{"id":285,"date":"2023-12-06T12:03:21","date_gmt":"2023-12-06T15:03:21","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/?p=285"},"modified":"2024-02-25T18:37:22","modified_gmt":"2024-02-25T21:37:22","slug":"a-inteligencia-artificial-na-producao-artistica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/a-inteligencia-artificial-na-producao-artistica\/","title":{"rendered":"A intelig\u00eancia artificial na produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>O debate sobre o papel da IA na cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica requer reflex\u00e3o sobre \u00e9tica, direitos autorais e equil\u00edbrio entre inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho criativo humano.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"574\" src=\"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/files\/2023\/12\/image-1024x574.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-286\" srcset=\"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/files\/2023\/12\/image-1024x574.png 1024w, https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/files\/2023\/12\/image-300x168.png 300w, https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/files\/2023\/12\/image-768x430.png 768w, https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/files\/2023\/12\/image.png 1456w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Com as \u201chabilidades\u201d de gera\u00e7\u00e3o de imagens por intelig\u00eancia artificial cada vez mais desenvolvidas, t\u00eam surgido alguns questionamentos e preocupa\u00e7\u00f5es especialmente por parte de profissionais da ilustra\u00e7\u00e3o e do mercado editorial.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta discuss\u00e3o \u00e9 fundamental n\u00e3o s\u00f3 para ilustradores, mas tamb\u00e9m para todos os demais profissionais de editora\u00e7\u00e3o, jornalismo e para a arte e cultura em geral, inclusive com suas implica\u00e7\u00f5es na educa\u00e7\u00e3o, na ci\u00eancia, na economia.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Uma pol\u00eamica se refere a que as empresas dessas plataformas de intelig\u00eancia artificial para gerar ilustra\u00e7\u00f5es estariam violando os direitos autorais dos artistas originais, pois usam suas obras sem consentimento nem remunera\u00e7\u00e3o para treinar os algoritmos. Mas a mera semelhan\u00e7a de v\u00e1rios detalhes ou estilos ser considerada pl\u00e1gio n\u00e3o pode ser feita de modo f\u00e1cil, sem levar em conta v\u00e1rios elementos essenciais. Quais os ilustradores que ao fazer uma HQ, por exemplo, n\u00e3o pegam coisas do Crumb, do Herg\u00e9, do Disney, quantas refer\u00eancias n\u00e3o foram \u201cplagiadas\u201d de Picasso, Kandinsky, Van Gogh?<\/p>\n\n\n\n<p>Outro aspecto discutido \u00e9 que as ilustra\u00e7\u00f5es geradas por intelig\u00eancia artificial podem prejudicar o mercado de trabalho e a valoriza\u00e7\u00e3o dos artistas profissionais, pois podem ser vendidas por pre\u00e7os mais baixos ou at\u00e9 mesmo disponibilizadas gratuitamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Se professores come\u00e7arem a ilustrar coisas para suas apresenta\u00e7\u00f5es em sala de aula usando IA \u00e9 uma possibilidade interessante, pois eles jamais contratariam ilustradores. Igualmente quanto aos alunos em seus trabalhos escolares, aumentando em muito as possibilidades das novas \u201cdecalcomanias\u201d. Tamb\u00e9m blogueiros, ativistas e outros que escrevem nas redes, em geral sem verbas para remunerar ilustradores profissionais.<\/p>\n\n\n\n<p>O que precisamos \u00e9 discutir e propor medidas s\u00e9rias e efetivas que protejam a economia criativa, na qual se inserem os ilustradores e da qual vivem. Um livro ilustrado artificialmente perde muito de seu charme e obviamente bastante de seu valor de mercado, inclusive. Dificilmente ilustra\u00e7\u00f5es produzidas automaticamente ir\u00e3o substituir as concep\u00e7\u00f5es art\u00edsticas em obras do mercado editorial, do mesmo modo que a gera\u00e7\u00e3o de textos autom\u00e1ticos, cada dia mais sofisticada, n\u00e3o substituir\u00e1 poetas, contistas e romancistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Poder\u00e1 ser importante, por exemplo, legislar que ilustra\u00e7\u00f5es em livros e revistas, em audiovisuais, em canais monetizados, devam ter uma sinaliza\u00e7\u00e3o que permita identificar sua artificialidade. Que concursos liter\u00e1rios e mostras patrocinadas com verbas p\u00fablicas tenham clareza das normas de utiliza\u00e7\u00e3o desse tipo de \u201cpr\u00f3tese criativa\u201d, com transpar\u00eancia \u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 dific\u00edlimo julgar boa parte das situa\u00e7\u00f5es. Afinal, qual o ilustrador hoje que n\u00e3o usa in\u00fameros softwares, filtros, recursos tecnol\u00f3gicos de edi\u00e7\u00e3o? Os softwares mais usados pela maioria dos profissionais j\u00e1 est\u00e3o a vir com recursos de IA embutidos.<\/p>\n\n\n\n<p>A alega\u00e7\u00e3o de que o automatismo dessa tecnologia n\u00e3o \u00e9 arte pode ser bastante question\u00e1vel. Vejamos o caso da fotografia e do pr\u00f3prio cinema, que j\u00e1 foram questionados em seu surgimento como sendo apenas meios de reprodu\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica da realidade, sem a interven\u00e7\u00e3o criativa do artista, e que por isso n\u00e3o podiam ser comparados \u00e0s artes tradicionais, como a pintura, a escultura e a literatura.<\/p>\n\n\n\n<p>A este prop\u00f3sito, o editor Fl\u00e1vio Nigro satiriza: \u201cOs fot\u00f3grafos, que se autodenominam \u2018artistas\u2019 apenas definiram um tema, carregaram a m\u00e1quina com o filme, se dirigiram at\u00e9 um determinado local, ajustaram abertura, velocidade, foco e enquadramento, e depois simplesmente apertaram o bot\u00e3o da m\u00e1quina fotogr\u00e1fica num momento preciso. Repetiram o processo centenas de vezes e selecionaram uma das imagens que a m\u00e1quina produziu em um processo mec\u00e2nico-\u00f3ptico e qu\u00edmico.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como ter uma c\u00e2mera fotogr\u00e1fica de \u00faltima gera\u00e7\u00e3o n\u00e3o faz algu\u00e9m ser automaticamente um fot\u00f3grafo, o acesso aos modelos de IA generativa n\u00e3o concede criatividade de forma instant\u00e2nea.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante destacar que a palavra \u201carte\u201d tem sua origem no grego techn\u00e9, que tamb\u00e9m denominamos como t\u00e9cnica. Qualquer realiza\u00e7\u00e3o humana envolve necessariamente a utiliza\u00e7\u00e3o de algum dispositivo artificial como colaborador. A criatividade humana, portanto, \u00e9 um processo misto, resultante da sinergia entre a capacidade simb\u00f3lica humana e o emprego de artefatos que concretizam ideias e atitudes. O humano sem artefatos inexiste!<\/p>\n\n\n\n<p>O que recomendamos a todas as pessoas envolvidas com a produ\u00e7\u00e3o profissional de ilustra\u00e7\u00f5es, anima\u00e7\u00f5es etc. \u00e9 que estudem, usem, vejam como funcionam todas as principais ferramentas, para estudar bem como elas funcionam, sen\u00e3o esses profissionais estar\u00e3o em grande desvantagem em rela\u00e7\u00e3o aos que dominam o \u201cmercado\u201d, aos que definem os rumos da economia e se beneficiam da valoriza\u00e7\u00e3o das cria\u00e7\u00f5es culturais.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83c\udf10 <a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/coluna\/a-inteligencia-artificial-na-producao-artistica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/vermelho.org.br\/coluna\/a-inteligencia-artificial-na-producao-artistica\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O debate sobre o papel da IA na cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica requer reflex\u00e3o sobre \u00e9tica, direitos autorais e equil\u00edbrio entre inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho criativo humano. 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