{"id":408,"date":"2024-06-05T10:20:44","date_gmt":"2024-06-05T13:20:44","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/?p=408"},"modified":"2025-01-21T10:31:37","modified_gmt":"2025-01-21T13:31:37","slug":"ciberbullying-jogos-de-controle-poder-e-lucro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/ciberbullying-jogos-de-controle-poder-e-lucro\/","title":{"rendered":"Ciberbullying, jogos de controle, poder e lucro"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Analisando as ra\u00edzes hist\u00f3ricas e as din\u00e2micas de poder do bullying e ciberbullying, este texto destaca a necessidade de uma abordagem estrutural para combater essas pr\u00e1ticas abusivas.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"585\" src=\"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/files\/2024\/06\/image-1024x585.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-409\" srcset=\"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/files\/2024\/06\/image-1024x585.png 1024w, https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/files\/2024\/06\/image-300x171.png 300w, https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/files\/2024\/06\/image-768x439.png 768w, https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/files\/2024\/06\/image-1536x878.png 1536w, https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/files\/2024\/06\/image.png 1792w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Desde priscas eras, as rela\u00e7\u00f5es de amea\u00e7a, persegui\u00e7\u00e3o, ass\u00e9dio e intimida\u00e7\u00e3o ocorrem entre indiv\u00edduos, entre grupos, entre classes. Na maioria das vezes, com interesses econ\u00f4micos explorat\u00f3rios, objetivando ac\u00famulo de riqueza e poder.<\/p>\n\n\n\n<p>De origem inglesa, desde o s\u00e9culo passado, a palavra \u201cbully\u201d passou a designar algu\u00e9m que assedia, intimida ou aterroriza outros, especialmente em contextos escolares. O mundo digital nos agregou o \u201cciber\u201d, palavra de origem grega para controle e dire\u00e7\u00e3o que inspirou o termo \u201ccybernetics\u201d \u2013 introduzido pelo matem\u00e1tico e fil\u00f3sofo norte-americano Norbert Wiener, em 1948, em seu livro&nbsp;<em>Cibern\u00e9tica: ou o controle e comunica\u00e7\u00e3o no animal e na m\u00e1quina<\/em>&nbsp;(em ingl\u00eas, \u201cCybernetics: Or Control and Communication in the Animal and the Machine\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p>Nasce a\u00ed o atual \u201cciberbullying\u201d \u2013 que \u00e9 a pr\u00e1tica de intimida\u00e7\u00e3o, ass\u00e9dio ou humilha\u00e7\u00e3o de uma pessoa ou grupo, utilizando meios digitais, como redes sociais, mensagens de texto, e-mails e outras plataformas online, em geral de forma repetitiva e intencional.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>O bullying tradicional sempre esteve presente na sociedade, manifestando-se em escolas, locais de trabalho e outros ambientes sociais. No contexto escolar, onde o termo tem ganho notoriedade, os agressores usam a intimida\u00e7\u00e3o para estabelecer poder e controle sobre suas v\u00edtimas. Com a digitaliza\u00e7\u00e3o crescente, essa din\u00e2mica de poder se transferiu para o mundo virtual, dando origem ao ciberbullying. Diferente da intimida\u00e7\u00e3o convencional, a vers\u00e3o digital tem a capacidade de alcan\u00e7ar a v\u00edtima em qualquer lugar e a qualquer momento, ampliando seu impacto psicol\u00f3gico e social.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o ciberbullying n\u00e3o \u00e9 apenas um problema de comportamento individual; ele reflete e se alimenta de estruturas maiores de poder e lucro. Plataformas digitais e redes sociais, que s\u00e3o os principais meios de dissemina\u00e7\u00e3o do ciberbullying, muitas vezes lucram com o engajamento gerado por conte\u00fados pol\u00eamicos e divisivos. Em uma era onde a quantidade de informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel \u00e9 vastamente superior \u00e0 capacidade humana de consumi-la, a aten\u00e7\u00e3o dos usu\u00e1rios torna-se uma mercadoria valiosa. Essa \u201ceconomia da aten\u00e7\u00e3o\u201d, visa maximizar o tempo que os usu\u00e1rios passam online e incentiva comportamentos que aumentam a visibilidade, sejam estes prejudiciais ou n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para combater o bullying de forma eficaz, \u00e9 necess\u00e1rio ir al\u00e9m das interven\u00e7\u00f5es escolares, com sindicatos, partidos pol\u00edticos e organiza\u00e7\u00f5es sociais devendo se envolver ativamente na cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas e campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o. S\u00e3o necess\u00e1rias a\u00e7\u00f5es e programas de apoio aos trabalhadores que sofrem ass\u00e9dios e intimida\u00e7\u00f5es no ambiente de trabalho, bem como a promo\u00e7\u00e3o de legisla\u00e7\u00e3o mais rigorosa para responsabilizar plataformas digitais e proteger v\u00edtimas do impacto das amea\u00e7as \u2013 que podem ter consequ\u00eancias devastadoras, incluindo ansiedade, depress\u00e3o e, em casos extremos, pensamentos suicidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Podemos comparar o bullying com as acusa\u00e7\u00f5es de bruxaria na Idade M\u00e9dia e com as atrocidades da Ku Klux Klan para entender as din\u00e2micas de opress\u00e3o e persegui\u00e7\u00e3o que atravessam diferentes per\u00edodos hist\u00f3ricos \u2013 mostrando como o poder, o controle e a intoler\u00e2ncia podem levar a pr\u00e1ticas abusivas e desumanas, seja em contextos hist\u00f3ricos ou contempor\u00e2neos.<\/p>\n\n\n\n<p>As acusa\u00e7\u00f5es de bruxaria na Idade M\u00e9dia:&nbsp; Mulheres independentes eram frequentemente acusadas de bruxaria e queimadas vivas. Semelhante ao bullying, as v\u00edtimas eram frequentemente alvos vulner\u00e1veis, marginalizadas por suas diferen\u00e7as ou por desafiarem normas sociais. Assim como o bullying pode ser sustentado por uma cultura escolar ou social que tolera o comportamento abusivo, as acusa\u00e7\u00f5es de bruxaria eram sancionadas por institui\u00e7\u00f5es religiosas e legais, que legitimavam a persegui\u00e7\u00e3o e a viol\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>As atrocidades da Ku Klux Klan: As barbaridades cometidas pela Ku Klux Klan contra pessoas negras eram motivadas por racismo e \u00f3dio, similar ao bullying, que frequentemente se baseia em preconceitos contra caracter\u00edsticas pessoais ou grupais. Tanto o bullying quanto as a\u00e7\u00f5es da KKK envolvem viol\u00eancia e intimida\u00e7\u00e3o para controlar e oprimir as v\u00edtimas. Incluindo viol\u00eancia f\u00edsica e psicol\u00f3gica, a organiza\u00e7\u00e3o supremacista usava linchamentos, espancamentos e outras formas brutais de viol\u00eancia para manter a supremacia racial.<\/p>\n\n\n\n<p>O ciberbullying, assim como o bullying tradicional, \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o de din\u00e2micas de poder que atravessam diferentes contextos sociais e econ\u00f4micos. Abordar esta quest\u00e3o de forma estrutural exige a participa\u00e7\u00e3o ativa dos governos e da sociedade como um todo. Somente atrav\u00e9s de uma abordagem integrada poderemos criar um ambiente digital onde todos possam interagir de forma segura respeitando os valores civilizat\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83c\udf10 <a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/coluna\/ciberbullying-jogos-de-controle-poder-e-lucro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/vermelho.org.br\/coluna\/ciberbullying-jogos-de-controle-poder-e-lucro\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Analisando as ra\u00edzes hist\u00f3ricas e as din\u00e2micas de poder do bullying e ciberbullying, este texto destaca a necessidade de uma abordagem estrutural para combater essas pr\u00e1ticas abusivas. 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