{"id":5040,"date":"2010-02-19T14:06:04","date_gmt":"2010-02-19T17:06:04","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/?p=5040"},"modified":"2010-02-19T14:08:01","modified_gmt":"2010-02-19T17:08:01","slug":"adoniran-barbosa-por-antonio-candido","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/2010\/02\/19\/adoniran-barbosa-por-antonio-candido\/","title":{"rendered":"Adoniran Barbosa por Antonio Candido"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Quando falei a Antonio Candido sobre minha admira\u00e7\u00e3o por Adoniran Barbosa, o mestre disse que tamb\u00e9m era f\u00e3 do grande compositor. E que havia feito o texto da contracapa em um de seus discos. Pesquisei e achei no blog de Marcia Fernandes. Abaixo v\u00e3o o link e o texto. Para meu azar, estou fazendo um artigo sobre Adoniram e, algumas id\u00e9ias que eu tinha j\u00e1 foram expostas por Candido. Mas, <em>Num fais mar, num tem port\u00e2ncia, v\u00f4 cham\u00e1 duas imbul\u00e2ncia.<\/em> E come\u00e7ar tudo de novo. Adoniran \u00e9 inesgot\u00e1vel.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong><a href=\"http:\/\/palavrademusico.blogspot.com\/2009\/08\/adoniran-barbosa-por-antonio-candido.html\">http:\/\/palavrademusico.blogspot.com\/2009\/08\/adoniran-barbosa-por-antonio-candido.html<\/a><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><strong>\u00a0<strong>\u00a0<a id=\"aptureLink_smKqnJtxi4\" href=\"http:\/\/apture.s3.amazonaws.com\/00000126e767583b6b1fe41b007f000000000001.adoniran_desenhado.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"border: 0px\" title=\"adoniran_desenhado\" src=\"http:\/\/apture.s3.amazonaws.com\/00000126e767583b6b1fe41b007f000000000001.adoniran_desenhado.jpg\" alt=\"\" width=\"250\" height=\"309\" \/><\/a><\/strong><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong><a href=\"http:\/\/palavrademusico.blogspot.com\/2009\/08\/adoniran-barbosa-por-antonio-candido.html\">Adoniran Barbosa por Antonio Candido<\/a> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Na contracapa do LP: &#8220;Adoniran Barbosa&#8221; (Odeon, 1975; Dir. Musical de Jos\u00e9 Briamonte), encontrei este belo texto do mestre Antonio Candido, que transcrevo na \u00edntegra:<\/p>\n<p><em>&#8221; Adoniran Barbosa \u00e9 um grande compositor e poeta popular, expressivo como poucos; mas n\u00e3o \u00e9 Adoniran nem Barbosa, e sim Jo\u00e3o Rubinato, que adotou o nome de um amigo do Correio e o sobrenome de um compositor admirado. A id\u00e9ia foi excelente, porque um artista inventa antes demais nada a sua pr\u00f3pria personalidade; e porque, ao fazer isto, ele exprimiu a realidade t\u00e3o paulista do italiano recoberto pela terra e do brasileiro das ra\u00edzes europ\u00e9ias. Adoniran \u00e9 um paulista de cerne que exprime a sua terra com a for\u00e7a da imagina\u00e7\u00e3o alimentada pelas heran\u00e7as necess\u00e1rias de fora. <\/em><\/p>\n<p><em>J\u00e1 tenho lido que ele usa uma l\u00edngua misturada de italiano e portugu\u00eas. N\u00e3o concordo. Da mistura, que \u00e9 o sal da nossa terra, Adoniran colheu a flor e produziu uma obra radicalmente brasileira, em que as melhores cad\u00eancias do samba e da can\u00e7\u00e3o, alimentadas inclusive pelo terreno f\u00e9rtil das Escolas, se alia com naturalidade \u00e0s deforma\u00e7\u00f5es normais de portugu\u00eas brasileiro, onde Ernesto vira Arnesto, em cuja casa n\u00f3s fumo e n\u00e3o encontremo ningu\u00e9m, exatamente como por todo esse pa\u00eds. Em S\u00e3o Paulo, hoje, o italiano est\u00e1 na filigrana.<\/em><\/p>\n<p><em>A fidelidade \u00e0 m\u00fasica e \u00e0 fala do povo permitiram a Adoniran exprimir a sua Cidade de modo completo e perfeito. S\u00e3o Paulo muda muito, e ningu\u00e9m \u00e9 capaz de dizer aonde ir\u00e1. Mas a cidade que nossa gera\u00e7\u00e3o conheceu (Adoniran \u00e9 de 1910) foi a que se sobrep\u00f4s \u00e0 velha cidadezinha caipira, entre 1900 e 1950; e que desde ent\u00e3o vem cedendo lugar a uma outra, transformada em vasta aglomera\u00e7\u00e3o de gente vinda de toda parte. A nossa cidade, que substituiu a S\u00e3o Paulo estudantil e provinciana, foi a dos mestres-de-obra italianos e portugueses, dos arquitetos de inspira\u00e7\u00e3o neo-cl\u00e1ssica, floral e neo-colonial, em camadas sucessivas. S\u00e3o Paulo dos palacetes franco-libaneses do Ipiranga, das vilas uniformes do Br\u00e1s, das casas meio francesas de Higien\u00f3polis, da salada da Avenida Paulista. S\u00e3o Paulo da 25 de mar\u00e7o dos s\u00edrios, da Caetano Pinto dos espanh\u00f3is, das Rapaziadas do Br\u00e1s, na qual se apurou um novo modo cantante de falar portugu\u00eas, como l\u00edngua geral na converg\u00eancia dos dialetos peninsulares e do baixo-cont\u00ednuo vern\u00e1culo. Esta cidade que est\u00e1 acabando, que j\u00e1 acabou com a garoa, os bondes, o trem da Cantareira, o Tri\u00e2ngulo, as Cantinas do Bexiga, Adoniran n\u00e3o a deixar\u00e1 acabar, porque gra\u00e7as a ele ela ficar\u00e1, misturada vivamente com a nova mas, como o quarto do poeta, tamb\u00e9m &#8220;intacta, boiando no ar.&#8221;<\/em><\/p>\n<p><em>A sua poesia e a sua m\u00fasica s\u00e3o ao mesmo tempo brasileiras em geral e paulistanas em particular. Sobretudo quando entram (quase sempre discretamente) as indica\u00e7\u00f5es de lugar, para nos porem no Alto da Mooca, na Casa Verde, na Avenida S\u00e3o Jo\u00e3o, na 23 de Maio, no Br\u00e1s gen\u00e9rico, no recente metr\u00f4, no antes remoto Ja\u00e7an\u00e3. Quando n\u00e3o h\u00e1 esta indica\u00e7\u00e3o, a lembran\u00e7a de outras composi\u00e7\u00f5es, a atmosfera l\u00edrica cheia de espa\u00e7o que \u00e9 a de Adoniran, nos fazem sentir por onde se perdeu In\u00eas ou onde o desastrado Papai Noel da chamin\u00e9 estreita foi comprar Bala Mistura: nalgum lugar de S\u00e3o Paulo. Sem falar que o \u00fanico poema em italiano deste disco nos p\u00f5e no seu \u00e2mago, sem necessidade de localiza\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p><em>Com os seus firmes 65 anos de magro, Adoniran \u00e9 o homem da S\u00e3o Paulo entre as duas guerras, se prolongando na que surgiu como jib\u00f3ia fuliginosa dos vales e morros para devor\u00e1-la. L\u00edrico e sarc\u00e1stico, malicioso e logo emocionado, com o encanto insinuante da sua anti-voz rouca, o chapeuzinho de aba quebrada sobre a perman\u00eancia do la\u00e7o de borboleta dos outros tempos, ele \u00e9 a voz da Cidade. Talvez a borboleta seja m\u00e1gica; talvez seja a mariposa que senta no prato das l\u00e2mpadas e se transforma na carne noturna das mulheres perdidas. Talvez Jo\u00e3o Rubinato n\u00e3o exista, porque quem existe \u00e9 o m\u00e1gico Adoniran Barbosa, vindo dos carreadores de caf\u00e9 para inventar no plano da arte a perman\u00eancia da sua cidade e depois fugir, com ela e conosco, para a terra da poesia, ao apito fantasmal do trenzinho perdido da Cantareira.&#8221;<\/em> <strong>(Antonio Candido, 1975)<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Pros f\u00e3s do Jo\u00e3o Rubinato, procurem neste blog meu poema <em>Adonirando<\/em> que foi musicado por Lula Barbosa e gravado duas vezes por diferentes cantores. Antes pelo grupo <em>Catavento<\/em>. E, mais tarde por Thobias da Vai Vai. \u00c9 s\u00f3 escrever<em> Adonirando<\/em> no servi\u00e7o de busca do pr\u00f3prio blog. Ler o poema e, ao final, ouvir a can\u00e7\u00e3o interpretada pelo Thobias com participa\u00e7\u00e3o de Lula Barbosa. <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Por fim, aguardar para breve meu artigo sobre Adoniran Barbosa.<\/strong><\/p>\n<p align=\"right\"><strong><em>Levi Bucalem Ferrari<\/em><\/strong><\/p>\n<p align=\"right\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">&#8220;Outras Palavras&#8221; \u00e9 o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na R\u00e1dio Cultura do Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Quando falei a Antonio Candido sobre minha admira\u00e7\u00e3o por Adoniran Barbosa, o mestre disse que tamb\u00e9m era f\u00e3 do grande compositor. E que havia feito o texto da contracapa em um de seus discos. 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