{"id":5592,"date":"2012-04-13T12:58:47","date_gmt":"2012-04-13T15:58:47","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/?p=5592"},"modified":"2012-04-13T13:25:48","modified_gmt":"2012-04-13T16:25:48","slug":"instantaneos-de-longa-duracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/2012\/04\/13\/instantaneos-de-longa-duracao\/","title":{"rendered":"Instant\u00e2neos de longa dura\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Levi Bucalem Ferrari<\/p>\n<p>Resenha do Livro: Noronha Goyos J\u00fanior, Durval \u2013 O crep\u00fasculo do imp\u00e9rio e a aurora da China \u2013 S\u00e3o Paulo, Observador Legal Editora, 2012.<br \/>\nPalavras chave: Rela\u00e7\u00f5es Internacionais, Pol\u00edtica econ\u00f4mica, Pol\u00edticas p\u00fablicas, Brasil, China, Estados Unidos, imperialismo, crise, Noronha, Moniz Bandeira.<\/p>\n<p>O bom fot\u00f3grafo procura \u00e2ngulos, perspectivas, contrastes, o melhor momento para fazer a foto; usa filtros, ensaia aberturas e velocidades, combina, altera, recomp\u00f5e todas estas coisas at\u00e9 a exaust\u00e3o.<br \/>\nPr\u00e1 que tudo isso? Olha, clica e pronto!<br \/>\nO que os incautos n\u00e3o sabem \u00e9 que, para al\u00e9m da beleza da foto, este fot\u00f3grafo tem, l\u00e1 no seu \u00edntimo, a pretens\u00e3o de que ela represente todo um quadro de conceito e est\u00e9tica vigente no seu tempo, no seu mundo. A foto dever\u00e1 ser uma s\u00edntese de muitas outras fotos e, por que n\u00e3o, projetar-se para a posteridade, propor-se a decifra\u00e7\u00e3o dos sinais das mudan\u00e7as e do futuro que anunciam.<br \/>\nFoi esta a sensa\u00e7\u00e3o que experimentei ao ler O crep\u00fasculo do imp\u00e9rio e a aurora da China, de Durval de Noronha Goyos Jr. (Observador Legal Editora, S\u00e3o Paulo, 2012). An\u00e1lises conjunturais a se projetarem como instant\u00e2neos das mudan\u00e7as hist\u00f3rico-estruturais que o mundo exibe para o analista atento e, principalmente, munido de metodologia e vis\u00e3o de mundo coerentes.<br \/>\nS\u00e3o artigos de tamanho pequeno, publicados entre 2009 e 2011 em jornais, revistas e internet, e republicados v\u00e1rias vezes. Constituem-se em an\u00e1lises sobre quest\u00f5es espec\u00edficas que perpassam desde as rela\u00e7\u00f5es internacionais at\u00e9 aspectos singular\u00edssimos e moment\u00e2neos da pol\u00edtica econ\u00f4mica e social do Brasil, China, Estados Unidos e outros pa\u00edses. Mas, insisto, todos a guardarem entre si a coer\u00eancia e profundidade que apontam para as grandes mudan\u00e7as macro-econ\u00f4micas.<br \/>\nSe Noronha impressiona antes por esta caracter\u00edstica indispens\u00e1vel, conv\u00e9m acrescentar mais duas, entre outras tantas: o volume de dados e a independ\u00eancia do autor.<br \/>\nAssim, nenhuma afirma\u00e7\u00e3o de Noronha se perde no vazio, sendo, ao contr\u00e1rio, comprovada por dados dispostos de forma a comprovar e ilustrar sem que o leitor se perca neles ou se canse. N\u00e3o, tudo na medida certa.<br \/>\nPor outro lado, o autor exibe coragem e independ\u00eancia \u00edmpares quando den\u00fancia os engodos do mito neoliberal e sua perman\u00eancia at\u00e9 entre pa\u00edses que retoricamente prop\u00f5e-se a superar esta famigerada ideologia. Aqui se incluem alguns pa\u00edses europeus a colocarem por terra conquistas hist\u00f3ricas em direitos sociais. Como tamb\u00e9m o pr\u00f3prio Brasil. Para combater a infla\u00e7\u00e3o, deixa sua moeda valorizar-se artificialmente a custa da evidente desindustrializa\u00e7\u00e3o. Mantemos tamb\u00e9m juros alt\u00edssimos associados a um espread insano que s\u00f3 interessa a bancos e especuladores. Assim, o pa\u00eds retrocede e deixa crescer a \u201cbolha\u201d que pode estourar a qualquer momento com consequ\u00eancias sociais de grande monta.<br \/>\nMesmo as medidas tomadas pelo governo ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o deste livro \u2013 como o rebaixamento dos juros do Banco do Brasil e da Caixa Econ\u00f4mica Federal &#8211; queremos crer, pareceriam a Noronha corretas, mas insuficientes.<br \/>\nTodo este imbroglio tem suas entranhas destrinchadas e muito bem explicadas no livro de Noronha, o que o transformam em documento para ser lido e consultado.<br \/>\nPor fim, o livro vem enriquecido pelo pref\u00e1cio de Luiz Alberto Moniz Bandeira, Intelectual do Ano pela UBE \u2013 Uni\u00e3o Brasileira de Escritores e um dos maiores cientistas pol\u00edticos contempor\u00e2neos. \u00c9 ele quem afirma na contracapa do livro:<br \/>\n\u201cTrata-se de um conjunto de artigos importantes e oportunos, porquanto apresenta uma l\u00facida percep\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as na correla\u00e7\u00e3o mundial de for\u00e7as, demonstrando a eros\u00e3o que corr\u00f3i o Imp\u00e9rio Americano, \u00e0 beira da recess\u00e3o e cuja seguran\u00e7a depende cada vez mais do poder militar, a um custo insustent\u00e1vel, em contraste com o alvorecer da China, a crescer 9,5% em 2011\u201d&#8230; \u201dn\u00e3o obstante a profunda crise econ\u00f4mico e financeira na qual Estados Unidos e Uni\u00e3o Europ\u00e9ia est\u00e3o submersos.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Levi Bucalem Ferrari Resenha do Livro: Noronha Goyos J\u00fanior, Durval \u2013 O crep\u00fasculo do imp\u00e9rio e a aurora da China \u2013 S\u00e3o Paulo, Observador Legal Editora, 2012. 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