{"id":3115,"date":"2009-03-13T12:32:07","date_gmt":"2009-03-13T15:32:07","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/?p=3115"},"modified":"2009-03-13T12:34:25","modified_gmt":"2009-03-13T15:34:25","slug":"o-bibliotecario-e-a-era-do-conhecimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/2009\/03\/13\/o-bibliotecario-e-a-era-do-conhecimento\/","title":{"rendered":"O bibliotec\u00e1rio e a era do conhecimento"},"content":{"rendered":"<p><em>Texto conjunto de <a href=\"mailto:stefanov@uol.com.br\">Vera Stefanov<\/a> e <a href=\"mailto:presidente@ube.org.br\">Levi Bucalem Ferrari<\/a>, publicado no jornal <strong><a href=\"http:\/\/www.folha.uol.com.br\/\" target=\"_blank\">Folha de S. Paulo<\/a><\/strong>, se\u00e7\u00e3o &#8220;Tend\u00eancias\/Debates&#8221;, edi\u00e7\u00e3o de 12 de mar\u00e7o de 2009.<\/em><\/p>\n<table border=\"0\" width=\"450\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\n<hr size=\"2\" \/><strong><em><span>Hoje, no Dia do Bibliotec\u00e1rio, esse profissional clama pelo reconhecimento social que, todavia, ainda n\u00e3o lhe faz justi\u00e7a plena aqui no Brasil<\/span><\/em><\/strong><span><em><\/em><\/span>\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<hr size=\"2\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>AS CIVILIZA\u00c7\u00d5ES t\u00eam como marco inicial a palavra escrita, testemunho mais eloquente de qualquer cultura. Na Antiguidade, bibliotecas foram s\u00edmbolo do prest\u00edgio das cidades que as abrigavam.<\/p>\n<p>Zelar por elas era tarefa das mais importantes, atribu\u00edda a um segmento nobili\u00e1rquico competente. Ainda n\u00e3o se distinguiam os pap\u00e9is do escriba e os do bibliotec\u00e1rio,\u00a0como os entendemos hoje, mas o fato \u00e9 que esses profissionais gozavam de prest\u00edgio e respondiam diretamente ao soberano.<\/p>\n<p>A partir da inven\u00e7\u00e3o da prensa m\u00f3vel por Gutenberg, aumenta exponencialmente o n\u00famero de exemplares por livro e surgem os jornais, os fasc\u00edculos, as revistas. Logo, as bibliotecas demandaram profissionais especializados, na moderna figura do bibliotec\u00e1rio -que desenvolveram sistemas mais eficazes de cataloga\u00e7\u00e3o, disposi\u00e7\u00e3o, conserva\u00e7\u00e3o etc.\u00a0No Brasil, esse marco foi estabelecido pelo engenheiro, bibliotec\u00e1rio, escritor e poeta Manuel Bastos Tigre. \u00a0<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia de sua contribui\u00e7\u00e3o \u00e9 reconhecida tamb\u00e9m pela legisla\u00e7\u00e3o, que apontou a data de seu nasci- mento -12 de mar\u00e7o- como o Dia do Bibliotec\u00e1rio no Brasil.\u00a0Em 1906, Bastos Tigre viajou para os Estados Unidos, onde conheceu Melvil Dewey, que j\u00e1 havia institu\u00eddo o sistema de classifica\u00e7\u00e3o decimal.\u00a0A partir de 1945, trabalhou na Biblioteca Nacional e, depois, assumiu a dire\u00e7\u00e3o da Biblioteca Central da Universidade do Brasil.\u00a0<\/p>\n<p>Fi\u00e9is ao esp\u00edrito pioneiro de seu patrono e aos in\u00fameros servi\u00e7os que prestou ao pa\u00eds e ao livro, bibliotec\u00e1rios brasileiros clamam na data de hoje pelo reconhecimento social que, todavia, ainda n\u00e3o lhes faz justi\u00e7a plena.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>De fato, predomina, entre n\u00f3s, muito amadorismo na quest\u00e3o. Enquanto o bibliotec\u00e1rio \u00e9 visto como luxo dispens\u00e1vel, n\u00e3o raro outros profissionais s\u00e3o chamados para quebrar o galho, comprometendo a conserva\u00e7\u00e3o de acervos importantes, sua disposi\u00e7\u00e3o racional e sua acessibilidade. \u00a0<\/p>\n<p>Nas escolas a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 de calamidade p\u00fablica. Muitas nem sequer possuem bibliotecas. N\u00e3o raro, \u00e9 algum professor que se encarrega de organizar o acervo. Em outras, os livros se atulham sob escadas, corredores ou salas inadequadas. O impacto \u00e9 extremamente negativo na forma\u00e7\u00e3o dos alunos. Na idade em que a leitura precisa ser valorizada para que seu h\u00e1bito se cristalize, o estudante v\u00ea livros tratados como entulho. Nada o convencer\u00e1 mais tarde do contr\u00e1rio: o livro permanecer\u00e1 entulho, e sua leitura, um ato despido de sentido.\u00a0Quanto ao ensino superior, as informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o melhores. Boa parte dos grandes complexos educacionais privados costuma adquirir muitos livros. Mas, quantos? \u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Uma centena de exemplares pode impressionar o leigo, mas est\u00e1 longe da sufici\u00eancia se o n\u00famero de alunos por curso passa da casa do milhar. Se isso \u00e9 v\u00e1lido para uma pol\u00edtica hip\u00f3crita em rela\u00e7\u00e3o ao livro, imaginemos as propor\u00e7\u00f5es bibliotec\u00e1rio\/usu\u00e1rio nessas institui\u00e7\u00f5es. Seu n\u00famero \u00e9 quase sempre insuficiente, como s\u00e3o prec\u00e1rias suas condi\u00e7\u00f5es de trabalho.\u00a0No momento em que governo e sociedade no Brasil se d\u00e3o conta de nossos vergonhosos n\u00edveis de leitura e se mobilizam para super\u00e1-los por meio de programas de incentivo, n\u00e3o \u00e9 mais poss\u00edvel aceitarmos esses descalabros. \u00c9 o momento de convocar o bibliotec\u00e1rio para &#8211; ao lado do educador, do escritor, do editor e de outros &#8211; tra\u00e7ar os rumos de uma pol\u00edtica eficaz e duradoura para os livros e para as bibliotecas. \u00a0\u00a0<\/p>\n<p>Entre os novos desafios, o maior vem da tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, que cresce exponencialmente. Ajudar o pesquisador, o profissional e o cidad\u00e3o a pin\u00e7ar, entre uma infinidade de informa\u00e7\u00f5es, aquelas que realmente lhe interessam e que s\u00e3o confi\u00e1veis \u00e9 apenas a ponta do iceberg. De fato, a possibilidade de acesso mais democr\u00e1tico \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, \u00e0 literatura e \u00e0 cultura em geral n\u00e3o permitir\u00e1 que o bibliotec\u00e1rio se aliene em rela\u00e7\u00e3o a desafios que trazem em seu bojo a hist\u00f3rica oportunidade de alian\u00e7a entre cultura e consci\u00eancia cr\u00edtica, entre informa\u00e7\u00e3o e emancipa\u00e7\u00e3o. \u00a0<\/p>\n<p>Inicialmente, ele ter\u00e1 de interagir em equipes multidisciplinares, em processos de m\u00fatuo aprendizado. Aos poucos, sua forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica haver\u00e1 de impor-se como pe\u00e7a-chave de fun\u00e7\u00f5es socialmente t\u00e3o relevantes. O bibliotec\u00e1rio se mostrar\u00e1, assim, indispens\u00e1vel. Quando isso ocorrer, a forma como esse profissional for tratado por empregadores de quaisquer tipos, pela sociedade e pelo legislador representar\u00e1 indicador do grau de civiliza\u00e7\u00e3o que poderemos projetar para n\u00f3s mesmos.\u00a0<\/p>\n<p><\/p>\n<hr size=\"1\" \/>\n<div><span><strong><span>VERA LUCIA\u00a0<span class=\"il\">STEFANOV<\/span><\/span><\/strong><span>, 56, bibliotec\u00e1ria documentalista, \u00e9 presidente do SinBiesp (Sindicato dos Bibliotec\u00e1rios do Estado de S\u00e3o Paulo).\u00a0<\/span><\/span><\/div>\n<div><span><span><span><br \/>\n<\/span><strong><span><span class=\"il\">LEVI<\/span>\u00a0BUCALEM FERRARI<\/span><\/strong><span>, 63, cientista pol\u00edtico, \u00e9 presidente da UBE (Uni\u00e3o Brasileira de Escritores).<\/span><\/span><\/span><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto conjunto de Vera Stefanov e Levi Bucalem Ferrari, publicado no jornal Folha de S. 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