O SEQÜESTRO…

O SEQÜESTRO DO SENHOR EMPRESÁRIO
Levi Bucalem Ferrari
Publisher (1998)
UBE/Scortecci (2ª. edição)

Às vésperas de uma eleição presidencial ocorrem assassinatos e seqüestros, inclusive o de um famoso empresário. Por trás dos fatos, revela-se uma grande conspiração política. A trama ocorre em ritmo frenético, repleta de suspense, erotismo e violência. Ao mesmo tempo, a memória das personagens revela um rico painel político e psicossocial dos anos 60 e 70, incluindo guerrilheiros, agentes da repressão e espiões internacionais.

Com este livro, Levi Bucalem Ferrari recebeu o prêmio Melhores do Ano – Autor Revelação, oferecido pela APCA – Associação Paulista dos Críticos de Arte. A 2ª. edição inclui apêndice com comentários de Fábio Lucas, Audálio Dantas e Caio Porfírio Carneiro.

Contextualização

O Brasil viveu sob ditadura militar de 1964 a 1985. Num primeiro momento ocorre o fechamento do Congresso e dos partidos políticos, o cerceamento do Poder Judiciário, a censura à imprensa e a cassação de direitos políticos. Seguem-se as perseguições a quaisquer suspeitos de oposição, principalmente políticos, sindicalistas e estudantes. As formas são arbitrárias e brutais: exílio, prisões, tortura, seqüestros, desaparecimentos e assassinatos.

A oposição à ditadura dividiu-se em dois grandes grupos: a) os que propunham a formação de uma frente popular para a volta gradativa ao Estado de Direito; e b) os adeptos da luta armada para a tomada do poder e implantação de um regime socialista.

Ao final da década de 70, crises econômicas e pressões externas e internas contribuíram para que o regime militar perdesse legitimidade. Um “acordo” entre governo e a oposição moderada permitiu a eleição indireta do primeiro presidente civil. Promulga-se nova constituição que prevê eleições diretas para presidente.

Estas ocorreriam em 1989. Dois dos candidatos mais populares – Lula e Brizola – haviam sido opositores declarados à ditadura, tendo um experimentado a prisão e outro, o exílio. Também por suas posições políticas, eles causavam apreensão entre os militares e as forças sociais internas e externas vinculadas ao regime autoritário ou a seus interesses e privilégios.

Estas forças aliam-se a alguns meios de comunicação de massa e conseguem transformar um político pouco expressivo – Collor – num candidato viável. A popularidade forjada não era, contudo, suficiente para garantir o êxito eleitoral. Segundo denúncias de alguns jornalistas à época, outras medidas se fizeram necessárias como ações clandestinas, entre elas, o seqüestro de um empresário bastante conhecido.

Trama e estrutura narrativa

Este é o pano de fundo para a trama deste romance que não é, contudo, um livro-reportagem. O autor apenas parte das hipóteses levantadas por jornalistas para elaborar um romance que mescla realidade e ficção. E faz desfilar pelas páginas do livro, personagens de todos os segmentos sociais: do grande mundo dos negócios aos que sobrevivem do trabalho; das comportadas classes médias aos transgressores de todos os tipos.

Há dois planos narrativos distintos ainda que interligados. O primeiro é o da ação que revela os detalhes de uma conspiração política e ocorre em ritmo frenético, capaz de prender o fôlego do leitor. Num outro plano, através da memória das personagens-narradoras, o livro traça um amplo painel político, cultural e psicossocial que abrange desde o período imediatamente anterior ao golpe militar até o tempo em que ocorrem as ações conspiratórias. Estão presentes os “guerrilheiros urbanos”, a prisão política, a tortura, os desaparecimentos e assassinatos cometidos pelas forças da repressão.

A ação também se desloca no espaço, ocorrendo simultaneamente na metrópole de São Paulo, com seus imensos contrastes, e num garimpo perdido no meio da selva amazônica. A Amazônia é também um museu vivo do que há de mais genuíno no folclore brasileiro vindo diretamente dos índios ou de seus descendentes miscigenados, os “caboclos”. Personagens típicas da região e os seres lendários da floresta começam a tomar parte na ação, que acaba por se desenvolver de forma inusitada.

Ao final os diferentes planos se encontram: fatos e imaginação; ação e memória; metrópole e floresta; seres reais e imaginários. Reforçados pela estrutura narrativa ousada e pela linguagem inovadora, o encontro dos planos resulta num epílogo surpreendente e encantador.

Personagens principais

Primeiro narrador: Jornalista, psicólogo e professor universitário testemunha o seqüestro de uma jovem e, desde então, passa a ser perseguido. Na tentativa de entender o que lhe ocorre vai se lembrar de personagens e fatos, recentes e remotos, que o levam a desconfiar de uma misteriosa conspiração política.

Segundo narrador: Prostituta de luxo sabe como manipular homens poderosos e dissimular seu comportamento dúbio em relação aos interesses em jogo. Tem duas obsessões: vingar-se da morte dos pais e estar sempre próxima da pessoa por quem se apaixonara na adolescência.

Augusto: Guerrilheiro no período militar, ora um pouco afastado de movimentos políticos, vê-se involuntariamente envolvido na trama do seqüestro a partir do momento em que reencontra ocasionalmente um antigo companheiro que acreditava morto ou desaparecido e de quem passa a desconfiar.

Azaléia: Primeira mulher por quem Augusto se interessou ainda criança e da qual guarda idílicas lembranças. Posteriormente, ele a reencontra em circunstâncias inesperadas e repletas de tensão.
Alice: Mulher de Augusto. Teve uma vida bastante atribulada. Antes devido a alguns azares nos primeiros relacionamentos amorosos; depois devido ao envolvimento de Augusto na guerrilha e suas conseqüências para ambos.

Heitor: Influente advogado e bon vivant foi amigo de infância de Augusto e o introduziu no Partido Comunista. Sua posição contra a luta armada e outras circunstâncias de ordem pessoal, entre as quais uma disputa amorosa, tornarão constrangedoras as relações entre ambos.

Cibele: Antiga paixão de Heitor é hoje casada com rico empresário. Mulher extremamente sedutora, guarda consigo um terrível segredo íntimo que só se revelará aos poucos.

Cintra: Marido de Cybele, envolvido em negócios não muito escrupulosos é, além disso, insaciável garanhão e um dos principais articuladores de uma conspiração política que inclui seqüestros e assassinatos.

O Delator: Misteriosa personagem sobre a qual cada uma das demais revela algum detalhe. Sua real identidade e os papéis que exerceu durante o período militar e desempenha na atual conspiração só se esclarecerão no decorrer da trama quando se juntam as informações esparsas.

Excertos

Rio de planície, lenta a correnteza em suas beiras, talvez no meio, mas não, a diferença é pouca, os barcos vivem a atravessá-lo sem cuidados que se notem… Há nessas beiras, remansos de água quase parada, alguns servem de porto para os barcos, neles com freqüência encontram-se chumaços de intrincadas folhas, galhos, cascas, troncos, membros e corpos de árvores feridas, mutiladas, mortas, a descansar da longa viagem de onde nasceram e tombaram para um destino incerto… Foi num deles, entre vestígios da tropical natureza que nasce e morre em frenética freqüência, que um chumaço de folhas de papel, elemento morto, levava a morrer consigo, pela deletéria ação das águas, o que ali ia escrito, não se sabia se por vivos ou mortos.

Vistos de baixo, do ângulo do atropelado, automóveis são máquinas monstruosas, pesados pedaços de ferro, invencíveis para o guerreiro humano. Um imenso chassi cheio de graxa e fuligem foi a última visão de Augusto naquela noite.

É que teve um detalhe. À fração de segundo que permeou a visão e o encobrimento, seguiu-se outra, talvez um pouquinho maior, constituída pela queda do sutiã até a cintura, ofereceu ao menino novos ângulos, registrados, como sucessivos instantâneos fotográficos, entre piscares assustados, pelas mesmas retinas que os retiveram todos para sempre. Da mesma maneira como, em sua memória se repetia uma seqüência de diapositivos que vira das muitas lindas fintas de Garrincha, do drible difícil feito fácil pelo imprevisível Mané.

Augusto não era Augusto, era Japonês, seu nome de guerra, quem só, numa floresta, fugindo da polícia com um revólver e duas balas, sabia que a segunda deveria ser apontada para sua cabeça. Eram as instruções. Pelo menos não sofreria a tortura. Não que tanto a temesse, mas, se a morte é certa, por quê oferecer ao inimigo o trunfo de uma prisão, ou, apegar-se à chama que se sabe prestes a findar, sofrendo antes o calvário de dores e humilhações sem sentido; um tiro e fim. Julgou sentir o cheiro de cobra, enfim sabido por que frio, cheiro do próprio medo.

Nem sombra que passa, nem folha que de árvore cai ou a chama de uma vela, a vida é tão breve quanto o trajeto de uma bala de revólver de seu cano ao crânio feito alvo. Assim me mataram o pai quando eu tinha cinco anos. Assim vi outros morrerem, assim posso morrer, como qualquer um, a qualquer hora. Ou, mais provavelmente que um qualquer, pelo que sei, pelo que sabem que sei, pelo que quero, vingança. Por isso resolvi escrever, para que se saiba quem terá sido meu assassino e seus motivos.

Depois de ter participado de um assalto a banco, Augusto deveria mudar de esconderijo. Por isso, às dezoito horas, hora de maior movimento, numa praça do centro da cidade, lá estava ele à espera de alguém, pessoa nova na organização, de quem nada sabia, exceto que se tratava de uma mulher e que estaria usando, ou traria à mão, conforme o tempo, uma capa de chuva e uma sombrinha. Deveria dirigir-se a ela usando uma senha, ouvir a contra-senha e, se tudo conferisse, acompanhar Moreno, era esse o nome de guerra da moça, até seu próximo abrigo provisório.

Aos símios é proibido latir. Estiveram por aqui uns repórteres, entrevistaram e fotografaram paisagens, pessoas. Dorisdete, uma das meninas prostitutas, também queria ser fotografada. Queria porque queria como das Dores foi. Só que esta, acho, está com os dias contados. Latiu.

Como é que é, vai contar ou não vai? Não sei do que estão falando. Sabe sim, seu filho da puta… ou você não quer mais chupar os peitões daquela gostosura? é só contar o que sabe e voltar para os peitos dela. Justino reage, não fale assim de minha noiva. Um tapa. Putinha virou noiva, é?… Comunista não tem noiva, veado, e quem dá as ordens aqui sou eu. Outro tapa. O oficial aproxima o rosto do de Justino, certo de que já o havia intimidado o suficiente. Este cospe-lhe na cara. O oficial se afasta, e, enquanto limpa o rosto, faz um sinal para os outros torturadores… O que aconteceu com Justino você já sabe, Zilda, como minha mãe, virou mais uma cova num desses cemitérios  clandestinos…

Ora os dedos pressionam levemente a pele pêssego, a carne rija, ora avançam até ao ponto em que o tecido é mais macio na região onde os esperam os pequeninos seios, ora alcançam os mamilos roxos, intumescidos pela expectativa de carícias. Ora as mesmas mãos tateiam as perfeitas pernas como a constatar a sugerida perfeição… Ora as mãos ainda revolvem os longos, negros e lisos cabelos enquanto os lábios aproximam-se do rosto que se humaniza num esgar quase sorriso, num aspirar mais forte quase gemido, num tremor característico que antecede, coincide e sucede imediatamente o intenso beijo.

De repente, a luminescência se fez forte, mais e mais pirilampos esverdeavam coisas e pessoas, vi o homem cercado pelos bichos que o acuavam na direção do rio, para onde caminhava arrastando a perna baleada… A flutuar por sobre o rio, o que de mais lindo algum mortal pode ver, a mais bela das mulheres, a resplandecer em fosforescência, penteava seus verdes cabelos com um pente dourado.

Sobre o livro:

O seqüestro de um famoso empresário às vésperas de uma eleição para Presidente, é o ponto de partida para a trama de O seqüestro do senhor empresário. O livro apresenta um rico panorama político e cultural do Brasil das décadas de 60 e 70, um painel em que aparecem em luz e sombra, vítimas e algozes, guerrilha e repressão, opositores e colaboradores do regime militar.
Audálio Dantas, Diário Popular

Violência, suspense e erotismo recheiam a trama de O seqüestro do senhor empresário.
Revista Veja SP

Novela no sentido literal da palavra: nova e inovadora, pois agrega um modo inesperado de narrar, combinando adequadamente o mundo oferecido (real) com o mundo criado (imaginado)… É trama das mais bem urdidas, pois contemporiza duas tradições da moderna narrativa: a criação do mundo mágico e a concretização do relato realista.
Fábio Lucas, Linguagem Viva

Leitura indispensável e cativante que se mantém nos cânones dos valores literários. As ações fluem com autenticidade, dentro da coerência inventiva. O leitor é estimulado a participar diante da força temática e do comportamento coerente dos personagens.
Carlos Frydman, O Escritor

Ferrari partiu do seqüestro do empresário Abílio Diniz, ocorrido na véspera da eleição disputada entre Fernando Collor de Mello e Luiz Inácio Lula da Silva, para mostrar outras vidas paralelas: a de pessoas tipicamente comuns… como é o caso de Zé da Coca e Dorisdete, uma menina de programa desdentada e a serviço da brutalidade de garimpeiros.
Xico Sá, Folha de São Paulo.

Os crimes da repressão, as fugas, as amizades e traições sufocam e trazem ao vivo, para além do heroísmo, a fragilidade humana, a precariedade de tudo… Sinal sensível nas feridas de um tempo que, ao longo da nossa História, permanecerá com suas cicatrizes. Eis aqui – sem retoques – a alma sensível de uma época.
Caio Porfírio Carneiro, Revista de Literatura Brasileira.

The Kidnapping of Mr. Businessman
Levi Bucalem Ferrari
UBE/Scortecci

Synopsis

On the eve of a presidential election several murders and kidnappings take place, including one of a famous businessman. Behind the facts, a big political conspiracy reveals itself. The plot flows in a frenetic rhythm, full of suspense, eroticism and violence. At the same time, the characters memories reveal a rich political and psychosocial view of the 60s and 70s, including guerrilla fighters, repression agents and international spies.

Owing to this book, Levi Bucalem Ferrari received the Best of the year – Revelation Author award, offered by APCA – The Paulista Art Critics Association. This 2nd edition includes an appendix with commentaries from Fábio Lucas, Audálio Dantas and Caio Porfírio Carneiro.

Historical context

Brazil lived under military dictatorship from 1964 to 1985. At the first moment occurred the Congress and the political parties closing, the judiciary power curtail, the press censorship and the political rights banning. Persecutions were made to any suspect of being against the regime, mainly politicians, syndicalists and students. All means were arbitrary and brutal: exile, arrestments, tortures, kidnappings, disappearances and murders.

The opposition divided itself into two main groups: a) those who proposed the formation of a popular front which would claim for the democratic state gradual return; and b) the followers of the armed combat in order to take power and implement a socialist government.

By the end of the 70s, economic crisis and internal and external pressures contributed for the military regime to lose its legitimacy. A “deal” between the government and the moderate opposition allowed the indirect election of the first civil president. A new constitution that foresaw direct elections for president was promulgated.

This would take place in 1989. Two of the most popular candidates – Lula and Brizola – who had been clearly against the dictatorship, having one experienced prison and the other, the exile. Also by their political views, they caused apprehension among the militaries and the internal and external social forces linked to the authoritarian regime or to its interests and privileges.

This forces allied themselves to some mass media vehicles and became able to transform a politician who was little representative– Collor – into a viable candidate. This forged popularity wasn’t, however, enough to guarantee the success of the election. According to accusation made by some journalists at the time, other measures were made necessary, such as clandestine actions like the kidnapping of a widely-known businessman.

Plot and narrative structure

This is the background for the plot this romance, which isn’t, however, a reporting-book. The author just supports his writing on some hypothesis raised by journalists in order to elaborate a romance that mixes reality and fiction. And he makes characters of all social conditions parade through the book: from the great business world to those ones who need to work in order to survive; from the well-behaved media classes to all types of transgressors.

In the narrative background, there are two distinct plans which are, in some way, interconnected. The first plan is the one of the action that reveals the details of a political conspiracy and flows in a frenetic rhythm, what makes the reader breathless. In another plan, through the memory of the omniscient narrator, the book draws a vast political, cultural and psychosocial overview that comprises from the period immediately after the military coup until the period when the conspiracy actions take place. In this book are the “urban guerrilla fighters”, the political prison, the torture and all disappearances and murders committed by the repressive forces.

The action also moves itself through space, happening simultaneously in the metropolis of São Paulo, with its huge contrasts and in a prospect place lost in the middle of the Amazon Forest. The Amazon is also a live museum packed of the most genuine things that exist in the Brazilian folklore coming straightaway, whether from the Indians or their interbred descendants, the “caboclos”.  Typical characters of the region and the legendary forest beings start to take part in the action that ends up developing itself in an unusual way.

By the end of the reading, the distinct plans finally meet: facts and imagination; action and memory; metropolis and forest; real and imaginary human beings. Reinforced by the daring narrative structure and for the innovative methods, the two plans meeting appears as a result of an astonishingly and charming epilogue.

Main characters

First Narrator: Journalist, psychologist and university teacher; witnesses the kidnapping of a young woman and, since then, starts to be pursued. In his attempt to understand what is happening to him he will remember recent and remote characters and facts that lead him to suspect a mysterious political conspiracy.

Second Narrator
: Luxury prostitute who knows exactly how to manipulate powerful men and how to feign her dubious behavior in relation to the interests at stake. She has two obsessions: to revenge her parents death and to always be near to the person with whom she fell in love when young.

Augusto
: Guerrilla fighter in the military period, is sometimes away from the political movements, sees himself accidentally involved in the plot of the kidnap from the moment he meets, occasionally, an old friend whom he believed dead or disappeared and who he considers suspect.

Azaléia
: First woman for whom Augusto fell in love when he was just a kid and of whom he keeps idyllic memories. Subsequently, meets her again in an unexpected circumstance and full of tension.

Alice
: Augusto’s wife. She had quite a confused life. Before, due to some bad luck in her love relationships; and then due to Augustus involvement in the guerrillas and its consequences for both.

Heitor
: Influential lawyer and bon vivant, was Augusto’s childhood friend and introduced him in the Communist Party. His position against the armed combat and other personal circumstances, including a love dispute, will transform their relationship into something quite embarrassing.

Cibele
: Heitor’s old crush is married nowadays with a rich businessman. An extremely seductive woman who keeps for herself in her innermost a terrible secret that will be revealed little by little.

Cintra
: Cybele’s husband, who is involved in some unscrupulous business, is, also, an insatiable Don Juan and one of the main heads of a political conspiracy that includes murders and kidnappings.

The informer
: Mysterious character about whom each one of the others reveal some detail. His real identity and the roles he exerted during the military period and the role he plays in the current conspiracy will only be clarified as the plot develops itself, more specifically when all the sparse pieces of information join.

Excerpts

“Seen from underneath, from the run down’s angle, cars are monstrous machines, heavy pieces of iron, invincible to the human fighter. A huge chassis full of grease and soot was Augusto’s last view that night.

Augusto wasn’t Augusto, was Japanese, his war name, to whom the only certainty, alone, in a forest, running away from the cops and equipped with a gun and two bullets, was that the second bullet would be pointed at his head. Those were the instructions. At least he wouldn’t be tortured. Not that he feared it, but, if death is certain, why to offer the enemy the triumph of an arrestment, or, to become attached to the flame that is about to end, suffering before the martyrdom of pain and meaningless humiliation; only one shot and this would be the end of everything. Thought of having felt something such as the smell of a snake, known why it was so cold, he was smelling his own fear.

Neither shadows pass by, nor leaves fall from the trees or the flame of a candle. Life is so brief as the length of a gun bullet from its barrel to the skull targeted. That was the exact way they killed my father when I was five. This way I saw other people die, this way I am about to die, as any other, at any time. Or, more probably than any other random, as far as I know, as for what they are aware that I know, for what I want, revenge. Therefore I decided to write, for you to know who will be my murder and his reasons.

After having participated of a bank robbery, Augusto should change his hiding-place. Therefore, at 6 P.M, rush hour, in some square in the town centre, there he was waiting for someone, someone new in the organization about whom he knew nothing more than the fact that someone was a woman and that would be wearing, or carrying, according to the weather, a rain overcoat and an umbrella.
He should find her using a secret password, listen to the counter-password, if it all checked, he should follow Moreno, that was the woman’s war name, until his next temporary shelter.”

About the book:

The kidnap of a famous businessman on the eve of a presidential election is the starting point for the plot of The Kidnap of Mr. Businessman. The book presents an extremely rich political and cultural panorama of the Brazil of the 60s and 70s, a view that contemplates light and shadow, victims and torturers, guerrilla and repression, opponents and collaborators of the military regime.
Audálio Dantas, Diário Popular

Violence, suspense and eroticism fill the plot of The kidnap of Mr. Businessman.
Veja SP Magazine

A novel in the literal mean of the word: new and innovating, due to its unexpected way of narrating, mixing appropriately the offered world (real) with the invented world (imaginated)…It is a plot from the most weaved that I’ve ever read, cause it eases two traditional characteristics of the modern narrative: the invention of a magic world and the realization of a realist description.
Fábio Lucas, Live Language

Indispensable and captivating reading that maintains itself in the canon of literary values. The actions flow with authenticity inside the inventiveness coherency. The reader is stimulated to join in face of the thematic force and of the coherent behavior of the characters.
Carlos Frydman, O Escritor

Ferrari based his book on the kidnap of Abílio Diniz, a widely-known businessman, which occurred on the eve of the disputed election between Fernando Collor de Mello and Luiz Inácio Lula da Silva, in order to show other parallel lives: the extremely ordinary ones… as for the example of Zé da Coca and Dorisdete, a toothless prostitute who serves the brutality of the prospectors.
Xico Sá, Folha de São Paulo.

The repression crimes, escapes, friendships and betrayals suffocate and bring live, for beyond the heroism, the human fragility, the precariousness of everything…Sensitive signal in the sores of a time that, throughout our history, will remain with its scars. Here it is – untouched – the sensitive soul of a time.
Caio Porfírio Carneiro, Revista de Literatura Brasileira.

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