{"id":208,"date":"2023-06-14T15:43:14","date_gmt":"2023-06-14T18:43:14","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/?p=208"},"modified":"2024-10-28T12:34:00","modified_gmt":"2024-10-28T15:34:00","slug":"o-valor-do-erro-na-aprendizagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/o-valor-do-erro-na-aprendizagem\/","title":{"rendered":"O valor do erro na aprendizagem"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Em um mundo em constante transforma\u00e7\u00e3o, explorar o erro como uma oportunidade de aprendizado \u00e9 essencial para o desenvolvimento do pensamento cr\u00edtico e da autonomia na educa\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"574\" src=\"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/files\/2023\/06\/image-1024x574.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-211\" srcset=\"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/files\/2023\/06\/image-1024x574.png 1024w, https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/files\/2023\/06\/image-300x168.png 300w, https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/files\/2023\/06\/image-768x430.png 768w, https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/files\/2023\/06\/image.png 1456w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Em nossa sociedade, de cultura judaico-crist\u00e3, o erro \u00e9 frequentemente sin\u00f4nimo de \u201cpecado\u201d. E o taylorismo-fordismo da sociedade industrial v\u00ea nos erros da linha de montagem um \u00f3bice \u00e0 efic\u00e1cia da produ\u00e7\u00e3o. J\u00e1 a frase \u201cerrare humanum est\u201d \u00e9 atribu\u00edda a S\u00eaneca (posteriormente complementada por Santo Agostinho, ao dizer que \u201cerrar \u00e9 humano, mas persistir no erro \u00e9 diab\u00f3lico\u201d).<\/p>\n\n\n\n<p>Mas nossa abordagem aqui \u00e9 sobre o valor do erro nos processos de aprendizagem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Com o advento da inform\u00e1tica, a estocagem de informa\u00e7\u00f5es em mem\u00f3rias quase infinitas, o processamento de dados em fra\u00e7\u00f5es de minuto e a impossibilidade, no decurso de uma vida, de acesso \u00e0 cultura universal s\u00e3o reveladores da impropriedade dos m\u00e9todos escolares vigentes. O papel dos educadores deve ser repensado e novas estrat\u00e9gias na forma\u00e7\u00e3o dos aprendentes devem ser previstas, criando ambientes para a forma\u00e7\u00e3o de sujeitos cr\u00edticos, dotados de autonomia de aprendizagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Num mundo onde a informa\u00e7\u00e3o e o conhecimento s\u00e3o, cada vez mais, a principal fonte de transforma\u00e7\u00f5es da sociedade, torna-se obrigat\u00f3rio usar as novas tecnologias tamb\u00e9m na educa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o basta, como no modelo vigente at\u00e9 hoje na educa\u00e7\u00e3o, que os alunos simplesmente se lembrem das informa\u00e7\u00f5es: eles precisam ter a habilidade e o desejo de utiliz\u00e1-las, precisam saber relacion\u00e1-las, sintetiz\u00e1-las, analis\u00e1-las e avali\u00e1-las. Juntos, estes elementos constituem o que se pode chamar de pensamento cr\u00edtico. Este aparece em cada sala de aula quando os alunos se esfor\u00e7am para ir al\u00e9m de respostas simples, quando desafiam ideias e conclus\u00f5es, quando procuram unir eventos n\u00e3o relacionados dentro de um entendimento coerente do mundo. Mas sua aplica\u00e7\u00e3o mais importante est\u00e1 fora da sala de aula \u2013 e \u00e9 para l\u00e1 que a escola deve voltar seu esfor\u00e7o. A habilidade de pensar criticamente pouco valor tem se n\u00e3o for exercitada no dia-a-dia das situa\u00e7\u00f5es da vida real. \u00c9 a\u00ed que trabalhar de formas inovadoras o \u201cerro\u201d tem seu papel, fornecendo o cen\u00e1rio para interessantes aventuras cognitivas do intelecto.<\/p>\n\n\n\n<p>Vejamos, a simples e quase caricata quest\u00e3o de \u201cquanto \u00e9 dois mais dois?\u201d implica em uma \u00fanica resposta: 4. No entanto, embora implaus\u00edveis neste simples exemplo, as respostas erradas poderiam ser quase infinitas: 3, 22, n\u00e3o sei, 3427\u2026 Dependendo do tipo de resposta errada que um aluno d\u00ea, o professor precisa tentar entender seus mecanismos de racioc\u00ednio, suas fontes de refer\u00eancia, levar o aluno a verbalizar sobre seus processos cognitivos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas subamos uns degraus argumentativos neste exemplo da simpl\u00f3ria pergunta \u201cquem descobriu o Brasil?\u201d. Se um aluno responder Cabral ganhar\u00e1 um \u201ccerto\u201d do professor, e toda a infinitude de outras respostas poss\u00edveis ser\u00e1 considerada errada. E se o aluno disser Colombo? N\u00e3o mereceria um \u201cmeio-certo\u201d? Afinal, Crist\u00f3v\u00e3o era um europeu, barbudo, a bordo de caravela, financiado por reis europeus, navegando para os lados de c\u00e1. N\u00e3o seria uma implausibilidade hist\u00f3rica se algum historiador viesse a mostrar que ele teria passado por aqui antes do lusitano Pedro \u00c1lvares. E se o aluno responder Friedrich Engels? Parece um absurdo completo, por\u00e9m o fato de um aluno mencionar o parceiro pol\u00edtico e filos\u00f3fico de Marx, at\u00e9 pronunciando corretamente seu nome alem\u00e3o, merece uma aten\u00e7\u00e3o especial do professor. J\u00e1 se a resposta do aluno for \u201cfoi minha tia\u201d, ou ele est\u00e1 num estado alucinat\u00f3rio ou estar\u00e1 a tirar uma com sua cara!<\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 o papel de um professor, perceber o que se passa no c\u00e9rebro de seus alunos, ensin\u00e1-los a refletir sobre seus erros, sem descartar hip\u00f3teses anal\u00edticas.<\/p>\n\n\n\n<p>O errar criativo, ao contr\u00e1rio do erro pecaminoso ou improdutivo, pode ser expressado em uma frase como \u201cO poeta errava pelos campos, procurando em cada flor o perfume da mulher amada\u201d. Este errar do poeta, um pesquisador olfativo e existencial engajado na cogni\u00e7\u00e3o amorosa, \u00e9 uma busca, \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o de conhecimento e de saberes.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos empreendimentos profissionais, assim como na atividade pol\u00edtica, erra-se muito tamb\u00e9m, seja em projetos e neg\u00f3cios, seja em atua\u00e7\u00e3o eleitoral, partid\u00e1ria, sindical, em movimentos associativos. Em geral, as pessoas procuram varrer logo que poss\u00edvel para baixo do tapete os erros, centrando-se nos acertos. Isso faz sentido, obviamente, por\u00e9m \u00e9 fundamental extrair-se o m\u00e1ximo poss\u00edvel dos erros cometidos, usando m\u00e9todo cient\u00edfico na an\u00e1lise dos dados concretos e na elabora\u00e7\u00e3o de hip\u00f3teses.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como canta aquela m\u00fasica do Toquinho: \u201cA vida ir\u00e1, voc\u00ea vai ver \/ Aos poucos te ensinando \/ Que o certo voc\u00ea vai saber \/ Errando, errando, errando\u201d!<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83c\udf10 <a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/coluna\/o-valor-do-erro-na-aprendizagem\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/vermelho.org.br\/coluna\/o-valor-do-erro-na-aprendizagem<\/a><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/files\/2023\/06\/O-valor-do-erro-na-aprendizagem.mp3\"><\/audio><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>Podcast gerado artificialmente com a plataforma <em>NotebookLM<\/em>, com di\u00e1logos inventados sobre o texto.<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em um mundo em constante transforma\u00e7\u00e3o, explorar o erro como uma oportunidade de aprendizado \u00e9 essencial para o desenvolvimento do pensamento cr\u00edtico e da autonomia na educa\u00e7\u00e3o. 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