Poema dedicado a Antonio Porchia (Roberto Juarroz)
Havemos amado juntos tantas coisas
que é difícil amá-las separados.
Parece que se houveram afastado de repente
ou que o amor fora uma formiga
escalando os declives do céu.
Havemos vivido juntos tanto abismo
que sem você tudo parece superfície,
órbita de simulacros que resvalam,
tensão sem extensões,
vigilância de corpos sem presença.
Havemos andado tanto sem nos movermos
que as viagens se desprendem
como abrigos inúteis.
Movimento [...]
