{"id":4331,"date":"2009-08-30T18:56:40","date_gmt":"2009-08-30T21:56:40","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/?p=4331"},"modified":"2009-08-30T20:03:03","modified_gmt":"2009-08-30T23:03:03","slug":"a-ilha-roubada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/2009\/08\/30\/a-ilha-roubada\/","title":{"rendered":"A ilha roubada"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/files\/ilha.jpg\" alt=\"ilha\" width=\"113\" height=\"180\" class=\"alignleft size-full wp-image-4332\" \/><br \/>\nSandro Vaia<br \/>\nEd. Barcarolla<\/p>\n<p>O livro \u00e9 mais do que um mero perfil biogr\u00e1fico. A partir dos depoimentos de Yoani e Reinaldo, Vaia contextualiza o leitor em rela\u00e7\u00e3o a Cuba. Assim, com v\u00e1rias hist\u00f3rias sobre o cotidiano na ilha, o autor tece um retrato sobre o pa\u00eds e seus habitantes. <\/p>\n<p>Descendente de imigrantes espanh\u00f3is, Yoani S\u00e1nchez nasceu em 1975, em Havana. Ela conta que, muito embora fosse um homem de pouco estudo, seu pai sempre gostou de ler. Assim, crescendo rodeada por livros, ela construiu uma esp\u00e9cie de mundo paralelo gra\u00e7as \u00e0 literatura de autores como Victor Hugo, Balzac, Zola e Dostoi\u00e9vski. <\/p>\n<p>Determinada a ser a primeira universit\u00e1ria da fam\u00edlia, ela a princ\u00edpio quis se tornar jornalista. No entanto, logo percebeu o absurdo de ser jornalista em um pa\u00eds sem liberdade de express\u00e3o e optou por estudar filologia. <\/p>\n<p>Conheceu Reinaldo, duas d\u00e9cadas mais velho, quando estava na faculdade. Ele fora expurgado da profiss\u00e3o de jornalista em 1988, quando trabalhava no \u201cJuventud Rebelde\u201d, e seus artigos \u201cn\u00e3o se alinhavam \u00e0 linha editorial do jornal\u201d. Chegou a trabalhar como mec\u00e2nico de elevadores para garantir o sustento. No in\u00edcio do casamento, eles sobreviviam vendendo coisas no mercado ilegal e dando aulas clandestinas de espanhol. Nos dias de hoje, al\u00e9m de continuar lecionando espanhol, eles trabalham como guias alternativos para pessoas que se interessam em percorrer os pontos tur\u00edsticos n\u00e3o convencionais de Havana.<\/p>\n<p>Mesmo sobrevivendo com dificuldade, Yoani e Reinaldo n\u00e3o s\u00e3o dependentes do Estado. Com isso, eles desenvolveram, al\u00e9m da autonomia material, uma certa autonomia pol\u00edtica. Segundo ela, quando \u201cuma pessoa n\u00e3o depende do Estado para comprar um televisor, quando n\u00e3o precisa depender de meios pol\u00edticos para passar um fim de semana na praia ou para comprar qualquer eletrodom\u00e9stico, isso de alguma maneira tira o chip da obedi\u00eancia\u201d. <\/p>\n<p>A despeito da censura existente, portanto, eles procuram se comportar como pessoas livres. Em 2004, associaram-se a um grupo de amigos e fundaram a revista virtual Consenso. Foi a primeira experi\u00eancia de Yoani com a rede. <\/p>\n<p>A revista tinha como objetivo inicial abrir o debate, permitir que pessoas de diversos matizes pol\u00edticos se manifestassem, mas logo passou a ser usada por figuras ligadas a partidos pol\u00edticos como se fosse uma esp\u00e9cie de \u00f3rg\u00e3o oficial dessas agremia\u00e7\u00f5es. Em fun\u00e7\u00e3o disso, Yoani e Reinaldo perceberam que o melhor a fazer era se afastar e buscar outros meios para expressar suas opini\u00f5es.<\/p>\n<p>Assim, com a ajuda de alguns amigos da Alemanha, criaram, em 2006, o portal desde Cuba.com para exercer o que chamam de \u201cjornalismo livre\u201d. O portal comporta a revista Contodos e v\u00e1rios blogs, dentre os quais o \u201cGeneraci\u00f3n Y\u201d de Yoani e o Desde aqu\u00ed de Reinaldo. <\/p>\n<p>Uma vez criado, o \u201cGeneraci\u00f3n Y\u201d adquiriu notoriedade rapidamente. Um texto no portal do \u201cThe Wall Street Journal\u201d foi apenas o come\u00e7o. Com o passar dos meses, os acessos, os coment\u00e1rios e a repercuss\u00e3o s\u00f3 aumentaram, vindos de todas as partes do mundo. Como n\u00e3o poderia deixar de ser, os partid\u00e1rios do regime cubano viram em Yoani uma esp\u00e9cie de amea\u00e7a e passaram a espalhar boatos, como o de que ela n\u00e3o existiria, mas seria uma cria\u00e7\u00e3o de intelectuais cubanos dissidentes. Outra acusa\u00e7\u00e3o recorrente \u00e9 a de que ela existe, sim, mas estaria na folha de pagamentos de alguma organiza\u00e7\u00e3o anticastrista.<\/p>\n<p>&#8220;Generaci\u00f3n Y\u201d tem o acesso bloqueado em Cuba. Assim, Yoani \u00e9 um caso talvez \u00fanico de blogueira que n\u00e3o consegue visualizar o pr\u00f3prio blog. Para atualiz\u00e1-lo, ela escreve os posts, grava-os em um disquete, vai a uma lan house e os envia por e-mail a uma rede de amigos estrangeiros. Estes traduzem os textos para o italiano, o franc\u00eas e o ingl\u00eas e os remetem para o servidor, que fica na Alemanha. S\u00f3 ent\u00e3o \u00e9 que os posts s\u00e3o publicados. Posteriormente, tamb\u00e9m por e-mail e gra\u00e7as a essa rede de amigos, Yoani recebe os coment\u00e1rios dos leitores.<\/p>\n<p>Dentre as v\u00e1rias raz\u00f5es do sucesso do blog, Yoani aponta o fato de faz\u00ea-lo com o rosto descoberto e usando o seu pr\u00f3prio nome. Segundo as suas pr\u00f3prias palavras, saber que \u201cessa mulher tem um rosto, existe, est\u00e1 em Cuba e \u00e9 real ajudou na identifica\u00e7\u00e3o com os leitores\u201d, al\u00e9m de desqualificar de imediato boa parte dos ataques feitos contra ela. A revista Time colocou Yoani entre as cem pessoas mais influentes do mundo sob a rubrica \u201cHer\u00f3is e Pioneiros\u201d. Ela, entretanto, diz preferir que seu nome estivesse sob a rubrica \u201cCidad\u00e3os\u201d.<\/p>\n<div class=\"rodape\">&#8220;Outras Palavras&#8221; \u00e9 o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na R\u00e1dio Cultura Brasil.<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sandro Vaia Ed. 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