Arquivo de abril, 2009

Canção (Rei Juan II de Castilla)

Amor, eu nunca pensei,
embora que poderoso eras ,
que podias ter maneiras
para transtornar a fé,
até agora que o sei.
Pensava que conhecido
Devia-te eu ter,
mas não pudera crer
que era tão mal sabido,
nem tampouco eu pensei,
embora que poderoso eras,
que poderias ter maneiras
para transtornar a fé,
até agora que o sei…
(Tradução de Maria Teresa Almeida Pina)
Canción
Rey Juan II de Castilla
Amor, yo [...]

Amor que pende e quebra (Rei Juan II de Castilla

Amor que pende e quebra,
força que forças derruba
muito inteira,
e ao mesmo temor espanta
e ao mais livre cativa
sem que queira,
a ti, muito desconhecida,
tão cruelmente cativa
pois que sabe
que a minha própria vida
que em tal dor sempre vive
não se acabe.
(Tradução de Maria Teresa Almeida Pina)
Amor que pende y quebranta
Rey Juan II de Castilla
Amor que pende y quebranta,
fuerza que [...]

Madrigal (Feliciana Enríquez de Guzmán)

Disse o Amor, sentado nas beiras
de um córrego puro, manso e lento:
“Silêncio florzinhas,
não retorçais com o lascivo vento;
que dorme Galatea, e se desperta,
tendes por coisa certa
que não haveis de ser flores
em vendo suas cores,
nem eu de hoje mais Amor, se ela me olha”.
Tão doces flechas de seus olhos tira!
(Tradução de Maria Teresa Almeida Pina)
Madrigal
Feliciana Enríquez [...]

A hora (Juana de Ibarbourou)

Toma-me agora que ainda é cedo
e que levo dálias novas na mão.
Toma-me agora que ainda é sombria
esta taciturna cabeleira minha.
Agora que tenho a carne cheirosa
e os olhos limpos e a pele de rosa.
Agora que calça minha planta ligeira
a sandália viva da primavera.
Agora que em meus lábios repica o sorriso
como um sino sacudido às pressas.
Depois…oh, eu [...]

Surpresa (Federico Garcia Lorca)

Morto ficou na rua
com um punhal no peito.
Não o conhecia ninguém.
Como tremia o farol,
mãe!
Como tremia o pequeno farol
da rua!
Era madrugada. Ninguém
pôde assomar-se a seus olhos
abertos ao duro ar.
Que morto ficou na rua,
que com um punhal no peito
e que não o conhecia ninguém.
(Tradução de Maria Teresa Almeida Pina)
» Biografia de Federico Garcia Lorca
Sorpresa
Federico García Lorca
Muerto se [...]

A ave e o ninho (Salomé Ureña de Henríquez)

Por que te assustas, ave singela?
Por que teus olhos fixas em mim?
Eu não pretendo, pobre avezinha,
Levar teu ninho daqui.
Aqui, no oco de pedra dura,
Tranqüila e só te vi ao passar,
E trago flores da planície
Para que adornes teu livre lar.
Porém me olhas e te estremeces
E a asa bates com inquietação,
E te adiantas, resoluta, às vezes,
Com amorosa [...]

Poema IV (Isaac Felipe Azofeifa)

Tu me deixas aqui ou partes comigo?
Estou dentro de ti ou é que me chamas?
Vives única em mim ou encontro o mundo em ti,
contigo?
A ordem das coisas em que te amo,
onde começa ou acaba?
Agora está o silêncio aposentado
na rosa do ar
e uma árvore perto trina entre os pássaros
para sombrear teu sonho ou é meu sonho?
É [...]

A última gaivota (Ricardo Miró)

Como uma franja agitada, rasgada
do manto da tarde, em rápido voo
se esfuma o bando pelo céu
buscando, acaso, uma ribeira desconhecida.
Atrás, muito longe, segue uma gaivota
que com crescente e persistente desejo
vai da solidão rasgando o véu
por alcançar o bando, já remoto.
Da tarde surgiu a casta estrela
e achou sempre voando a esquecida,
da rápida patrulha atrás a hulha.
História [...]

Diante do mar (Alfonsina Storni)

Oh, mar, enorme mar, coração feroz
de ritmo desigual, coração mau,
eu sou mais tenra que esse pobre pau
que, prisioneiro, apodrece nas tuas vagas.
Oh, mar, dá-me a tua cólera tremenda,
eu passei a vida a perdoar,
porque entendia, mar, eu me fui dando:
“Piedade, piedade para o que mais ofenda”.
Vulgaridade, vulgaridade que me acossa.
Ah, compraram-me a cidade e o homem.
Faz-me [...]

A carícia perdida (Alfonsina Storni)

Sai-me dos dedos a carícia sem causa,
Sai-me dos dedos…No vento, ao passar,
A carícia que vaga sem destino nem fim,
A carícia perdida, quem a recolherá?
Posso amar esta noite com piedade infinita,
Posso amar ao primeiro que conseguir chegar.
Ninguém chega. Estão sós os floridos caminhos.
A carícia perdida, andará… andará…
Se nos olhos te beijarem esta noite, viajante,
Se estremece os [...]