Arquivo de outubro, 2009

Poema de amor (Joan Manuel Serrat)

O sol nos esqueceu ontem sobre a areia,
nos envolveu o rumor suave do mar,
teu corpo me deu calor,
tinha frio,
e ali na areia,
entre os dois nasceu este poema,
este pobre poema de amor
para ti
Meu fruto, minha flor,
minha história de amor,
minhas carícias
Meu humilde candeeiro,
minha chuva de abril,
minha avareza
Meu pedaço de pão,
meu velho refrão,
meu poeta
A fé que perdi,
meu caminho
e [...]

Digamos (Mario Benedetti)

1.
Ontem foi “yesterday”
para bons colonos
mas por fortuna nossa
amanhã não é “tomorrow”
2.
Tenho um amanhã que é meu
e um amanhã que é de todos
o meu acaba amanhã
porém sobrevive o outro
(Tradução de Maria Teresa Almeida Pina)
» Biografia de Mário Benedetti
Digamos
Mario Benedetti
1.
Ayer fue yesterday
para buenos colonos
mas por fortuna nuestro
mañana no es tomorrow
2.
Tengo un mañana que es mío
y un mañana [...]

Alfonsina e o mar (Felix Luna)

Pela branda areia
Que toca o mar
Sua pequena pegada
Não volta mais
Um caminho só
De pena e silêncio chegou
Até a água profunda
Uma senda só
De penas mudas chegou
Até a espuma.
Sabe Deus que angústia
Te acompanhou
Que dores velhas
Calou tua voz
Para deitar-te
Sussurrada no canto
Das conchas marinhas
A canção que canta
No fundo escuro do mar
A concha.
Te vais Alfonsina
Com tua solidão
Que poemas novos
Foste a buscar?
Uma [...]

Volta a teus deuses profundos (Eugenio Montejo)

Volta a teus deuses profundos;
estão intactos,
estão ao fundo com suas chamas esperando;
nenhum sopro do tempo as apaga.
Os silenciosos deuses práticos
ocultos na porosidade das coisas.
Hás rodado no mundo mais que nenhum calhau;
perdeste teu nome, tua cidade,
assíduo a visões fragmentárias;
de tantas horas que reténs?
A música de ser é destoante
porém a vida continua
e certos acordes prevalecem.
A terra é [...]

Minha menina se foi ao mar (Federico Garcia Lorca)

Minha menina se foi ao mar
a contar ondas e pedrinhas,
porém se encontrou, de pronto,
com o rio de Sevilha.
Entre adelfas e sinos
cinco barcos se mexiam,
com os remos na água
e as velas na brisa.
Quem olha de dentro da torre
adornada de Sevilha?
Cinco vozes contestavam
redondas como anéis.
O céu monta elegante
ao rio, de margem a margem.
No ar cor-de-rosa,
cinco anéis se [...]

Todos os dias te descubro… (Octavio Paz)

Segundo um poema de Fernando Pessoa
Todos os dias descubro
A espantosa realidade das coisas:
Cada coisa é o que é.
Que difícil é dizer isto e dizer
Quanto me alegra e como me basta
Para ser completo existir é suficiente.
Tenho escrito muitos poemas.
Claro, hei de escrever outros mais.
Cada poema meu diz o mesmo,
Cada poema meu é diferente,
Cada coisa é uma [...]

Insônia (Rafael Diaz Icaza)

Sou náufrago, mãe, e te chamo na noite,
desolado, no firme marchar para a morte,
e de golpe me assalta a ternura infinita
dos primeiros anos. E necessito saber que te achas
perto, que a tua lâmpada vela, pontual, perto de mim.
Necessito de teu copo para a má sombra dos pesadelos,
teu apoio de nogueira para o descanso dos sonhos
absurdos [...]