{"id":179,"date":"2010-08-20T17:55:21","date_gmt":"2010-08-20T17:55:21","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.utopia.org.br\/cbc\/?p=179"},"modified":"2010-08-22T17:14:31","modified_gmt":"2010-08-22T17:14:31","slug":"audiovisual-e-diversidade-cultural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.utopia.org.br\/cbc\/2010\/08\/20\/audiovisual-e-diversidade-cultural\/","title":{"rendered":"Audiovisual e diversidade cultural"},"content":{"rendered":"<blockquote><p>O mundo se agita, e o Brasil \u00e9 um pa\u00eds importante neste mundo em convuls\u00e3o. J\u00e1 n\u00e3o somos apenas consumidores passivos de bens tang\u00edveis ou intang\u00edveis, impostos pelos mercados hegem\u00f4nicos. As entidades, as ONGs, os movimentos sociais e de cidadania proclamaram que o modelo de globaliza\u00e7\u00e3o imposto n\u00e3o trouxe o progresso e o desenvolvimento prometidos. Pelo contr\u00e1rio, elevou os \u00edndices de pobreza e fez aumentar as desigualdades sociais e a viol\u00eancia. Perceberam tamb\u00e9m que, hoje, a grande guerra que se trava n\u00e3o \u00e9 com m\u00edsseis e canh\u00f5es, mas \u00e9 por meio de cabos e sat\u00e9lites. Resistir \u00e9 preciso. Afinal, tamb\u00e9m temos o nosso capital simb\u00f3lico, a diversidade cultural do povo brasileiro.<\/p><\/blockquote>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/blogs.utopia.org.br\/cbc\/files\/2010\/08\/Rosemberg-Cariri1.jpg\" alt=\"Rosemberg Cariry\" width=\"167\" height=\"250\" class=\"alignleft size-full wp-image-196\" align=\"left\" style=\"margin-right:12px\" vspace=\"8\">A cultura brasileira, a partir dos povos originais e transplantados, \u00e9 herdeira das principais culturas do mundo (europ\u00e9ias, ib\u00e9ricas, mediterr\u00e2neas, orientais, africanas, amer\u00edndias e orientais\u2026) e, por isso, traz em si um projeto de universalidade. O Brasil tem encontro marcado com as culturas dos povos do planeta. No Brasil, ensaia-se um novo processo civilizat\u00f3rio capaz de renovar o mundo, pela conviv\u00eancia do m\u00faltiplo e pela afirma\u00e7\u00e3o das converg\u00eancias. O filme brasileiro capaz de \u201caparecer\u201d no mundo, ou mesmo de conseguir um pequeno nicho de mercado setorizado, \u00e9 o filme que tenha caracter\u00edsticas culturais originais sem deter-se em um regionalismo fechado ou no folclorismo. Da\u00ed a necessidade de lapidarmos os diamantes dos arqu\u00e9tipos, trabalharmos com as heran\u00e7as milenares herdadas dos povos transplantados, doadas pelos povos aut\u00f3ctones e reinventadas pelos povos mesti\u00e7os. Podemos ser agentes de um novo processo civilizat\u00f3rio, com profundo respeito e integra\u00e7\u00e3o dos povos originais. Podemos nos integrar \u00e0 modernidade, sem negar nossas tradi\u00e7\u00f5es e sem desprezar as conquistas tecnol\u00f3gicas e as experi\u00eancias de vanguarda da contemporaneidade. A nossa melhor arte ser\u00e1 aquela que melhor traduzir a nossa diversidade e complexidade cultural e recriar a nossa heran\u00e7a de humanidade.<\/p>\n<p>N\u00e3o podemos dar um salto no futuro sem os p\u00e9s firmes no nosso pr\u00f3prio ch\u00e3o. N\u00e3o existe futuro sem a certeza do presente e o reconhecimento do passado. N\u00e3o falo aqui de passado idealizado ou dos clich\u00eas nacionalistas que anulam a diversidade cultural e elegem-se como emblemas hegem\u00f4nicos e autorit\u00e1rios. Superamos a modernidade e, na conviv\u00eancia de todas as culturas e de todos os tempos hist\u00f3ricos, revelamos os tesouros dos sambaquis imagin\u00e1rios da humanidade. Somos a p\u00f3s-modernidade que se abre como um moitar\u00e1 de bens simb\u00f3licos. N\u00e3o somos uma \u201caldeia global\u201d, mas uma \u201caldeia de encontros\u201d, uma comunidade de destino, aberta \u00e0 diversidade e \u00e0 reciprocidade com todas as outras aldeias e comunidades do planeta.  \u00c9 este o audiovisual que precisamos conquistar e, com ele, ocuparmos um espa\u00e7o decisivo nas telas de cinema e das TVs (abertas, por cabo ou digitais) do nosso pa\u00eds sem, no entanto, fecharmo-nos para as manifesta\u00e7\u00f5es mais leg\u00edtimas e mais profundas de outros povos e de outras na\u00e7\u00f5es. Precisamos pensar o nosso pa\u00eds como espa\u00e7os de encontros e as nossas culturas como sentimentos em tr\u00e2nsito, vencendo fronteiras e preconceitos.  S\u00e3o muitos pa\u00edses dentro de um pa\u00eds. S\u00e3o muitas na\u00e7\u00f5es dentro de uma na\u00e7\u00e3o. S\u00e3o muitas as culturas e as contradi\u00e7\u00f5es que constroem uma \u201ccultura\u201d dita nacional. Brasil quer dizer plural, e brasileiro, em constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nestes \u00faltimos dois anos, apoiamos as reformas da Lei Rouanet, conforme o projeto original debatido pelo povo, em consultas p\u00fablicas em todas as regi\u00f5es do Pa\u00eds. Ajudamos na articula\u00e7\u00e3o para a cria\u00e7\u00e3o do Fundo de Inova\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica e Audiovisual da SAV, voltado para o cinema experimental e autoral, a difus\u00e3o, a preserva\u00e7\u00e3o e a pesquisa. Apoiamos, ainda, com a Secretaria de Pol\u00edticas Culturais, a nova Lei do Direito Autoral, que traz conquistas importantes para a cultura do povo brasileiro, sobretudo o reconhecimento do Direito do P\u00fablico. Apoiamos a amplia\u00e7\u00e3o, j\u00e1 em processo de implementa\u00e7\u00e3o pela ANCINE, do parque nacional de exibi\u00e7\u00e3o com a rede de cinemas populares, por meio do programa \u201cMais Cultura\u201d.  A ANCINE e a SAV, muito j\u00e1 fizeram, mas continuam com a miss\u00e3o de diminuir ainda mais as desigualdades regionais e colaborar com planos de desenvolvimentos da produ\u00e7\u00e3o audiovisual nas diversas regi\u00f5es do Pa\u00eds, por meio de novos arranjos produtivos, objetivando um di\u00e1logo que consideremos positivo.<\/p>\n<p>Neste processo diversificado e rico, em seus acertos e suas contradi\u00e7\u00f5es, reconhecemos o que os outros fizeram e, por isso mesmo, dever\u00edamos tamb\u00e9m citar o que n\u00f3s mesmos fizemos e penitenciar os leitores com um longo ros\u00e1rio de realiza\u00e7\u00f5es do CBC nesta atual gest\u00e3o. N\u00e3o faremos isto. Aqui, basta-nos dizer que estendemos a presen\u00e7a do CBC em todo o territ\u00f3rio nacional, inclusive no Norte e Nordeste, regi\u00f5es, muitas vezes, marginalizadas nos processos de desenvolvimento, e conseguimos inserir a entidade em um amplo painel de discuss\u00f5es no Brasil e na latino Am\u00e9rica e Caribe.<\/p>\n<p>Realizamos, agora, o 8\u00ba Congresso Brasileiro do Cinema e do Audiovisual, com a participa\u00e7\u00e3o de todas as entidades, sejam elas filiadas ou n\u00e3o ao CBC, em Porto Alegre, em comemora\u00e7\u00e3o aos 10 anos do III Congresso Brasileiro de Cinema, que foi um acontecimento marcante do cinema nacional. O lema deste congresso \u00e9 \u201crepactuando o cinema brasileiro\u201d, e a sua filosofia mais ampla parte do reconhecimento de que todos os povos t\u00eam direito a suas pr\u00f3prias imagens, \u00e0 reciprocidade e \u00e0 universaliza\u00e7\u00e3o dessas imagens.<\/p>\n<blockquote><p><em>Rosemberg Cariry, presidente do CBC \u2013 Congresso Brasileiro de Cinema<\/p><\/blockquote>\n<p><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mundo se agita, e o Brasil \u00e9 um pa\u00eds importante neste mundo em convuls\u00e3o. J\u00e1 n\u00e3o somos apenas consumidores passivos de bens tang\u00edveis ou intang\u00edveis, impostos pelos mercados hegem\u00f4nicos. 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