Arquivo de Rafael Alberti:

Equivocou-se a pomba (Rafael Alberti)

Equivocou-se a pomba.
Equivocava-se.
Por ir ao norte, foi ao sul.
Acreditou que o trigo era água.
Equivocava-se.
Acreditou que o mar era o céu;
que a noite a manhã.
Equivocava-se.
Que as estrelas orvalho;
que o calor, a nevasca.
Equivocava-se.
Que tua saia era tua blusa;
que teu coração, sua casa.
Equivocava-se.
(Ela dormiu na beira
tu, no topo de um ramo).
(Tradução de Maria Teresa Almeida Pina)
Se equivocó la [...]

O mar, o mar (Rafael Alberti)

O mar. O mar.
O mar. Só o mar!
Por que me trouxeste, pai
à cidade?
Por que me desenterraste
do mar?
Em sonhos, a marejada
me tira do coração.
Se o quisera levar.
Pai, por que me trouxeste
aqui?
(Tradução de Maria Teresa Almeida Pina)
El mar. La mar.
Rafael Alberti
El mar. La mar.
El mar. ¡Sólo la mar!
¿Por qué me trajiste, padre,
a la ciudad?
¿Por [...]

Pregão (Rafael Alberti)

Vendo nuvens de cores!
as redondas, vermelhas,
para suavizar os calores!
Vendo os cirros arroxeados
e rosas, as alvoradas,
os crepúsculos dourados!
O amarelo astro,
colhido o verde ramo
do celeste pessegueiro!
Vendo a neve, a chama
e o canto do pregoeiro!
(Tradução de Maria Teresa Almeida Pina)
Pregón
Rafael Alberti
¡Vendo nubes de colores:
las redondas, coloradas,
para endulzar los calores!
¡Vendo los cirros morados
y rosas, las alboradas,
los crepúsculos dorados!
¡El [...]