{"id":5605,"date":"2013-09-13T11:59:24","date_gmt":"2013-09-13T14:59:24","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/?p=5605"},"modified":"2013-09-19T20:44:13","modified_gmt":"2013-09-19T23:44:13","slug":"5605","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/2013\/09\/13\/5605\/","title":{"rendered":"A RUPTURA NECESS\u00c1RIA"},"content":{"rendered":"<p>(Pref\u00e1cio do livro &#8220;Ruptura &#8211; Anomia na civiliza\u00e7\u00e3o do trabalho&#8221; de Antonio Rezk).<\/p>\n<p style=\"text-align: right\"><strong><em>Levi Bucalem Ferrari<\/em><\/strong><\/p>\n<blockquote><p><em>Mas o que importa n\u00e3o \u00e9 que os alvos ideais sejam ou n\u00e3o ating\u00edveis concretamente na sua sonhada integridade. O essencial \u00e9 que nos disponhamos a agir como se pud\u00e9ssemos alcan\u00e7\u00e1-los, porque isso pode impedir ou ao menos atenuar o afloramento do que h\u00e1 de pior em n\u00f3s e em nossa sociedade.<\/em><\/p>\n<p><em>Antonio Candido.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p><em> <\/em>O livro que o leitor tem em m\u00e3os constitui instrumento indispens\u00e1vel \u00e0 compreens\u00e3o das grandes quest\u00f5es de nossa era e, conseq\u00fcentemente, dos in\u00fameros problemas que afetam nosso cotidiano. Seu autor, Ant\u00f4nio Rezk, tem como primeiro compromisso a busca da verdade, \u00fanica forma, segundo ele, de supera\u00e7\u00e3o de uma sociedade mundial extremamente injusta e sem perspectivas. Por isso, a assistir \u00e0 sua pr\u00f3pria crise uma vez que \u00e9 dela gestora e v\u00edtima. A finalidade \u00faltima da contribui\u00e7\u00e3o de Rezk \u00e9 o alcance de patamar civilizat\u00f3rio mais elevado; algo que se possa chamar de civiliza\u00e7\u00e3o verdadeiramente. Sem meias palavras, sem adjetivos limitadores, subterf\u00fagios, hipocrisias, panac\u00e9ias, falsos rem\u00e9dios. A crise, ou anomia, \u00e9 doen\u00e7a social generalizada. Envolve desde o conjunto das rela\u00e7\u00f5es sociais at\u00e9 o que pensamos sobre elas: nossas atitudes, valores e cren\u00e7as. E como as reproduzimos e justificamos, atrav\u00e9s de ideologias. O primeiro passo \u00e9, pois, desmistific\u00e1-las. Neste intento, Rezk vai fundo em suas pesquisas e no desenvolvimento de seu racioc\u00ednio. Enfrenta desafios de todos os tipos, incluindo-se tabus arraigados nas vis\u00f5es de mundo predominantes, tanto a cl\u00e1ssica ou liberal quanto a representada pela alternativa marxista, pelo menos em suas vertentes mais difundidas.<br \/>\nSegundo Rezk, a supera\u00e7\u00e3o definitiva da anomia n\u00e3o est\u00e1 sen\u00e3o na ruptura da maior das ideologias que o mundo conheceu desde seus prim\u00f3rdios: a da valoriza\u00e7\u00e3o do trabalho para outrem, seja ele o soberano ou a empresa; o dono da terra ou o mercado.<br \/>\nPor sua import\u00e2ncia, o livro se inscreve entre as grandes obras destinadas a permanecer como marcos na hist\u00f3ria do pensamento. Quer concordemos ou n\u00e3o com as premissas e conclus\u00f5es de seu autor, n\u00e3o h\u00e1 negar-lhe a coragem no enfrentamento de convic\u00e7\u00f5es arraigadas, bem como a originalidade das an\u00e1lises e propostas; n\u00e3o h\u00e1 negar a qualidade de livro que veio para ficar e cuja leitura atenta ampliar\u00e1 nossa compreens\u00e3o do mundo.<br \/>\nPor tudo isso, \u00e9 livro pol\u00eamico, n\u00e3o pretende repisar o que j\u00e1 sabemos. Mesmo as pessoas mais informadas encontrar\u00e3o aqui conceitos e teses novas e inovadoras, cujo alcance nos obriga a contextualiz\u00e1-las na hist\u00f3ria recente dos fatos e do pensamento.<br \/>\nAo contr\u00e1rio de seus antecessores, o s\u00e9culo XX n\u00e3o nos presenteou com qualquer teoria explicativa abrangente das rela\u00e7\u00f5es sociais e de suas possibilidades de transforma\u00e7\u00e3o. N\u00e3o que o pensamento humano tivesse se estagnado, longe disso, mas o debate entre a teoria cl\u00e1ssica, representada pelos liberais, e a cr\u00edtica marxista monopolizaram a cena. Pela for\u00e7a interpretativa de cada uma, principalmente da \u00faltima, o embate entre ambas sufocou qualquer tentativa de v\u00f4o aut\u00f4nomo da imagina\u00e7\u00e3o antropol\u00f3gica.<br \/>\nVisto de longe, como normalmente vemos a hist\u00f3ria mais remota, foi um s\u00e9culo r\u00e1pido. Em sua primeira metade, muitos eventos de ordem mundial se sucederam uns sobre os outros: as duas grandes guerras; as revolu\u00e7\u00f5es russa e chinesa; o advento do fascismo e do nazismo.<br \/>\nAo mesmo tempo ocorre a incorpora\u00e7\u00e3o de outras regi\u00f5es do planeta \u00e0 economia capitalista comandada pela Europa, e, logo depois, a ascens\u00e3o dos Estados Unidos como pot\u00eancia econ\u00f4mica e militar a exigir a transfer\u00eancia do centro hegem\u00f4nico do capitalismo e do poder mundiais.<br \/>\nNo campo da produ\u00e7\u00e3o, assiste-se ao surgimento da grande empresa industrial estruturada a partir da linha de montagem e o conseq\u00fcente aumento da automa\u00e7\u00e3o do trabalho humano. Este fica destitu\u00eddo de vez de qualquer veleidade criativa. A assinatura do artes\u00e3o, seu estilo e a dignidade a ele associada perde sentido na nova economia.<br \/>\nNo campo pol\u00edtico, surgem os sindicatos e os partidos socialistas, ao mesmo tempo em que perdem peso as \u00faltimas tradi\u00e7\u00f5es que sustentavam o poder pol\u00edtico feudal e pr\u00e9-capitalista. Remanescem, em alguns casos, apenas sua pompa e rituais, quando estes n\u00e3o atrapalham a expans\u00e3o do capital.<br \/>\nNa esfera do pensamento, enquanto os liberais comemoram a vit\u00f3ria de suas teses, os marxistas interpretam o imperialismo como nova etapa do capitalismo. Quanto ao nazi-fascismo \u2013 que a todos surpreendeu &#8211; os liberais o acusam de retrocesso \u00e0 economia pr\u00e9-mercado. E, sob a denomina\u00e7\u00e3o gen\u00e9rica de estado nacional-popular, enfiam no mesmo saco este tipo de autoritarismo com aquele resultante das experi\u00eancias sovi\u00e9tica e chinesa, autodenominados ditadura do proletariado. Por esta raz\u00e3o, para os liberais, os Estados Unidos, passam a ser o exemplo mais acabado da economia de mercado, porque livres de quaisquer peias pr\u00e9-capitalistas.<br \/>\nDesde h\u00e1 muito, e principalmente nos dias de hoje, vemos os resultados da ins\u00e2nia de se entregar tudo ao mercado: a ocorr\u00eancia de crises financeiras de tal monta que obrigam os Estados Nacionais a injetarem recursos p\u00fablicos nestes mesmos mercados, agonizantes em fun\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria gan\u00e2ncia e da falta de regras que o disciplinem.<br \/>\nOs marxistas da primeira metade do s\u00e9culo XX concordariam com a import\u00e2ncia do fim de qualquer entrave de car\u00e1ter tradicional ao desenvolvimento do capitalismo. O avan\u00e7o do capital significa tamb\u00e9m a cria\u00e7\u00e3o das for\u00e7as que ir\u00e3o derrub\u00e1-lo, ou seja, o proletariado, sua consci\u00eancia de classe e organiza\u00e7\u00e3o em sindicatos e partidos revolucion\u00e1rios. O capitalismo \u00e9 condi\u00e7\u00e3o do socialismo.<br \/>\nDesta forma, uns e outros acabam por fazer o elogio ao trabalho, ponto de partida da acumula\u00e7\u00e3o do capital e expans\u00e3o do capitalismo. Registro isso como uma das principais assertivas de Rezk na sua contraposi\u00e7\u00e3o a essa ideologia.<br \/>\nA hist\u00f3ria do s\u00e9culo XX continua. Sofreu altera\u00e7\u00f5es ap\u00f3s a segunda guerra com o fortalecimento dos movimentos oper\u00e1rios na Europa e o surgimento do estado do bem-estar social; a guerra fria entre as novas pot\u00eancias, EUA e URSS; e o espalhar-se de partidos comunistas por todo o mundo. Nos pa\u00edses menos desenvolvidos esses partidos passam a identificar-se com o desenvolvimentismo em moldes capitalistas. Ainda que tamb\u00e9m se propusessem ao implemento dos direitos sociais numa aproxima\u00e7\u00e3o com o que ocorria na Europa.<br \/>\nO termo desenvolvimento entra em moda sob as mais variadas conota\u00e7\u00f5es. Muito resumidamente: enquanto os adeptos do capitalismo pregavam o \u201ccrescimento do bolo\u201d para depois se pensar, se fosse o caso, em sua divis\u00e3o, alguns marxistas do p\u00f3s-guerra acreditavam que crescimento e divis\u00e3o poderiam ocorrer simultaneamente. Desenvolveram at\u00e9 teorias sobre uma intera\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria entre os dois processos: a id\u00e9ia de que por a\u00ed o sedutor estado do bem-estar se espalharia pelo mundo.<br \/>\nElogio ao capital e ao trabalho desde que domado o primeiro e protegido o segundo. Com leis adequadas em ambos os casos e um Estado suficientemente forte para assegurar sua aplica\u00e7\u00e3o e o equil\u00edbrio entre aqueles contr\u00e1rios. Ocorre o que Galbraith chamaria de \u201cconsenso\u201d. Este inclui ainda apoio aos projetos desenvolvimentistas no terceiro mundo e toler\u00e2ncia controlada das d\u00edvidas assumidas pelos pa\u00edses que o comp\u00f5e.<br \/>\nAs \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9culo mostrariam os limites dessas ilus\u00f5es. E deixariam claro que tudo o que se conseguiu nas d\u00e9cadas anteriores foi, em grande parte, concess\u00e3o for\u00e7ada do capital e das pot\u00eancias capitalistas. Aqui se incluem as press\u00f5es dos sindicatos fort\u00edssimos do per\u00edodo e as amea\u00e7as trazidas pela guerra fria. As pot\u00eancias socialistas fortalecidas no p\u00f3s-guerra e o avan\u00e7o dos movimentos de liberta\u00e7\u00e3o nacional com conota\u00e7\u00f5es socialistas assustavam os pa\u00edses capitalistas centrais.<br \/>\nEntretanto, o sonho durou pouco; junto com o muro de Berlim ca\u00edram as bases que sustentavam o estado do bem-estar.<br \/>\nOutros fatores contribuiram para isso: o aumento do desemprego; a \u201cglobaliza\u00e7\u00e3o\u201d da economia &#8211; ou mundializa\u00e7\u00e3o do capital, como queiram; e o conseq\u00fcente enfraquecimento dos estados nacionais e dos sindicatos.<br \/>\nRessurgem com toda for\u00e7a as id\u00e9ias liberais tendo como contraponto, n\u00e3o mais os entraves feudais ou mon\u00e1rquicos, mas o estado do bem-estar, a legisla\u00e7\u00e3o trabalhista e as medidas protecionistas adotadas por alguns pa\u00edses do terceiro-mundo. No final dos anos 70, Margareth Thatcher, na Inglaterra e Ronald Reagan, nos Estados Unidos, p\u00f5e uma p\u00e1 de cal nas id\u00e9ias intervencionistas de Keynes e no consenso aludido por Galbraith. Quanto ao \u00faltimo, basta lembrarmos a afirma\u00e7\u00e3o de Thatcher sobre as dificuldades financeiras dos pa\u00edses em desenvolvimento: \u201c&#8230; se n\u00e3o t\u00eam dinheiro para pagar suas d\u00edvidas, entreguem seus territ\u00f3rios\u201d.<br \/>\nDesde ent\u00e3o at\u00e9 o final do s\u00e9culo XX, assistimos ao triunfo da ideologia liberal que se assume como pensamento \u00fanico, sem contesta\u00e7\u00e3o. Um de seus arautos, Francis Fukuyama, chega a falar em fim da hist\u00f3ria. Para ele, n\u00e3o havendo possibilidade de contradi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 a de mudan\u00e7as na estrutura social.<br \/>\nO debate de id\u00e9ias empobrece ainda mais, resvala a indig\u00eancia e procura algum lugar vago sob os viadutos. Ou nas sarjetas.<br \/>\nMesmo entre socialistas, ocorreu enorme perplexidade depois da queda do muro de Berlim, do avan\u00e7o da globaliza\u00e7\u00e3o e da apologia ao neoliberalismo. Muitos perderam o interesse ou at\u00e9 se arrependeram dos \u201carroubos de juventude\u201d. Entre os demais reina um saudosismo paralisante. Ainda que, todavia, chovam teses sobre os efeitos mal\u00e9ficos da globaliza\u00e7\u00e3o.<br \/>\nAcrescente-se que, num per\u00edodo imediatamente anterior, as ditaduras militares, que proliferaram pela Am\u00e9rica Latina, haviam aproximado os marxistas dos liberais de extra\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica. Era-lhes comum a condena\u00e7\u00e3o do Estado autorit\u00e1rio, excessivamente centralizado e burocr\u00e1tico, bem como a defesa do Estado de Direito e da seguran\u00e7a jur\u00eddica, e a exalta\u00e7\u00e3o da sociedade civil \u2013 e, conseq\u00fcentemente do mercado \u2013 como locus mais oxigenado de liberdade. Enfim, teses que se mostrariam bastante adequadas como premissas da prega\u00e7\u00e3o neoliberal que viria a seguir.<br \/>\nComo pano de fundo, mas n\u00e3o menos importante, assiste-se aos primeiros sintomas do desemprego estrutural com conseq\u00fc\u00eancias as mais perversas para os trabalhadores de qualquer extrato.<br \/>\n\u00c9 nesse imbr\u00f3glio de problemas e perplexidades que Antonio Rezk cria o Movimento Humanismo e Democracia e prop\u00f5e estudos e debates sob novas bases conceituais. N\u00e3o por acaso, o primeiro livro do grupo chamar-se-ia \u201cA revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e os novos paradigmas da sociedade\u201d (S\u00e3o Paulo, IPSO, 1994). Para o MHD \u2013 depois MHD-Ruptura, o desemprego que se assistia n\u00e3o era resultante apenas da recess\u00e3o econ\u00f4mica. Veio para ficar, resultado que \u00e9 da aplica\u00e7\u00e3o mais intensiva da tecnologia na produ\u00e7\u00e3o. A retomada do crescimento n\u00e3o significaria o fim do desemprego.<br \/>\nAl\u00e9m de mudan\u00e7as substanciais na qualidade do emprego \u2013 para pior na maioria dos casos &#8211; seu n\u00famero total seria decrescente. A diminui\u00e7\u00e3o da classe trabalhadora enfraqueceria seu poder de barganha, sindicatos \u00e0 frente.<br \/>\nAs pessoas arraigadas a seus valores tradicionais rejeitam tudo o que vai de encontro a eles. Quantas vezes, Rezk e eu, atuando em Congressos de Soci\u00f3logos, fomos acusados de sermos contra os sindicatos, quando apenas constat\u00e1vamos seu iminente enfraquecimento.<br \/>\nNuma sociedade onde emprego \u00e9 condi\u00e7\u00e3o de cidadania, seu contraponto, o desemprego, passa a ser o principal respons\u00e1vel pelo aumento da exclus\u00e3o social. E fonte de problemas intra-familiares, inter-individuais e individuais. Pesquisas e depoimentos d\u00e3o conta de que o desempregado sente-se culpado e tem queda significativa em sua auto-estima por ter perdido o emprego ou por n\u00e3o consegui-lo.<br \/>\nA partir destas constata\u00e7\u00f5es, ainda relativamente simples, Rezk vai muito mais longe. Num primeiro momento, pesquisa exaustivamente tudo que diz respeito a: o impacto da tecnologia no mundo do trabalho; o aumento da produtividade individual e conseq\u00fcentemente da mais-valia relativa; o desemprego estrutural; suas conseq\u00fc\u00eancias sociais e individuais j\u00e1 apontadas; a previs\u00edvel crise da \u201cciviliza\u00e7\u00e3o do trabalho\u201d; e a resultante anomia provocada pela aus\u00eancia de normas e valores mais consent\u00e2neos com as novas realidades.<br \/>\nEm seguida, faz um mergulho profundo e simult\u00e2neo na Hist\u00f3ria (dos fatos e das id\u00e9ias) e na Psican\u00e1lise para, enfim, oferecer-nos esta abrangente obra de Antropologia Pol\u00edtica, conforme conceitua\u00e7\u00e3o utilizada por F\u00e1bio Lucas no pref\u00e1cio do livro anterior de Rezk (A Revolu\u00e7\u00e3o do Homem &#8211; S\u00e3o Paulo, Textonovo, 2002).<br \/>\nAqui reside outra caracter\u00edstica do pensamento rezkiano: na busca da verdade, a postura \u00e9 radicalmente teleol\u00f3gica e, por isso, ampla, supra-disciplinar. Lembra Esp\u00e1rtaco, quando, prestes a conquistar Roma e sua famosa biblioteca, perguntado sobre que livros gostaria de ler, respondeu: todos.<br \/>\nRezk n\u00e3o se subordina \u00e0s especialidades impostas pela divis\u00e3o acad\u00eamica do saber que tende \u00e0 ultra-especializa\u00e7\u00e3o. Vale dizer, ao final, \u00e0 fragmenta\u00e7\u00e3o do pensamento. Esta tem sido um dos maiores entraves a novas concep\u00e7\u00f5es totalizantes das rela\u00e7\u00f5es sociais e sua din\u00e2mica. Tem a ver com a mix\u00f3rdia, j\u00e1 apontada aqui, em que chafurda a maior parte da produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica.<br \/>\nLivre destas e de outras peias, o autor deste livro, na busca de seu intento, nutre-se de toda a informa\u00e7\u00e3o que lhe pare\u00e7a adequada, seja ela proveniente desta ou daquela disciplina. Assim, se por um lado, ele nos oferece a vis\u00e3o totalizante que o leitor vai deslindar neste trabalho, por outro, arrisca-se a um dificultoso acolhimento pelo meio acad\u00eamico. Este dominado pela vis\u00e3o multifacetada imposta pelos senhores feudais das disciplinas cujos limites est\u00e3o rigorosamente demarcados.<br \/>\nDa mesma forma, Rezk n\u00e3o separa a busca do conhecimento da milit\u00e2ncia pol\u00edtica. Filia-se metodologicamente ao proposto por Marx em suas Teses sobre Feuerbach, sintetizadas na senten\u00e7a: Os fil\u00f3sofos se limitaram a interpretar o mundo de diferentes maneiras; a quest\u00e3o \u00e9 transform\u00e1-lo. Rezk, advindo de atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica m\u00faltipla e intensa percorre o caminho inverso dos fil\u00f3sofos criticados por Marx. Este livro, como os anteriores, s\u00e3o tamb\u00e9m s\u00ednteses das experi\u00eancias pr\u00e1ticas e investigativas de Antonio Rezk.<br \/>\nO pol\u00edtico e o pensador s\u00e3o faces da mesma moeda. A trajet\u00f3ria p\u00fablica de Rezk, mais conhecida e reconhecida, vale aqui ser lembrada suscintamente.<br \/>\nDesde os anos sessenta, quando o Brasil ainda vivia sob o regime autorit\u00e1rio, comunistas, socialistas e democratas de todos os matizes abrigavam-se sob o amplo guarda-chuva do MDB \u2013 Movimento Democr\u00e1tico Brasileiro.<br \/>\nA participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica extremamente limitada, com partidos reduzidos a dois e bastante controlados pelo regime, levaria alguns opositores a concentrarem seus esfor\u00e7os no movimento comunit\u00e1rio. A luta de resist\u00eancia envolveria a popula\u00e7\u00e3o a partir de suas car\u00eancias mais imediatas: escolas, creches, postos de sa\u00fade, transportes, infra-estrutura urbana. Em S\u00e3o Paulo proliferam as sociedades amigos de bairro. Rezk \u00e0 frente, organizaria quase uma centena delas e o processo culminaria com os Conselhos Municipal e Estadual dessas sociedades, fundados e dirigidos por ele.<br \/>\nAo movimento se juntariam urbanistas de renome, al\u00e9m de l\u00edderes comunit\u00e1rios e pol\u00edticos. O guerreiro da cidade \u00e9 tamb\u00e9m seu pensador e poeta. Em livro urdido \u00e0 \u00e9poca, mas publicado apenas em 1986, Rezk sentencia:<\/p>\n<blockquote><p>\u201c&#8230; e a cidade deve ser bela. Portanto, deve ser boa. Deve ser justa. A beleza \u00e9 sempre produto de um justo equil\u00edbrio, da correta composi\u00e7\u00e3o das cores, dos sons, da luz, de movimento e de liberdade. Esta \u00e9 a cidade que eu idealizo: profundamente humana e socialmente justa. Rica: socialmente rica\u201d. (Rezk &#8211; Cidade, Novos Rumos, SP, 1986).<\/p><\/blockquote>\n<p>\u00c9 justo enfatizar que o movimento tinha dois objetivos: um ostensivo, o referente \u00e0 melhoria das condi\u00e7\u00f5es de vida dos bairros mais carentes de S\u00e3o Paulo; e outro, quase clandestino, de, atrav\u00e9s destas organiza\u00e7\u00f5es populares, formar uma frente ampla de resist\u00eancia \u00e0 ditadura e de luta por direitos humanos e sociais. Na lideran\u00e7a do processo, Antonio Rezk \u00e9 eleito suplente de vereador em 1972, assumindo o cargo durante aquela legislatura. Sua atua\u00e7\u00e3o abrange agora a esfera pol\u00edtica mais ampla. Seu papel ser\u00e1 o de costurar alian\u00e7as na busca tamb\u00e9m do segundo dos objetivos apontados. Afinal, era o l\u00edder mais expressivo do clandestino Partido Comunista Brasileiro na capital paulista. Foi reeleito em 1975. No ano seguinte foi escolhido pela Associa\u00e7\u00e3o dos Jornalistas Credenciados da C\u00e2mara como o vereador mais atuante.<br \/>\nEleito deputado estadual em 1978, exerceu dois mandatos consecutivos (1979 a 1986). Sua luta continua e inclui a defesa dos presos pol\u00edticos e dos oprimidos em geral, o Estado de direito, as liberdades democr\u00e1ticas, anistia, elei\u00e7\u00f5es diretas. O guerreiro incans\u00e1vel participa de todas as frentes de luta representando, segundo seu ex-colega, Aluysio Nunes, o \u201cponto de encontro dos demais parlamentares da oposi\u00e7\u00e3o aut\u00eantica\u201d, a saber, aquele que entre os pares, dirimia as d\u00favidas, arbitrava democraticamente as diverg\u00eancias, apontava caminhos. Paci\u00eancia de J\u00f3, sabedoria de Salom\u00e3o, al\u00e9m da bravura de Aquiles, em reuni\u00f5es que varavam noites e fins de semana, Ant\u00f4nio Rezk revela-se ao mesmo tempo o l\u00edder humilde, o colega fraterno, o amigo solid\u00e1rio, o homem generoso, mas tamb\u00e9m o guerreiro que n\u00e3o teme falar duro com autoridades civis e militares. Honrava como poucos o mandato que o povo lhe conferira.<\/p>\n<p>Poucos lembram, mas foi em seu autom\u00f3vel que Luiz In\u00e1cio Lula da Silva fugiu ao cerco que a pol\u00edcia pol\u00edtica lhe montara durante a greve dos metal\u00fargicos em S\u00e3o Bernardo.<br \/>\nNos anos que se seguiram Rezk teve participa\u00e7\u00e3o decisiva na coordena\u00e7\u00e3o do movimento pelas Diretas-J\u00e1 e, logo depois, na articula\u00e7\u00e3o da candidatura de Tancredo Neves \u00e0 Presid\u00eancia da Rep\u00fablica pelo Col\u00e9gio Eleitoral. As frentes de luta n\u00e3o foram substitu\u00eddas; acumularam-se. Com a mesma desenvoltura, Rezk transita entre Bras\u00edlia, Rio, Belo Horizonte e as favelas de S\u00e3o Paulo; entre ministros da Nova Rep\u00fablica e dirigentes comunit\u00e1rios.<br \/>\nCom a conquista da liberdade de organiza\u00e7\u00e3o partid\u00e1ria, Rezk teve atua\u00e7\u00e3o destacada na organiza\u00e7\u00e3o do Partido Comunista Brasileiro, PCB, tendo sido membro do diret\u00f3rio nacional e presidente do estadual.<br \/>\nEra tamb\u00e9m \u00e9poca da Glasnost e da Perestroika. Com o anti-sovietismo da\u00ed resultante, e tendo um charmoso PT \u00e0 sua esquerda, pelo menos midiaticamente, o \u201cpartid\u00e3o\u201d se isolava em mir\u00edades de discuss\u00f5es est\u00e9reis. O pre\u00e7o seria a derrota eleitoral de seus parlamentares, Goldman e Rezk em S\u00e3o Paulo, apesar das expressivas vota\u00e7\u00f5es individuais dos mesmos.<br \/>\nRezk resiste, acreditava que ainda havia espa\u00e7o para um partido de cunho marxista e programaticamente identificado com as camadas populares. Procurando, no debate te\u00f3rico e na pr\u00e1tica pol\u00edtica, a dif\u00edcil identidade que o distinguisse dos demais partidos de esquerda que proliferavam no per\u00edodo, o PCB amargaria mais derrotas at\u00e9 transformar-se em PPS.<br \/>\nO guerreiro continuar\u00e1 lutando, mas o pensador percebe que o destino pol\u00edtico de qualquer partido nas democracias incipientes enfrenta o mesmo dilema: radicaliza o discurso para manter a identidade, mesmo ao custo de n\u00e3o contribuir para o desenvolvimento pol\u00edtico do pa\u00eds; ou dialoga, faz concess\u00f5es e, de alguma forma, cresce e contribui. Mas o faz abrindo m\u00e3o de alguns pontos program\u00e1ticos, correndo o risco da descaracteriza\u00e7\u00e3o. Hoje se percebe que todos os partidos \u2013 se quiserem ser mais que meros denunciantes das mazelas do sistema &#8211; est\u00e3o sujeitos \u00e0s mesmas vicissitudes. E, quanto mais intensa e duradoura a fase denuncista, mais decepcionante a pragmatiza\u00e7\u00e3o descaracterizadora.<br \/>\nEssas e outras constata\u00e7\u00f5es \u2013 como a crescente mercantiliza\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica partid\u00e1ria &#8211; levariam Rezk a concentrar-se mais nos estudos sobre aspectos essenciais da sociedade contempor\u00e2nea. Em 1992, funda o MHD &#8211; Movimento Humanismo e Democracia e, logo depois, o IPSO \u2013 Instituto de Pesquisas e Projetos Sociais e Tecnol\u00f3gicos, com o objetivo de estudar essas quest\u00f5es e outras relacionadas a ela.<br \/>\nDos estudos e debates resultam o manifesto do MHD e a colet\u00e2nea Revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e os novos paradigmas da sociedade (IPSO\/Oficina de Livros, Belo Horizonte, 1994), este com pref\u00e1cio de F\u00e1bio Lucas e artigos de Antonio Rezk, Carlos Seabra, S\u00e9rgio Storch, Levi B. Ferrari, Ladislau Dowbor e Paulo R. Feldmann. No ano seguinte seriam lan\u00e7ados os Cadernos MHD em edi\u00e7\u00e3o mimeografada.<br \/>\nTais documentos, vistos de hoje, podem ser considerados demasiadamente heterog\u00eaneos, mas n\u00e3o se pode negar seu pioneirismo. Outros pesquisadores, mais ligados \u00e0 universidade, se preocupariam com as mesmas quest\u00f5es muito depois. Nota-se nos documentos a busca da compreens\u00e3o das transforma\u00e7\u00f5es sociais e caracteriza\u00e7\u00e3o da nova sociedade com instrumentos de an\u00e1lise igualmente novos. O Manifesto do MHD chega a ser contundente e, para muitos, demasiadamente ousado, quando afirma:<\/p>\n<blockquote><p>\u201c&#8230; estamos convencidos de que os dois paradigmas \u201ccl\u00e1ssicos\u201d que vinham sendo usados para se estudar e analisar a sociedade moderna, como tamb\u00e9m para apresentar as solu\u00e7\u00f5es para os seus grandes problemas \u2013 o \u201cmarxista-leninista\u201d e o \u201cneoliberal\u201d \u2013, est\u00e3o falidos e n\u00e3o respondem mais \u00e0s exig\u00eancias dos novos tempos e das novas realidades.\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>Com mais afinco que os demais \u201chumanistas\u201d, Rezk segue com suas pesquisas, palestras, debates e publica\u00e7\u00f5es aperfei\u00e7oando os conceitos acima delineados. Para ele, o marxismo, a mais avan\u00e7ada explica\u00e7\u00e3o do capitalismo, encontrava suas limita\u00e7\u00f5es numa vis\u00e3o centrada na Europa e num determinado est\u00e1gio do sistema. Isso teria levado o grande pensador alem\u00e3o e a maioria de seus seguidores ao elogio da expans\u00e3o mundial do capital na certeza de que a mesma pavimentaria o caminho para o socialismo. Assim, o marxismo, como os demais sistemas explicativos, estaria circunscrito \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o do trabalho, a ser superada pela do conhecimento, como veremos no transcorrer desta obra.<br \/>\nPara provar suas teses, Rezk revisita a Hist\u00f3ria e questiona a primazia da luta de classes como motor da mesma. Na melhor das hip\u00f3teses, ela estaria no mesmo patamar da luta entre cl\u00e3s, etnias, Cidades-Estado, Imp\u00e9rios, Estados nacionais. Conseq\u00fcentemente, s\u00e3o m\u00faltiplos os fatores que explicam as grandes transforma\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-hist\u00f3ricas. \u00c9 o primado do conhecimento que d\u00e1 forma aos sistemas de domina\u00e7\u00e3o e suas mudan\u00e7as, uma vez que, em muitos casos, \u00e9 anterior e determinante em rela\u00e7\u00e3o ao avan\u00e7o das for\u00e7as produtivas. Os povos mais desenvolvidos cientifica e tecnologicamente tamb\u00e9m haver\u00e3o de impor-se econ\u00f4mica e militarmente sobre os demais.<br \/>\nA quest\u00e3o, cara ao marxismo, de que as condi\u00e7\u00f5es materiais de subsist\u00eancia condicionam as rela\u00e7\u00f5es sociais, os valores, as institui\u00e7\u00f5es, numa palavra, a cultura imaterial, n\u00e3o ser\u00e1 negada por Rezk. Mas se transforma para ele num dilema como aquele do que veio antes, se o ovo ou a galinha. A partir de alguma indefin\u00edvel g\u00eanese, o conhecimento, para Rezk, passa a ter desenvolvimento aut\u00f4nomo, e, ainda que umbilicalmente ligado ao desenvolvimento material da sociedade, ter\u00e1 preced\u00eancia sobre o \u00faltimo, exercendo, pois, maior influ\u00eancia na din\u00e2mica social.<br \/>\nDentro de cada sociedade, ser\u00e1 a apropria\u00e7\u00e3o do conhecimento o fator preponderante da estratifica\u00e7\u00e3o social. Na antiga China imperial, por exemplo, apenas os filhos dos mandarins podiam aprender a ler e escrever, forma de manter o dom\u00ednio deste segmento sobre os demais.<br \/>\nSe a apropria\u00e7\u00e3o restrita do conhecimento \u00e9 fator causal de domina\u00e7\u00e3o, apenas a socializa\u00e7\u00e3o do mesmo pode ser libertadora. A partir deste axioma, Rezk prop\u00f5e a sociedade humanista, aquela na qual o saber \u00e9 igualmente acess\u00edvel a todos atrav\u00e9s de processos sociais como a educa\u00e7\u00e3o e a informa\u00e7\u00e3o, entre outros.<br \/>\nTais conceitos, aqui por demais resumidos, est\u00e3o melhor explanados neste livro, bem como no anterior A Revolu\u00e7\u00e3o do Homem e, ainda, em muitos artigos.<br \/>\nCabe lembrar que, com a mesma paix\u00e3o que se dedicou a pesquisas de antropologia pol\u00edtica, Rezk entregou-se ao estudo das quest\u00f5es nacionais, desde as rela\u00e7\u00f5es entre pa\u00edses centrais e perif\u00e9ricos at\u00e9 ao atual sistema imperial, com destaque tanto para as vulnerabilidades quanto as possibilidades da na\u00e7\u00e3o brasileira.<br \/>\nEm tempos do apogeu da ideologia neoliberal entre n\u00f3s, alardeada \u00e0 exaust\u00e3o por uma m\u00eddia comprometida com os interesses ligados \u00e0 abertura dos mercados e \u00e0s privatiza\u00e7\u00f5es que ocorriam, irresponsavelmente, a cada semana, Rezk e o MHD lan\u00e7am seu Manifesto e realizam dois \u201cEncontros sobre a Causa Nacional\u201d em S\u00e3o Paulo (1997) e Campinas (1998). Deles resultaram duas colet\u00e2neas: A Causa Nacional (Ed. Senac, SP, 1998) com artigos de Adriano Amaral, Antonio Rezk, Darc Costa, Fabio Lucas, Levi Bucalem Ferrari, Luiz Gonzaga Belluzzo, Luiz Toledo Machado Marcos Del Roio, Nilson A. de Souza, Paula Beiguelman e S\u00e9rgio Xavier Ferolla; e A Guerra do Brasil (Textonovo, SP, 2000) com novos artigos dos autores j\u00e1 citados e ainda: Adalto Barreiros, Fernando C. de S\u00e1 e Benevides, Geraldo L. Nery da Silva, Nelsimar Moura Vandelli e Williams Gon\u00e7alves. Participaram ainda dos encontros outros pesquisadores de renome como Jo\u00e3o Manoel Cardoso de Mello, Carlos Estevam Martins, Bautista Vidal, Fernando Siqueira e Milton Santos. Foi este \u00faltimo, um dos maiores ge\u00f3grafos brasileiros de todos os tempos, quem, n\u00e3o conhecendo pessoalmente Ant\u00f4nio Rezk at\u00e9 ent\u00e3o, afirmou que comparecera ao debate por que fora convidado por ele, \u201cpessoa cujo nome sempre lhe merecera a maior admira\u00e7\u00e3o.\u201d<br \/>\nNesses livros e encontros, os autores discutem, atrav\u00e9s de vis\u00f5es e \u00eanfases diversas, as causas da depend\u00eancia econ\u00f4mica e cultural e da vulnerabilidade estrat\u00e9gica do Brasil em rela\u00e7\u00e3o ao sistema mundial de domina\u00e7\u00e3o. Apontam-se as alternativas para um desenvolvimento aut\u00f4nomo com maior distribui\u00e7\u00e3o da riqueza, bem como medidas para a reconstru\u00e7\u00e3o de um Estado Brasileiro livre e soberano.<br \/>\nLogo depois, atrav\u00e9s do IPSO, Rezk dedicou-se tamb\u00e9m a projetos que visavam \u00e0 integra\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul. Coordenou eventos supranacionais de militantes e intelectuais do subcontinente em trabalhos que enfatizavam a integra\u00e7\u00e3o dos movimentos sociais e culturais atuantes na regi\u00e3o.<br \/>\nAqui concluo o retrato sucinto da g\u00eanese e das conting\u00eancias de onde emerge a contribui\u00e7\u00e3o elaborada e inovadora de Antonio Rezk ao pensamento psicossocial e pol\u00edtico. E expressas neste livro, atrav\u00e9s de um humanismo renovado e indispens\u00e1vel ao entendimento de nossa era e suas tend\u00eancias. N\u00e3o h\u00e1 no livro receitas simples, mas um diagn\u00f3stico profundo e o apontar de caminhos que devem levar a humanidade \u00e0 auto-emancipa\u00e7\u00e3o e a patamares mais avan\u00e7ados de civiliza<\/p>\n<p>Levi Bucalem Ferrari<br \/>\nS\u00e3o Paulo, 03 de outubro de 2010.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(Pref\u00e1cio do livro &#8220;Ruptura &#8211; Anomia na civiliza\u00e7\u00e3o do trabalho&#8221; de Antonio Rezk). Levi Bucalem Ferrari Mas o que importa n\u00e3o \u00e9 que os alvos ideais sejam ou n\u00e3o ating\u00edveis concretamente na sua sonhada integridade. 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