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Posts Tagged ‘modernismo’

Angústia

28 de abril de 2009

Graciliano Ramos
Ed. Record

O protagonista deste romance ficou órfão muito cedo. E a partir daí começa a conhecer mais fortemente as agruras da vida. E toda sua experiência vai moldando um caráter que, todavia, nunca perde a esperança.

Certa ingenuidade faz dele vítima fácil de armadilhas feitas por poderosos e arrogantes. Pequeno funcionário, consciente de sua condição medíocre, vê seus sonhos se esfacelarem quando é traído pela noiva com um falso amigo. Mas esta ele não vai deixar barato: vai se vingar de maneira surpreendente.

O livro Angústia é considerado um marco do romance moderno brasileiro. E também a expressão máxima do embate entre a subjetividade do escritor e a realidade objetiva – que é sempre opressora.

No estilo inconfundível deste grande mestre de nossa literatura, Angústia é livro envolvente, destes que o leitor não consegue se desligar até ver o final. Para ler e reler.

“Outras Palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura Brasil.

Sérgio Milliet – Melhores crônicas

27 de abril de 2009

Regina Salgado (org)
Global Editora

Sérgio Milliet foi um dos maiores intelectuais brasileiros de seu tempo e um dos expoentes do movimento modernista. Destacou-se em diversas áreas: foi poeta e estudioso da realidade brasileira; foi crítico de literatura e de artes plásticas. E ainda tradutor e cronista.

Muito admirado por seus colegas, foi o primeiro presidente da Associação Brasileira de Escritores – hoje UBE. Mário de Andrade foi seu vice. Sempre disposto a apoiar e divulgar atividades de desenvolvimento da cultura brasileira, Milliet foi um dos escritores mais comprometidos com a tarefa que ele e seus colegas impunham a si próprios àquela época.

Foi um dos articuladores e participou da coordenação do histórico Congresso Brasileiro de Escritores em 1944. Escreveu para diversas publicações, principalmente, no O Estado de S. Paulo, onde registraria algumas de suas preciosas crônicas.

Esta antologia tenta resgata o melhor das crônicas do Milliet.

“Outras Palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura Brasil.

CRIADORES DE MANTRAS – Ensaios e Conferências

25 de agosto de 2008

Anderson Braga Horta
Ed. Thesaurus

Ao longo de quase 400 páginas, um panorama crítico-amoroso de nossa poesia mais representativa, desde o Romantismo até os nossos dias.

Neste painel, estão presentes nomes como os de Álvares de Azevedo, Cruz e Sousa, Alphonsus Guimarães, Augusto dos Anjos. Também modernos como Afonso Schmidt, Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade, entre outros de mérito comparável.

São poetas e poemas não só da afeição do autor como de muitas pessoas, e que honram qualquer literatura. Por isso, devem ser sempre lembrados.

Livro excelente para quem gosta de poesia e indispensável para quem quer aprender mais sobre esta que é a forma sublime da expressão artística.


“Outras Palavras”, programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura Brasil.

PAGU PAIXÃO

29 de maio de 2008

Patrícia Galvão
Ed. Agir

Como toda lenda, Pagu não morre. Mexe com a gente e surpreende. Mais ainda neste livro “Pagu paixão”, seu único texto autobiográfico. Texto inédito desde que ela o escreveu em 1940, recém-saída da última das suas 23 prisões como inimiga política da ditadura de Getúlio Vargas.

Esta obra não é uma autobiografia convencional. Patrícia Galvão, ao mesmo tempo inquieta e reservada, nunca escreveria memórias corriqueiras. O livro é um depoimento ao homem que ela amava, o escritor, jornalista e crítico Geraldo Ferraz.

No texto, Pagu se mostra nua, sem subterfúgios, corajosa e sincera. Revela desde sua vida sexual iniciada precocemente até os altos e baixos do seu casamento com o poeta Oswaldo de Andrade, aos 19 anos.

Informa sobre sua militância política no Partido Comunista, iniciada pela mão de Luís Carlos Prestes, até o desencanto com o regime soviético, incapaz de evitar seu encontro com uma menininha que pedia esmolas na Praça Vermelha, ao lado do túmulo de Lênin.


“Outras Palavras”, programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura Brasil.

MELHORES POEMAS DE MURILO MENDES

14 de fevereiro de 2008

Murilo Mendes
Global Editora

Surrealista, barroco, visionário, Murilo Mendes foi uma das vozes poéticas mais pessoais e inovadoras do modernismo brasileiro.

Desde a sua estréia, revelou-se um poeta original, qualidade que o seu longo processo de evolução iria acentuar. A última fase de sua poesia é, além disso, marcada pelo sentido de fraternidade e comunhão humana.

Vamos anotar: “Melhores Poemas de Murilo Mendes”, seleção e prefácio de Luciana Picchio. E publicado pela Global Editora.

Ouça aqui o programa:

[audio:http://blogs.utopia.org.br/levi/files/0184-murilo-mendes-melhores-poemas.mp3]

“Outras palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura Brasil.

Poemas de Murilo Mendes

Gilda

Não ponha o nome de Gilda
na sua filha, coitada,
Se tem filha pra nascer
Ou filha pra batisar.
Minha mãe se chama Gilda,
Não se casou com meu pai.
Sempre lhe sobra desgraça,
Não tem tempo de escolher.
Também eu me chamo Gilda,
E, pra dizer a verdade
Sou pouco mais infeliz.
Sou menos do que mulher,
Sou uma mulher qualquer.
Ando à-toa pelo mundo.
Sem força pra me matar.
Minha filha é também Gilda,
Pro costume não perder
É casada com o espelho
E amigada com o José.
Qualquer dia Gilda foge
Ou se mata em Paquetá
Com José ou sem José.
Já comprei lenço de renda
Pra chorar com mais apuro
E aos jornais telefonei.
Se Gilda enfim não morrer,
Se Gilda tiver uma filha
Não põe o nome de Gilda,
Na menina, que não deixo.
Quem ganha o nome de Gilda
Vira Gilda sem querer.
Não ponha o nome de Gilda
No corpo de uma mulher.

 

 A mãe do primeiro filho

Carmem fica matutando
no seu corpo já passado.

— Até à volta, meu seio
De mil novecentos e doze.
Adeus, minha perna linda
De mil novecentos e quinze.
Quando eu estava no colégio
Meu corpo era bem diferente.
Quando acabei o namoro
Meu corpo era bem diferente.
Quando um dia me casei
Meu corpo era bem diferente.
Nunca mais eu hei de ver
Meus quadris do ano passado…

A tarde já madurou
E Carmem fica pensando.

MÁRIO DE ANDRADE

7 de outubro de 2007

Mário de Andrade é um dos principais ícones da cultura paulista. Poeta, romancista, cronista, músico, folclorista, crítico de artes, não havia qualquer manifestação que não lhe interessasse. Foi um dos principais articuladores da famosa Semana da Arte Moderna em 1922, sendo seu nome o mais lembrado.

Também foi diretor do Departamento de Cultura do Município de São Paulo. E destacou-se tanto na pesquisa, como na divulgação das artes, fundando casas de cultura, bibliotecas, discoteca e até parques infantis. Artista e cidadão muito ativo, Mário participou da fundação da Sociedade Brasileira de Escritores – hoje UBE – e foi seu primeiro vice-presidente, Sérgio Milliet.

Sua obra tem uma característica curiosa: os títulos de duas delas ficaram mais conhecidos do que o próprio autor. É o caso do romance Macunaíma e do livro de poemas Paulicéia Desvairada. Certamente vocês já ouviram falar em um desses nomes. Pois bem, está na hora de ler.

Para quem gosta de poesia – Paulicéia Desvairada, Café e Lira Paulistana. Para quem prefere prosa, divirta-se com Macunaíma ou Amar, verbo intransitivo. O melhor é ler tudo, vale a pena.

Ouça aqui o programa:

[audio:http://blogs.utopia.org.br/levi/files/outraspalavras_008-mario-de-andrade.mp3]

“Outras Palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura Brasil.