{"id":277,"date":"2023-11-07T15:02:06","date_gmt":"2023-11-07T18:02:06","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/?p=277"},"modified":"2024-02-25T19:45:44","modified_gmt":"2024-02-25T22:45:44","slug":"redes-digitais-e-comunidades-de-pratica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/redes-digitais-e-comunidades-de-pratica\/","title":{"rendered":"Redes digitais e comunidades de pr\u00e1tica"},"content":{"rendered":"<p><strong>As redes sociais, parte intr\u00ednseca da cultura, transformam as intera\u00e7\u00f5es humanas, influenciando a educa\u00e7\u00e3o, a pol\u00edtica e as rela\u00e7\u00f5es sociais.<\/strong><\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"574\" src=\"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/files\/2023\/11\/image-1024x574.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-278\" srcset=\"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/files\/2023\/11\/image-1024x574.png 1024w, https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/files\/2023\/11\/image-300x168.png 300w, https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/files\/2023\/11\/image-768x430.png 768w, https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/files\/2023\/11\/image.png 1456w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>As redes sociais existem h\u00e1 milhares de anos, fazendo parte da pr\u00f3pria civiliza\u00e7\u00e3o e da cultura da humanidade de modo t\u00e3o intr\u00ednseco que mal temos consci\u00eancia de sua exist\u00eancia. Al\u00e9m das rela\u00e7\u00f5es presenciais, h\u00e1 muito que a dist\u00e2ncia tem sido superada por mecanismos de comunica\u00e7\u00e3o como a escrita, os correios, a imprensa, o r\u00e1dio, o tel\u00e9grafo, a televis\u00e3o etc. Hoje com isso tudo na internet.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, as redes hoje est\u00e3o em evid\u00eancia e o senso comum designa cada vez mais por este termo as redes digitais que se desenvolvem atrav\u00e9s das tecnologias de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o na internet (Instagram, Facebook, YouTube, TikTok, ex-Twitter, Wikip\u00e9dia, WhatsApp e muitas mais), al\u00e9m de outros ambientes de intera\u00e7\u00e3o na web.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Sua interconex\u00e3o com a mobilidade (celulares e outros dispositivos) torna-as ainda mais em poderosos instrumentos para que a humanidade fa\u00e7a o que sempre fez desde o in\u00edcio de nossa esp\u00e9cie: tecer relacionamentos, f\u00edsicos ou virtuais, envolvendo finalidades profissionais, sexuais, amizades, casamentos, neg\u00f3cios\u2026 A forma com que as redes sociais podem ser usadas como ferramenta na viv\u00eancia escolar, sindical, partid\u00e1ria \u2013 e certamente elas t\u00eam esse grande potencial \u2013 \u00e9 um grande desafio, e cabe aos pr\u00f3prios educadores e militantes procurarem essa resposta!<\/p>\n\n\n\n<p>As novas tecnologias de informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o s\u00e3o extens\u00f5es do c\u00e9rebro, permitem concretizar conceitos, juntar dados a informa\u00e7\u00f5es significativas, desenvolver projetos que exijam a aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica de conceitos te\u00f3ricos. Mas \u00e9 necess\u00e1rio levar em conta que o mero uso dessas tecnologias n\u00e3o garante maior dom\u00ednio da linguagem ou do racioc\u00ednio, n\u00e3o assegura a forma\u00e7\u00e3o cultural nem o desenvolvimento de cidad\u00e3os, pois isso somente \u00e9 assegurado quando h\u00e1 uma efetiva apropria\u00e7\u00e3o pelo projeto pol\u00edtico-pedag\u00f3gico, e esse \u00e9 o desafio que torna professores e lideran\u00e7as sociais o elemento central dessa quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para que exista vida numa comunidade virtual, \u00e9 importante pensar-se sempre no que as pessoas est\u00e3o fazendo ali. Pessoas s\u00f3 se juntam em comunidade por interesse, por prazer ou por obriga\u00e7\u00e3o. Uma comunidade escolar come\u00e7a por ser obrigat\u00f3rio frequentar a escola. Uma comunidade profissional inicia-se pelo interesse das pessoas em ganhar seu sustento. Um grupo de amigos fazendo um churrasco num final de semana tem como motor o prazer do conv\u00edvio. Uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica necessita de objetivos definidos e metas de a\u00e7\u00e3o claras.<\/p>\n\n\n\n<p>Num ambiente virtual as coisas n\u00e3o s\u00e3o diferentes. Num primeiro momento, a curiosidade pode levar as pessoas a se cadastrar num grupo, mas em poucos dias o interesse inicial pode virar abandono se n\u00e3o houver objetivos claros em jogo, se n\u00e3o houver uma necessidade real de estar conectado, seja por lazer, por motivos pol\u00edticos ou profissionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como na vida real, pequenos lugarejos crescem economicamente ao fazer trocas com outros, construindo estradas e pontes a lig\u00e1-los, trocando bananas por caf\u00e9 atrav\u00e9s de carro\u00e7as ou trens, promovendo novas amizades, casamentos, construindo rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas e culturais, num caminho que acabou levando \u00e0 constru\u00e7\u00e3o das na\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m na vida virtual a coisa se processa de modo semelhante, pois o fator principal \u00e9 o mesmo: a humanidade e suas trocas.<\/p>\n\n\n\n<p>Como numa comunidade f\u00edsica, criar e manter uma comunidade virtual d\u00e1 algum trabalho, de constru\u00e7\u00e3o, de administra\u00e7\u00e3o. No in\u00edcio \u00e9 dif\u00edcil, pois trata-se de um novo paradigma, \u00e9 necess\u00e1rio levar as pessoas pela m\u00e3o, explicar o que \u00e9 cada ambiente, como funciona cada ferramenta. Quase como se tiv\u00e9ssemos que ensinar um \u201cmarciano\u201d a chamar um Uber, coisa desconhecida para nosso improv\u00e1vel alien\u00edgena.<\/p>\n\n\n\n<p>Numa comunidade de pr\u00e1tica \u00e9 crucial construir seus \u201cedif\u00edcios\u201d (bancos, escolas, bibliotecas, hospitais), depois reche\u00e1-los de conte\u00fados e ter quadros, profissionais ou volunt\u00e1rios, engajados na sua manuten\u00e7\u00e3o \u2013 pois al\u00e9m de produtos (dinheiro no banco, livros nas bibliotecas, rem\u00e9dios nas farm\u00e1cias) h\u00e1 tamb\u00e9m os servi\u00e7os (professores na escola, m\u00e9dicos nos hospitais, ju\u00edzes nos tribunais). Tudo isso exige lei e ordem, regras claras de comportamento, bem como um m\u00ednimo de democracia para que o autoritarismo n\u00e3o mate os saborosos frutos que s\u00f3 a liberdade produz. Esse conjunto exige governan\u00e7a, com administra\u00e7\u00e3o e quadros funcionais, sen\u00e3o as car\u00eancias estruturais podem impedir a fluidez das sinapses sociais (lembrando que no virtual circulam os bytes e n\u00e3o as mol\u00e9culas).<\/p>\n\n\n\n<p>Na sociedade da informa\u00e7\u00e3o as pessoas n\u00e3o mais precisam deslocar o corpo para acessar uma informa\u00e7\u00e3o (tenho que pegar um \u00f4nibus e ir \u00e0 biblioteca antes que feche), pois agora fazemos a informa\u00e7\u00e3o vir at\u00e9 n\u00f3s. Por\u00e9m a realidade objetiva \u00e9 cada vez mais uma mescla composta do virtual e do presencial, de bits e de \u00e1tomos, ambos interagindo de forma indissoci\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>A obra&nbsp;<em>Imperialismo, etapa superior do capitalismo<\/em>, de Vladimir L\u00eanin, descreve o imperialismo como uma express\u00e3o do est\u00e1gio avan\u00e7ado do capitalismo, caracterizado pela concentra\u00e7\u00e3o de capital em monop\u00f3lios, pela exporta\u00e7\u00e3o de capital para o exterior em busca de novos mercados e pela explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e pol\u00edtica de regi\u00f5es coloniais e dependentes \u2013 mostrando como os monop\u00f3lios controlam vastas por\u00e7\u00f5es da economia e como as pot\u00eancias imperialistas competem agressivamente por recursos, territ\u00f3rios e influ\u00eancia global. Aborda tamb\u00e9m a interconex\u00e3o entre o imperialismo e as tens\u00f5es geopol\u00edticas, com rivalidades a desencadear conflitos e guerras, pois o imperialismo leva inevitavelmente a confrontos militares e a paz duradoura s\u00f3 pode ser alcan\u00e7ada por meio da luta dos trabalhadores contra seus exploradores capitalistas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 neste contexto, mais atual que nunca, que o dom\u00ednio do mundo cada vez mais \u00e9 feito usando plataformas digitais para desequilibrar mundialmente a luta dos trabalhadores, com os super-ricos a ficar cada vez mais ricos.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83c\udf10 <a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/coluna\/redes-digitais-e-comunidades-de-pratica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/vermelho.org.br\/coluna\/redes-digitais-e-comunidades-de-pratica\/<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As redes sociais, parte intr\u00ednseca da cultura, transformam as intera\u00e7\u00f5es humanas, influenciando a educa\u00e7\u00e3o, a pol\u00edtica e as rela\u00e7\u00f5es sociais. 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