{"id":468,"date":"2010-09-03T17:15:44","date_gmt":"2010-09-03T17:15:44","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.utopia.org.br\/cbc\/?p=468"},"modified":"2010-09-03T19:02:42","modified_gmt":"2010-09-03T19:02:42","slug":"468","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/cbc\/2010\/09\/03\/468\/","title":{"rendered":"Sonhar um sonho"},"content":{"rendered":"<blockquote><p>Foi a maior mobiliza\u00e7\u00e3o profissional da hist\u00f3ria do cinema brasileiro. Um movimento pleno de nobres ideais, com a presen\u00e7a de todo o povo no cinema. O cinema brasileiro passou a ter seu f\u00f3rum permanente.<\/p><\/blockquote>\n<blockquote><p><strong>Artigo de Augusto Sev\u00e1 publicado na Revista de Cinema<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>A ideia do Congresso (Congresso Brasileiro de Cinema) foi lan\u00e7ada no Semin\u00e1rio Cinema Brasileiro Hoje  \u2013 Estado e Mercado, que ocorreu durante o Festival de Bras\u00edlia de 1998 e cujo subt\u00edtulo foi revelador: \u201cMercado: Quanto? Quando? \u2013 Estado: Tudo ou Nada?\u201d.<\/p>\n<p><a title=\"Augusto Sev\u00e1 ao lado do ex-Ministro da Cultura Francisco Weffort discutindo os primeiros passos para a realiza\u00e7\u00e3o do 3\u00ba CBC no 31\u00ba Festival de Bras\u00edlia em 1998\" href=\"http:\/\/blogs.utopia.org.br\/cbc\/files\/2010\/08\/augusto_seva_a.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/blogs.utopia.org.br\/cbc\/files\/2010\/08\/augusto_seva.jpg\" alt=\"Augusto Seva\" width=\"300\" height=\"201\" class=\"alignleft size-full wp-image-484\" align=\"left\"><\/a> Est\u00e1vamos aos oito anos do desmonte promovido pelo Governo Collor e apenas quatro da regulamenta\u00e7\u00e3o da Lei do Audiovisual. Com 25 filmes\/ano e 5% da bilheteria, j\u00e1 querendo mais. Querendo diversidade  de fontes de fomento, de acesso \u00e0 distribui\u00e7\u00e3o, de amplia\u00e7\u00e3o do parque exibidor, de informa\u00e7\u00f5es, de regulamenta\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es de governo dedicadas ao cinema, enfim , de todos os mecanismos que entend\u00edamos necess\u00e1rios a uma a\u00e7\u00e3o que, de olho no futuro, pusesse em p\u00e9 o trin\u00f4mio produ\u00e7\u00e3o, mercado e governo.<\/p>\n<p>A \u201cvis\u00e3o sist\u00eamica\u201d foi o mote e a s\u00edntese das aspira\u00e7\u00f5es, dessa busca. O termo apontou para uma solu\u00e7\u00e3o hol\u00edstica. Foi o conceito necess\u00e1rio e achado pelo Gustavo Dahl. O chamamento equivalente ao \u201cn\u00e3o vamos nos dispersar\u201d de Tancredo Neves.<\/p>\n<p>O Semin\u00e1rio Cinema Brasileiro Hoje foi um sucesso de p\u00fablico e de cr\u00edtica. O \u201cbaixo or\u00e7amento de grande bilheteria \u201d. As autoridades federais, tanto do executivo quanto do legislativo, a princ\u00edpio reticentes, convenceram-se , atrav\u00e9s da repercuss\u00e3o da imprensa, de que algo acontecia e do qual n\u00e3o poderiam estar de fora.<\/p>\n<p>No ano seguinte , no Senado Federal, por atua\u00e7\u00e3o do Senador Francelino Pereira e do Jo\u00e3o Eust\u00e1quio da Silveira, seu assessor, surgiu a mobiliza\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea e convergente \u00e0 das lideran\u00e7as do cinema brasileiro , na Comiss\u00e3o de Educa\u00e7\u00e3o e Cultura, com a participa\u00e7\u00e3o de profissionais, empres\u00e1rios, administradores p\u00fablicos, pensadores e militantes.<\/p>\n<p>Comprovou-se nesse per\u00edodo a pertin\u00eancia da segunda palavra de ordem, \u201crepolitizar o cinema brasileiro \u201d, tamb\u00e9m lan\u00e7ada por Gustavo. A lista \u201ccinemabrasil\u201d, inaugurando o debate cibern\u00e9tico do cinema brasileiro , concebida e coordenada por Marcos Manh\u00e3es, teve papel fundamental como ferramenta de mobiliza\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m tiveram papel fundamental as associa\u00e7\u00f5es de classe que por todo o Brasil se aglutinaram no m ovimento.<\/p>\n<p>Voltando ao Semin\u00e1rio Cinema Brasileiro Hoje e \u00e0 cerim\u00f4nia de encerramento, em 18 de outubro de 1998, na sala Alberto Nepomuceno do Hotel Nacional de Bras\u00edlia, improvisada como audit\u00f3rio, com mais de 300 participantes entre profissionais de cinema, imprensa e autoridades, Nilson Rodrigues lan\u00e7ou, sem saber do alcance que teria, a proposta de realizar, sob o patroc\u00ednio da poss\u00edvel segunda gest\u00e3o do governo Crist\u00f3v\u00e3o Buarque, o Congresso do Cinema Brasileiro. Est\u00e1vamos a 14 dias das elei\u00e7\u00f5es distritais, com o PT e a candidatura de Crist\u00f3v\u00e3o Buarque em ascens\u00e3o e em pleno clima de vit\u00f3ria pela futura continuidade administrativa.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi o que aconteceu. A possibilidade de encontrar-nos, no in\u00edcio de 99, j\u00e1 na condi\u00e7\u00e3o de Congresso foi perdida e adiada, sine die.<\/p>\n<p>Mas a semente estava lan\u00e7ada. Ficaram expostas as demandas contidas em \u201cvis\u00e3o sist\u00eamica\u201d e \u201crepolitizar \u201d. Os que acreditavam no poss\u00edvel foram se agregando num pequeno ex\u00e9rcito. Elegeu-se sem elei\u00e7\u00f5es a lideran\u00e7a de Gustavo Dahl, que conseguiu com clareza e maestria catalisar as energias e apontar o norte.<\/p>\n<p>Perdemos a oportunidade de voltar a Bras\u00edlia, como havia nos convidado o presidente da Funda\u00e7\u00e3o Cultural, mas a roda j\u00e1 rodava e n\u00e3o parou at\u00e9 encontrar o novo destino. Na peregrina\u00e7\u00e3o, passamos em Curitiba por gentileza da Cloris Ferreira, novamente Bras\u00edlia no Festival de 1999, e em Fortaleza, a convite do Wolney de OLiveira, j\u00e1 em evento oficialmente preparat\u00f3rio do que ocorreria em Porto Alegre. Assim, as ideias foram sendo colhidas e os interessados se juntando. Porto Alegre, por gentil convite do governo Ol\u00edvio Dutra e sob a organiza\u00e7\u00e3o da lideran\u00e7a ga\u00facha do cinema, foi a terra santa onde se estabeleceu o III CONGRESSO e onde se pariu a organiza\u00e7\u00e3o do Congresso do Cinema Brasileiro.<\/p>\n<p>Foi a maior mobiliza\u00e7\u00e3o profissional da hist\u00f3ria do cinema brasileiro. Um movimento pleno de nobres ideais, com a presen\u00e7a de todo o povo no cinema. O cinema brasileiro passou a ter seu f\u00f3rum permanente. Momento singular onde a milit\u00e2ncia e a formula\u00e7\u00e3o se deram os bra\u00e7os, entendendo que t\u00e3o importante quanto roteirizar, iluminar, dirigir e editar, \u00e9 compreender a fun\u00e7\u00e3o social do audiovisual e encontrar suas solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s Porto Alegre, o governo, sensibilizado, montou o GEDIC, Grupo Executivo da Ind\u00fastria Cinematogr\u00e1fica. Este, durante o ano de 2001, sob os ecos dos tambores \u201cpampeanos\u201d, redigiu a MP-2228-1, que resultou na cria\u00e7\u00e3o da ANCINE e do Conselho Superior de Cinema como \u00f3rg\u00e3os de Estado, al\u00e9m de diversos mecanismos de fomento e regula\u00e7\u00e3o da atividade. <\/p>\n<p>Foi um salto qualitativo nas rela\u00e7\u00f5es entre o cinema e o Estado. Chegaram novas lideran\u00e7as e novos operadores, oxigenando a atividade em todos seus segmentos. O cinema brasileiro provou que sabia querer e como fazer.<\/p>\n<p>Dez anos ap\u00f3s, elevamos a quantidade de t\u00edtulos para os 80 filmes\/ano. Ensaia-se uma presen\u00e7a significativa do produto independente no mercado televisivo. Multiplicam-se tamb\u00e9m as distribuidoras, notadamente aquelas destinadas ao filme brasileiro pequeno e m\u00e9dio. Ampliou-se o mercado de salas. A presen\u00e7a do governo na atividade regulat\u00f3ria e formuladora veio tomando subst\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Mas ainda queremos mais. Queremos expurgar radicalmente a trag\u00e9dia de \u201cser estrangeiro em seu pr\u00f3prio pa\u00eds\u201d, nas palavras de Paulo Em\u00edlio. O Brasil tem todos os elementos econ\u00f4micos, culturais e sociais necess\u00e1rios a uma ind\u00fastria audiovisual com presen\u00e7a marcante no mundo. Temos um mercado interno expressivo, com inser\u00e7\u00e3o social em ascend\u00eancia. Temos um parque industrial e tecnol\u00f3gico adequado. Temos talentos e capacidade produtiva. E com tudo isso, a ocupa\u00e7\u00e3o do mercado em todos os seus segmentos est\u00e1 por desejar.<\/p>\n<p>Olhando o passado recente, vejo que a pr\u00e9-hist\u00f3ria foi ontem. Quando n\u00e3o t\u00ednhamos informa\u00e7\u00f5es de mercado, nem legisla\u00e7\u00e3o regulat\u00f3ria, nem mecanismos de fomento e tampouco estruturas de governo. N\u00e3o estamos mais apenas agarrados nas t\u00e1buas. O desafio agora \u00e9 ampliar os horizontes. Promover o acesso a quem est\u00e1 de fora e produzir em condi\u00e7\u00f5es de competitividade. Fazer do cinema e do audiovisual em todas suas manifesta\u00e7\u00f5es um fen\u00f4meno economicamente importante e socialmente presente. <\/p>\n<p>A oportunidade de nos reunir dez anos ap\u00f3s, sob a mesma hospitalidade ga\u00facha, nos permitir\u00e1 avaliar os resultados desse projeto. \u00c9 a nova oportunidade de sonhar o sonho<\/p>\n<blockquote><p><em>Augusto Sev\u00e1 \u00e9 cineasta e foi diretor da Ancine entre 2001 e 2004<\/em><\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi a maior mobiliza\u00e7\u00e3o profissional da hist\u00f3ria do cinema brasileiro. Um movimento pleno de nobres ideais, com a presen\u00e7a de todo o povo no cinema. O cinema brasileiro passou a ter seu f\u00f3rum permanente. 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