{"id":741,"date":"2010-09-13T15:27:08","date_gmt":"2010-09-13T15:27:08","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.utopia.org.br\/cbc\/?p=741"},"modified":"2010-09-14T13:02:00","modified_gmt":"2010-09-14T13:02:00","slug":"comeca-em-porto-alegre-o-8-congresso-brasileiro-de-cinema-e-audiovisual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/cbc\/2010\/09\/13\/comeca-em-porto-alegre-o-8-congresso-brasileiro-de-cinema-e-audiovisual\/","title":{"rendered":"Come\u00e7a em Porto Alegre o 8\u00ba CBC"},"content":{"rendered":"<blockquote><p>Ministro da Cultura Juca Ferreira, Secret\u00e1rio do Audiovisual Newton Cannito, Presidente da Fundacine C\u00edcero Aragon, Presidente da Ancine Manoel Rangel e Presidente do CBC Rosemberg Cariry abrem o evento discutindo mercado, pol\u00edticas p\u00fablicas e os novos rumos do setor.<\/p><\/blockquote>\n<p>De 12 a 15 de setembro, Porto Alegre se transforma na capital brasileira do Cinema e do Audiovisual. Apesar de clich\u00ea, a frase \u00e9 totalmente verdadeira: at\u00e9 a pr\u00f3xima quarta-feira, dia 15, a capital ga\u00facha sedia o 8\u00ba Congresso Brasileiro de Cinema e Audiovisual, aberto na noite deste domingo (12). Est\u00e3o presentes no evento mais de 80 entidades das mais importantes do setor, representando nada menos que a totalidade dos estados brasileiros.<\/p>\n<p>A solenidade de abertura do 8\u00ba Congresso Brasileiro de Cinema e Audiovisual teve in\u00edcio com a leitura de uma carta enviada pelo cineasta Nelson Pereira dos Santos &#8211; Presidente de Honra do CBC \u2013 desejando \u201cvotos de bons \u00eaxitos dos trabalhos\u201d.<\/p>\n<p><a title=\"Mesa de abertura do 8\u00ba Congresso Brasileiro de Cinema\" href=\"http:\/\/blogs.utopia.org.br\/cbc\/files\/2010\/08\/mesa_abertura_CBC_600.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/blogs.utopia.org.br\/cbc\/files\/2010\/08\/mesa_abertura_CBC_300.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"188\" class=\"alignleft size-full wp-image-750\" align=\"left\"><\/a> Na sequ\u00eancia, o discurso de <strong>C\u00edcero Aragon<\/strong>, Presidente da Fundacine, lembrou que nos \u00faltimos dez anos os h\u00e1bitos mudaram de uma forma geral, mas que no segmento audiovisual estas mudan\u00e7as foram ainda mais radicais: \u201cO mundo n\u00e3o se contenta mais em assistir. Ele quer interagir e participar. Para suprir esta demanda precisamos nos adaptar, crescer juntos. Precisamos pensar em modelos diferenciados, financiar o novo e nos abrir para mercados que se auto financiem. Precisamos ser mais competitivos, agilizar os processos e diminuir a burocracia\u201d. Finalizando, Aragon enfatizou a import\u00e2ncia das discuss\u00f5es e debates que o Congresso fomentar\u00e1 nos pr\u00f3ximos dias, dizendo: \u201cA partir de agora, estamos em Conclave. E esta agora \u00e9 a nossa Capela Sistina\u201d.<\/p>\n<p>Em seguida, <strong>Rosemberg Cariry<\/strong>, Presidente do CBC, utilizou a linguagem po\u00e9tica para ilustrar as rela\u00e7\u00f5es entre a atividade audiovisual e o mercado: \u201cOs mestres budistas costumavam dizer que uma coisa \u00e9 o dedo que aponta a lua e outra coisa \u00e9 a lua. S\u00e1bios eram estes homens. \u00c9 preciso n\u00e3o confundir o dedo com a lua, nem se iludir com a abstra\u00e7\u00e3o da lua. Muitas vezes, confundimos o nosso cinema que aponta o mundo com o mundo, da mesma forma que os pequenos macacos muitas vezes se afogam tentando apanhar a miragem da lua refletida na \u00e1gua de um lago. Confundir cinema com mercado \u00e9 confundir o dedo com a lua. O mercado pode ser importante, muito importante, mas o mercado n\u00e3o \u00e9 o cinema. Fazer obras tendo como par\u00e2metro exclusivo apenas o poss\u00edvel gosto de um mercado imaginado, em sua abstra\u00e7\u00e3o conservadora, \u00e9 se afogar tentando apanhar a miragem da lua refletida na \u00e1gua. O mercado n\u00e3o pode ser um fim em si mesmo, antes deve ser um meio para a realiza\u00e7\u00e3o do homem, da mesma forma que o dedo \u00e9 um meio que aponta a beleza da lua\u201d. Foi aplaudido em cena aberta.<\/p>\n<p><strong><em>\u201cTemos que reconhecer: s\u00f3 o sonho \u00e9 real\u201d<br \/>\nRosemberg Cariry \u2013 Presidente do CBC<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Rosemberg afirmou tamb\u00e9m que \u201cprecisamos talvez retomar o sentido mais profundo das palavras pichadas pelos jovens, nos muros de todo o mundo, em maio de 1968 &#8211; Sejamos realistas, queiramos o imposs\u00edvel. Por isso mesmo \u00e9 que precisamos novamente da magia-esperan\u00e7a, da poesia-heresia, do cinema-rebeldia e da alquimia-sonho das palavras e do cinema. Desculpem-me, senhoras e senhores, mas me parece que o povo novo do cinema \u00e9 exigente, quer muito mais do que o mercado. O povo novo do cinema quer o cinema como pedra filosofal, o ouro como energia espiritual concentrada, da qual falavam os alquimistas em seus sonhos experimentais. Para quem ainda n\u00e3o sabe, me arrisco a avisar: os alquimistas est\u00e3o chegando, s\u00e3o art\u00edfices de todas as tecnologias e converg\u00eancias digitais, t\u00eam entre quinze e trinta anos de idade: s\u00e3o brancos da classe m\u00e9dia, s\u00e3o \u00edndios da periferia, s\u00e3o negros quilombolas nas favelas das metr\u00f3poles, s\u00e3o mulatos rebelados nos shoppings centers, s\u00e3o loiros dos sert\u00f5es gerais, s\u00e3o caboclos das florestas, s\u00e3o sarar\u00e1s dos terreiros de macumba do planalto central.Um Brasil que se reinventa em cores e sonhos, em novas belezas e impossibilidades tornadas poss\u00edveis. O que aqui se re\u00fane \u00e9 uma na\u00e7\u00e3o diversa e unida, nestes tempos de p\u00f3s-modernidades, em que o centro est\u00e1 em todos os lugares onde est\u00e3o os homens e as mulheres em seus processos criativos. Temos que reconhecer: s\u00f3 o sonho \u00e9 real. Sejamos realistas, vamos restituir o sonho ao cinema brasileiro\u201d.<\/p>\n<p>Ao final de sua explana\u00e7\u00e3o, Rosemberg Cariry foi aplaudido de p\u00e9.<\/p>\n<p><strong><em>\u201cJ\u00e1 imaginaram Tim Burton colocando projeto em edital?\u201d<br \/>\nNewton Cannito \u2013 Secret\u00e1rio do Audiovisual<\/em><\/strong><\/p>\n<p><strong>Manoel Rangel<\/strong>, Presidente da Ancine \u2013 Ag\u00eancia Nacional de Cinema \u2013 lembrou que h\u00e1 dez anos, tamb\u00e9m em Porto Alegre, o ent\u00e3o 3\u00ba Congresso Brasileiro de Cinema acontecia numa situa\u00e7\u00e3o de grande crise, de redu\u00e7\u00e3o de p\u00fablico e investimentos, e onde o setor n\u00e3o conseguia dialogar sequer com a Secretaria do Audiovisual. \u201cCom o Ministro da Cultura, ent\u00e3o, nem pensar!\u201d. Naquela ocasi\u00e3o, diz Rangel, uma plataforma de 69 itens propostos pelo CBC mudou todo o panorama do audiovisual nacional de dez anos para c\u00e1, \u201cporque o CBC se dedicou \u00e0s grandes pautas, e n\u00e3o \u00e0s miudezas do cotidiano\u201d.<\/p>\n<p>E conclui, provocativo: \u201cHoje, dez anos depois, qual ser\u00e1 nossa pr\u00f3xima pauta que nos encham de desafios? Esta \u00e9 a quest\u00e3o central para a qual todos n\u00f3s precisamos encontrar respostas. Como vamos nos pautar? Quais s\u00e3o nossos desafios?\u201d<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia, <strong>Newton Cannito<\/strong>, Secret\u00e1rio do Audiovisual, usou uma linguagem clara e direta para afirmar que o mercado mudou, cresceu, se diversificou e que em fun\u00e7\u00e3o disso tudo \u201ca gente entrou numa sinuca de bico porque agora temos que fazer muito mais do que conseguimos\u201d. Cannito acredita que o audiovisual brasileiro necessita urgentemente pensar num sistema melhor que os editais: \u201cHoje a burocracia \u00e9 tamanha que o cinema brasileiro financia a ind\u00fastria de fotoc\u00f3pias\u201d, ironiza. \u201cHoje obrigamos todos os produtores a serem pol\u00edticos, o que n\u00e3o \u00e9 normal. J\u00e1 imaginaram o Tim Burton colocando projeto em edital? E obrigamos tamb\u00e9m todos os cineastas a serem produtores, o que tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 normal. N\u00e3o estamos valorizando os criadores, mas apenas valorizando quem consegue produzir. O cineasta tem que pensar em arte, n\u00e3o em inscrever filme em edital\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Cannito defende que \u201co problema principal \u00e9 fazer as pessoas se encontrarem, conversarem, e criarem projetos juntas. Resolver a quest\u00e3o da tecnologia \u00e9 f\u00e1cil\u201d. Para o Secret\u00e1rio, a principal quest\u00e3o da chamada \u201cConverg\u00eancia\u201d est\u00e1 intr\u00ednseca na pr\u00f3pria palavra: \u201cver gente\u201d.<\/p>\n<p><strong><em>\u00c9 preciso que o cinema deixe de ser visto como uma complementa\u00e7\u00e3o de uma visita ao shopping center\u201d.<br \/>\n&#8211; Juca Ferreira, Ministro da Cultura.<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Para <strong>C\u00e9zar Prestes<\/strong>, Secret\u00e1rio Estadual da Cultura do Rio Grande do Sul, representando a governadora Yeda Crusius, o mercado \u00e9 importante, mas n\u00e3o pode interferir na cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica. \u201cN\u00e3o podemos perder a ess\u00eancia, n\u00e3o podemos nos esquecer que o cinema \u00e9 org\u00e2nico, \u00e9 verdadeiro\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>E <strong>Paula Alves de Souza<\/strong>, Chefe da Divis\u00e3o de Promo\u00e7\u00e3o Audiovisual do Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, informou que \u201co Itamarati sempre usou o cinema como alicerce para a pol\u00edtica externa\u201d.<\/p>\n<p>A noite de abertura do 8\u00ba CBC foi encerrada com a fala do Ministro da Cultura, <strong>Juca Ferreira<\/strong>: \u201cVisualizo a imensa necessidade de avan\u00e7ar muito. N\u00e3o \u00e9 hora de acomoda\u00e7\u00f5es, pelo contr\u00e1rio. Essa batalha, guerra, odisseia pelo cinema brasileiro \u00e9 fundamental\u201d.<\/p>\n<p>Ressaltando que \u201cMercado n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 mercad\u00e3o. A quitanda da esquina tamb\u00e9m \u00e9 mercado\u201d, Ferreira prop\u00f5e um \u201carmist\u00edcio entre o cinema art\u00edstico e o cinema comercial, pois o Brasil vive um momento de possibilidades imensas. O Brasil precisa se ver nas telas. Todas!\u201d.<\/p>\n<p>Concluindo, Juca Ferreira afirmou que \u201c\u00e9 preciso que o cinema deixe de ser visto como uma complementa\u00e7\u00e3o de uma visita ao shopping center\u201d. E que \u201ca demanda futura ser\u00e1 tamanha que tudo o que est\u00e1 sendo feito ainda \u00e9 pouco\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ministro da Cultura Juca Ferreira, Secret\u00e1rio do Audiovisual Newton Cannito, Presidente da Fundacine C\u00edcero Aragon, Presidente da Ancine Manoel Rangel e Presidente do CBC Rosemberg Cariry abrem o evento discutindo mercado, pol\u00edticas p\u00fablicas e os novos rumos do setor. De &hellip; <a href=\"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/cbc\/2010\/09\/13\/comeca-em-porto-alegre-o-8-congresso-brasileiro-de-cinema-e-audiovisual\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":19,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[25],"tags":[],"class_list":["post-741","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/cbc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/741","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/cbc\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/cbc\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/cbc\/wp-json\/wp\/v2\/users\/19"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/cbc\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=741"}],"version-history":[{"count":17,"href":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/cbc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/741\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":825,"href":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/cbc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/741\/revisions\/825"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/cbc\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=741"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/cbc\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=741"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/cbc\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=741"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}