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Posts Tagged ‘história’

Vera Abad – Cartas para Mariana

11 de junho de 2010

A estória é ambientada numa fictícia cidade do interior nos anos sessenta. A troca de cartas entre as personagens narra a história dos jovens que viveram os anos dourados e os anos de chumbo.

        As histórias foram realmente vividas e o livro é leitura para agradar não só aos saudosistas, mas também aos jovens. Estes encontrarão respostas às suas indagações sobre a participação dos que viveram os acontecimentos políticos após o golpe de 1964.

        Fugindo dos maniqueísmos, Vera Abad, mostra que, entre militares e rebeldes, havia amigos, colegas e parentes que se encontraram em fileiras opostas.

        E todos acreditavam estar buscando o mesmo fim. Mas, a principal curiosidade deste livro está na pergunta: O que aconteceu aos que não se tornaram famosos?

        Além das cartas, o livro intercalada poemas que pontuam a trama e é ilustrado com recortes de jornais da época que provam a veracidade dos fatos narrados .

 

 

“Outras Palavras” é o programa de Literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura do Brasil.

Nei Lopes – Kofi e O Menino De Fogo

10 de junho de 2010

Kofi é um menino africano que, certo dia, encontra-se frente a frente com um menino europeu.

 Ambos têm que lidar com idéias preconcebidas presentes na sociedade em que vivem.

O livro traz, adicionalmente, informações sobre Gana, o país onde se passa a história.

Excelente abertura para melhor conhecermos a África, Gana tem alguns aspectos de particular importância, como o fato de ter sido a porta de entrada dos europeus no continente no século XV.

Gana também foi um país marcado pela atuação de seus líderes no movimento pela independência dos países africanos no século XX.

Destinado principalmente ao leitor infanto-juvenil, o livro traz ilustrações de Helene Moreau.

“Outras Palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura do Brasil.

Isabel Allende – Eva Luna

6 de junho de 2010

Eva vive a dura luta pela sobrevivência, num contexto de caudilhos e de ditaduras militares, em que o povo nunca decide o curso dos acontecimentos.

        Por sua critica e denúncia do contexto social, o livro aproxima-se da tradição do romance picaresco espanhol. A ironia diante das condições transforma em comédia os momentos mais trágicos.

        São ingredientes que servem de ponte entre os ideais e a bruta realidade em que a protagonista vive. Quando o contraste e o ceticismo aumentam, a ironia funciona como a única forma de sobrevivência.

        Eva Luna não é apenas a história de uma mulher. Com sua arte pontilhada de descrições barrocas, ela constrói um mundo com a memória e o resgata pela palavra e pela fantasia

        A descoberta de si e de seu corpo a conduz para a realização plena da sua identidade.

        E a trama ao final revela-se otimista, demonstrando que todos necessitam colorir suas existências para acreditar num futuro de justiça e de paz.

 

 

 

“Outras Palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura do Brasil.

Enéas Athanázio – O cavalo inveja e a mula manca

6 de junho de 2010

O espaço da ação é quase sempre amplo, aberto: o campo, o coxilhão, a invernada, a estrada, a rua da vila.

É o caso de contos como “A Estação”, onde a história de Seu Baby, e é também um pouco a história das ferrovias brasileiras, do apogeu à decadência.

Às vezes o espaço do drama é um balcão de bar, como em “O Banco do Meu Compadre”, história em que o protagonista não tem nome.

Nomes e apelidos ficam para as personagens menores: Arno, Tatu, João-Sem-Braço e “uma certa Xaxim, mulher de vida airada”.

            Os personagens de Athanázio vagam pelas ruelas poeirentas, freqüentam os botecos e quase não falam. Não há muito a dizer em suas vidinhas sem eira nem beira, sem horizontes, estagnadas, modorrentas.

            O livro vale também pela riqueza da linguagem e da estrutura narrativa como no conto que dá titulo ao livro. O Cavalo Inveja e a Mula Manca, uma obra-prima deste premiado escritor catarinense. 

 

 

 

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Rachel de Queiroz – O Quinze

21 de maio de 2010

Esse é o romance de estréia na carreira de Raquel de Queiroz e foi publicado em Fortaleza em 1930, quando a autora – hoje consagrada – tinha apenas 20 anos.

A obra relata o conflito entre homem e natureza, narrando a difícil marcha de um retirante e sua família rumo ao Amazonas. Paralelamente ocorre outra história, a de uma moça sonhadora que adora ler romances franceses.

“O Quinze” provocou um enorme impacto nos anos 30 do século XX e atravessou o tempo como uma referência obrigatória na História da nossa literatura.

Trata-se de uma espécie de marco, em que Rachel de Queiroz, então pouco mais que uma menina, debutava e inaugurava um poderoso ciclo das letras nacionais: o do romance nordestino.

 

 

“Outras Palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura do Brasil.

Izaías Gomes de Assis – Como eram os animais

18 de maio de 2010

Este é um dos poucos livros de literatura de cordel voltado para o público infantil.

A obra fala do passado de algumas espécies de animais, propondo ao leitor explicações divertidas sobre a história de cada um ao longo da trajetória do planeta.

Com ilustrações do artista Eldes, o livro traz características únicas de métricas e rima do cordel brasileiro e linguagem coloquial.

Adequado ao público infanto-juvenil, é, ao mesmo tempo, divertido e altamente instrutivo.

 

 

 

“Outras Palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura do Brasil.

Elvira Vigna – Nada a dizer

1 de maio de 2010

Este romance traz a narrativa obsessivamente detalhada de um adultério. A voz que conta essa história, entretanto, não é a de um dos amantes, mas a da mulher traída.

Com pouco mais de 60 anos, ela reconstitui cada passo do companheiro, Paulo, em sua aventura extraconjugal.

A descrição cuidadosa, com toques de masoquismo, acaba parecendo um esforço da narradora no sentido no sentido de conhecer a essência de seu companheiro. De quem ele é realmente em contraposição ao que teria parecido para ela até então.

E, nesse processo, a narradora traída vai também se reconhecendo, alterando a visão que tinha de si mesma durante o período que aparentemente tudo corria bem. Ela também passa a se questionar.

Completa a riqueza desta narrativa, o fato de que ela não se esgota nas relações pessoais de um triângulo amoroso. O mundo existe e se transforma. E as pessoas também.

E permanece o enigma: as pessoas mudam apenas em função das circunstâncias ou se adaptam a elas enganando aos outros e a si mesmas. 

 

 

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Ana Letícia Leal – Para Crescer

3 de abril de 2010

A autora Ana Letícia Leal foi finalista do Prêmio Jabuti em 2007 com o livro Meninas inventadas. Agora ela volta à literatura infanto-juvenil através de uma novela curta.

A história é sobre uma adolescente de 17 anos posta diante das incertezas da vida adulta. Estas são agravadas pela mudança para outra cidade de sua melhor amiga e pela morte da mãe.

As perdas fazem com que a adolescente avalie seus planos pessoais e profissionais e suas expectativas para o futuro.

 

 

 

 

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Maria Luisa Soriano Martins – Contos Árabes

2 de fevereiro de 2010

Houve, certa vez, em algum tempo longínquo e algum lugar remoto do Oriente Médio, um velho homem cujo nome ninguém sabia.

Apelidado de O dervixe louco, ele perambulava sem rumo durante muitos anos por todo o mundo árabe.

Chegava numa cidade e na praça principal, começava a contar histórias. Além de divertir, suas histórias emocionavam porque apresentavam situações de vida com as quais os ouvintes se identificavam.

Certamente o leitor juvenil de hoje também se identificará com as mesmas histórias contidas nesta obra que recebeu vários prêmios.

O livro é ilustrado por Marcelo Bicalho.

“Outras Palavras” é o programa de literaura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura do Brasil.

Jonas Ribeiro – Galo Barnabé vai ao balé

30 de janeiro de 2010

Ana Carolina não conseguia parar de dançar e, por isso, decidiu para o balé entrar. Um dia, de tanto rodar, acabou caindo e ganhando um tremendo dum galo, mas não um galo qualquer.

Era o galo Barnabé. De tão galanteador, Barnabé foi eleito o coreógrafo da turma. Entre ensaios e cortejos à Madame Rococó, o galo insiste em ‘fazer festa na testa’ de Ana Carolina, o que leva a professora a não querer mais que a menina dance.

Então, surge um impasse – sem a Ana Carolina e o galo Barnabé, as outras bailarinas se recusam a dançar. Será mesmo que não haverá espetáculo?

Eis o dilema desta história destinada ao leitor infanto-juvenil e finamente ilustrada por Ana Terra.

 

 

 

“Outras Palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura do Brasil.

Ariovaldo Esteves Roggerio – Família em contos “Os Larletos”

28 de janeiro de 2010

A obra narra o dia a dia da Família Larleto, alegre, mas economicamente apertada.

O casal Júlio e Mariana vai educando seus 8 filhos sendo Zégas, de 13 anos, o mais espoleta deles. As histórias, com caráter popular e divertidas, ambientadas no Bairro do Bixiga e região Central da Cidade de São Paulo, são dirigidas a crianças, jovens e adultos.

Pais e professores também encontram nas narrativas, temas de comportamento para dialogar com os jovens de modo agradável e instigante, o que torna eficaz a tarefa educativa.

Os 38 contos presentes no livro, e que apresentam a família como caminho de realização pessoal, fazem rir e pensar.

 

 

“Outras Palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura Brasil.

LANÇAMENTO: FÓRMULA PARA O CAOS

11 de setembro de 2008

Caro(a) amigo(a),

Segue o convite para debate e lançamento do livro Fórmula para o Caos – A derrubada de Salvador Allende de Luiz Alberto Moniz Bandeira reproduzido abaixo. O evento é dos mais relevantes pois lembra o “outro” 11 de setembro, aquele em que o presidente eleito do Chile foi derrubado por forças conservadoras internas e externas. O livro foi escrito por um intelectual do ano (Juca Pato), Moniz Bandeira, e tem outro Juca Pato no debate, Samuel Pinheiro Guimarães. Ambos são associados da UBE. Outras importantes autoridades ligadas à política externa brasileira estarão presentes. Conto com você.

Levi Bucalem Ferrari
presidente da União Brasileira de Escritores

ALMANAQUE DAS BANDEIRAS

14 de agosto de 2008

Marcelo Duarte
Moderna Editora

A bandeira é a carta de identidade de um país. Ou de um território, de um grupo de nações, de um time de futebol, de um partido político, de uma escola de samba.

Conhecer as bandeiras é uma divertida aula de história, geografia, religião e política. É por isso que aquele simples pedaço de pano tremulando no alto de um mastro mexe tanto com nossos sentimentos.

”Almanaque das bandeiras” conta o significado, as mudanças e as mais incríveis curiosidades do pavilhão nacional e de outros países do mundo.

Dos piratas ao homem na Lua, você vai saber tudo sobre as bandeiras! Destinado ao público infanto-juvenil, a obra também pode servir para a curiosidade dos adultos. O livro é Almanaque das Bandeiras, o autor Marcelo Duarte. Moderna Editora.


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HISTÓRIA DE TRANCOSO

19 de junho de 2008

Gonçalo Fernandes Trancoso
Ed. Caliban

Muito já se ouviu falar em histórias de Trancoso. O que poucos sabem é que as narrativas de Trancoso não são simples lendas ou fábulas. Na verdade, tratam-se de crônicas escritas por Gonçalo Fernandes Trancoso.

Esta edição, inserida na coleção “Quem Lê Vive Mais” da Editora Caliban, vem composta de nove textos trancosianos, selecionados conforme a temática, no sentido de trazer os ensinamentos morais e éticos do autor para os tempos de agora.

Não é tarefa muito difícil por ser a obra de Gonçalo Trancoso um clássico cujo conteúdo amolda-se a qualquer tempo de nossa história. É obra consagrada da literatura universal.


“Outras Palavras”, programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura Brasil.

1968: ELES SÓ QUERIAM MUDAR O MUNDO

24 de abril de 2008

Ernesto Soto, Regina Zappa
Ed. Jorge Zahar

1968 foi um ano marcado por inúmeras transformações. Jovens do mundo todo lideraram protestos e descobriram novas formas de luta. Insurgiam-se contra valores sociais ultrapassados, falsos moralismos, repressão sexual, injustiças sociais, a guerra do Vietnã.

Tudo isso no ambiente da Guerra Fria, ou seja, a disputa entre duas potências com sistemas econômicos antagônicos. O livro faz um passeio pelos principais acontecimentos do período em linguagem emocionada, com suspense e opinião. É um verdadeiro almanaque ilustrado da geração que disse não ao conformismo.

O leitor vai entender porque o ano de 68 marca até hoje nossas vidas, ajudado por entrevistas com Chico Buarque, Edu Lobo, Vladimir Palmeira, Vladimir Carvalho, Alcione Araújo. Com histórias saborosas, letras de músicas e listas de filmes e canções, o livro conta ainda até como era a moda na época


“Outras Palavras”, programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura Brasil.

A EMPAREDADA

27 de março de 2008

Cláudio Aguiar
Ed. Caliban

Escrita para ser encenada no teatro, esta belíssima tragédia do escritor Cláudio Aguiar pode ser muito usufruída através apenas da leitura do livro.

Ela aborda o tema da mulher que se vê impossibilitada de exercer o seu mais natural direito de amar alguém. Representa assim o desenlace de uma trama vivida em todos os tempos.

O emparedamento foi um dos mais cruéis castigos que a História conheceu. Ele visava não apenas a cercear a liberdade, mas ao extermínio da pessoa sem deixar vestígios.

Amplie seus conhecimentos históricos e comova-se com a instigante narrativa que o livro oferece.

O título é A EMPAREDADA. O autor Cláudio Aguiar. Editora Caliban. Custa R$ 20,00.


“Outras Palavras”, programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura Brasil.

OS MELHORES CONTOS QUE A HISTÓRIA ESCREVEU

24 de fevereiro de 2008

Flavio Moreira da Costa (org.)
Nova Fronteira

Nesta coletânea Flávio monta um panorama dessa parceria entre literatura e história e, em seus textos introdutórios, apresenta as raízes fundadoras de nosso tempo.

Aqui estão a Grécia clássica, o Egito antigo, a Europa Napoleônica, bem como o Rio de Janeiro de Machado de Assis. E, por essa linha, muitos outros cenários históricos prontos para a atuação da literatura.

Trata-se de livro de grande interesse para todos – adultos ou jovens – mas, principalmente para estudantes. Então vamos anotar: o livro é Os melhores contos que a História escreveu, organizado por Flávio Moreira da Costa”. Publicado pela Editora Nova Fronteira.

Ouça aqui o programa:

[audio:http://blogs.utopia.org.br/levi/files/0170-flavio-moreira-da-costa-org-os-melhores-contos-qu.mp3]

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WEEKEND NA GUATEMALA

7 de fevereiro de 2008

Miguel Angel Astúrias
Ed. Expressão Popular

Esta obra tem como tema a invasão da Guatemala por forças mercenárias a serviço dos interesses imperialistas da empresa estadunidense American Fruit Company, a La Frutera.

Weekend na Guatemala descreve essa invasão, ocorrida em 1954, quando aquele pequeno país tentava estabelecer um projeto popular. O imperialismo estadunidense, não querendo intervir diretamente, promoveu o recrutamento em massa da escória social em vários países latino-americanos, assolados pelo desemprego e pela miséria, para formar um exército de mercenários, financiado pelo próprio governo estadunidense e pela American Fruit.

A elite econômica e setores da pequena burguesia guatemalteca forneceram a base social de sustentação interna da agressão. Resultado: milhares de crianças, homens e mulheres, jovens e idosos assassinados, o projeto popular destruído, o país invadido, o povo humilhado.

Whisner Fraga indica a leitura de Weekend na Guatemala. Ele diz: “Um sargento imperialista é encarregado de transportar o armamento que será utilizado na invasão norte-americana. Mas, bêbado e descontente, não conta com a tenacidade de uma estudante guatemalteca, militante de uma organização clandestina, que fará o possível para que a mercadoria não chegue a seu destino”.

Este é o início do romance político que teve inspiração na invasão ocorrida na Guatemala, no ano de 1954. A situação do país levou o autor a focar o sofrimento humano diante do poder daquele que pilha cidades indefesas em nome de uma democracia duvidosa. Weekend na Guatemala, de Miguel Ángel Astúrias, é uma publicação da editora Expressão Popular. A dica é do Whisner Fraga.


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MEU VELHO CENTRO

29 de novembro de 2007

Heródoto Barbeiro
Ed. SESC/SP e Boitempo

O historiador e jornalista Heródoto Barbeiro, conhecido comentarista do Jornal da Cultura de nossa TV Cultura e âncora na rádio CBN, nos brinda agora com um excelente livro de crônicas.

O título Meu Velho Centro não poderia ser mais explícito. Heródoto nos falará de suas memórias sobre o centro velho de São Paulo, lugar onde nasceu em 1946.

O autor relembra também as transformações que a região sofreu nos últimos 50 anos, aquilo que permaneceu e o que se descaracterizou.

A memória não se restringe ao visual. O escritor jornalista apresenta fatos curiosos e relembra momentos como as matinês nos cinemas e as viagens de bonde.

O livro é Meu Velho Centro. O autor, Heródoto Barbeiro, numa co-edição das Editoras SESC/SP e Boitempo.


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AMOR DESVAIRADO, AMOR MADURO

16 de outubro de 2007

Discurso Urbano
Izacyl Guimarães Ferreira

Ninguém tem certeza, mas o mais provável é que o homo sapiens tenha perambulado como nômade por mais de 250 mil anos até que descobriu que a semente da fruta que comera germinou árvore idêntica àquela de onde colhera os frutos. Também que alguns animais, até então mera caça, poderiam ser criados e procriar-se em cativeiro, fornecendo-lhe (ao homem) outros produtos e serviços além da carne.

Pronto. Estavam plantadas as sementes da primeira e maior revolução que a humanidade conheceria, a revolução agrícola. Já não seria necessário vagarmos pelo desconhecido como as outras feras em busca de comida, água e abrigo. Paremos por aqui mesmo, ponderou o mais esperto, a safra promete e o gado está a engordar, a fornecer também leite e sua força para o arado e o transporte. Certamente este líder, se homem, foi influenciado por alguma, ou todas as mulheres, cansadas de transportar os filhos, fora e dentro do ventre, pelas inseguranças do mundo.

Erguer abrigos menos provisórios, mais seguros, daí a casa, daí a cidade, daí formas menos incipientes de convivência. Organização social com regras claras, se possível escritas; escritas também as façanhas de nossos lendários heróis, os cânticos usados nos rituais. A cidade nasce com a poesia. E vice-versa.

Passeie pelos séculos e note  que as grandes capitais dos impérios orientais constituirão a panela na qual se cozinha a cultura das formações sociais com muito mais pressa e sabor que no campo. Quanto ao ocidente, perceba que a Polis grega é o pilar da civilização. Aproveite e pergunte ao Aristóteles se a História ou a Poesia poderiam ser feitas no campo. Qual é, Mané? Responderia para concluir. E tem mais: Você acha que o Sófocles ou o Eurípedes encenariam aquele teatro sofisticado numa plantação de oliveiras ou pasto de cabras? Eles querem público. E de qualidade.

Na seqüência, o Império Romano urbanizaria o mundo conhecido.

E foi com sua queda que a barbárie tomou conta. Pelo menos no ocidente regredimos muito ao esvaziar as cidades e voltar para o campo onde se concentraria, por muito tempo, o poder de senhores feudais e da Igreja. Tempo de reis e nobres analfabetos e bestiais. Tudo bem para a Igreja daquele tempo, a dominar pela superstição e medo do inferno. E algumas bruxas para assar de vez em quando. Chegaram a milhões.

Enquanto isso, à sombra do castelo ou longe dele, nos portos e confluências de rios, as cidades renasciam, fênix civilizatória. Artesãos, comerciantes e muitos outros fogem para lá para se verem livres do jugo feudal. Gênova e Amsterdã inventam barcos e bancos; Veneza, a República; e Florença o Leonardo, o Michelangelo, o Galileu, o Maquiavel, o Dante… Nem precisava tanto.

Cervantes põe a pá de cal nos últimos valores feudais, tratando-os com ironia e malícia. Através dele, o poder burguês inventou sua forma de manifestação predileta, o romance, aquela coisa ambígua e urbana se comparada às gestas que elogiavam heróis e príncipes sempre cristãos.

A cidade volta a ser, e será até hoje, o espaço da reconstrução civilizatória. E não só o do triunfo do pensamento e viver burgueses como o de outras teorias que cobram mais efetividade na promessa de liberdade, igualdade e fraternidade. Então era só a formal? Queremos mais, busca-se a superação, iluminismo, romantismo, idealismo, materialismo. Sempre na cidade, a ponto de Marx ter usado a expressão “idiotia rural”.

Chega. Agora é curtir a poesia urbana de Izacyl Guimarães Ferreira, refinadíssimo poeta de trovar claro, amante apologético da civilização, da cultura e da liberdade. Noutras palavras, da cidade e de sua melhor poesia.

São Paulo, 16 de outubro de 2007.


Resenha publicada no site Leia Livro em 2008.