{"id":336,"date":"2024-02-28T11:18:08","date_gmt":"2024-02-28T14:18:08","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/?p=336"},"modified":"2024-02-28T11:18:08","modified_gmt":"2024-02-28T14:18:08","slug":"a-lingua-portuguesa-e-os-conteudos-digitais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/a-lingua-portuguesa-e-os-conteudos-digitais\/","title":{"rendered":"A l\u00edngua portuguesa e os conte\u00fados digitais"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Quantidade de conte\u00fados em l\u00edngua portuguesa na internet pode ser reveladora do potencial, inclusive econ\u00f4mico, de nosso idioma.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"574\" src=\"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/files\/2024\/02\/image-1-1024x574.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-337\" srcset=\"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/files\/2024\/02\/image-1-1024x574.png 1024w, https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/files\/2024\/02\/image-1-300x168.png 300w, https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/files\/2024\/02\/image-1-768x430.png 768w, https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/files\/2024\/02\/image-1.png 1456w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A quantidade de conte\u00fados em l\u00edngua portuguesa na internet pode ser reveladora do potencial, inclusive econ\u00f4mico, de nosso idioma \u2013 o nono mais falado no planeta (e quarto em termos de falantes nativos), sendo a l\u00edngua mais falada no hemisf\u00e9rio sul. Estima-se que algo entre 3% e 4% dos conte\u00fados na internet est\u00e3o em portugu\u00eas. J\u00e1 em termos da quantidade de livros, os publicados em nosso idioma representam cerca de 2% dos editados em ingl\u00eas, diferen\u00e7a essa multiplicada em fun\u00e7\u00e3o das tiragens muito baixas do nosso mercado editorial.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Para aumentarmos a quantidade de nossos conte\u00fados na web, \u00e9 fundamental digitalizar acervos j\u00e1 existentes e estimular a produ\u00e7\u00e3o e disponibiliza\u00e7\u00e3o de novos conte\u00fados \u2013 tanto de literatura e outros textos, como tamb\u00e9m \u00e1udios e v\u00eddeos, todos devidamente classificados e com metadados.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante destacar outros aspectos, como o surgimento de novas formas de express\u00e3o, inclusive regionais, facultadas pelas m\u00eddias digitais e a produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fados n\u00e3o somente da cultura cl\u00e1ssica mas incluindo a express\u00e3o e registro de culturas locais, em \u00e1udio, imagem e v\u00eddeo, al\u00e9m da escrita \u2013 tanto dos pa\u00edses de fala lus\u00f3fona quanto das di\u00e1sporas em outros cantos do planeta, inclusive os diversos idiomas crioulos africanos, americanos e asi\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>A produ\u00e7\u00e3o cultural acess\u00edvel de forma ampla \u00e0 sociedade \u00e9 fator fundamental para o desenvolvimento, educa\u00e7\u00e3o e qualidade de vida das popula\u00e7\u00f5es. A produ\u00e7\u00e3o e uso de conte\u00fados culturais s\u00e3o tarefas da sociedade. Mas cabe ao Estado, al\u00e9m de assegurar a liberdade de express\u00e3o e produ\u00e7\u00e3o de cultura, exercer o papel insubstitu\u00edvel de garantir \u00e0 sociedade os meios de acesso a sua pr\u00f3pria produ\u00e7\u00e3o cultural.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cA cultura \u00e9 uma alavanca para o desenvolvimento econ\u00f4mico\u201d, afirmou Jack Lang, que durante dez anos foi ministro da Cultura da Fran\u00e7a, promovendo o desenvolvimento das ind\u00fastrias culturais francesas, incluindo cinema, m\u00fasica, teatro e artes visuais, apoiando financeiramente a produ\u00e7\u00e3o e incentivando a exporta\u00e7\u00e3o de produtos culturais franceses.<\/p>\n\n\n\n<p>Frente ao desenvolvimento de novas m\u00eddias, com sua converg\u00eancia e a ampla difus\u00e3o de acesso, especialmente com dispositivos m\u00f3veis, observa-se uma grande valoriza\u00e7\u00e3o dos acervos digitais existentes, e o enorme desafio de superar os gargalos de infraestrutura, gest\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o, marco regulat\u00f3rio e capacita\u00e7\u00e3o, para dar conta da demanda dessas m\u00eddias e para que esses conte\u00fados contribuam para a forma\u00e7\u00e3o das novas gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A\u00e7\u00f5es poss\u00edveis podem incluir, dentre outras, a identifica\u00e7\u00e3o e mapeamento de acervos e cole\u00e7\u00f5es, existentes tanto em institui\u00e7\u00f5es culturais quanto atrav\u00e9s de processos colaborativos no \u00e2mbito da sociedade \u2013 e que envolvam as diversas entidades produtoras e usu\u00e1rias de cultura no sentido tradicional e tamb\u00e9m as comunidades que produzem cultura em novas formas de express\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para uma maior universalidade, poder-se-ia promover o princ\u00edpio de que os conte\u00fados produzidos ou financiados pelo governo e pelo setor p\u00fablico sejam \u2013 ressalvadas restri\u00e7\u00f5es legais \u2013 livres, p\u00fablicos e de acesso de toda a popula\u00e7\u00e3o, com a dissemina\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o sendo considerada uma prioridade de governo.<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo de a\u00e7\u00e3o que poderia engajar nossos intelectuais, pesquisadores, acad\u00eamicos, alunos e professores, militantes culturais, artistas e mobilizar pol\u00edticas governamentais e empresariais seria, por exemplo, alimentar a Wikip\u00e9dia (enciclop\u00e9dia online, gratuita e colaborativa, que re\u00fane informa\u00e7\u00f5es sobre diversos assuntos, em v\u00e1rios idiomas, escritas por volunt\u00e1rios de todo o mundo) com mais conte\u00fados em nosso idioma. Este \u00e9 hoje o maior acervo mundial de conte\u00fados abertos de refer\u00eancia, na forma de enciclop\u00e9dia aberta, possuindo um milh\u00e3o e cento e vinte mil artigos em portugu\u00eas (com mais de oito mil editores ativos). Com mais artigos na Wikip\u00e9dia temos diversos outros idiomas: ingl\u00eas, alem\u00e3o, espanhol, franc\u00eas, italiano, holand\u00eas, japon\u00eas, polon\u00eas, russo, sueco e vietnamita. Ou seja, ocupamos a 17\u00aa posi\u00e7\u00e3o nesse ranking.<\/p>\n\n\n\n<p>Exemplo do potencial econ\u00f4mico e cultural de nosso idioma, o ensino da l\u00edngua portuguesa encontra-se em vertiginosa expans\u00e3o em universidades chinesas e o governo de Pequim n\u00e3o tem medido esfor\u00e7os nem investimentos para liderar os estudos sobre o portugu\u00eas. O vetor dessa expans\u00e3o est\u00e1 em Macau, territ\u00f3rio chin\u00eas que foi dom\u00ednio portugu\u00eas entre 1557 e 1999. Nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas, o n\u00famero de universidades chinesas que ensinam portugu\u00eas praticamente decuplicou, somando hoje 56 institui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Produtos e servi\u00e7os em nosso idioma constituem-se, cada vez mais, em importantes fatores econ\u00f4micos. Estima-se que em 2100 a maioria dos falantes de portugu\u00eas ser\u00e1 africana, com o brutal crescimento demogr\u00e1fico previsto para Angola e Mo\u00e7ambique, que no seu conjunto somar\u00e3o 266 milh\u00f5es de falantes. Um n\u00famero muito acima dos 200 milh\u00f5es estimados para o Brasil \u2013 estes dados s\u00e3o do Instituto Universit\u00e1rio de Lisboa (ISCTE).<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, com a estimativa de que a maioria dos falantes de l\u00edngua portuguesa no mundo estar\u00e1 na \u00c1frica at\u00e9 o final do s\u00e9culo, \u00e9 imperativo estabelecer um tri\u00e2ngulo virtuoso entre Portugal, Brasil e os PALOP (Pa\u00edses Africanos de L\u00edngua Oficial Portuguesa), especialmente num momento de grandes mudan\u00e7as geopol\u00edticas de um novo mundo multipolar. Esta \u00e9 uma oportunidade crucial para fortalecer os la\u00e7os entre os pa\u00edses lus\u00f3fonos e revitalizar suas trocas econ\u00f4micas, especialmente de produtos culturais e cient\u00edficos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os movimentos de liberta\u00e7\u00e3o nacional das ex-col\u00f4nias africanas despertaram em Portugal a consci\u00eancia dos militares do Movimento das For\u00e7as Armadas \u00e0 frente da Revolu\u00e7\u00e3o dos Cravos (25 de abril de 1974), \u00e9 necess\u00e1rio reconhecer o protagonismo dos PALOP para impulsionar a Comunidade dos Pa\u00edses de L\u00edngua Portuguesa. Isso requer uma revis\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o entre Portugal e Brasil, h\u00e1 bastante tempo marcada pela estagna\u00e7\u00e3o devido \u00e0 vis\u00e3o ensimesmada do Brasil e a uma certa arrog\u00e2ncia lusitana.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto Fernando Pessoa disse que \u201cminha p\u00e1tria \u00e9 a l\u00edngua portuguesa\u201d e a antrop\u00f3loga L\u00e9lia Gonzalez cunhou o termo \u201cpretugu\u00eas\u201d para se referir \u00e0 enorme influ\u00eancia das l\u00ednguas africanas no portugu\u00eas falado no Brasil, compete-nos agora agregar valor e gerar riquezas com uma economia criativa sem similar concorrencial: nosso idioma.<\/p>\n\n\n\n<p>O ciberespa\u00e7o, as tecnologias da comunica\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o, as alian\u00e7as com espa\u00e7os lingu\u00edsticos afins \u2013 al\u00e9m das sinergias e as mesti\u00e7agens existentes no mundo lus\u00f3fono e nas suas di\u00e1sporas \u2013 s\u00e3o meios partilhados que os pa\u00edses lus\u00f3fonos podem colocar a servi\u00e7o da l\u00edngua portuguesa e das suas culturas, mapeando os dados econ\u00f4micos e gerando indicadores que subsidiem as pol\u00edticas dos pa\u00edses envolvidos.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83c\udf10 <a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/coluna\/a-lingua-portuguesa-e-os-conteudos-digitais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/vermelho.org.br\/coluna\/a-lingua-portuguesa-e-os-conteudos-digitais\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quantidade de conte\u00fados em l\u00edngua portuguesa na internet pode ser reveladora do potencial, inclusive econ\u00f4mico, de nosso idioma. 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