir de 1950, conforme assinala Reis, com o livro “À margem de um Relatório”, Bulhões assume sua verdadeira identidade: desde então, tornou-se no mais duro opositor da CEPAL no Brasil e converteu em sua obsessão o combate sem trégua à inflação. O primado do combate à inflação, isto é, da estabilidade monetária, sobre o desenvolvimento o acompanhou o resto de sua vida. Suas idéias sobre industrialização eram semelhantes às de Gudin. O desenvolvimento poderia prescindir dela, desde que promovesse as exportações. A industrialização poderia ocorrer, mas sem uma política deliberada do Estado, como defendia a CEPAL; resultaria da ação espontânea do mercado, “desde que houvesse liberdade para a iniciativa privada, notadamente a estrangeira, que deveria receber um tratamento especial do governo” (cf. Reis). Isso porque “a entrada de capital estrangeiro evitaria a ampliação dos investimentos do Estado”. Ou seja, à maneira de Gudin, industrialização só com controle estrangeiro.

Ele era intolerante com qualquer nível de inflação. Crescimento, só se fosse com estabilidade monetária. Senão, era melhor que não houvesse crescimento. Depois de algumas tentativas de explicar a inflação por outros caminhos, terminou por se identificar com a visão monetarista: a inflação seria produto do excesso de moeda, que, por sua vez, resultaria, do excesso de gasto público, de investimento privado e de salários, o que seria expressão do conflito distributivo. O centro da política econômica seria, portanto, a eliminação desses “excessos”. Nas palavras de Reis: “na sua visão, a política econômica deveria prioritariamente promover a estabilidade, sobretudo com o uso dos instrumentos clássicos como controle dos gastos públicos, dos salários e do crédito”. E foi isso que fez Bulhões quando, secundado por Roberto Campos, assumiu, em 1964, o comando da área econômica do governo Castelo Branco e implantou o PAEG (Programa de Ação Econômica do Governo). O resultado foi uma brutal recessão que duraria até 1967.

Criou-se a ilusão de que essa sua ação teria limpado o terreno para o crescimento que ocorreria a partir de 1968. Na verdade, o crescimento se deu graças à mudança da política econômica, que ocorreria sob o comando de Delfim Netto. Admitindo que a economia poderia crescer mesmo com um certo nível de inflação e que a pressão inflacionária teria passado a ser predominantemente de custos (pressão tributária e elevação dos custos financeiros), Delfim adotou um programa que visava estimular a demanda e ocupar a capacidade ociosa, revelando uma flexibilidade que Bulhões e Gudin jamais tiveram. O conservadorismo e o anti-desenvolvimentismo de Bulhões e seus pupilos Roberto Campos e Mário Henrique Simonsen eram tão grandes que se opuseram fortemente ao caminho inaugurado por Delfim, taxando-o ora de “estruturalismo bizarro”, ora de “uma espécie de marxismo de varejo”. Na verdade, a diferença entre Delfim e eles era que, apesar de, como eles, defender o capital estrangeiro, conferia um papel, ainda que secundário, ao capital nacional.

Há quem ache estranho o fato de que, sendo profundamente anti-estatizantes, esses economistas tenham convivido com o crescimento das estatais no período militar. Na verdade, o PAEG propugnava a privatização. No entanto, esse seu aspecto não pôde ser implementado. E Reis, corretamente, dá a razão: “Nem mesmo entre os militares vinculados à ESG, com quem a equipe econômica liderada por Bulhões e Campos tinha proximidade, suas idéias (de privatização, nota nossa) predominavam. Ao contrário, a principal resistência à privatização das empresas era dos militares”. Delfim, por sua vez, mesmo não morrendo de amores pelas estatais, não tinha nada contra sua expansão, desde que ajudassem a promover o crescimento da economia (é durante sua gestão, por exemplo, que se cria o sistema Telebrás). Delfim é uma espécie de desenvolvimentista de filiação neoclássica. E, depois, no período Geisel, passa a predominar a linha militar abertamente favorável à ação estatal e ao protecionismo, programa que é corporificado no II PND.

Isso mostra que não se sustenta um outro preconceito que tem caracterizado os meios intelectuais e políticos brasileiros: o de que teria predominado, durante todo o período militar, as idéias “liberais” dos economistas liderados por Gudin, Bulhões e Campos. Na verdade, elas predominaram apenas no período inicial, de 1964 a 1967, e ainda assim com a resistência dos militares a um de seus principais aspectos, a privatização. Mesmo assim, conseguiram fazer o estrago que fizeram. Aliás, nas poucas vezes em que essas idéias “estiveram” no poder, deixaram um profundo rastro de destruição. Foi assim no começo do século com Joaquim Murtinho; foi assim na década de 60 com Bulhões e Campos; e está sendo assim agora com a equipe econômica de Fernando Henrique Cardoso. Não apenas destruição tem sido o seu legado. Eles têm procurado entregar o que sobra ao monopólio do capital estrangeiro. É nisso que consistem suas idéias “liberais”: liberdade total para a invasão do capital estrangeiro.

O legado do nacional-desenvolvimentismo tem sido o oposto disso. No período de 1930 a 1980, excluindo a gestão Bulhões-Campos e o ligeiro interregno de Gudin, as idéias que predominaram na ação governamental no Brasil foram as do nacional-desenvolvimentismo. E foi sua implementação que transformou o Brasil de uma economia primário-exportadora numa economia urbano-industrial moderna. Nesse período, a economia brasileira foi a que mais cresceu no mundo, a um ritmo anual de 7%, chegando a 10 ou 11% em vários momentos. Foi isso que fez com que o Brasil chegasse a ser a oitava economia do mundo capitalista. O trabalho dos “liberais” tem sido sempre o de destruir o que os nacional-desenvolvimentistas construíram. Não é à toa que a obsessão de Fernando Henrique, repetida compulsivamente no discurso e na prática, vem sendo a de destruir a “era Vargas”. Destruir a “era Vargas” significa, na verdade, destruir o Brasil. Coisa que, certamente, ele não conseguirá. A retomada do debate das idéias econômicas é apenas um dos indícios dessa verdade.

São Paulo, 15 de novembro de 1998

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Na Academia… Quem?… Merval Pereira? Humm…

Levi Bucalem Ferrari

Meados de 2008. Eu acabara de assistir a debate em encontro promovido pela Associação Brasileira de Imprensa – Seção São Paulo, então dirigida pelo meu amigo Audálio Dantas. Foi ele que me apresentou um dos principais debatedores, Cícero Sandroni, à época presidente da ABL – Academia Brasileira de Letras.
Era então presidente da UBE, União Brasileira de Escritores, entidade que oferece o Prêmio Intelectual do Ano, o Troféu Juca Pato, bastante conhecido, disputado, prestigioso. E Sandroni já sabia que naquele ano Antonio Candido seria o homenageado; Antonio Candido que há muito tempo não aceitava qualquer prêmio, qualquer honraria. E que mesmo em relação ao Juca Pato ele há décadas vinha declinando de candidaturas e convites sempre reiterados.
Quando ficamos a sós, Sandroni confessou-me que Antonio Candido era há tempos o “obscuro objeto de desejo” da Academia. Disse como quem confidencia algo e nada mais. Ou, pouco, além disso, com elegância e sutileza, deixou no ar a hipótese de que a UBE poderia ajudá-lo na empreitada: convencer o intelectual a candidatar-se a uma cadeira na casa de Machado de Assis, se é que este ainda mora lá. Se mora, deve estar bastante incomodado, como veremos. Mais tarde.
Antes termino a conversa com Sandroni. Francamente não sei se ele pedia nossa ajuda ou uma opinião, uma dica, o que fosse; ou se apenas lamentava a dificuldade da empreitada. Pessoa extremamente afável, coloquial, deixou-me à vontade para dizer, como quem fala consigo mesmo, que achava difícil que Candido concordasse. Primeiro porque era o jeitão dele não aceitar coisas do tipo, não precisava, não procurava. Daí que não o imagino cumprindo aquele ritual todo de visitar acadêmicos para pedir-lhes o apoio, o voto. Voto e apoio inclusive para acadêmicos alguns dos quais que perambulam pelos cômodos da casa como sombras de pouca significação.
Em todo caso, mais tarde, como o presidente da ABL, honrou-nos com sua presença na cerimônia de entrega do Juca Pato, dei-lhe assento e voz na mesa em que ninguém mais cabia; e, desse modo, alguma oportunidade para que trocasse idéias com Antonio Candido.
Pano rápido, segundo ato: Fico sabendo, há alguns dias, que o jornalista Merval Pereira tornou-se “imortal”; ah, sim, deve haver um “puxadinho” pra ele na ex-casa de Machado de Assis. Só pode ser isso.
E não lhe faltaram votos nem elogios públicos de alguns outros acadêmicos, os de sempre.
Bem, se Candido não pretendia aceitar a candidatura àquela época, creio que hoje ainda menos. Convém ressaltar que não tenho procuração do mestre, e nem comentei o assunto com ele ou qualquer outra pessoa. O que aqui escrevo é de minha responsabilidade exclusiva.
Mas o fato é que a ABL parece-me pouco preocupada em valorizar a si mesma, perdendo oportunidades preciosas de compor um quadro com os melhores escritores, artistas e intelectuais do país.
Nada tenho pessoalmente contra o novo acadêmico. Mas, por outro lado, nada justifica sua eleição entre tantos outros grandes nomes do país que mais a mereciam. E que mais importância agregariam à combalida Academia. Poderia citar muitos escritores, artistas e intelectuais, de ambos os sexos, de todas as regiões do país. Não o faço porque certamente estaria a cometer injustiça pela omissão de outros. Confesso, porém que, numa lista pessoal feita sem muito esforço, cheguei a trinta nomes.
Um nome, todavia, pode ser citado sem riscos. É o do jornalista e escritor baiano Antônio Torres que concorreu e perdeu a vaga para o carioca Merval Pereira. Merval escreveu quatro livros sendo um em parceria, Torres publicou dezesseis. Óbvio que a quantidade aqui não deve ser o único critério comparativo. Sugiro aos leitores que completem o cotejo com a qualidade dos mesmos e a importância dos prêmios recebidos tanto pelos candidatos como por seus livros.
Os adjetivos pátrios, baiano e carioca, não estão aí apenas a enfeitar a frase. Eles também denunciam outra crítica que se tem feito à ABL: ela está cada vez mais carioca e menos brasileira. Há muito tempo.
Volto, por fim, ao fundador e antigo dono da casa. Em seu livro quase testamento Memorial de Aires, Machado extrai do personagem principal o seguinte pensamento:
“Vou ficar em casa uns quatro ou cinco dias, não para descansar, porque eu não faço nada, mas para não ver nem ouvir ninguém, a não ser o meu criado José. Este mesmo, se cumprir, mandá-lo-ei à Tijuca, a ver se eu lá estou. Já acho mais quem me aborreça do que quem me agrade…”

Machado de Assis hoje, ou desde há muito, pensaria diferente: encontrará dentro da própria casa mais quem lhe aborreça do que quem lhe agrade. E, com José ou sem José, se mandaria pra Tijuca. Ou Itaguaí.

Rio de Janeiro, 17 de junho de 2011

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