{"id":311,"date":"2024-02-14T11:41:35","date_gmt":"2024-02-14T14:41:35","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/?p=311"},"modified":"2024-02-25T17:26:44","modified_gmt":"2024-02-25T20:26:44","slug":"robinson-crusoe-e-as-tecnologias-educacionais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/robinson-crusoe-e-as-tecnologias-educacionais\/","title":{"rendered":"Robinson Crusoe e as tecnologias educacionais"},"content":{"rendered":"\n<p>A tomada de decis\u00f5es \u2013 \u201cmotor\u201d b\u00e1sico de quase toda a simula\u00e7\u00e3o \u2013 pode levar os estudantes a fazer uma s\u00e9rie de perguntas, visando a algumas abordagens que a resolu\u00e7\u00e3o de problemas implica.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"574\" src=\"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/files\/2024\/02\/image-1024x574.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-312\" srcset=\"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/files\/2024\/02\/image-1024x574.png 1024w, https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/files\/2024\/02\/image-300x168.png 300w, https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/files\/2024\/02\/image-768x430.png 768w, https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/files\/2024\/02\/image.png 1456w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Quando se fala em uso das novas tecnologias na escola sempre surgem as inevit\u00e1veis men\u00e7\u00f5es \u00e0s in\u00fameras car\u00eancias, de janelas quebradas at\u00e9 os baixos sal\u00e1rios dos professores. Sem pretender entrar nessa discuss\u00e3o, pelo menos neste texto, n\u00e3o podemos deixar de apontar que \u00e9 apenas com o melhor da tecnologia que evitaremos uma clivagem social ainda maior entre a escola p\u00fablica e a privada (ou entre o Brasil e as na\u00e7\u00f5es desenvolvidas). Como disse Seymour Pappert a um interlocutor: \u201cn\u00e3o morda meu dedo, olhe para onde estou apontando\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de prosseguirmos, vamos conceituar o que \u00e9 tecnologia. Isto \u00e9 fundamental numa \u00e1rea onde se cultuam tantos totens tecnol\u00f3gicos, onde se consideram obsoletos dispositivos que sequer tiveram suas possibilidades exploradas, e onde a \u201cculpa\u201d pelo n\u00e3o-uso \u00e9 sempre da falta de equipamentos melhores.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>\u201cTecnologia \u00e9 sempre uma quest\u00e3o de cabe\u00e7a\u201d, aponta o educador Jarbas Barato. Como contraponto a esse conceito podemos mencionar alguns pa\u00edses montados na riqueza do petr\u00f3leo, que podem comprar os computadores mais potentes, os carros mais velozes, os projetores multim\u00eddia mais modernos\u2026 mas que n\u00e3o sabem construir ou mesmo consertar qualquer um deles. O inverso disso \u00e9 Robinson Crusoe, protagonista do cl\u00e1ssico de Daniel Defoe, de 1719: de m\u00e3os nuas, escapado de um naufr\u00e1gio, reproduz em sua ilha deserta algumas tecnologias da \u00e9poca, usando apenas seu conhecimento e a vontade de transformar a realidade. Ou seja, n\u00e3o podemos confundir artefatos tecnol\u00f3gicos com tecnologia, geradora daqueles.<\/p>\n\n\n\n<p>Na educa\u00e7\u00e3o essa distin\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental, pois n\u00e3o h\u00e1 m\u00e1quina que substitua o professor (e quando isso ocorre \u00e9 porque o professor o merece). Tecnologia educacional \u00e9, por exemplo, usar uma lata de \u00e1gua, um peda\u00e7o de madeira e uma pedra para explicar a flutua\u00e7\u00e3o dos corpos; apertar a tecla de um v\u00eddeo sobre o assunto e deixar os alunos o assistirem passivamente, em contrapartida, nada tem de tecnol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p>Imaginemos um professor de Biologia em sua aula instigando uma pesquisa sobre felinos e seus h\u00e1bitos. Os alunos ncessitariam pesquisar os animais, suas velocidades em corrida, seus h\u00e1bitos alimentares, predadores etc. Ao inv\u00e9s das tradicionais reda\u00e7\u00f5es de \u201cpesquisa\u201d, as informa\u00e7\u00f5es alimentariam um banco de dados, no computador da sala de aula ou na nuvem. A pesquisa n\u00e3o terminaria a\u00ed, pelo contr\u00e1rio, iniciar-se-ia da\u00ed em diante. Estimulada pelo professor, a classe levantaria hip\u00f3teses \u2013 por exemplo, quem corre mais: os felinos de h\u00e1bitos noturnos ou diurnos? A tabula\u00e7\u00e3o no computador, usando planilha eletr\u00f4nica, apontaria para uma velocidade maior dos felinos de h\u00e1bitos diurnos e o professor instigaria a discuss\u00e3o sobre o resultado. A classe discutiria a camuflagem natural da noite, a maior import\u00e2ncia da velocidade \u00e0 luz do dia etc.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos tipos de software mais ricos e que permitem, n\u00e3o uma \u201caula normal para passar conte\u00fados\u201d, mas sim processos de reflex\u00e3o e debate, s\u00e3o as simula\u00e7\u00f5es. A tomada de decis\u00f5es \u2013 \u201cmotor\u201d b\u00e1sico de quase toda a simula\u00e7\u00e3o \u2013 pode levar os estudantes a fazer uma s\u00e9rie de perguntas, visando a algumas abordagens que a resolu\u00e7\u00e3o de problemas implica:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>An\u00e1lise da situa\u00e7\u00e3o<\/strong>: O que eu sei? O que preciso saber?&nbsp;<strong>Defini\u00e7\u00e3o de metas e objetivos<\/strong>: O que \u00e9 mais importante para mim? Como eu quero que a situa\u00e7\u00e3o se defina?&nbsp;<strong>Procura de analogias<\/strong>: Quais s\u00e3o algumas situa\u00e7\u00f5es semelhantes e quais s\u00e3o diferentes? Como elas se ajustam?&nbsp;<strong>Considera\u00e7\u00e3o de op\u00e7\u00f5es<\/strong>: Quais s\u00e3o as consequ\u00eancias de minhas op\u00e7\u00f5es? O que me levar\u00e1 em dire\u00e7\u00e3o \u00e0s minhas metas?&nbsp;<strong>Enfrentar as consequ\u00eancias<\/strong>: Estou disposto a correr o risco? Estou preparado para gerir os efeitos das minhas decis\u00f5es?&nbsp;<strong>Rever decis\u00f5es<\/strong>: Aproximei-me mais de minhas metas? Este resultado exige uma a\u00e7\u00e3o posterior?&nbsp;<strong>Avalia\u00e7\u00e3o<\/strong>: Como decidi o que fazer? O que posso aprender atrav\u00e9s destes resultados?&nbsp;<strong>Reaplica\u00e7\u00e3o de conhecimentos<\/strong>: Como posso usar este processo novamente? O quanto isto \u00e9 significativo para minha vida?<\/p>\n\n\n\n<p>Claro que tudo isto n\u00e3o ocorre espontaneamente, e a\u00ed entra o papel do professor, encorajando os estudantes a fazerem conex\u00f5es com eventos externos ao mundo da simula\u00e7\u00e3o, descobrindo a liga\u00e7\u00e3o entre a situa\u00e7\u00e3o vivida e os conte\u00fados curriculares. Existem muitas t\u00e1ticas efetivas que o professor pode utilizar e que podem ser enormemente motivadoras, estimulando processos de transfer\u00eancia:<\/p>\n\n\n\n<p>Encorajar os alunos a dramatizar pap\u00e9is que tenham diferentes perspectivas, para ver a situa\u00e7\u00e3o por outros pontos de vista. Elaborar vocabul\u00e1rios (incluindo palavras como objetivos, analogias, prioridades, consequ\u00eancias etc.) que os alunos possam usar em outras ocasi\u00f5es. Solicitar historietas pessoais que possam servir como analogias \u00fateis e ajudem os alunos a tomar decis\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante n\u00e3o cair nas \u201carmadilhas\u201d que a rotina do ensinar tantas vezes imp\u00f5e. Dar todo o tempo para as respostas (o sil\u00eancio \u00e9 um grande aliado), pois respostas pensadas, n\u00e3o apressadas, s\u00e3o as metas do pensamento cr\u00edtico. Encorajar os alunos a explicar como chegaram a suas conclus\u00f5es, pedindo que eles verbalizem como est\u00e3o pensando sobre um problema enquanto raciocinam. Essas s\u00e3o algumas abordagens poss\u00edveis, mas a principal \u00e9 usar a imagina\u00e7\u00e3o \u2013 sempre visando a fazer do ambiente da sala de aula um est\u00edmulo que promova uma sensa\u00e7\u00e3o de prazer pelo uso do intelecto.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83c\udf10 <a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/coluna\/robinson-crusoe-e-as-tecnologias-educacionais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/vermelho.org.br\/coluna\/robinson-crusoe-e-as-tecnologias-educacionais\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A tomada de decis\u00f5es \u2013 \u201cmotor\u201d b\u00e1sico de quase toda a simula\u00e7\u00e3o \u2013 pode levar os estudantes a fazer uma s\u00e9rie de perguntas, visando a algumas abordagens que a resolu\u00e7\u00e3o de problemas implica. 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