{"id":195,"date":"2007-10-16T23:55:00","date_gmt":"2007-10-17T02:55:00","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/?p=195"},"modified":"2008-12-07T11:12:05","modified_gmt":"2008-12-07T14:12:05","slug":"amor-desvairado-amor-maduro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/2007\/10\/16\/amor-desvairado-amor-maduro\/","title":{"rendered":"AMOR DESVAIRADO, AMOR MADURO"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/files\/resenha3.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-200\" src=\"http:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/files\/resenha3.jpg\" border=\"1\" alt=\"\" width=\"120\" height=\"180\" \/><\/a><\/p>\n<p><strong>Discurso Urbano<br \/>\n<a href=\"http:\/\/www.amigosdolivro.com.br\/sites\/extapp\/izacylguimaraesferreira\/index.php\">Izacyl Guimar\u00e3es Ferreira<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Ningu\u00e9m tem certeza, mas o mais prov\u00e1vel \u00e9 que o homo sapiens tenha perambulado como n\u00f4made por mais de 250 mil anos at\u00e9 que descobriu que a semente da fruta que comera germinou \u00e1rvore id\u00eantica \u00e0quela de onde colhera os frutos. Tamb\u00e9m que alguns animais, at\u00e9 ent\u00e3o mera ca\u00e7a, poderiam ser criados e procriar-se em cativeiro, fornecendo-lhe (ao homem) outros produtos e servi\u00e7os al\u00e9m da carne.<\/p>\n<p>Pronto. Estavam plantadas as sementes da primeira e maior revolu\u00e7\u00e3o que a humanidade conheceria, a revolu\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. J\u00e1 n\u00e3o seria necess\u00e1rio vagarmos pelo desconhecido como as outras feras em busca de comida, \u00e1gua e abrigo. Paremos por aqui mesmo, ponderou o mais esperto, a safra promete e o gado est\u00e1 a engordar, a fornecer tamb\u00e9m leite e sua for\u00e7a para o arado e o transporte. Certamente este l\u00edder, se homem, foi influenciado por alguma, ou todas as mulheres, cansadas de transportar os filhos, fora e dentro do ventre, pelas inseguran\u00e7as do mundo.<\/p>\n<p>Erguer abrigos menos provis\u00f3rios, mais seguros, da\u00ed a casa, da\u00ed a cidade, da\u00ed formas menos incipientes de conviv\u00eancia. Organiza\u00e7\u00e3o social com regras claras, se poss\u00edvel escritas; escritas tamb\u00e9m as fa\u00e7anhas de nossos lend\u00e1rios her\u00f3is, os c\u00e2nticos usados nos rituais. A cidade nasce com a poesia. E vice-versa.<\/p>\n<p>Passeie pelos s\u00e9culos e note\u00a0 que as grandes capitais dos imp\u00e9rios orientais constituir\u00e3o a panela na qual se cozinha a cultura das forma\u00e7\u00f5es sociais com muito mais pressa e sabor que no campo. Quanto ao ocidente, perceba que a Polis grega \u00e9 o pilar da civiliza\u00e7\u00e3o. Aproveite e pergunte ao Arist\u00f3teles se a Hist\u00f3ria ou a Poesia poderiam ser feitas no campo. Qual \u00e9, Man\u00e9? Responderia para concluir. E tem mais: Voc\u00ea acha que o S\u00f3focles ou o Eur\u00edpedes encenariam aquele teatro sofisticado numa planta\u00e7\u00e3o de oliveiras ou pasto de cabras? Eles querem p\u00fablico. E de qualidade.<\/p>\n<p>Na seq\u00fc\u00eancia, o Imp\u00e9rio Romano urbanizaria o mundo conhecido.<\/p>\n<p>E foi com sua queda que a barb\u00e1rie tomou conta. Pelo menos no ocidente regredimos muito ao esvaziar as cidades e voltar para o campo onde se concentraria, por muito tempo, o poder de senhores feudais e da Igreja. Tempo de reis e nobres analfabetos e bestiais. Tudo bem para a Igreja daquele tempo, a dominar pela supersti\u00e7\u00e3o e medo do inferno. E algumas bruxas para assar de vez em quando. Chegaram a milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Enquanto isso, \u00e0 sombra do castelo ou longe dele, nos portos e conflu\u00eancias de rios, as cidades renasciam, f\u00eanix civilizat\u00f3ria. Artes\u00e3os, comerciantes e muitos outros fogem para l\u00e1 para se verem livres do jugo feudal. G\u00eanova e Amsterd\u00e3 inventam barcos e bancos; Veneza, a Rep\u00fablica; e Floren\u00e7a o Leonardo, o Michelangelo, o Galileu, o Maquiavel, o Dante&#8230; Nem precisava tanto.<\/p>\n<p>Cervantes p\u00f5e a p\u00e1 de cal nos \u00faltimos valores feudais, tratando-os com ironia e mal\u00edcia. Atrav\u00e9s dele, o poder burgu\u00eas inventou sua forma de manifesta\u00e7\u00e3o predileta, o romance, aquela coisa amb\u00edgua e urbana se comparada \u00e0s gestas que elogiavam her\u00f3is e pr\u00edncipes sempre crist\u00e3os.<\/p>\n<p>A cidade volta a ser, e ser\u00e1 at\u00e9 hoje, o espa\u00e7o da reconstru\u00e7\u00e3o civilizat\u00f3ria. E n\u00e3o s\u00f3 o do triunfo do pensamento e viver burgueses como o de outras teorias que cobram mais efetividade na promessa de liberdade, igualdade e fraternidade. Ent\u00e3o era s\u00f3 a formal? Queremos mais, busca-se a supera\u00e7\u00e3o, iluminismo, romantismo, idealismo, materialismo. Sempre na cidade, a ponto de Marx ter usado a express\u00e3o \u201cidiotia rural\u201d.<\/p>\n<p>Chega. Agora \u00e9 curtir a poesia urbana de Izacyl Guimar\u00e3es Ferreira, refinad\u00edssimo poeta de trovar claro, amante apolog\u00e9tico da civiliza\u00e7\u00e3o, da cultura e da liberdade. Noutras palavras, da cidade e de sua melhor poesia.<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo, 16 de outubro de 2007.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Resenha <em><\/em>publicada no site <a href=\"http:\/\/www.leialivro.sp.gov.br\/busca.php?qry=Levi%20Bucalem%20Ferrari&amp;qryt=name\">Leia Livro<\/a> em 2008.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Discurso Urbano Izacyl Guimar\u00e3es Ferreira Ningu\u00e9m tem certeza, mas o mais prov\u00e1vel \u00e9 que o homo sapiens tenha perambulado como n\u00f4made por mais de 250 mil anos at\u00e9 que descobriu que a semente da fruta que comera germinou \u00e1rvore id\u00eantica &hellip; <a href=\"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/2007\/10\/16\/amor-desvairado-amor-maduro\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[26],"tags":[140,80,139,13,141],"class_list":["post-195","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-critica","tag-cidade","tag-historia","tag-izacyl-guimaraes-ferreira","tag-literatura","tag-poesia-urbana"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/195","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=195"}],"version-history":[{"count":16,"href":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/195\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2976,"href":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/195\/revisions\/2976"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=195"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=195"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/levi\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=195"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}