{"id":196,"date":"2023-05-31T11:19:00","date_gmt":"2023-05-31T14:19:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/?p=196"},"modified":"2024-02-25T20:03:18","modified_gmt":"2024-02-25T23:03:18","slug":"da-mais-valia-a-mais-sabia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/da-mais-valia-a-mais-sabia\/","title":{"rendered":"Da mais-valia \u00e0 &#8220;mais-sabia&#8221;"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>A mais-valia \u00e9 considerada um dos principais mecanismos de acumula\u00e7\u00e3o de capital e desigualdade social no sistema capitalista.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"576\" src=\"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/files\/2023\/05\/ilustra-1-1024x576.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-206\" srcset=\"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/files\/2023\/05\/ilustra-1-1024x576.png 1024w, https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/files\/2023\/05\/ilustra-1-300x169.png 300w, https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/files\/2023\/05\/ilustra-1-768x432.png 768w, https:\/\/blogs.utopia.org.br\/vermelho\/files\/2023\/05\/ilustra-1.png 1232w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A mais-valia \u00e9 um conceito fundamental na teoria econ\u00f4mica de Karl Marx. Refere-se \u00e0 diferen\u00e7a entre o valor produzido por um trabalhador e a remunera\u00e7\u00e3o que ele recebe em troca desse trabalho. \u00c9 a forma pela qual os empregadores se apropriam do valor excedente gerado pelos trabalhadores, aumentando assim seus pr\u00f3prios lucros. A mais-valia \u00e9 considerada um dos principais mecanismos de acumula\u00e7\u00e3o de capital e desigualdade social no sistema capitalista.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Mas o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico trouxe novos aspectos para essa equa\u00e7\u00e3o: a robotiza\u00e7\u00e3o e o desemprego estrutural. E, mais recentemente, a intelig\u00eancia artificial.<\/p>\n\n\n\n<p>A robotiza\u00e7\u00e3o \u00e9 empregada na realiza\u00e7\u00e3o de tarefas cada vez mais complexas, que exigem algum grau de repeti\u00e7\u00e3o e precis\u00e3o. Conforme dados divulgados pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), aproximadamente 85 mil rob\u00f4s s\u00e3o introduzidos anualmente na ind\u00fastria em todo o mundo. No entanto, o \u00edndice de robotiza\u00e7\u00e3o nas f\u00e1bricas brasileiras ainda \u00e9 muito baixo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia internacional.<\/p>\n\n\n\n<p>O desemprego estrutural ocorre devido \u00e0 moderniza\u00e7\u00e3o das atividades econ\u00f4micas por meio da utiliza\u00e7\u00e3o de tecnologia. Isso resulta na substitui\u00e7\u00e3o de trabalhadores por m\u00e1quinas e equipamentos. Ao contr\u00e1rio do desemprego conjuntural, que \u00e9 tempor\u00e1rio e relacionado a circunst\u00e2ncias espec\u00edficas, o desemprego estrutural representa uma mudan\u00e7a duradoura nas atividades produtivas.<\/p>\n\n\n\n<p>A palavra &#8220;rob\u00f4&#8221; (robot) tem origem na l\u00edngua tcheca, derivada do termo \u201crobota\u201d, que significa trabalho for\u00e7ado ou servid\u00e3o. O termo foi introduzido na literatura pelo escritor checo Karel \u010capek em sua pe\u00e7a teatral de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica &#8220;R.U.R. (Rob\u00f4s Universais de Rossum)&#8221;, publicada em 1920. Nessa pe\u00e7a, os rob\u00f4s s\u00e3o seres artificiais criados para realizar trabalho humano.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde ent\u00e3o, a palavra &#8220;rob\u00f4&#8221; tornou-se amplamente utilizada em diferentes idiomas para se referir a aut\u00f4matos, m\u00e1quinas ou sistemas controlados por computador capazes de executar tarefas de forma aut\u00f4noma ou semi-aut\u00f4noma. O termo ganhou popularidade e passou a ser associado a diferentes formas de tecnologia e automa\u00e7\u00e3o presentes na sociedade atual.<\/p>\n\n\n\n<p>Podemos caracterizar a apropria\u00e7\u00e3o dos gestos e do saber-fazer dos oper\u00e1rios por parte de rob\u00f4s como uma forma de &#8220;mais-valia virtual e perp\u00e9tua&#8221;. Com o avan\u00e7o da automa\u00e7\u00e3o, os rob\u00f4s est\u00e3o sendo programados para cada vez mais executar tarefas anteriormente realizadas por trabalhadores humanos. Essa transfer\u00eancia de habilidades e conhecimentos para as m\u00e1quinas permite que os empregadores continuem a se beneficiar da produ\u00e7\u00e3o e do valor gerado, enquanto reduzem a necessidade de m\u00e3o de obra humana.<\/p>\n\n\n\n<p>A &#8220;mais-valia virtual&#8221; refere-se ao fato de que os rob\u00f4s, uma vez programados com as habilidades e conhecimentos dos trabalhadores, podem gerar valor de forma cont\u00ednua e sem a necessidade de sal\u00e1rios ou benef\u00edcios. Eles operam indefinidamente, sem a limita\u00e7\u00e3o das horas de trabalho humano. A &#8220;mais-valia perp\u00e9tua&#8221; est\u00e1 relacionada \u00e0 capacidade dos rob\u00f4s, e outros sistemas de automa\u00e7\u00e3o, de manter e reproduzir os conhecimentos e habilidades capturados dos trabalhadores humanos, garantindo a perpetua\u00e7\u00e3o da mais-valia ao longo do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a intelig\u00eancia artificial, um novo fen\u00f4meno parece estar a ocorrer: a apropria\u00e7\u00e3o dos processos intelectuais agora n\u00e3o mais exclusivamente de trabalhadores manuais mas tamb\u00e9m de profissionais de outras \u00e1reas. Poder\u00edamos chamar de \u201cmais-sabia\u201d a apropria\u00e7\u00e3o de saberes, e de seus mecanismos de racioc\u00ednio, dos trabalhadores, intelectuais e manuais, transformando-os em algoritmos aplicados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas novas formas de apropria\u00e7\u00e3o do saber-fazer dos trabalhadores por parte de sistemas automatizados (rob\u00f4s, intelig\u00eancia artificial, BigData, Internet das Coisas) levantam quest\u00f5es sobre desigualdade, emprego e distribui\u00e7\u00e3o de riqueza na sociedade, uma vez que os trabalhadores humanos podem perder suas fontes de renda e os benef\u00edcios da produ\u00e7\u00e3o que antes eram obtidos atrav\u00e9s do trabalho, com suas formas cl\u00e1ssicas de explora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Este \u00e9 o desafio que os sindicatos, em especial, e a sociedade como um todo, t\u00eam que tentar equacionar. Quando surgiu a m\u00e1quina a vapor na Fran\u00e7a, no s\u00e9culo 18, muitos trabalhadores combateram seus efeitos sobre a quest\u00e3o do emprego nas ind\u00fastrias recorrendo \u00e0 sabotagem (a palavra vem do franc\u00eas \u201csabot\u201d, que \u00e9 tamanco, cal\u00e7ado habitual na \u00e9poca no operariado fabril). Mas hoje a discuss\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores precisa ser bem mais inteligente e o preparo de suas lideran\u00e7as mais forte ainda, pois a complexidade dos processos exige novos avan\u00e7os nessa luta.<\/p>\n\n\n\n<p>\ud83c\udf10 <a href=\"https:\/\/vermelho.org.br\/coluna\/da-mais-valia-a-mais-sabia\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">https:\/\/vermelho.org.br\/coluna\/da-mais-valia-a-mais-sabia<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A mais-valia \u00e9 considerada um dos principais mecanismos de acumula\u00e7\u00e3o de capital e desigualdade social no sistema capitalista. 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