A autora deste livro é a conhecida Tatiana Belinky, que deixou a Letônia para vir morar no Brasil aos dez anos.
Aqui a autora descreve os primeiros dezessete anos em São Paulo, por meio de crônicas divertidas e bem-humoradas.
Desde a chegada no bairro paulistano de Higienópolis até o casamento de seu irmão com uma prima, a autora narra casos, ou ‘acontecências’, como ela prefere, que marcaram sua vida e sua experiência em um novo país.
Hoje, uma das maiores escritoras de livros infantis em língua portuguesa, Tatiana Belinky faz deste livro de memórias um relato pouco convencional que combina histórias familiares, descobertas pessoais e um pouco da História do Brasil e do mundo.
“Outras Palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura do Brasil.
Depois de nos brindar com o instigante romance “Oculta”. Eliana de Freitas, volta à cena com este livro de contos, crônicas, “causos” e conversas.
São histórias de um país fantástico, banal, absurdo, cotidiano, normal. Ou é um simulacro mimético e mutante de país parecido com o nosso.
Violento, bom de bola e ruim de escola, das praias, dos congestionamentos, dos causos, das esquinas, da morena, da cachaça, do urbano, do presente menos que perfeito…
O humor é o traço recorrente, entre situações dramáticas, absurdas e hilárias, vistas ora de um ponto de vista racional, ora de um absoluto non sense.
Obra de leitura agradável, conta com ilustrações da artista plástica Érika Finati.
“Outras Palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura do Brasil.
A persistente luta pelo direito de amar de uma solteirona virgem e as estripulias de duas malandras centenárias para conseguir driblar a morte.
Estes são os dois motes de Nirto, o narrador, dois pontos de partida, dois enredos, dois repentes, dois causos, dois cordéis, duas zombarias, dois reveses, duas picardias, duas rezas, duas crônicas de costumes, duas fábulas.
Quem conta um conto aumenta um ponto. Imagine então quem conta dois… Então Nirto mata nossa sede de voltar às origens e preservar a memória, nos fazendo beber nas fontes da efervescente estética nordestina.
Demonstra-nos, com domínio de mestre contador de histórias, o amplo poder de resistência do povo simples de um Brasil místico e pouco conhecido.
Buscando seu lugar de no panteão das grandes personagens da literatura brasileira, a hilariante santinha Maria Caritó e as longevas carpideiras Socorro e Zaninha nos fisgam para sempre com suas perenes lições de fé na vida.
“Outras Palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura Brasil.
Ana Luisa Martins e José Armando Pereira da Silva (orgs.)
Editora MAM-SP
A obra reúne 220 crônicas do jornalista, escritor, crítico e cronista Luís Martins do jornal “O Diário de São Paulo”.
Através das crônicas, percebe-se o panorama do cenário artístico nacional e resgata-se a situação da crítica e da arte no Brasil na década de 40. O leitor terá contato com os movimentos e as principais obras do período, vistas sob a lente lúcida e bem informada deste grande crítico. Como as obras, o debate sobre elas e as polêmicas que suscitaram também aparecem aqui como que recuperadas da história.
Os anos 40 compõe um período bastante fértil de nossa produção artística e pode ser ainda descrito como de afirmação do modernismo e de uma estética profundamente brasileira.
Algumas crônicas abrangem o método e a visão de mundo que se tinha à época. Neste sentido é bastante interessante um debate entre o crítico Luís Martins e o jovem sociólogo Antonio Candido.
O projeto gráfico do livro é de André Stolarski e contém um pôster dobrado que é reprodução ampliada de um auto-retrato do cronista. O livro também abriga documentação e reproduções de obras e faz referências aos jornais da época. (Luís Martins nasceu no Rio de Janeiro, em 1097, e faleceu em São Paulo, em 1981).
“Outras Palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura Brasil.
Este é um livro de crônicas do escritor gaúcho Fabrício Carpinejar que é uma provocação desde o título. Um ato corajoso e irreverente contra os rótulos masculinos.
É uma leitura do homem contemporâneo, perplexo e desorientado com as transformações de comportamento e a dissolução dos papéis fixos familiares.
O autor mostra que o canalha mantém o charme sexual, mas não é mais o mesmo apregoado pelo Nelson Rodrigues e tantos escritores da metade do século XX.
São crônicas que respeitam a natureza original do gênero, ou seja, como se fossem conversas amáveis e despretensiosas, gostosas de ler.
O livro figura entre os finalistas do Prêmio Jabuti 2009.
“Outras Palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura Brasil.
Como este é o ano da França no Brasil, parece-me oportuno abordar alguns livros entre o que há de melhor na cultura e na literatura francesas.
Este livro de Gertrude Stein narra as experiências da autora na capital da França durante os anos 1920. Nesta época cunhou-se a expressão que perdura até hoje de que “Paris é uma grande festa”.
De fato, Paris concentrava o maior número de intelectuais e artistas de todo o mundo. Entre eles muitos gênios da pintura, da literatura, da filosofia etc. que revolucionariam todas as formas de arte e pensamento.
O livro é embalado pelo estilo inconfundível e inovador da autora, definido por Silviano Santiago como escrita cubista. Gertrude Stein faz, portanto, a transposição literária do que Pablo Picasso, amigo da escritora, fazia nas telas.
Vale a pena conhecermos o lado humano das personagens-símbolo de revoluções estéticas que cujas marcas perduram até os dias de hoje.
“Outras Palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura Brasil.
Este livro traz 113 textos inéditos pertencentes ao mesmo ciclo do clássico ‘Crônicas da província do Brasil’. Neles, Manuel Bandeira discorre sobre pintura, música erudita, arquitetura, teatro, cinema, poesia e o mundo das artes no tom culto, bem-humorado e nada professoral que é a marca de sua prosa, e que faria do grande poeta um dos mestres da crônica no Brasil.
Além dos textos de crítica, que registram o surgimento de um ainda tímido mercado cultural no país, Bandeira recupera a vida carioca nos anos 1920 em seus episódios mais curiosos, como a febre do primeiro concurso de miss Brasil, o primeiro arranha-céu do Rio, o sucesso do cinema falado e os personagens pitorescos da boemia da cidade.
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As histórias colhidas e recontadas neste livro resultam da experiência profissional do médico Luís Marra na zona Leste de São Paulo.
São contos curtos ou crônicas em tom de conversa ouvida em seu consultório. O peso da queixa ou da doença é contrabalançado pelas histórias de vida e pela filtragem que cada paciente faz de seus próprios problemas.
Os textos reservam boas surpresas e as historietas ganham relevo quando imprimem à existência de pessoas tão simples a singularidade que nos faz lembrar que cada um tem sua própria individualidade. Mas, ao mesmo tempo, elas têm muito de comum entre si, a partir de condições de vida material muito semelhantes. E também como partícipes de uma mesma cultura, com seus mitos, crenças e valores.
É isto que transforma pacientes em pessoas e personagens.
“Outras Palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura Brasil.
A autora é Lygia Fagundes Telles, considerada a grande dama da literatura brasileira contemporânea. Lygia é membro da Academia Brasileira de Letras, e sua obra já foi publicada em diversos países, com adaptações para TV, teatro e cinema. É ganhadora de inúmeros prêmios, entre eles o Camões, o mais prestigioso da língua portuguesa.
Neste livro, ela reúne contos de ficção inéditos e reminiscências da infância, relatos de viagens, crônicas sobre a cidade de São Paulo e perfis de intelectuais brasileiros com quem conviveu.
Alternando passado e presente, ficção e realidade, Lygia e sua prosa refinada são garantia de uma agradável e surpreendente leitura.
“Outras Palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura Brasil.
Sérgio Milliet foi um dos maiores intelectuais brasileiros de seu tempo e um dos expoentes do movimento modernista. Destacou-se em diversas áreas: foi poeta e estudioso da realidade brasileira; foi crítico de literatura e de artes plásticas. E ainda tradutor e cronista.
Muito admirado por seus colegas, foi o primeiro presidente da Associação Brasileira de Escritores – hoje UBE. Mário de Andrade foi seu vice. Sempre disposto a apoiar e divulgar atividades de desenvolvimento da cultura brasileira, Milliet foi um dos escritores mais comprometidos com a tarefa que ele e seus colegas impunham a si próprios àquela época.
Foi um dos articuladores e participou da coordenação do histórico Congresso Brasileiro de Escritores em 1944. Escreveu para diversas publicações, principalmente, no O Estado de S. Paulo, onde registraria algumas de suas preciosas crônicas.
Esta antologia tenta resgata o melhor das crônicas do Milliet.
“Outras Palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura Brasil.
Cláudia Pacce, residente em Nova Zelândia, é associada à União Brasileira de Escritores e acabou de lançar O desenho e outros cenários.
São contos e crônicas elaborados com grandes economias de meios, numa linguagem literária que vai do impressionismo ao mágico e poético.
A autora elabora seus textos sobre o dia a dia da vida de pessoas comum. Mas empresta a isto uma dimensão artística personalíssima, que encanta o leitor de qualquer idade.
Obra plena de surpresas e magias que prende a atenção tanto pelas histórias quanto pelo talento narrativo.
“Outras Palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura Brasil.
Interessante livro de crônicas feito por um grande mestre do xadrez. O autor, além de analisar partidas de xadrez com mestria, demonstra ser um cronista da melhor estirpe.
Helder Câmara, o autor, manteve por mais de três décadas, sem interrupção, um apreciadíssimo espaço dedicado ao xadrez no jornal Diário Popular, de São Paulo. E agora nos brinda com estas 64 crônicas, número que corresponde ao número de casas no tabuleiro de xadrez.
Já na primeira crônica – Caíssa – que dá título ao livro, Hélder revela-se um escritor brilhante, à altura dos melhores cronistas nacionais. O trabalho se conclui com um belo soneto a Caíssa, tão elaborado quanto o de um grande poeta.
Este livro é, enfim, o espelho fiel de uma personalidade que já se inscreveu definitivamente na história do xadrez. E, ao mesmo tempo, continua a ser um escritor criativo e cativante.
“Outras Palavras”, programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura Brasil.
Neste livro, a escritora e psicanalista Betty Milan reinventa a tradição do consultório sentimental arraigada em nossa cultura.
E cria uma nova educação sentimental, com conselhos para as mais diversas – e atuais – situações. Do romance cibernético até o sexo casual, a autora analisa dúvidas comportamentais freqüentes, numa linguagem literária.
A autora encerra cada crônica com uma máxima sobre o assunto. O resultado é uma análise das experiências alheias como base para o autoconhecimento.
Betty se debruça na queixa e no pedido do leitor até encontrar a melhor resposta. Só então se remete às próprias leituras a fim de ilustrar a afirmação com textos de outros autores.
“Outras Palavras”, programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura Brasil.
Os contos de Sérgio Sant’Anna parecem demonstrar que há uma narrativa latente em todas as coisas do mundo: no quadro de um pintor (Balthus) e na entrevista do assassino psicopata; no concerto de João Gilberto que não houve e na foto desbotada do Rio de Janeiro dos anos 20; na aula de filosofia e na carta de amor; na conversa telefônica e no frango do goleiro.
Até na página em branco há uma história que pede para ser escrita, nem que seja a crônica da impotência do escritor para escrevê-la.
Todos esses temas estão reunidos nesta antologia, e cada um deles traz uma maneira diferente de narrar, um vocabulário, uma dicção, um ritmo e uma duração que lhe são próprios. E mesmo por trás dessa variedade de temas e de formas, o leitor se deparará com um estilo inconfundível, que é o da narrativa de Sant’anna.
“Outras Palavras”, programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura Brasil.
Neste livro, Os melhores contos de Lima Barreto, o leitor verá boa parte do que melhor escreveu este querido e consagrado autor.
Ele disseca para nós o Brasil de seu tempo, a República Velha, através de uma caricatura irônica e revoltada, típica deste mestre da literatura.
Lima Barreto viu e registrou todo o avesso do regime, o fundo podre, com olhos que nada tinham de falsamente brasileiros, como os da maioria dos escritores seus contemporâneos. Retratou certos políticos e certos literatos como o eram de fato.
Através dessas personagens símbolos, ressurge sem retoques e sem distorções toda a mentalidade de uma época, com suas fraquezas e alienações, que predominou no Brasil nos primeiros quarenta anos de nossa vida republicana.
“Outras Palavras”, programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura Brasil.
Para o novo leitor, novas comédias: histórias ligeiras e saborosas que dão vontade de ler e sair logo contando – em casa, na rua, na sala de aula. E ninguém melhor para ajudar o jovem a mergulhar de cabeça no universo da literatura do que o grande contador de casos que é Luis Fernando Veríssimo.
Seus textos parecem feitos sob medida para os jovens (de todas as idades), escritos no compasso do dia-a-dia, descobrindo o diferente e o fascinante que existe em todas as situações, quando observadas com um faro atento e um olhar curioso.
Um cronista que penetra no coração das coisas e de lá extrai um humor irresistível. Não há como não se identificar com as histórias de Veríssimo: seja sobre saúde ou superstição, ritos de passagem ou conversas difíceis, suas comédias de falam uma língua tão da gente que dá vontade de conversar, contando um outro exemplo conhecido.
Então vamos anotar: “Mais Comédias para Ler na Escola” de Luis Fernando Veríssimo – Ed. Objetiva.
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Com este livro, o consagrado escritor João Antônio ganhou o terceiro Premio Jabuti de sua carreira. Dono de um estilo muito próprio que influenciaria outros escritores, esse grande cronista da São Paulo dos anos 60 e 70, mostra-se fiel a seu universo ficcional.
Ele é povoado por figuras do submundo e por indivíduos abandonados pela sorte nas grandes cidades. João Antônio registra sua amargura ao ver o progresso urbano e o desenvolvimento econômico destruindo o mundo em que floresceu a boemia dos anos áureos.
Livro também para matar a saudade de uma São Paulo que não existe mais, Abraço ao meu rancor é indicado por críticos e leitores em geral como fascinante e envolvente.
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Rachel de Queiroz se consagrou como um dos grandes mestres na narrativa longa brasileira a partir da publicação do romance O Quinze, em 1930.
Entretanto, nesta antologia de textos curtos A casa do Morro Branco, no entanto, Rachel vem provar que também dominava com perfeição a arte dos contos e crônicas.
Aqui estão 14 histórias na qual a autora expõe todas as características que marcaram obras renomadas como João Miguel, Caminho de pedras, As três Marias e Memorial de Maria Moura.
São análises literárias da existência humana, em seus aspectos políticos e pessoais.
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José Lins do Rego foi um dos grandes romancistas do chamado ciclo regionalista na literatura brasileira.
Este paraibano nasceu em 3 de junho de 1901 e faleceu em 12 de setembro de 1957. Lembrando desde o ano passado os 50 anos da morte do grande escritor que foi José Lins do Rego, a Editora José Olympio, publicou grandes romances deste clássico da literatura brasileira: Fogo Morto, Menino de Engenho e Riacho Doce.
Agora temos algo diferente Ligeiros Traços – Escritos da Juventude, que é uma compilação de suas crônicas jornalísticas inéditas em livro. Organizada por César Braga Pinto, o volume apresenta textos da primeira fase da carreira do escritor paraibano, constituindo uma espécie de narrativa de um jovem à procura de sua vocação.
Leitura curiosa e interessante, vamos anotar: Ligeiros Traços – Escritos da Juventude, de José Lins do Rego. A editora é José Olympio.
“Outras Palavras”, programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura Brasil.
O livro Saudade Rima com Blindagem? de Maria Lúcia Pinheiro Paes é basicamente um livro de contos, ainda que inclua algumas crônicas.
Em ambos os gêneros, a autora desborda para a reminiscência e para a reportagem, valendo-se sempre de um lirismo terno e doce, com auras poéticas, sem fugir do fulcro ficcional.
Isto é particularíssimo e original na autora. Embora os temas sejam variados, palmilham, em todos eles, uma linguagem plena de humanidade.
Sua visão de mundo é muito ampla. E traz, ao vivo, a rica e a vívida captação impressionista de cada texto. Para além disto, temos a maneira sutil de escrever de Maria Lúcia Pinheiro Paes: tudo bastante visual, com o psicológico em subjacente pano de fundo.
Falamos do livro de contos Saudade rima com Blindagem?, de Maria Lúcia Pinheiro Paes publicado pelo selo UBE-Scortecci.
Ouça aqui o programa:
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