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Posts Tagged ‘CRÍTICA’

Isabel Allende – Eva Luna

6 de junho de 2010

Eva vive a dura luta pela sobrevivência, num contexto de caudilhos e de ditaduras militares, em que o povo nunca decide o curso dos acontecimentos.

        Por sua critica e denúncia do contexto social, o livro aproxima-se da tradição do romance picaresco espanhol. A ironia diante das condições transforma em comédia os momentos mais trágicos.

        São ingredientes que servem de ponte entre os ideais e a bruta realidade em que a protagonista vive. Quando o contraste e o ceticismo aumentam, a ironia funciona como a única forma de sobrevivência.

        Eva Luna não é apenas a história de uma mulher. Com sua arte pontilhada de descrições barrocas, ela constrói um mundo com a memória e o resgata pela palavra e pela fantasia

        A descoberta de si e de seu corpo a conduz para a realização plena da sua identidade.

        E a trama ao final revela-se otimista, demonstrando que todos necessitam colorir suas existências para acreditar num futuro de justiça e de paz.

 

 

 

“Outras Palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura do Brasil.

Raul Pompéia – O Ateneu

21 de maio de 2010

Tido como um dos mais importantes livros do século XIX, este livro é considerado por muitos como o único romance impressionista da literatura brasileira.

 Obra de difícil enquadramento na história da literatura e espécie de desabafo do autor, ela é dona de uma originalidade fascinante.

Nela, o protagonista Sérgio narra seus dois anos de vida neste internato para meninos, que de fato existiu no Rio de Janeiro do século XIX.

O personagem faz amarga crítica ao ambiente do internato e aos seus personagens. Entre eles, Aristarco, o diretor; Sanches e Egbert, colegas que nutrem entre si uma amizade equivoca e doentia, além de Ema, esposa de Aristarco, o diretor que Sérgio não vê com bons olhos em virtude da sua presunção e elevada dose de auto-idolatria.

A obra supera a motivação autobiográfica pela técnica inigualável do exímio narrador, o imortal Raul Pompéia.

 

 

“Outras Palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura do Brasil.

INVERSÃO DE PAPÉIS – A Imprensa como Partido Político

26 de abril de 2010
 

 

Por Washington Araújo em 20/4/2010 (Observatório da Imprensa) 

 

Esperei baixar a poeira. Em vão, porque a poeira existiu apenas na internet. E tudo porque me causou estranheza ler no diário carioca O Globo (18/3/2010) a seguinte declaração de Maria Judith Brito, presidente da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e executiva do grupo Folha de S.Paulo:

“A liberdade de imprensa é um bem maior que não deve ser limitado. A esse direito geral, o contraponto é sempre a questão da responsabilidade dos meios de comunicação e, obviamente, esses meios de comunicação estão fazendo de fato a posição oposicionista deste país, já que a oposição está profundamente fragilizada. E esse papel de oposição, de investigação, sem dúvida nenhuma incomoda sobremaneira o governo.”

E como a poeira não baixou resolvi colocar no papel as questões que foram se multiplicando, igual praga de gafanhotos, plantação de cogumelos, irrupção de brotoejas. Ei-las:

1.

É função da Associação Nacional de Jornais, além de representar legalmente os jornais, fazer o papel de oposição política no Brasil?

2.

É de sua expertise mensurar o grau de força ou de fraqueza dos partidos de oposição ao governo?

3.

Expirou aquela visão antiquada que tínhamos do jornalismo como sendo o de buscar a verdade, a informação legítima, para depois reportar com a maior fidelidade possível todos os assuntos que interessam à sociedade?

4.

Como conciliar aquela função antiquada, própria dos que desejam fazer o bom jornalismo no Brasil, como tentei descrever na questão anterior, com a atuação político-partidária, servindo como porta-voz dos partidos de oposição?

5.

Sendo o Datafolha propriedade de um dos grandes jornais do Brasil e este um dos afiliados da ANJ, como deveríamos fazer a leitura correta das pesquisas de opinião por ele trabalhadas? O Datafolha estaria também a serviço de uma oposição “que no Brasil se encontra fragilizada”?

6.

Na condição de presidente da Associação Nacional dos Jornais (ANJ) será que Maria Judith Brito não se excedeu para muito além de suas responsabilidades institucionais?

7.

Ou será próprio de quem brande o estatuto da liberdade de imprensa que entidade de classe de veículos de comunicação assuma o papel de oposição política no saudável debate entre governo e oposição?

8.

Historicamente, sempre que um dirigente ou líder de partido político de oposição desanca o governo, seja justa ou injustamente, é natural que o governo responda à altura e na mesma intensidade com que o ataque foi desferido. Mas, no caso atual, em que a ANJ toma si para a missão de atuar como partido político de oposição, não seria de todo natural esperar que o governo reaja à altura do ataque recebido?

9.

E, neste caso, como deveria ser encarada a reação do governo? Seria vista como ataque à liberdade de expressão? Ou seria considerado como legítima defesa de da liberdade de expressão ou de ideologia?

Claro e transparente

10.

Durante o período de 1989 a 2002, em que a oposição política no Brasil esteve realmente fragilizada, e ao extremo, não teria sido o caso de a ANJ ter tomado para si as dores daquela oposição, muitas vezes, capenga?

11.

E, no caso acima, como a ANJ acha que teriam reagido os governos Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso?

12.

Com o histórico de nossos veículos de comunicação, muitos deles escorados em sua antiguidade, como aferir se há pureza de intenções por parte da ANJ em sua decisão de tomar para si responsabilidade que só lhe poderia ser concedida pelo voto dos brasileiros depositados nas urnas periodicamente? Não seria uma usurpação de responsabilidade?

13.

Afinal, não é através de eleições democráticas e por sufrágio universal e secreto que a população demonstra sua aprovação ou desaprovação a partidos políticos?

14.

Será legítimo que, assinantes de jornais e revistas representados pela associação presidida por Maria Judith Brito passem, doravante, a esmiuçar a cobertura política desses veículos, tentando descobrir qual a motivação dessa ou daquela reportagem, dessa ou daquela nota, dessa ou daquela capa?

15.

E quanto ao direito dos eleitores de serem livremente informados… que garantias estes terão de que serão informados, de forma justa e o mais imparcial possível, das ações e idéias do governo a que declaradamente se opõe a ANJ?

16.

Para aqueles autoproclamados guardiães da liberdade de expressão e do Estado democrático de direito: será papel dos meios de comunicação substituir a ação dos partidos políticos no Brasil, seja de situação ou de oposição?

17.

Em isso acontecendo… não estaremos às voltas com clássica usurpação de função típica de partido político? E não seria esta uma gigantesca deformação do rito democrático?

18.

Repudiam-se as relações deterioradas entre governo e mídia na Venezuela, mas ao que tudo indica nada se faz para impedir sua ocorrência no Brasil. Ironicamente, os maiores veículos de comunicação do país demonizam o país de Hugo Chávez. A origem do conflito político na Venezuela não está umbilicalmente ligado ao fato que na Venezuela os meios de comunicação funcionam como partido político de oposição, abrindo mão da atividade jornalística?

19.

Esta declaração da presidente da ANJ, publicada no insuspeito O Globo, traduz fielmente o objetivo de a ANJ estabelecer a ruptura com o governo, afetar a credibilidade da imprensa e trazer insegurança a todos os governantes, uma vez que serve também aos governos estaduais e dos municípios onde a oposição estiver fragilizada?

20.

Considerando esta declaração um divisor de águas quanto ao sempre intuído partidarismo e protagonismo político dos grandes veículos de comunicação do país, será que não seria mais que oportuno e inadiável a ANJ vir a público esclarecer tão formidável mudança de atitude e de missão institucional? Por que não abordar o assunto de forma clara e transparente nas páginas amarelas da revista Veja? Por que não convidar a Maria Judith Brito para ser entrevistada no programa Roda Vida da TV Cultura? Por que não convidá-la para o Programa do Jô? E para ser entrevistada pelo Heródoto Barbeiro na rádio CBN? Por que não solicitar a leitura de “Nota da ANJ”sobre o assunto no Jornal Nacional? Por que não submeter texto para publicação na seção “Tendências/Debates” do jornal Folha de S.Paulo, onde a presidente trabalha? De tão interessante não seria o momento de a revista Época traçar o perfil de Maria Judith Brito? E que tal ser sabatinada pela bancada do Canal Livre, da Band?

Prudente e sábio

Já que comecei falando de estranheza, estranhamento etc., achei esquisito a não-repercussão ostensiva da fala da presidente da ANJ junto aos veículos de seus principais afiliados. Estratégia política? Opção editorial? Ou as duas coisas?

Finalmente, resta uma questão de foro íntimo: que critério deverei usar, doravante, para separar o que é análise crítica própria de um partido político, para consumo interno de seus filiados, daquilo que é matéria propriamente jornalística, de interesse da sociedade como um todo?

Todos nós, certamente, já ouvimos centenas de vezes o ditado “cada macaco no seu galho”. E todos nós o utilizamos nas mais diversas situações. O ditado é um dos mais festejados da sabedoria popular, é expressão de conhecimento, nascido da observação de fatos; um aprendizado empírico. Vem de longa data e se estabelece porque pode ser comprovado através da vivência e mais recentemente foi citado por Michel Foucault e Jurgen Habermas. No caso aqui abordado, o ditado popular cai como luva assim como as palavras de Judith Brito ficarão por muito tempo gravadas no bronze incorruptível da nossa memória.

Mesmo assim sinto ser oportuno aclarar que entendo como papel da mídia atividades como registrar, noticiar os fatos, documentar, fiscalizar os poderes, denunciar abusos e permitir à população uma compreensão mais ampla da realidade que nos abarca. Neste rol de funções não contemplo o de ser porta-voz de partido político, seja este qual for. Ora, o governo tem limites de ação: operacionais, constitucionais, políticos. A mídia, quando não investida de poderes supraconstitucionais, também tem seus limites que não são tão flexíveis a ponto de atender as conveniências dos seus proprietários ou concessionários. É prudente e sábio reconhecer que em uma sociedade democrática todos os setores precisam de regulação – e a mídia não é diferente. E é bom que não seja. Afinal, a lei é soberana e a ela todos devem se submeter, já escrevia o pensador Shoghi Effendi (1897-1957) na segunda metade de 1950. Nada mais atual que isto.

 

 

Flávio Braga – O olhar cingido

20 de fevereiro de 2010

O escritor, dramaturgo e roteirista Flávio Braga apresenta uma surpreendente crítica ao atual poder midiático e um lamentável retrato da condição intelectual do brasileiro, que diariamente pára em frente à televisão, quebrando recordes mundiais de audiência.

O duelo entre dois programas de TV em luta por audiência revela os mitos que controlam a sociedade de massa brasileira.

Fredo Bastos é um apresentador e produtor de programas populares de grande êxito. Ele acumula poderes que o tornam tão desejável quanto temível, e não mede esforços para manter seu programa em primeiro lugar na audiência.

O arco de influências que ele vai construindo com o sucesso abre um leque que vai da extrema luxúria ao crime organizado.

Por meio da história de seu protagonista, o autor recorre a uma narrativa ágil que escancara a frivolidade e a sordidez dessa realidade perversa onde o entretenimento funciona como o ópio do povo enquanto defende os interesses de alguns.

As características de suspense do texto não sufocam a abordagem da política real, da cultura e do dia a dia das idéias. Os setores abordados pela mídia, e transformados por ela, estão representados no livro com vivacidade e verossimilhança.

Além das características de entretenimento, O OLHAR CINGIDO nos faz refletir sobre prestígios e arrogâncias construídos sobre base nenhuma.

 

 

Veja o que foi falado sobre este livro: “No texto de Flávio Braga temos um encontro com o escrever bem.”Moacyr Scliar. “Não lembro de ter lido um romance brasileiro, em anos, que me deixasse com uma sensação de “completude” como visão de mundo — no caso, o nosso mundo, o brasileiro. O olhar cingido é um porre (no bom sentido) de realidade. E muito, extremamente bem informado.”Paulo Bentancur.

 

 

“Outras Palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura do Brasil.

 

 

Lygia Bojunga – Retratos de Carolina

2 de fevereiro de 2010

Este livro a autora acompanha a vida de uma mulher dos seis aos 29 anos, narrando o dia a dia da personagem e as suas descobertas ao longo dos anos.

É a própria autora, Lygia Bojunga quem afirma: “É com Retratos de Carolina que eu começo essa nova caminhada. Aqui eu me misturo com a Carolina, viro personagem também: queria ver se dava pra ficar todo mundo morando na mesma casa: eu, a Carolina, e mais os outros personagens: na Casa que eu inventei.”

Na opinião da poeta Suzana Vargas “este é um livro maravilhoso que, creio passou despercebido pela crítica.”

E continua: “A narradora/autora acompanha várias fases da vida da personagem Carolina até seus 29 anos. Neste momento, a personagem praticamente obriga a autora a fazer seu último retrato.” E exige um final melhor.

Num diálogo tenso entre narradora e personagem é que o livro revela características bastante inovadoras porque dá a perceber a construção e desconstrução da narrativa.

 

 

“Outras Palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura do Brasil.

Monteiro Lobato – Fábulas

20 de janeiro de 2010

Qualquer livro de Monteiro Lobato é uma obra-prima e faz muito bem para qualquer criança. Seja para desenvolver a imaginação, seja pelo prazer e o gosto pela leitura. Nós já dissemos que é abençoado o país que possui um escritor infantil da envergadura de Monteiro Lobato.

Este livro, “Fábulas”, saiu pela primeira vez em 1922. Nele, o criador do Sítio do Picapau Amarelo reconta fábulas de Esopo e La Fontaine e publica algumas de sua autoria.

Adaptadas para o universo do Sítio, as fábulas estimulam a participação de todos os personagens através de perguntas e críticas.

Nesta nova edição da obra de Lobato, cada volume adaptado é ilustrado por um artista diferente que apresenta a sua interpretação dos personagens.

“Fábulas” é ilustrado por Alcy Linares, um dos ilustradores de livros infantis mais premiados no Brasil.

 

 

“Outras Palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura Brasil.