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Posts Tagged ‘literatura’

Jorge Amado – Terras do Sem Fim

18 de maio de 2010

Este não é o livro mais conhecido de Jorge Amado, um dos nossos mais queridos escritores que foi durante muito tempo o mais lido e o mais traduzido para outras línguas. Mas é um de seus melhores livros e figura entre os grandes de nossa literatura.

Durante a guerra pela posse da terra na região cacaueira do sul da Bahia, os irmãos Badaró enfrentam o coronel Horácio da Silveira. A luta pela subsistência se entrelaça com intrigas políticas, relações amorosas e crimes passionais.

Dois romances improváveis se destacam em meio aos tiroteios e tocaias: o primeiro é o do jovem advogado Virgílio e Ester, esposa do coronel Horácio, um amor condenado a um desfecho sangrento.  

E o segundo é o de Don’Ana, a valente filha de Sinhô Badaró, e o ‘capitão’ João Magalhães, um embusteiro que se faz passar por engenheiro militar.

Todo o livro é constitui uma página sangrenta da história brasileira elevada à categoria de mito fundador de uma civilização maculada pela cobiça e pela barbárie.

 

 

“Outras Palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura do Brasil.

Maurício Monteiro – Inter Vivos

10 de maio de 2010

Enfim compreendo / uma imagem: /montanhas e espíritos

/preenchem de gemidos /as pedras retorcidas / os passos pranteados; / estranhos ruídos/ de pessoas e rios e ruas.

ecos ouvidos / em ouro/ casas de amor e dor.

        Estes são os versos do poema Ouro Preto de Maurício Monteiro, músico e poeta. Em 2008 ele lançou o excelente livro A formação do gosto sobre a música erudita no Brasil na época da transferência da corte portuguesa. E com ele faturou o prêmio APCA – Associação Paulista dos Críticos de Arte. E não foi na categoria de Música, mas na de Literatura.

O poeta e crítico inglês Ezra Pound propôs uma classificação da poesia em logopéia, fanopéia e melopéia, sendo a última aquela em que predomina o som das palavras.

Nada mais natural que o músico tenda para este tipo de fazer poético, mas, mesmo assim, é curioso sabermos como ele vai conseguir esta façanha.

E Maurício, sendo mestres nas duas artes, alcança esta deliciosa fusão entre som e sentido.

 

 

“Outras Palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cuktura do Brasil.

José Ramos Tinhorão – A música popular no romance brasileiro – volume I

4 de maio de 2010

José Ramos Tinhorão, um dos maiores conhecedores de nossa música popular dedicou-se a esta obra de fôlego que relaciona a música popular com o romance brasileiro desde sua origem até ao dias de hoje.

A leitura de cerca de cinco mil romances escritos no Brasil, resultou nesta trilogia que partiu de uma curiosidade que se revelaria inesperadamente rica de implicações sócio-culturais: como os romancistas brasileiros costumam apresentar o tema da música popular, esse fenômeno tão ligado à vida social do país?

Neste primeiro volume, já se revelam algumas surpresas. Entre elas estaria a de que, constituindo o ofício literário uma atividade de elite, mesmo com os escritores saindo da classe média, sua visão da cultura popular se assemelha à dos estrangeiros, em sua fascinação pelo exótico.

São mais de duzentos anos de literatura, que abrangem desde o livro Compêndio narrativo do peregrino da América, de autoria de Nuno Marques Pereira, escrito em 1725, ao romance naturalista, ambientado na Bahia, As voltas da estrada, de Xavier Marques, publicado em 1930.

 

 

“Outras Palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura do Brasil.

Nélida Piñon – Aprendiz de Homero

22 de fevereiro de 2010

Nélida Piñon, da Academia Brasileira de Letras, acabou e receber por este livro o disputado prêmio Casa de Las Américas oferecido por Cuba.

Nele, a autora reúne uma seleta de ensaios sobre temas e personagens literários caros à autora, como Dom Quixote, Capitu e Ulisses. O livro também traz os discursos de agradecimento da escritora ao receber prêmios importantes, como o Príncipe de Astúrias e Menéndez Pelayo.

É Nélida quem escreve: “Sentada na poltrona verde, tenho a Ilíada no colo. Enquanto Gravetinho atordoa-me com sua natureza canina, sintonizo-me com a imaginação do grego, fonte de permanente inspiração. Assentada sobre as pedras fundadoras da civilização que o poeta empilhou para formar uma muralha, dialogo com ele.

Convicta de que ele simula ouvir a brasileira que, julgando-se às vezes camponesa e universal, reage às suas raivosas argumentações… Mas como Homero tem a imortalidade a seu favor, é paciente.

Sabe que a justiça narrativa se faz e que o tempo dissolve os nós cegos da paixão. E mesmo quando Cassandra, em outra tragédia grega, despede-se dos corifeus para ir ao encontro da morte, aceito suas emendas. Afinal, sou sua aprendiz.”

Nélida Piñon nos oferece uma aula de literatura e brinda os leitores com uma paixão e devoção pela escrita capaz de transbordar das páginas do livro.

 

 

“Outras Palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura do Brasil.

Salim Miguel – A vida breve de Sezefredo das Neves, Poeta

2 de fevereiro de 2010

O livro conta a história do mais talentoso poeta de uma geração, e que se torna mais tarde um grande empresário. Mas, a partir daí torna-se um homem impermeável a qualquer interesse pela arte.

A obra foi considerada, ao mesmo tempo, o retrato de uma geração perdida e um exercício de criação literária.

O autor, Salim Miguel, volta aos locais preferidos do escritor, sua Biriguaçu da infância e a Florianópolis da juventude, na qual um grupo de jovens intelectuais ensaiava uma nova literatura

Devo dizer que Salim Miguel, nascido no Líbano,  transformou-se num dos mais conhecidos autores catarinenses e um dos mais importantes autores contemporâneos brasileiros.

Em 2001 foi eleito Intelectual do Ano tendo recebido por isso o Troféu Juca Pato da União Brasileira de Escritores.

 

 

“Outras Palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura do Brasil.

Menalton Braff – Moca com Chapéu de Palha

2 de fevereiro de 2010

Cenas campestres são pinceladas como quadros de natureza morta. E registram cenas do dia a dia enquanto as impressões vão se tornando cada vez mais palpáveis.

O amor do protagonista por Angélica, sua mulher é entremeado pelas incertezas do narrador em torno do seu destino.

Em outro cenário, o urbano, da redação do jornal e das relações profissionais ali estabelecidas, acentua-se a falta de ética e o poder que corrompe o compromisso com a verdade.

No campo, há o cuidado na preparação da comida, na arrumação da mesa de jantar, no zelo com o jardim, na vida amorosa e sentimental. A cidade, ao contrário, aparece como máquina incessante, brutal, estressante.

Qual dos cenários é mais verdadeiro? Qual é mais importante? São perguntas que surgem neste romance, formuladas em diálogo com a própria criação literária, num inteligente jogo metalingüístico, típico deste grande autor contemporâneo.

 

 

“Outras Palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura do Brasil.

Graciliano Ramos – Vidas Secas

30 de janeiro de 2010

Este é um dos livros mais conhecidos do clássico Graciliano Ramos. Conhecido não só por sua qualidade, mas também porque se transformou num belo filme de Nelson Pereira dos Santos.

Neste livro, mestre Graça, se mostra mais humano, sentimental e compreensivo, acompanhando o pobre vaqueiro Fabiano e sua família com simpatia e uma compaixão indisfarçáveis.

Além de ser o mais comovente dos livros de ficção do autor é o que contém maior sentimento da terra nordestina, particularmente de seus serões.

Aquela parte que é áspera, dura e cruel, sem deixar de ser amada pelos que a ela estão ligados teluricamente. O que impulsiona os seres desta novela, o que lhes marca a fisionomia e os caracteres, é o fenômeno da seca.

O livro representa ainda uma evolução na obra de Graciliano Ramos quanto ao estilo e à qualidade estritamente literária.

 

 

“Outras Palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura do Brasil.

Literatura é lei

26 de setembro de 2009

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, também ilustre associado desta UBE, sancionou Projeto de Lei oriundo do Senado, transformando-o na Lei nº 11.899 de 08/01/2009 que “institui o Dia Nacional da Leitura e a Semana Nacional da Leitura e da Literatura”.

O Projeto é de autoria do Senador Cristovam Buarque e dispõe, em sua Justificação, que ele tem “como objetivo precípuo a valorização e o fomento à convivência da sociedade brasileira – em particular de nossas crianças – com a produção literária do País, por intermédio da inserção, no calendário brasileiro de efemérides, de uma semana especialmente dedicada à literatura e, como desdobramento natural, de um dia devotado à leitura.”

Mais à frente, afirma o Senador Buarque: “As principais e mais sólidas pesquisas relativas aos letramento e à aferição da qualidade do ensino demonstram que o interesse pelas obras literárias e pela leitura está intimamente relacionado ao desempenho escolar infantil, além de contribuir, de forma decisiva, de um cabedal intelectual e emocional, de natureza permanente.”.

Argumenta ainda que a “Constituição Federal preceitua o acesso à educação e à cultura como dever do Estado e considera a educação como fator indispensável para o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua preparação para o trabalho”.

E, depois de considerar que a Lei – e as atividades dela decorrentes – deverão reforçar e despertar a população para o seu direito de acesso à educação e à cultura, conclui que “não sobram dúvidas sobre o papel da leitura quando se leva em conta as questões da inclusão social e da justiça social…”.

O projeto, publicado em 11 de setembro de 2007, foi aprovado por unanimidade tanto no Senado quanto na Câmara. A Lei 11.899/2009 coroa o trabalho desenvolvido por milhares de escritores, professores, bibliotecários e outros, conhecidos entre nós como “povo da leitura” dando-lhes o respaldo merecido para que as atividades mais se ampliem e passem a contar com os recursos necessários a uma Política de Estado para a Leitura e a Literatura.

Queremos notar que a redação da Lei e suas justificativas vêm corrigir uma visão incompleta de muitos dos esforços levados a cabo até hoje por alguns profissionais e órgãos públicos que tem enfatizado a leitura apenas como instrumento de preparação para o mercado de trabalho. Costumam dizer que o trabalhador analfabeto ou “analfabeto funcional” não sabe ler, reter ou interpretar o que os manuais da atual produção tecnológica dispõem.

Esta visão cristalizou-se de tal forma que informou já no primeiro governo Lula, a criação do Conselho Nacional de Política Cultural. Este órgão consultivo do Ministério da Cultura é composto por Câmaras Setoriais, como as de Música, de Artes Cênicas, Audiovisuais e Livro e Leitura. Na ocasião de sua apresentação pelo então ministro Gilberto Gil, a UBE sugeriu a inclusão do termo Literatura; e ousamos até uma analogia: “caso se mantenha apenas Livro e Leitura, vou sugerir que a Câmara de Música passe a chamar-se do Disco e da Audição.”.

Desde então, a Câmara Setorial do Livro, da Leitura e da Literatura tem-se preocupado em fazer sugestões ao MinC quanto à regulamentação de aspectos da Lei do Livro e assuntos correlatos. Tem-se como alvo o barateamento do livro para o leitor, a acessibilidade dos deficientes visuais e incentivos não só à indústria gráfica, editores, distribuidores e livreiros, mas também a autores.

Esta cadeia produtiva, excetuados os escritores, tem sido a grande beneficiária dos incentivos fiscais. Como se livros brotassem espontaneamente nas gráficas, segundo o design dos editores. Clara a fetichização de um mero suporte, porque o livro é a mercadoria por excelência de toda uma indústria e mercado editoriais.

A criação de um Fundo Nacional do Livro, Leitura e Bibliotecas foi sugerida pelo governo federal em dezembro de 2004, quando o presidente Lula instituiu por decreto o fim das taxas e impostos sobre a comercialização de livros no país e propôs, em contrapartida, que editores, distribuidores e livreiros destinassem 1% do lucro sobre a venda de livros para o programa. Os editores aceitaram, em acordo firmado por entidades como a CBL e a SNEL. Lá se vão quase cinco anos e nada foi feito. Sequer um barateamento significativo do preço final do livro.

A UBE tem cobrado isso e levado, através de CSLLL, suas sugestões e reivindicações que, acreditamos, interessam a todos os escritores. Mas, a maioria dos componentes da CSLLL faz ouvidos moucos. O fato é que esta Câmara tem alguns vícios de origem: o número de entidades representativas da indústria gráfica, dos editores e dos livreiros é bem maior que as de escritores, hoje, restrito a duas.

Nesses casos, decisões realmente democráticas exigiriam o voto paritário quando houvesse divergência de interesses. Ou seja, o conjunto de votos das demais entidades deveria valer o mesmo que o das duas entidades representativas de escritores. Os órgãos governamentais presentes se reservariam ao voto de Minerva.

A emergência da Semana da Literatura é mais uma exigência para que o Fundo venha a ser criado com a contribuição sugerida pelo Senhor Presidente da República e nosso associado. E que sua administração seja, enfim, paritária, nos termos acima.

A Semana da Literatura não correria o risco de virar letra morta. Ao contrário, ela seria recebida com tapete vermelho e recursos para financiar os eventos que venham a ser patrocinados pela União. Estados, Municípios, sociedade civil, entidades sem fins lucrativos e empresas se somariam na ampla mobilização.

As reivindicações da UBE são compatíveis com as celebrações da Semana de Literatura: organização de caravanas inter-regionais de escritores para visitar escolas de todos os graus para debates, leituras públicas e lançamentos de livros e revistas; a compra direta de livros pelo governo do próprio autor, beneficiando aqueles que publicam bancando os custos de edição; constituição de sistema público de distribuição de livros, em parceria com os correios; realização de concursos locais, regionais e nacionais para escritores e futuros escritores, nos quais as comissões julgadoras seriam formadas por autores e críticos locais e de outros estados; encontros inter-regionais de escritores sempre com a participação de escolas e estudantes; encontros sul americanos de escritores buscando intercâmbio e maior integração cultural do subcontinente; e muitas outras.

Palestras de escritores em escolas e bibliotecas, levadas a efeito em alguns Estados e municípios, demonstraram o quanto de entusiasmo e incentivo à leitura e à literatura ações tão simples podem significar. Infelizmente são ações locais ou temporárias que se encerram em si mesmas sem continuidade.

A Lei ora sancionada exige mais; a proposta do presidente aos que se beneficiam dos incentivos fiscais há muito tempo merece resposta incontinenti.

Esperamos e exigimos, neste ano do centenário da morte de Euclides da Cunha, um de nossos maiores; neste primeiro ano de vigência da Lei Nº 11.899, que os brasileiros usufruam não só de uma semana a altura dos objetivos maiores desta Lei, mas sejam partícipes de uma política de Estado consistente em relação a questões tão graves como as de incentivo e acesso à leitura e à literatura.

“Editorial da Revista ‘O Escritor’ da União Brasileira de Escritores (UBE) nº 121 de agosto de 2009

Achados e perdidos

25 de abril de 2009

Luiz Alfredo Garcia-Roza
Companhia das Letras

É noite de sexta-feira em Copacabana, Rio de Janeiro: Um menino de rua se apodera de uma carteira perdida; uma prostituta aparece morta, asfixiada, em sua própria cama.

O delegado Espinosa está atento para um elemento comum aos dois acontecimentos – a figura do ex-delegado Vieira.

O velho policial bebe demais, por isso perdeu a carteira. Quando bebe, se esquece de tudo. Nem ele sabe qual foi sua participação – se é que ela houve – na morte de Magali.

Um enigma que envolve meninos de rua, uma insinuante mulher sedutora de delegados, matadores de aluguel, policiais corruptos e outros elementos da escória da sociedade.

Luiz Alfredo Garcia-Roza é carioca e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Escreveu diversos livros sobre psicanálise e filosofia. Em 1997, seu romance de estréia O silêncio da chuva recebeu os prêmios Nestlé e Jabuti.

“Outras Palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura Brasil.

Anno Domini

23 de abril de 2009

Vários autores
Andross Editora

Este livro, escrito por autores brasileiros, tem a coragem de mostrar sua percepção literária do que teria sido a Idade Média Européia. Também conhecida como a Idade das Trevas, o período caracterizou-se por um fundamentalismo religioso dos mais arraigados. Entre epidemias e superstições, o domínio absoluto da Igreja Católica e seu poder de vida e morte sobre as pessoas.

Anno Domini – manuscritos medievais reúne contos que mergulham na Idade Média em seu conceito mais amplo. História e fantasia se misturam, mesclam o real ao imaginário, evocam magia, aventura, luz e escuridão.

Reis, bruxas, magos, guerreiros, dragões, simples camponeses… Todos enfrentam as próprias batalhas numa atmosfera sombria e irrespirável, por vezes lírica e cativante. Aqui está o trabalho de autores jovens e veteranos, como Raphael Draccon, Claudio Villa, Nazarethe Fonseca e Madô Martins entre outros. Eles promovem uma viagem a um passado muito mais presente em nossas vidas do que imaginamos. O livro foi organizado por Helena Gomes e Cláudio Brites.

“Outras Palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura Brasil.

Durante aquele estranho chá

22 de abril de 2009

Lygia Fagundes Telles
Ed. Rocco

Organizado durante dois anos pelo jornalista Suênio Campos de Lucena, este livro nos conta um pouco mais da vida da escritora Lygia Fagundes Telles.

A grande escritora surpreende, mais uma vez, pela leveza e extrema atualidade do seu texto enquanto informa sobre suas experiências literárias e pessoais e sobre seus colegas de cultura e literatura brasileiras.

Em pequenos textos, a descrição de encontros e perfis memoráveis com escritores, como Simone de Beauvoir, Jorge Luis Borges, Carlos Drummond de Andrade, Monteiro Lobato, Jorge Amado, Hilda Hilst e Clarice Lispector. Aparece também Mário de Andrade, quando Lygia era apenas uma estudante de Direito que usava boina.

Ganha destaque o tocante depoimento da escritora em torno do estudioso e crítico de cinema Paulo Emilio Salles Gomes, seu marido, falecido em 1977. Há ainda relatos de viagens (À Suécia e ao Irã) e textos sobre a Língua Portuguesa e a condição feminina.

“Outras Palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura Brasil.

Em busca da identidade cultural

3 de março de 2009

Às vésperas de completar 89 anos, Ruth Guimarães, associada histórica da União Brasileira de Escritores e a mais recentemente empossada acadêmica da Academia Paulista de Letras, foi convidada pelo prefeito Fabiano Vieira para assumir a pasta da Cultura, na cidade de Cachoeira Paulista, com a seguinte frase: “Não aceito não como resposta”. Ruth não recusou. É cachoeirense, onde nasceu em 13 de junho de 1920, e estava ansiosa para trabalhar mais ativamente pela sua cidade, cenário de vários de seus livros.

Folclorista por vocação, com ensinamentos colhidos junto a Mário de Andrade, na rua Lopes Chaves, a professora de grego, latim e português iniciou o seu mandato com uma intensa pesquisa para cadastramento de artistas locais. Essa primeira fase está quase completada e servirá para orientar a prefeitura no sentido de promover treinamento, financiamento quando for o caso e divulgação dos trabalhos de artistas locais em eventos regulares que vão compor o calendário oficial do município.

Na pesquisa, Ruth Guimarães já se deparou com manifestações julgadas extintas na região, como grupos de dança de São Gonçalo e grupos de jongo.

A sede da Secretaria da Cultura de Cachoeira Paulista fica no Parque Ecológico, um recinto de eventos no meio de lagos artificiais e árvores, muito bem cuidado, que deverá ser revitalizado – este é um dos compromissos da nova secretária.

A chácara onde vive a escritora, praticamente parede-meia com o Parque Ecológico, já enfrenta romaria de artistas, artesãos e escritores, para reuniões sob as mangueiras.

Parabéns escritora Ruth Guimarães, parabéns prefeito Fabiano Vieira, artistas e população de Cachoeira Paulista. É um privilégio para todos terem Ruth como Secretária de Cultura, uma das mais importantes intelectuais do pais.

A União Brasileira de Escritores congratula-se com o povo de Cachoeira Paulista, deseja à escritora uma profícua gestão e coloca-se à sua disposição para trabalhos conjuntos.

Levi Bucalem Ferrari

OS ESCOMBROS E O MITO – A CULTURA E O FIM DA UNIÃO SOVIÉTICA

30 de setembro de 2008

Boris Schnaiderman
Cia. das Letras (1997)

Neste livro, o conhecido escritor e tradutor Boris Schnaiderman encara o desafio de refletir sobre os destinos da literatura, da cultura e da política russa, após as mudanças radicais que redesenharam o mapa daquela região e do mundo.

Também analisa as relações internacionais fundadas no conflito entre blocos e nas aspirações comunistas difusas a partir da Revolução Russa de 1917.  O autor acrescenta ao seu vasto cabedal crítico sobre a modernidade russa, uma pesquisa das mais atualizadas sobre as principais tendências literárias e estéticas do momento.

Os resultados não poderiam ser diferentes: um texto raro e delicado, em que o estilo cuidadoso do ensaísta mescla-se com lembranças de notável memória e com valores éticos de um grande humanista.


“Outras Palavras”, programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura Brasil.

BRINCANDO COM O CAOS

18 de setembro de 2008

Germano Hansen Jr.
Alta Life Books

Devaneios, desvarios, pesadelos e experiências psíquicas incríveis formam a estrutura geradora deste livro de contos. A intenção é levar o leitor a uma viagem vertiginosa através da imaginação, sem limites que possam servir de barreiras à exploração de todas as possibilidades da criatividade.


“Outras Palavras”, programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura Brasil.

FORMAÇÃO DA LITERATURA BRASILEIRA

14 de setembro de 2008

Antonio Candido
Ed. Ouro sobre Azul.

Antonio Candido de Mello e Souza recebeu, em 20 de agosto de 2008, o título de Intelectual do Ano de 2007. Também conhecido como Troféu Juca Pato, o prêmio é oferecido pela União Brasileira de Escritores e considerado um dos mais importantes do país.

Neste livro, Formação da Literatura Brasileira, Antonio Candido estuda dois períodos de nossa literatura, Arcadismo e Romantismo, considerados decisivos para a formação do sistema literário no Brasil.

O sistema surge da articulação de autores, obras e públicos de maneira a estabelecer uma tradição. Esta gera a continuidade, que dá à produção literária o caráter de atividade permanente, associada aos outros aspectos da cultura.

Muitos livros importantes e já conhecidos do público são analisados pela ótica inovadora deste grande autor. Considerado o livro mais importante sobre nossa literatura, é leitura indispensável para professores e estudantes da matéria e para todos aqueles que gostam do assunto.


“Outras Palavras”, programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura Brasil.

DENTES AO SOL

11 de setembro de 2008

Ignácio de Loyola Brandão
Global Ed.

Nesta instigante ficção, o personagem-narrador criado por Ignácio de Loyola Brandão está em luta constante consigo mesmo. No seu íntimo, fundem-se memórias, fatos, sentidos, elementos e mitos, envolvendo-o num mundo de absurdos.

Na cidade interiorana em que se automarginalizou, vencido pelo ostracismo, situações revelam os medos e as dúvidas do narrador – uma piscina engole os que nela mergulham, um tigre anda rasgando as pessoas na rua, a televisão ocupou definitivamente o espaço do diálogo e das visitas.

O livro, enriquecido com referências ao cinema, estabelece interessantes paralelos entre fatos ficcionais e filmes que marcaram gerações.

Loyola me disse que este livro não foi um sucesso se comparado com outros de sua autoria. Eu não sei qual o motivo, porque o li há muito tempo e gostei bastante. Então vamos conferir.


“Outras Palavras”, programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura AM.

ADONIRANDO

11 de setembro de 2008


quem mora no Morro da Casa Verde
ou num barraco lá no bairro do Ermelino
quem já comeu no Bixiga, na casa do Nicola
conheceu Arnesto e tomou o trem das onze horas

quem amou Eugênia, Maria Rosa e Iracema
Pafunça, Malvina e todas as mariposas
fala nóis vem, nóis vai, nóis fumo e nóis vortemo

tem uma maloca saudosa
tem uma São Paulo que chora
choram Matogrosso e o Joca
e na Vila Esperança
todo mundo também chora

lamenta o apito do samba
soluça o meu tamborim
o cavaco se cala
fica mudo o violão
o poeta se foi
Deus quis assim
mas está vivo em nossos corações

o poeta se foi
foi ver Iracema
e virou uma estrela no céu
subiu na fumaça de um cigarro Iolanda
foi ver a banda tocar na favela


Poema escrito em homenagem a Adoniran Barbosa, publicado no Jornal do Bixiga, nº 03. Virou canção na melodia do compositor Lula Barbosa. Foi gravada pelo Conjunto Catavento no CD Adonirando da Movieplay; e, mais tarde, por Thobias da Vai-Vai no CD Paulicéia.

JUCA PATO: DISCURSO DE ANTONIO CANDIDO

20 de agosto de 2008
Antonio Candido

Antonio Candido

O troféu Juca Pato tem para mim grande significado, inclusive porque as entidades que o criaram foram importantes na minha carreira intelectual. Uma é sucessora da Associação Brasileira de Escritores, a outra é sucessora da Folha da Manhã, e a ambas se prende a fase inicial da minha atividade de crítico literário e de intelectual participante, como se dizia naquele tempo.

Em 1942 a Associação Brasileira de Escritores foi fundada no Rio de Janeiro com uma finalidade ostensiva e outra implícita. Ostensivo era o intuito de lutar pela regularização dos direitos autorais, então muito desrespeitados. Implícito era o ânimo de lutar contra a ditadura do Estado Novo e seu duro arrocho em relação à liberdade de pensamento e de expressão. Eu estava presente ao encontro fundador da seção paulista, do qual saiu a deliberação de eleger Sérgio Milliet seu presidente, pois Mário de Andrade, que também estava ali, recusou o cargo, ficando discretamente como vice. A mim, jovem principiante, foi atribuída a função de 2o. secretário, não devido a mérito pessoal, mas como reconhecimento de um grupo de moços ao qual eu pertencia e estava se lançando na vida intelectual com a nossa revista Clima, cujo título passou a nos designar: éramos o “grupo de Clima”.

Na seção paulista da ABDE, sigla com a qual a Associação ficou famosa, participei da organização e da realização do histórico Primeiro Congresso Brasileiro de Escritores, que teve lugar em São Paulo no mês de janeiro de 1945 e foi um movimento significativo de oposição ao regime, que aliás começou a se dissolver no mês seguinte. Mais tarde, em 1949, fui eleito presidente da seção de São Paulo e nessa qualidade presidi o Segundo Congresso Paulista de Escritores, realizado naquele ano em Jaú. A declaração de princípios deste congresso afirmou que o dever básico do escritor é a fidelidade à sua vocação, não a obediência a imperativos externos, aos quais poderia, no entanto, servir como intelectual em sentido amplo. Isso era uma retificação à tendência demasiado política justificada em tempo de ditadura. Pouco depois esse problema gerou a cisão que dividiu a entidade, recomposta felizmente mais tarde com o nome atual.

Quanto à outra instituidora, menciono que em 1943 tornei-me o que se denominava então “crítico titular” do jornal Folha da Manhã, que mudara de proprietário e passava por uma reforma modernizadora. Ligado aos autores desta era o meu grande amigo e companheiro da revista Clima Lourival Gomes Machado, que se encarregou da crítica de arte. Como os reformadores queriam estabelecer um rodapé semanal de crítica literária, ele me indicou para esta tarefa de grande responsabilidade. O meu nome foi aceito e eu, verde principiante, assumi o compromisso de fornecer semanalmente um artigo de cinco a seis laudas tamanho ofício a dois espaços sobre os livros da hora. Foi nessa tarefa, não na Universidade, que me formei como crítico, pois sou licenciado em Ciências Sociais, não Letras, e naquele tempo dava aulas de Sociologia. O meu tirocínio foi portanto adquirido dentro da tradição franco-brasileira do jornalismo, o que me ensinou antes de mais nada a procurar clareza e simplicidade na escrita. Sou, portanto, um crítico de jornal que passou mais tarde ao ensino da literatura, o contrário do que é freqüente em nossos dias.

Antonio Candido e Levi

Antonio Candido e Levi Bucalem Ferrari

Aquele momento era de intensa politização dos intelectuais, segundo o espírito predominante no decênio que sucedeu ao movimento armado de 1930. Eu embarquei nesse rumo, politizando talvez um pouco demais a minha atividade crítica, mas correspondendo assim ao ânimo de militância que era o dos intelectuais contrários à ditadura do Estado Novo. Afinado com as tendências radicais do momento, assumi então posições socialistas que não abandonei mais e continuam a nortear as minhas convicções relativas à necessidade de transformar profundamente a nossa sociedade desigual e mutiladora.

Mas não posso ir adiante sem mencionar que na redação da Folha da Manhã conheci e vi muitas vezes ninguém menos que o inventor do popular Juca Pato, personagem pitoresco que dá o nome a este prêmio. Refiro-me a Benedito Carneiro de Bastos Barreto, famoso sob o pseudônimo de Belmonte, escritor e desenhista de alto valor, um dos mais altos praticantes da caricatura no Brasil. Era um homem discreto e cortês, de pouca fala, mas muito simpático. Naquela altura participava da luta ideológica por meio de charges mordazes contra o nazismo.

Tendo mencionado dois motivos que contribuem para fazer deste prêmio uma alegria para mim, resta mencionar como terceiro o fato de ser ele conferido neste local. Estudei na Faculdade de Direito durante sete anos, dois no chamado “pré-jurídico”, designação corrente na 1a. Seção do Colégio Universitário Anexo à Universidade de São Paulo, mais cinco no bacharelado, sendo que os três primeiros de maneira assídua e os dois últimos com muita ausência, acabando por não prestar em segunda época os exames finais, segundo o sistema da época e segundo também a minha intenção.

Portanto sou quase bacharel e sempre me senti uma espécie de aluno permanente que ainda não cumpriu a tarefa, mas tenho a honra de ser bacharel do XI de Agosto, grau que me foi conferido solenemente por uma turma de formandos. Por isso trago neste momento na lapela o distintivo do Centro, quase igual ao que, em seguida ao trote de 1939, depois de raspado o cabelo e pagas as devidas taxas, recebi junto com a flâmula e o diploma de burro em bom latim macarrônico, diploma que conservo como antídoto salutar contra eventuais assomos da vaidade…

Foi nesta Casa que comecei a militar contra as ditaduras, como um dos fundadores do Partido Libertador, surgido aqui em 1939, quando eu estava no primeiro ano do bacharelado, e que não deve ser confundido com o de âmbito nacional de mesmo nome, criado sob a inspiração de Raul Pilla. Mais tarde fui também um dos fundadores da Frente de Resistência, formada quando eu estava no 5o. ano por estudantes liberais e socialistas desta e de outras faculdades, que desenvolveu uma atividade ponderável apesar dos apertados limites impostos pela censura e a repressão.

Ruth Guimarães e Antonio Candido

Ruth Guimarães e Antonio Candido

O que estou dizendo se refere cronologicamente aos anos de 1940, isto é, mais de meio século atrás. Portanto, os generosos confrades da União Brasileira de Escritores foram buscar um intelectual bem antigo, bem fora do tempo, para confortá-lo com esta distinção consagradora. Devo ser de fato tão antiquado, que venho sendo definido em algumas instâncias como “ilustrado”, devidamente entre aspas, e como alguém preso a uma visão de tipo teleológico da história e do pensamento. Devo esclarecer que, ao contrário do que se poderia pensar, considero esta restrição um elogio. Ela quer dizer que me mantenho fiel à tradição do humanismo ocidental definida a partir do século XVIII, segundo a qual o homem é um ser capaz de aperfeiçoamento, e que a sociedade pode e deve definir metas para melhorar as condições sociais e econômicas, tendo como horizonte a conquista do máximo possível de igualdade social e econômica e de harmonia nas relações. O tempo presente parece duvidar e mesmo negar essa possibilidade, e há em geral pouca fé nas utopias. Mas o que importa não é que os alvos ideais sejam ou não atingíveis concretamente na sua sonhada integridade. O essencial é que nos disponhamos a agir como se pudéssemos alcançá-los, porque isso pode impedir ou ao menos atenuar o afloramento do que há de pior em nós e em nossa sociedade. E é o que favorece a introdução, mesmo parcial, mesmo insatisfatória, de medidas humanizadoras em meio a recuos e malogros. Do contrário, poderíamos cair nas concepções negativistas, segundo as quais a existência é uma agitação aleatória em meio a trevas sem alvorada.

É com este espírito talvez obsoleto de velho intelectual participante, como se dizia naquele tempo, que aqui estou para agradecer de coração esta desvanecedora homenagem.

Antonio Candido
20 de agosto de 2008


Discurso proferido durante a cerimônia de entrega do prêmio Juca Pato, em 20 de agosto de 2008.

VAMPÍRIA

1 de agosto de 2008

Dionísio Jacob
Ed. Saraiva (2005)

O mordomo Renfélderson tem um trabalho danado para servir a família Voivoda, que teve seu palácio confiscado e vive em prisão privativa, em um singelo apartamento longe de sua terra natal. Mas, apesar as dificuldades e da decadência que enfrentam, continuam muito unidos.

Essa seria uma história como outra qualquer não fosse pelo fato de que a família Voivoda, na verdade, são os últimos exemplares de vampiros. Mas a família Voivoda não perde por esperar: na hora em que Horloc, o caçula, decifrar o segredo do primo Dimetrescu é que as coisas vão mesmo mudar…

Atenção: Quando você começar a leitura, não se esqueça de se proteger com um colar de alho, um crucifixo e cuidado com o pescoço!


“Outras Palavras”, programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura Brasil.

LITERATURA NA ESCOLA

24 de julho de 2008
Levi

Levi, José Castilho Marques, Anna Cláudia Ramos e Daniel Mundukuru

Fórum em Brasília debate a formação e a qualificação de jovens leitores

Os ministérios da Educação (MEC) e da Cultura (MinC) estão promovendo o Fórum Literatura na Escola – Biblioteca Escolar e Mediação da Leitura, com o objetivo de discutir a formação de leitores na educação básica e o papel da literatura na escola.

O encontro – que está sendo realizado nos dias 24 e 25 de julho, no Auditório do MEC, em Brasília – conta com a participação de técnicos dos dois órgãos, pesquisadores, escritores, professores, bibliotecários.

A iniciativa também visa a apresentação e o debate das ações do MEC e do MinC junto às escolas, voltadas para o fomento à leitura e à difusão da literatura, além de fazer uma análise da situação atual, do desempenho esperado pela biblioteca escolar e do papel do professor como mediador e incentivador do hábito da leitura.

Presente ao evento, o secretário executivo do Plano Nacional de Livro e Leitura, José Castilho Marques Neto, explica que “uma das principais metas do PNLL é democratizar o acesso à leitura, já que cada vez mais os jovens e as crianças, se tratando da escola pública, têm acesso à leitura por intermédio principalmente das bibliotecas escolares. O segundo ponto é a formação de mediadores de leitura, pois nós entendemos que deve haver um enorme esforço do governo e da sociedade para formação de professores, leitores, pessoas que tenham prazer da leitura e possa transmitir isso para os jovens”.

O coordenador-geral de Livro e Leitura do MinC, Jéferson Assumção, considera “primordial que a escola seja um local capacitado para formar leitores culturais, ou seja, a cultura da leitura que ultrapasse seus muros e faça parte do cotidiano do aluno”. Ele ressalta que, além da dimensão funcional, é necessária a formação de um leitor crítico. “A leitura qualifica a relação do indivíduo com os outros segmentos da cultura, com o meio ambiente, saúde, segurança. E a leitura de literatura mais ainda. Por isso, ela [a literatura] precisa voltar para os currículos escolares.”

Várias propostas e sugestões voltadas à meta de qualificação dos leitores brasileiros, em relação à literatura, foram apresentadas durante os debates. Segundo a presidente da Associação Nacional de Escritores e Ilustradores de Livros Infanto-Juvenis (AEILIJ), Anna Cláudia Ramos, é fundamental ter um mediador nas escolas, que seja capaz de fazer uma ponte entre o livro e os jovens. “Sugerimos a elaboração de um guia de leitura para os professores e bibliotecários com uma linguagem acessível. Mas esse projeto tem de ser realizado pelo MEC e pelo MinC, já que o livro está ligado à educação, quando deveria estar ligado também à Cultura.”

Já o presidente da União Brasileira de Escritores (UBE), Levi Bucalem, ressalta que é preciso combater o grande inimigo da leitura que é a televisão. “O poder da TV no Brasil é o maior em todo o mundo. Ela é o monopólio da informação, do entretenimento e da ficção. É muita ficção audiovisual para a gente competir com ela.” Bucalem sugere a separação da literatura da disciplina de língua portuguesa nas escolas públicas, o que já vem sendo feito nas escolas particulares. Incentiva, também, a realização de oficinas de redação, de concursos literários e a mudança das questões dos vestibulares em relação à literatura, dentre outras sugestões.

Representando a Academia Brasileira de Letras (ABL), Daniel Mundukuru (vencedor do Prêmio Machado de Assis 2008, na categoria Literatura Infanto-Juvenil, pela obra Olho do Bom Menino), também participa das discussões. Falando sobre o incentivo ao livro e à leitura para as populações indígenas, ele destaca como negativo o pouco contato que os índios têm com a literatura. Na opinião do acadêmico, “eles têm uma fantasia na cabeça, só precisam aprender a escrever para transformar em livro. Tem de haver um estímulo, programas que ajudem essas histórias se tornarem conhecidas”.

O Fórum Literatura na Escola conta com palestras e mesas-redondas com os seguintes temas: O papel da literatura na escola, A literatura no currículo escolar, Literatura na escola: a visão dos escritores, Literatura na escola: conceitos e práticas públicas, A biblioteca escolar como centro de referência de aprendizagem – a experiência chilena, O papel do professor/leitor como mediador da leitura e O papel da biblioteca escolar na formação de leitores.

Fonte: Comunicação Social/MinC
(Texto: Narla Aguiar / Foto: André Simas)