{"id":5229,"date":"2010-05-01T19:31:51","date_gmt":"2010-05-01T22:31:51","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/?p=5229"},"modified":"2010-05-01T19:39:09","modified_gmt":"2010-05-01T22:39:09","slug":"charlatanice-e-exploracao-luiz-alberto-moniz-bandeira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/2010\/05\/01\/charlatanice-e-exploracao-luiz-alberto-moniz-bandeira\/","title":{"rendered":"Charlatanice e explora\u00e7\u00e3o &#8211;  Luiz Alberto Moniz Bandeira"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center\"><a id=\"aptureLink_J978nkhxkb\" href=\"http:\/\/apture.s3.amazonaws.com\/000001285601ca717260c35f007f000000000001.Moniz%20Bandeira.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"border: 0px\" title=\"Moniz Bandeira\" src=\"http:\/\/apture.s3.amazonaws.com\/000001285601ca717260c35f007f000000000001.Moniz%20Bandeira.jpg\" alt=\"\" width=\"286\" height=\"320\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center\">\u00a0Luiz Moniz Bandeira &#8211; Cientista Pol\u00edtico<\/p>\n<p><a id=\"aptureLink_W9sJjxjUci\" href=\"http:\/\/apture.s3.amazonaws.com\/0000012855ef21227fe704c8007f000000000001.image004.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" style=\"border: 0px\" title=\"image004\" src=\"http:\/\/apture.s3.amazonaws.com\/0000012855ef21227fe704c8007f000000000001.image004.jpg\" alt=\"\" width=\"226\" height=\"190\" \/><\/a><\/p>\n<p><a rel=\"lightbox[6498]\" href=\"http:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/uploads\/materias\/1271968221392.jpg\">\u00a0<\/a><a rel=\"lightbox[6498]\" href=\"http:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/uploads\/materias\/1271968221409.jpg\"><\/a><a rel=\"lightbox[6498]\" href=\"http:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/uploads\/materias\/1271968221423.jpg\"><\/a><a rel=\"lightbox[6498]\" href=\"http:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/uploads\/materias\/1271968475829.jpg\"><\/a><a rel=\"lightbox[6498]\" href=\"http:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/uploads\/materias\/1271968475846.jpg\"><\/a><a rel=\"lightbox[6498]\" href=\"http:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/uploads\/materias\/1271968475862.jpg\"><\/a><a rel=\"lightbox[6498]\" href=\"http:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/uploads\/materias\/1271968475875.jpg\"><\/a><a rel=\"lightbox[6498]\" href=\"http:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/uploads\/materias\/1271968793213.jpg\"><\/a><a rel=\"lightbox[6498]\" href=\"http:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/uploads\/materias\/1271968793225.jpg\"><\/a><a rel=\"lightbox[6498]\" href=\"http:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/uploads\/materias\/1271968793240.jpg\"><\/a><em>Perto de relan\u00e7ar &#8216;O Governo Jo\u00e3o Goulart&#8217;, o cientista pol\u00edtico Luiz Alberto Moniz Bandeira critica os defensores da teoria do envenenamento de Jango e n\u00e3o poupa nem familiares do presidente deposto<\/em>\u00a0<\/p>\n<p><strong>A Sergio Lirio<br \/>\n<\/strong><br \/>\nEm meados de maio, a editora da Unesp relan\u00e7ar\u00e1 \u201cO Governo Jo\u00e3o Goulart\u201d, obra de refer\u00eancia do cientista pol\u00edtico Luiz Alberto Moniz Bandeira. Em sua oitava edi\u00e7\u00e3o, o livro ganhou dois novos cap\u00edtulos, uma introdu\u00e7\u00e3o sobre socialismo e trabalhismo no Brasil e um ap\u00eandice dedicado exclusivamente \u00e0s teses sobre a morte do ex-presidente.\u00a0<\/p>\n<p>Moniz Bandeira refuta de forma veemente a tese do uruguaio M\u00e1rio Barreiros Neira, a quem considera um criminoso comum que tenta n\u00e3o ser extraditado para seu pa\u00eds. Neira afirma que Goulart teria sido envenenado por ordem e acordo entre as ditaduras do Brasil e do Uruguai.\u00a0<\/p>\n<p>J\u00e1 o historiador, que conviveu com Jango no ex\u00edlio, tem poucas d\u00favidas de que o presidente deposto morreu de problemas no cora\u00e7\u00e3o. Moniz Bandeira n\u00e3o poupa cr\u00edticas \u00e0 fam\u00edlia de Jango, principalmente ao filho Jo\u00e3o Vicente, que busca indeniza\u00e7\u00e3o, no Brasil e nos Estados Unidos, por conta da conspira\u00e7\u00e3o que derrubou seu pai e do suposto assassinato. \u201cA mem\u00f3ria do ex-presidente est\u00e1 sendo dilapidada\u201d, afirma nesta entrevista concedida por email (o professor aposentado da UnB vive atualmente na Alemanha).\u00a0<\/p>\n<p>O site tamb\u00e9m publica documentos sobre a morte de Jango que constar\u00e3o da nova edi\u00e7\u00e3o do livro de Moniz Bandeira. <strong>Clique acima para visualiz\u00e1-los.<\/strong><\/p>\n<p><strong>CartaCapital: O senhor chama de \u201ccharlatanice\u201d a tese de que Jo\u00e3o Goulart foi assassinado a pedido da ditadura brasileira. Por qu\u00ea?<br \/>\nMoniz Bandeira:<\/strong> N\u00e3o chamo de charlatanice a tese de que Jo\u00e3o Goulart foi assassinado. Chamo de charlatanice apresentar como verdadeira a vers\u00e3o de que houve uma Opera\u00e7\u00e3o Escorpi\u00e3o para assassin\u00e1-lo. N\u00e3o h\u00e1 prova documental ou outros depoimentos que a comprovem. Chamo de charlatanice atribuir a Vargas uma carta que ele nunca escreveu a Goulart, com uma frase inventada: \u201cJango, agora me pegaram. O pr\u00f3ximo ser\u00e1 voc\u00ea\u201d. Solicitei ao professor Oswaldo Munteal, que anunciou um livro sobre o tema e citou a frase \u201cJango, agora me pegaram. O pr\u00f3ximo era voc\u00ea\u201d, que apresentasse documento ou depoimentos a confirmar a Opera\u00e7\u00e3o Escorpi\u00e3o, bem como a suposta carta de Vargas a Goulart. Ele n\u00e3o o fez.<\/p>\n<p><strong>CC: O senhor acha que h\u00e1 um motivo para ele n\u00e3o ter apresentado os documentos?<br \/>\nMB:<\/strong> N\u00e3o o fez porque n\u00e3o existem. At\u00e9 agora ningu\u00e9m apresentou qualquer documento comprovando que houve a chamada Opera\u00e7\u00e3o Escorpi\u00e3o. Ela s\u00f3 aparece no depoimento de M\u00e1rio Barreiros Neira, delinq\u00fcente uruguaio preso no Rio Grande do Sul. Um depoimento sem comprova\u00e7\u00e3o documental ou outros depoimentos que o confirmem n\u00e3o tem valor jur\u00eddico nem acad\u00eamico. O que o Neira contou pode ser, no m\u00e1ximo, uma hip\u00f3tese. Mas h\u00e1 outra vers\u00e3o, a do uruguaio Enrique Foch D\u00edaz. Em 1982, na Argentina, e em 2000, no Uruguai, ele apresentou a den\u00fancia da \u201cmorte duvidosa\u201d de Jo\u00e3o Goulart, procurando comprometer a vi\u00fava, Maria Tereza Goulart, tema sobre o qual publicou um livro Jo\u00e3o Goulart \u2013 El crimen perfecto. \u00c9 tamb\u00e9m hip\u00f3tese. Considero ambas, tanto a vers\u00e3o de Neira quanto a de D\u00edaz, inveross\u00edmeis e absurdas.\u00a0<\/p>\n<p>A \u00fanica evid\u00eancia \u00e9 de que Goulart sofria de cardiopatia grave e faleceu, realmente, de infarto agudo do mioc\u00e1rdio. O problema card\u00edaco de Goulart, pela primeira vez, foi diagnosticado, em abril de 1962, durante sua visita ao M\u00e9xico, como presidente do Brasil, quando ele desmaiou em meio a uma homenagem que lhe era prestada. No Uruguai, exilado, teve um infarto em 1964 ou 1965, e outro em 1969. Um infarto muitas vezes n\u00e3o d\u00e1 aviso. Meu pai estava muito bem, alegre, foi abrir a geladeira e caiu morto, instantaneamente. Um primo, conversando com a fam\u00edlia, subitamente, caiu no ch\u00e3o morto. Por\u00e9m, admitindo-se a tese de que Goulart foi assassinado, hip\u00f3tese por hip\u00f3tese, qualquer uma \u00e9 v\u00e1lida, ou para investiga\u00e7\u00e3o. E uma investiga\u00e7\u00e3o s\u00e9ria n\u00e3o se faz com sensacionalismo na m\u00eddia ou para escrever novela policial no estilo de Ian Fleming ou Agatha Christie.<\/p>\n<p><strong>CC: Quem \u00e9 de fato Mario Barreiro Neira? Que participa\u00e7\u00e3o ele pode ter tido no suposto esquema para assassinar o Jango?<br \/>\nMB:<\/strong> Ele estava muito bem informado sobre as atividades e costumes de Goulart, em virtude de seus v\u00ednculos com os \u00f3rg\u00e3os de repress\u00e3o, mas n\u00e3o era agente do servi\u00e7o de intelig\u00eancia do Uruguai. Era um r\u00e1diot\u00e9cnico da pol\u00edcia de Montevid\u00e9u e por isso teve bastante acesso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es que circulavam pelos transistores de suas viaturas e delegacias. Tamb\u00e9m participou de um grupo paramilitar de ultradireita denominado Garra 33, com o qual realizou diversos atentados, at\u00e9 que passou a trabalhar para uma &#8220;agencia de Estado&#8221; chamada Grupo Gamma.\u00a0<\/p>\n<p>Nos anos 1990, integrou a Superbanda (quadrilha de policiais criminosos), que atuou no Uruguai, e esteve envolvido com o tr\u00e1fico de armas pesadas e diversos outros crimes. Seus antecedentes criminais s\u00e3o muitos. Ele fora preso, em 1996, em Bag\u00e9, onde cumpriu pena preventiva de 24 meses. Libertado, voltou ao Uruguai e assaltou, em 1998, o Zool\u00f3gico de Montevid\u00e9u, a sede do Hospital da Casa de Galicia, os escrit\u00f3rios de Oca y Plata Card em Paso Molino. Foi detido em Rocha (Uruguai), em frente \u00e0 Alf\u00e2ndega de La Coronilla, com objetos roubados e equipamentos de telecomunica\u00e7\u00f5es. Fugiu pelo Chuy, entrou no Rio Grande do Sul e foi capturado, pela segunda vez, em 1998. Evadiu-se. Mas, em 1999, voltou a ser preso, em flagrante, pela Pol\u00edcia Federal brasileira, em Gravata\u00ed, por porte de arma e roubo de autom\u00f3vel, juntamente com outro uruguaio, Ricardo Anacleto Ruiz Mendieta.<\/p>\n<p><strong>CC: Um bandido comum.<br \/>\nMB:<\/strong> E h\u00e1 mais. No domic\u00edlio onde se encontravam em Gravata\u00ed havia um arsenal de armas, muni\u00e7\u00f5es, equipamentos de comunica\u00e7\u00e3o e anota\u00e7\u00f5es das freq\u00fc\u00eancias de r\u00e1dio da pol\u00edcia estadual. Ambos estavam vinculados a assaltos a caminh\u00f5es blindados da empresa Proforte S.A. Transporte de Valores em Canoas e Sapucaia de Sul, a um frustrado roubo de um avi\u00e3o no aeroporto de Rivera-Livramento e ao tr\u00e1fico de autom\u00f3veis no Mercosul. Em maio de 2003, Barreiro Neira escapou do Instituto Penal de Mariante, onde cumpria pena em regime semi-aberto, depois foi preso por detetives particulares (seguran\u00e7as de uma boate), entregue \u00e0 Pol\u00edcia Militar e, por equ\u00edvoco, foi libertado. Ainda em 2003, a Pol\u00edcia Federal capturou-o outra vez e ele foi encarcerado na Penitenci\u00e1ria de Alta Seguran\u00e7a de Charqueadas para cumprir uma pena de mais de 19 anos de pris\u00e3o, sob o nome de Antonio Meirelles Lopes, constante de um documento falsificado que lhe valeu uma de suas condena\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>E com essa sua hist\u00f3ria sobre o assassinato de Goulart, Neira, alegando que se tratava de persegui\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, pretendeu evitar que o STF deferisse sua extradi\u00e7\u00e3o para o Uruguai. N\u00e3o foi aceita. O ministro Jos\u00e9 Neri da Silveira, como relator, n\u00e3o encontrou nenhum elemento de prova e o STF aprovou a extradi\u00e7\u00e3o, que ainda n\u00e3o se consumou, pois primeiro ele tem de cumprir as penas a que est\u00e1 condenado no Brasil. Tudo isto eu demonstro, documentadamente, no ap\u00eandice que escrevi para a 8\u00aa edi\u00e7\u00e3o de \u201cO Governo Jo\u00e3o Goulart\u201d.<\/p>\n<p><strong>CC: At\u00e9 que ponto os militares brasileiros temiam o retorno de Jango e de Brizola ao Pa\u00eds ap\u00f3s o golpe?<br \/>\nMB:<\/strong> N\u00e3o me parece certo que os militares brasileiros temessem o retorno de Jango e de Brizola ao Pa\u00eds. Eles nada poderiam fazer. Decerto seriam presos e, eventualmente, deportados. A forma\u00e7\u00e3o de outros partidos que pudessem disputar legalmente espa\u00e7o pol\u00edtico com a Arena e o MDB ainda n\u00e3o era poss\u00edvel. \u00c0quela \u00e9poca, entre 1975 e 1976, o que se come\u00e7ou a excogitar foi a reorganiza\u00e7\u00e3o do PTB, mas n\u00e3o podia ser evidentemente legalizado. Eu estava a par da ideia, pois sempre ia ao Uruguai, inclusive porque pesquisava para livro. Meu tio, o escritor Edmundo Moniz, estava l\u00e1 exilado. Nada, entretanto, havia de concreto e n\u00e3o implicava o retorno de Goulart ao Brasil. Essa ideia eu levei adiante, com Brizola, quando o visitei na sua est\u00e2ncia em Durazno, em junho de 1977, e, depois, quando o recebi em Nova York, ap\u00f3s sua expuls\u00e3o do Uruguai. Alguns falam da frente ampla com Jango, Juscelino Kubitscheck e Carlos Lacerda, que morreram mais ou menos \u00e0quela \u00e9poca. Esquecem que a Frente Ampla havia desaparecido havia oito anos, isto \u00e9, desde 1968, e n\u00e3o mais havia condi\u00e7\u00f5es de ressuscit\u00e1-la.\u00a0<\/p>\n<p>Na realidade, Goulart n\u00e3o estava envolvido em nenhuma atividade nem influenciava nenhum movimento pol\u00edtico, n\u00e3o representava qualquer amea\u00e7a ao regime. Cuidava dos seus neg\u00f3cios. E a abertura \u201clenta, gradual e segura\u201d, que o presidente Ernesto Geisel pretendia, ainda n\u00e3o admitia a forma\u00e7\u00e3o de novos partidos nem previa elei\u00e7\u00f5es diretas para a presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p><strong>CC: Em mar\u00e7o de 2009, CartaCapital publicou documentos in\u00e9ditos do SNI que est\u00e3o com os herdeiros de Jango. Os pap\u00e9is citam agentes infiltrados, colaboradores do SNI que conviviam com a fam\u00edlia do ex-presidente. Um dos arapongas, segundo os documentos, teria apontados subst\u00e2ncias qu\u00edmicas que poderiam ser importadas e usadas para assassinar Goulart. O senhor conhece esses documentos?<br \/>\nMB:<\/strong> Conhe\u00e7o os documentos do SNI que o Jo\u00e3o Vicente (Goulart) obteve na Coordena\u00e7\u00e3o Regional do Arquivo Nacional, no Distrito Federal. H\u00e1 relatos de agentes infiltrados, por\u00e9m nenhum sobre subst\u00e2ncias que viriam de fora do Pa\u00eds e poderiam ser utilizadas para a elimina\u00e7\u00e3o do ex-presidente, ao qual o professor Oswaldo Munteal se referiu, em reportagem publicada na revista. Se existe esse documento, que ele o apresente. Quando revisava e ampliava a 8\u00aa edi\u00e7\u00e3o do meu livro, solicitei in\u00fameras vezes ao Jo\u00e3o Vicente que me enviasse os documentos que ele eventualmente possu\u00edsse e pudessem esclarecer a quest\u00e3o da morte de seu pai. Ele nunca o fez. Depois de muita insist\u00eancia minha, enviou-me apenas duas cartas de seu pai, de car\u00e1ter pessoal. S\u00f3 isto.<\/p>\n<p>E n\u00e3o encontrei, at\u00e9 agora, nenhum documento ou outros depoimentos, salvo o de Neira, com qualquer refer\u00eancia a subst\u00e2ncias venenosas para assassinar Goulart, embora a vers\u00e3o de que ele morreu em virtude de troca de medicamento come\u00e7asse a circular logo ap\u00f3s seu enterro, em 1976, sem, no entanto, qualquer fato concreto que a fundamentasse. O professor Munteal tem que provar o que afirma. Numa entrevista a CartaCapital, disse que nos documentos em poder de Jo\u00e3o Vicente e que ele organizou h\u00e1 uma farta troca de correspond\u00eancia sobre a libera\u00e7\u00e3o do passaporte para Goulart, at\u00e9 o momento em que o ent\u00e3o ministro da Justi\u00e7a, Armando Falc\u00e3o, irritou-se e recomendou \u201cde maneira contundente, a n\u00e3o libera\u00e7\u00e3o de sua entrada no Pa\u00eds, pois n\u00e3o se responsabilizaria pelas alian\u00e7as de no Exterior e as amea\u00e7as ao governo da revolu\u00e7\u00e3o&#8221;&#8216;. Gostaria de ver tal correspond\u00eancia. Os documentos de que disponho mostram exatamente o contr\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>CC: E o que dizem esses documentos?<br \/>\nMB:<\/strong> Cito-os, aqui, com as devidas refer\u00eancias. Em resumo, eis o que dizem: \u201c(&#8230;) Do ponto de vista, malgrado silente a lei brasileira, considerando sequer estar o ex-presidente com seus direitos pol\u00edticos suspensos ou, salvo erro, estar respondendo a processo penal, e considerando ainda os interesses da seguran\u00e7a nacional em registrar sua movimenta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o vejo como negar-lhe, definitivamente, o passaporte requerido\u201d. Parecer. a) Ronaldo Rebello de Brito Polletti. s\/d.,Despacho: Despacho: \u201cPelos seus fundamentos, manifesto-me de acordo com o presente parecer do Consultor Jur\u00eddico, sem preju\u00edzo, \u00e9 claro, das medidas que o governo brasileiro possa adotar, a fim de acompanhar, na Fran\u00e7a, as poss\u00edveis atividades pol\u00edticas de Jo\u00e3o Belchior Marques Goulart, punido pela revolu\u00e7\u00e3o\u201d. A. Falc\u00e3o, em 27\/8\/1975. Anexos ao memo n\u00b0 181\/si.Gob. Presid\u00eancia da Rep\u00fablica. Confidencial. Do ch. Gab.\/SNI ao Sr. AC\/SNI. C\u00f3pia de Informa\u00e7\u00e3o para o presidente da Rep\u00fablica, de 21 de agosto de 1975\/MRE (236).\u00a0<\/p>\n<p>Resumo: Pedido de passaporte para o o ex-presidente Jo\u00e3o Belchior Marques Goulart. a.p\/ delega\u00e7\u00e3o , tenente-coronel Ary R. Carrasco Horne. \u201cO consultor jur\u00eddico do Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, no seu parecer ratificado pelo ministro da Justi\u00e7a e aceito pelo presidente da Rep\u00fablica, observou que o passaporte \u00e9 um documento de identidade, assim como a carteira de identidade no territ\u00f3rio brasileiro, e como tal incumbe ao fornec\u00ea-lo (&#8230;), acrescentando que a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de uma pessoa, em virtude de estar com seus direitos pol\u00edticos suspensos ou residir, for\u00e7ada, no exterior, n\u00e3o obsta a aquisi\u00e7\u00e3o do seu passaporte\u201d. Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es \u2013 Ag\u00eancia Central \u2013 Informa\u00e7\u00e3o n\u00b0 231\/16\/AC\/75. Assunto; Concess\u00e3o ou prorroga\u00e7\u00e3o de passaporte. Refer\u00eancia: memo 1405\/SI-GA, de julho 75 e Informa\u00e7\u00e3o 128\/16\/A\/75. Difus\u00e3o: CH\/SNI. Fundo Servi\u00e7o Nacional de Informa\u00e7\u00f5es. Arquivo Nacional \u2013 Coordena\u00e7\u00e3o-Geral \u2013 Distrito Federal.\u00a0<\/p>\n<p>O professor Munteal, que n\u00e3o conhe\u00e7o e nada tenho, pessoalmente, contra ele, precisa ter cuidado com o que afirma. Um historiador, um acad\u00eamico s\u00e9rio, n\u00e3o pode nem dever dar entrevistas, com supostas revela\u00e7\u00f5es de car\u00e1ter sensacionalista, servindo a interesses que n\u00e3o s\u00e3o absolutamente os de estabelecer a verdade.<\/p>\n<p><strong>CC: Tamb\u00e9m em 2009 Maria Thereza Goulart falou \u00e0 revista. Na entrevista cobrou investiga\u00e7\u00e3o sobre a morte de Goulart. \u00c0 pergunta direta \u201cA senhora acha que Jango morreu envenenado?\u201d, respondeu: \u201cTudo indica que sim\u201d. O senhor tem alguma tese para a mudan\u00e7a de opini\u00e3o da ex-primeira-dama?<br \/>\nMB:<\/strong> Maria Thereza Goulart, em entrevista ao jornal O Globo, publicada em 24 de agosto de 1982, declarou n\u00e3o permitir, em hip\u00f3tese alguma, a exuma\u00e7\u00e3o do corpo do marido e acusou nominalmente Leonel Brizola e Jos\u00e9 Gomes Talarico de pretenderem tirar vantagens pol\u00edticas, explorando a vers\u00e3o do assassinato. Sobre o motivo pelo qual n\u00e3o se realizou a aut\u00f3psia do cad\u00e1ver, um dos argumentos arguidos para a tese do assassinato, ela ponderou que esse fato era \u201cabsolutamente normal\u201d, que a aut\u00f3psia s\u00f3 \u00e9 efetuada quando existem d\u00favidas sobre a causa da morte, e n\u00e3o foi esse o caso. \u201cVi meu marido sofrendo o infarto\u201d \u2013 testemunhou, salientando que \u201cpouco depois de falecer, ele ficou com o lado esquerdo do peito inteiramente roxo, devido aos hematomas, o que confirma esta afirma\u00e7\u00e3o\u201d. Ela contou que somente ela, Julio Vieira, o capataz da fazenda em Mercedes, e Roberto Ulrich, motorista, conviveram com Goulart \u201cnos \u00faltimos 15 dias de sua vida\u201d e considerou \u201csem qualquer fundamento\u201d a hip\u00f3tese de ter ele tomado rem\u00e9dio adulterado. Por que ela mudou de ideia? Em 1982, quando ela declarou, com franqueza, que viu o marido sofrendo o infarto, o uruguaio Enrique Foch D\u00edaz, que fora seu procurador, havia tentado compromet\u00ea-la como suspeita, apresentando den\u00fancia de \u201cmorte duvidosa\u201d de Goulart ante o juiz de Curuz\u00fa Cuat\u00eda, na prov\u00edncia de Corrientes (Argentina), arquivada por falta de prova. Era uma cal\u00fania.\u00a0<\/p>\n<p>Mas em 2000, quando D\u00edaz, para promover seu livro \u2013 \u201cJo\u00e3o Goulart \u2013 El cr\u00edmen perfecto\u201d \u2013 apresentou outra vez \u00e0 Justi\u00e7a, dessa vez em Maldonado (Uruguai), a den\u00fancia de \u201cmorte duvidosa\u201d, outra vez com o fito de compromet\u00ea-la, Maria Thereza escreveu \u00e0 Ju\u00edza Fanny Canessa, do Juzgado Penal 4\u00ba turno, que, se n\u00e3o morasse no Brasil e por outros motivos pessoais, iria process\u00e1-lo por difama\u00e7\u00e3o e cal\u00fania, inclusive por atribuir-lhe \u201cacusa\u00e7\u00f5es a pessoas honradas\u201d, em especial, Cl\u00e1udio Braga. O Braga j\u00e1 estava a mover a\u00e7\u00e3o judicial contra ele e contou com todo o apoio da ex-primeira-dama, bem como de sua filha Denize.<\/p>\n<p><strong>CC: Qual a consequ\u00eancia?<br \/>\nMB:<\/strong> D\u00edaz, em 25 de dezembro de 2002, foi condenado a sete meses de pris\u00e3o por delito de difama\u00e7\u00e3o e seu livro, apreendido. Em 2003, por\u00e9m, Maria Thereza e seus dois filhos, Jo\u00e3o Vicente e Denise, trataram de mover a\u00e7\u00e3o para responsabilizar os Estados Unidos pelos danos causados \u00e0 fam\u00edlia em 1964 e nos anos posteriores ao golpe. Essa decis\u00e3o, segundo Jo\u00e3o Vicente, foi tomada quando Lincoln Gordon, embaixador dos Estados Unidos no Brasil \u00e0 \u00e9poca, admitiu em 2002 que a CIA havia financiado, nas elei\u00e7\u00f5es parlamentares de 1962, os candidatos da oposi\u00e7\u00e3o. Engra\u00e7ado, porque a informa\u00e7\u00e3o de que a CIA financiara os candidatos da oposi\u00e7\u00e3o em 1962 n\u00e3o era nova. Em entrevista a Roberto Garcia, publicada na revista Veja de 9 de mar\u00e7o de 1977, o pr\u00f3prio Gordon confessara que os Estados Unidos haviam financiado os candidatos da oposi\u00e7\u00e3o a Goulart, acentuando que o disp\u00eandio \u201ccertamente foi muito mais de 1 milh\u00e3o de d\u00f3lares\u201d e \u201cn\u00e3o ficaria surpreso se tivesse chegado a 5 milh\u00f5es de d\u00f3lares\u201d. Eu mesmo citei essa informa\u00e7\u00e3o na p\u00e1gina 69 da primeira edi\u00e7\u00e3o do meu livro, lan\u00e7ado em dezembro de 1977. Parece que Jo\u00e3o Vicente nada leu e nada sabe. Declarou que, para sua \u201csurpresa e indigna\u00e7\u00e3o\u201d, n\u00e3o ouviu manifesta\u00e7\u00e3o nem de parte do presidente Fernando Henrique nem do presidente eleito, Lula\u201d diante de tal confiss\u00e3o, o que o deixou \u201cindignado, ultrajado, como brasileiro\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>Segundo transparece na sua entrevista a O Globo, publicada em 1\u00ba de julho de 2007, s\u00f3 ent\u00e3o Jo\u00e3o Vicente soube da Opera\u00e7\u00e3o Brother Sam. Os documentos sobre o plano de conting\u00eancia, denominado a Opera\u00e7\u00e3o Brother Sam &#8211; a esquadra que os Estados Unidos enviaram ao Brasil para apoiar o golpe de Estado &#8211; foram desclassificados e obtidos por uma pesquisadora americana, Philis Parker, em 1976. Essa informa\u00e7\u00e3o quem me deu, \u00e0 \u00e9poca, foi Celina Vargas do Amaral Peixoto, diretora do CPDOC. Falei sobre o assunto com Goulart, em come\u00e7o de novembro de 1976, e ele pretendia enviar-me aos Estados Unidos para pesquis\u00e1-los, mas faleceu cerca de um m\u00eas depois, em 6 de dezembro. O professor Francisco Weffort, no entanto, forneceu-me os documentos que trouxe dos Estados Unidos e eu utilizei em \u201cO Governo Jo\u00e3o Goulart\u201d.<\/p>\n<p><strong>CC: E da\u00ed&#8230;<br \/>\nMB:<\/strong> Ap\u00f3s mais de tr\u00eas d\u00e9cadas, Jo\u00e3o Vicente, corajosamente, anunciou: \u201cN\u00f3s vamos provar que houve interven\u00e7\u00e3o\u201d . Que grande novidade! Jo\u00e3o Vicente descobriu o que j\u00e1 estava descoberto, pretende provar o que est\u00e1 provado, e da\u00ed porque decidiu entrar com uma a\u00e7\u00e3o contra o governo dos Estados Unidos, cobrando a indeniza\u00e7\u00e3o 3,496 bilh\u00f5es de reais (3 bilh\u00f5es de reais por danos morais e 496 milh\u00f5es de reais por danos materiais), e empenhou-se em difundir a tese do assassinato. Ele por\u00e9m ignora que os Estados Unidos, ao longo de 110 anos, durante os quais depuseram abertamente 14 governos, nunca pagaram qualquer indeniza\u00e7\u00e3o a ningu\u00e9m. De qualquer forma, a esperan\u00e7a \u00e9 sempre a \u00faltima que morre.<\/p>\n<p><strong>CC: Nos documentos do SNI cita-se um agente B, que compartilhava da intimidade dos Goulart no Uruguai. Muitos dizem que o ex-deputado Cl\u00e1udio Braga, por muitos anos secret\u00e1rio particular do ex-presidente, pudesse ser esse informante. O que o senhor acha?<br \/>\nMB:<\/strong> Nunca houve d\u00favida de que o SNI, a CIA e outros servi\u00e7os de intelig\u00eancia do Brasil e do Uruguai sempre monitoraram as atividades de Goulart, desde que ele, Brizola e outros exilados, entre os quais eu, chegaram a Montevid\u00e9u em 1964. N\u00e3o \u00e9 surpreendente. Surpreendente seria se suas atividades n\u00e3o fossem acompanhados pelos \u00f3rg\u00e3os de intelig\u00eancia, n\u00e3o s\u00f3 da ditadura instalada no Brasil como dos Estados Unidos e tamb\u00e9m do Uruguai. Quanto \u00e0 intimidade de Goulart, ela praticamente n\u00e3o existia. Sua resid\u00eancia de Maldonado tinha a porteira aberta. L\u00e1 entravam mulheres e homens, amigas e amigos, de Goulart, Maria Thereza e Jo\u00e3o Vicente. Outros apenas conhecidos, muitos eventuais, apareciam, sem nenhum controle.\u00a0<\/p>\n<p>E \u00e9 \u00f3bvio que havia agentes infiltrados entre os que costumavam frequent\u00e1-la ou mesmo mantinham com Goulart rela\u00e7\u00f5es de trabalho ou de neg\u00f3cios.\u00a0Na est\u00e2ncia, onde estava o moinho, havia dezenas de empregados que igualmente recebiam pessoas de fora. Qualquer um \u2013 se \u00e9 que somente um havia &#8211; podia ser chamado de agente B e l\u00e1 ter acesso aos pertences e pap\u00e9is de Goulart. No churrasco realizado em 1\u00b0 de mar\u00e7o de 1975, quando completou Goulart 56 anos, compareceu, al\u00e9m de amigos, o ministro de Defesa do Uruguai, Walter Ravena (1973-81), acompanhado por v\u00e1rios agentes de seguran\u00e7a. Algum ou alguns, provavelmente, trabalhavam igualmente para o SNI. Quanto a Cl\u00e1udio Braga ser possivelmente o agente B \u00e9 uma cal\u00fania. Maria Thereza Goulart, em entrevista a CartaCapital, insinuou que era ele, por\u00e9m, logo declarou que n\u00e3o era dele que estava falando, que n\u00e3o podia \u201cacusar pessoas sem uma certeza\u201d e tinha \u201cmedo de cometer um erro\u201d. E o fato \u00e9 que ela deu todo apoio a Cl\u00e1udio Braga no processo contra D\u00edaz.\u00a0<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m, no mesmo ano, Danilo Groff, \u00e1ulico de Brizola, foi condenado a um ano de deten\u00e7\u00e3o e \u00e0 multa de 50 mil cruzeiros pelo juiz da 4\u00aa Vara Criminal de Porto Alegre, por haver acusado Braga durante sua campanha para deputado no Rio Grande do Sul. Certamente Maria Thereza insinuou ser Braga o agente B porque ele n\u00e3o cr\u00ea no assassinato de Jango, tese que depois se tornou conveniente defender, mas conforme a vers\u00e3o de Neira. O que sei \u00e9 que Cl\u00e1udio Braga era homem de confian\u00e7a de Goulart. N\u00e3o residia no Uruguai. Morava em Buenos Aires, onde era o respons\u00e1vel pelo escrit\u00f3rio do presidente deposto. Orpheu Santos Salles (s\u00f3cio de Goulart) me contou que ele era muito cauteloso e rigoroso na escolha das pessoas nas quais confiar e permitir o ingresso no escrit\u00f3rio. Tamb\u00e9m serviu a Maria Thereza e a Denize, de quem foi procurador, depois da morte de Goulart. H\u00e1 muitas intrigas.<\/p>\n<p>Sei muito, o bastante, sobre a vida de Goulart no Uruguai e na Argentina. Vivi exilado no Uruguai, em 1964 e1965, e l\u00e1 estive muitas vezes, em 1975 e1976, quando morei algum tempo em Buenos Aires. Frequentemente ia a Montevid\u00e9u a fim de pesquisar para a minha tese de doutoramento, sobre o papel do Brasil na Bacia do Prata, e o livro sobre o governo de Jo\u00e3o Goulart, com quem conversei muitas vezes em Maldonado e em Buenos Aires. Sei o que se passava, conhe\u00e7o detalhes dos bastidores, mas n\u00e3o vou entrar em assuntos pessoais, em respeito \u00e0 mem\u00f3ria do ex-presidente, que outrossim est\u00e1 sendo dilapidada.\u00a0<\/p>\n<p>(Foto: Valter Campanato\/ABr)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0Luiz Moniz Bandeira &#8211; Cientista Pol\u00edtico \u00a0Perto de relan\u00e7ar &#8216;O Governo Jo\u00e3o Goulart&#8217;, o cientista pol\u00edtico Luiz Alberto Moniz Bandeira critica os defensores da teoria do envenenamento de Jango e n\u00e3o poupa nem familiares do presidente deposto\u00a0 A Sergio Lirio &hellip; <a href=\"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/2010\/05\/01\/charlatanice-e-exploracao-luiz-alberto-moniz-bandeira\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[86,2596,2541,74,2595],"class_list":["post-5229","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-entrevistas","tag-ditadura-militar","tag-governo-vargas","tag-joao-goulart","tag-moniz-bandeira","tag-revista-carta-capital"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5229","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5229"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5229\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5233,"href":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5229\/revisions\/5233"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5229"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5229"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5229"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}