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Posts Tagged ‘Brasil’

Patrícia Melo – Ladrão de Cadáveres

29 de agosto de 2010

Neste livro, a escritora Patrícia Melo muda de ares sem perder o ritmo ágil e cortante que a consagrou em livros anteriores.

        A história é ambientada em Corumbá, na região do Pantanal mato-grossense.

        O narrador-protagonista do romance é um ex-gerente de uma central de telemarketing, despedido depois de agredir uma funcionária que acabou cometendo suicídio.       Deprimido, ele troca São Paulo por Corumbá a convite de um primo e a trama começa quando o protagonista testemunha a queda de um avião no rio Paraguai.

        Dentro da cabine, o piloto está morto. Ao lado do corpo, há uma mochila com um pacote de cocaína. A partir daí, o que se vê é o despertar do pior lado de um ser humano, em uma história que mistura ganância, crime, sexo e mentiras.

        Além de escritora consagrada, Patrícia Melo é roteirista e dramaturga com muitas obras publicadas no Brasil e no exterior.

“Outras Palavras” é o programa de Literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura do Brasil.

Luiz Ruffato – Eles eram muitos cavalos

19 de agosto de 2010

São Paulo, terça-feira, 9 de maio de 2000. Durante um único dia, o autor percorre a cidade tentando desvendá-la.      Não apenas os engarrafamentos, parques ou dinheiro correndo por entre os conglomerados econômicos. Ele decifra cada dia, minuto e segundo da metrópole marcada pela diversidade humana – mosaico composto por gente de todo o Brasil.
        Uma das maiores vozes da literatura brasileira contemporânea, Luiz Ruffato é autor, entre outros títulos, da série Inferno Provisório: Mamma son tanto felice, O mundo inimigo e Vista parcial da noite.

Os dois primeiros volumes receberam o prêmio de APCA de melhor romance de 2005. Eles eram muitos cavalos recebeu os prêmios APCA e Machado de Assis de 2001. Foi publicado também na França, Itália e Portugal.

“Outras Palavras é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura do Brasil.

Gladys Lechini, Victor Klagsbrunn e Williams Gonçalves (orgs.) – Argentina e Brasil: Vencendo os Preconceitos

8 de agosto de 2010

Elaborado por pesquisadores da Universidade Federal Fluminense, o livro trata da integração entre o Brasil e a Argentina e seu papel decisivo na América do Sul.

        Na opinião de Samuel Pinheiro Guimarães, Ministro de Assuntos Estratégicos do Brasil, este deve ser o objetivo mais certo, mais constante, mais vigoroso das estratégias políticas e econômicas tanto do Brasil quanto da Argentina.

        Qualquer tentativa de estabelecer diferentes prioridades para a política externa brasileira provocará graves conseqüências e correrá sério risco de fracasso.

        Ainda segundo o Ministro e Intelectual do Ano, é necessário e indispensável que todos os organismos da estrutura burocrática dos Estados brasileiros e argentino, deixem de lado as rivalidades, ressentimentos e desconfianças históricas.

        E compreendam o desafio que a nação argentina e a Nação brasileira enfrentam neste início do Século XXI.

“Outras Palavras” é o programa de Literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura do Brasil.

 

Samuel Pinheiro Guimarães – Crescer a 7%

20 de junho de 2010
  1. O subdesenvolvimento , situação em que a esmagadora maioria da população de um país não pode desfrutar dos bens e serviços que o avanço tecnológico e produtivo moderno permitem, é sempre uma questão relativa. Nenhum país é subdesenvolvido isoladamente; esta é sempre uma situação comparativa entre países e sociedades, desenvolvidas e subdesenvolvidas, em diferentes graus, em distintos momentos históricos.
  2. Naturalmente, há indicadores objetivos de subdesenvolvimento: a exploração ao mesmo tempo insuficiente e predatória dos recursos naturais; a baixa escolaridade e qualificação média da mão de obra; a desintegrada rede de transportes; o pequeno consumo per capita de energia; a reduzida diversificação das exportações; o pequeno número de patentes registradas; o acesso restrito da população a saneamento básico; as precárias condições de saúde, educação e cultura; o alto percentual da população que se encontra abaixo da linha de pobreza etc.
  3. A heterogeneidade é uma característica central do subdesenvolvimento. Regiões avançadas ao lado de regiões paupérrimas e de baixa produtividade. A ignorância ao lado da cultura. A moderna eficiência tecnológica convive com o uso de tecnologias do passado. A riqueza vizinha da miséria. E assim por diante. Essa heterogeneidade, ainda atual, é resultado da evolução de um sistema produtivo que se forma a partir de enclaves modernos, vinculados a centros econômicos externos, cuja maior produtividade não se difundiu para o resto do sistema nem deu origem a processos de geração e distribuição de renda devido à estrutura social, cuja base era o latifúndio agrícola, ou o enclave minerador, e o regime de mão-de-obra escrava ou servil.
  4. O conjunto dessas deficiências leva a uma produção de bens e serviços por habitante relativamente pequena, o que, em termos monetários, se expressa por um baixo produto per capita e, em termos sociais, por uma precária qualidade de vida para a imensa maioria, ao lado de uma riqueza da qual pouquíssimos desfrutam.
  5. A produção per capita representa o conjunto de bens e serviços a que o habitante médio de um país teria acesso por ano. Esta média hipotética será tanto mais representativa da realidade quanto mais igualitária for a distribuição de renda em uma sociedade, o que não ocorre no Brasil.
  6. Por todos os critérios acima, o Brasil é um país subdesenvolvido, ainda que com importantes bolsões de riqueza e de produção moderna. Apesar dos esforços das últimas décadas, com significativas flutuações e longos períodos de estagnação, o Brasil continua a ser um país subdesenvolvido. Em relação a quem?
  7. A situação de desenvolvimento do Brasil não pode ser comparada com a de países que, pelas características de território, população e PIB, não enfrentam os mesmos desafios que a sociedade brasileira. Pequenos e médios países europeus, asiáticos e sul-americanos, ainda que às vezes ostentem níveis de produto per capita ou indicadores sociais importantes, superiores aos brasileiros, não têm o mesmo potencial do Brasil nem têm de enfrentar desafios semelhantes aos nossos.
  8. O Brasil é um país continental. Se fizermos três listas de países segundo o território, a população e o PIB, somente três países estarão entre os dez primeiros de cada uma dessas três listas: os Estados Unidos, a China e o Brasil.
  9. Os países com quem o Brasil tem de ser comparado são países como os Estados Unidos, a China, a Rússia, a Índia, a Alemanha e a França. Esses têm de ser o nosso referencial e esses são os nossos competidores (e eventuais colaboradores) na dinâmica do sistema internacional e na disputa por poder político e pela apropriação de riqueza.
  10. Todavia, a China e a Índia têm um produto per capita muito inferior ao do Brasil, enfrentam desafios sociais muito maiores e dispõem de recursos naturais inferiores aos nossos o que dificulta sua árdua tarefa de se tornarem países desenvolvidos. A Rússia, apesar de seus recursos naturais e do avanço tecnológico em certas áreas, enfrenta dificuldades extraordinárias em termos sociais e de reestruturação de sua economia. A Alemanha e a França, com todo o avanço que já alcançaram, enfrentam importantes dificuldades devido a suas limitações de território e de população e, portanto, apresentam vulnerabilidades decorrentes da necessidade de importar insumos e da dependência excessiva de sua economia em relação ao mercado internacional.
  11. Talvez o melhor paradigma para o Brasil sejam os Estados Unidos. Nossas características territoriais e demográficas são semelhantes, enquanto que nosso PIB é muito distinto. Os Estados Unidos são o país mais poderoso do mundo em termos militares, de PIB e de tecnologia. Nossas sociedades democráticas, multiculturais e multiétnicas são semelhantes e grande é a diversidade de recursos naturais e a capacidade agrícola de ambos os países.
  12. O produto per capita dos Estados Unidos em 1989 era 22.100 dólares e o do Brasil 3.400. A diferença era, portanto, naquela data de 18.700. Ora, o Brasil e os Estados Unidos cresceram em termos reais à mesma taxa nos últimos 20 anos: os Estados Unidos a 2,5% a.a. e o Brasil a 2,5% a.a.. Nos Estados Unidos, esta taxa de crescimento poderia ser considerada razoável e adequada mas, no caso do Brasil, ela reflete a estagnação da economia brasileira, da produção e do emprego, no período de 1989 a 2002. Esta situação se modificou entre 2002 e 2009, no Governo do Presidente Lula, período em que o Brasil cresceu à taxa média de 3,4% e os Estados Unidos à taxa média de 1,4% a.a..
  13. Essas taxas de crescimento, devido às bases de PIB muito distintas de que partiam e às taxas diferentes de crescimento demográfico, fizeram com que a produção per capita americana passasse de 22.100 dólares, em 1989, para 46.400 dólares, em 2009, enquanto a do Brasil aumentou de 3.400 dólares para 8.200 dólares. Assim, o hiato de produto per capita entre os Estados Unidos e o Brasil aumentou entre 1989 e 2009, passando de 18.700 dólares para 38.200 dólares. O atraso relativo, o subdesenvolvimento, aumentou.
  14. Se o objetivo central da sociedade brasileira for vencer o subdesenvolvimento, a economia terá de crescer a taxas mais elevadas do que as que têm ocorrido no passado recente, enquanto que as políticas de distribuição de renda terão de ser mais vigorosas para incorporar ao sistema econômico e social moderno as imensas massas que se encontram em situação de grave pobreza: cerca de 60 milhões de brasileiros.
  15. Se o PIB dos Estados Unidos crescer a 2% a.a. até 2022 (inferior à sua taxa de 2,5% a.a. entre 1989 e 2009, e assim essa hipótese leva em conta os efeitos da crise atual sobre a economia americana), o PIB per capita americano alcançará 53.100 dólares; se, neste mesmo período, a economia brasileira crescer à taxa de 5% a.a. o PIB per capita brasileiro atingirá 14.200 dólares. O hiato de produção per capita aumentaria em 700 dólares.
  16. Se o PIB dos Estados Unidos daqui até 2022 crescer a 2% a.a. e se o Brasil crescer a 6% a.a., a diferença de produto per capita se manterá praticamente igual entre os dois países: os Estados Unidos atingirá 53.100 dólares e o Brasil 16.000 dólares. O hiato, que em 2009 era de 38.200 dólares, se reduziria para 37.100 dólares. Uma melhora de 1.100 dólares em 12 anos: cem dólares por ano…
  17. Assim, o Brasil em 2022, no bicentenário de sua Independência, continuaria tão subdesenvolvido quanto é hoje, apesar de seu produto per capita ter atingido 16 mil dólares e apesar dos enormes esforços para retirar da pobreza a maioria de sua população e para realizar amplos programas de construção de sua infra-estrutura e de financiamento a grandes investimentos.
  18. Somente na hipótese de os Estados Unidos crescerem a 2% a.a. e o Brasil a 7% a.a., atingindo os Estados Unidos 53.100 dólares e o Brasil 18.100 dólares, a diferença de produção, de bem-estar, de desenvolvimento, entre os dois países se reduziria de 38.200 dólares para 35.000 dólares. Poderíamos então afirmar que o Brasil estaria iniciando o processo de se tornar um país desenvolvido. Isto caso fosse mantido este esforço nas décadas seguintes e caso a perversa dinâmica de distribuição de renda e de riqueza no Brasil for firmemente enfrentada. Aliás, esses 7% a.a. correspondem à taxa média de crescimento do PIB brasileiro entre 1946 e 1979…
  19. Caso contrário, caso cresçamos à uma taxa anual média inferior a 7% a.a., apesar de todos os esforços bem intencionados, o senso comum e a prudência monetarista (a qual, aliás, teria impedido a integração territorial brasileira e a transformação do Brasil em uma grande economia industrial, já que teria vetado o Plano de Metas de Juscelino Kubitscheck pois o teria considerado inflacionário) que nos quer obrigar a crescer a uma taxa de 4,5% a.a., farão com que o Brasil continue a ser em 2022 uma sociedade subdesenvolvida, caracterizada pela extraordinária disparidade de renda e de riqueza. Nela, continuaremos a nos defrontar com a extrema pobreza, a ignorância profunda, a exclusão perversa e a violência anômica ao lado de uma riqueza ostensiva, suntuária, nababesca e excessiva, desfrutada por 0,04% da população brasileira (cerca de 80.000 pessoas) cuja renda mensal, em 2009, era superior, às vezes muito superior, a 50.000 reais.
  20. Há, sempre, colocados pelos prudentes, três obstáculos ao crescimento da economia brasileira a taxas superiores a 4,5% a.a. ou 5% a.a.. O primeiro diz respeito ao suposto retorno da inflação a taxas superiores às que seriam “toleráveis”, com todos os seus efeitos sobre preços relativos e, em especial, porque a inflação prejudicaria principalmente os pobres. Esta preocupação generosa com a situação dos pobres não leva em conta, em primeiro lugar, que o que afeta os pobres de forma mais grave é o desemprego, a miséria, a violência, a exclusão e a falta de oportunidades que resultam do baixo crescimento em uma economia subdesenvolvida e tão díspar como o Brasil. Em segundo lugar, que a tendência inflacionária está presente em qualquer processo de desenvolvimento acelerado e que é possível preservar os segmentos mais pobres da população dos efeitos sobre os preços de um desenvolvimento mais rápido.
  21. Uma palavra sobre a inflação. O processo de superação do subdesenvolvimento, devido aos grandes investimentos na infra-estrutura de energia, de transportes, de prospecção e exploração mineral, de pesquisa tecnológica, de comunicação, que são essenciais porém de longa maturação e de retorno incerto, e em programas sociais, também de longa maturação e também de retorno incerto, como em saúde, educação e cultura, provocam, necessariamente, aumentos de demanda sem o correspondente e imediato aumento de produção. Como esses investimentos na infra-estrutura física e social têm de se suceder em períodos de décadas, para superar o atraso relativo do país, a pressão pelo aumento de preços passa a ser constante. Todavia, o crescimento do PIB a 7% a.a., quando sustentado a médio e longo prazos, significa que está havendo uma ampliação da capacidade instalada, da formação bruta de capital fixo, o que é feito por empresas que decidem investir, isto é, decidem ampliar suas unidades de produção, suas fábricas, suas lavouras, etc. E que o Estado decidiu investir diretamente por suas empresas (poucas, no caso do Brasil somente no setor financeiro e no setor de energia) ou indiretamente, contratando empresas privadas para a construção de obras de infra-estrutura ou financiando investimentos privados para produzir bens de consumo e de capital. Ora, o crescimento, o desenvolvimento, à taxa de 7% a.a. significa a expansão das empresas, do capitalismo no Brasil, do emprego e dos lucros. Quanto menor o crescimento econômico menores as oportunidades de lucro, menores os investimentos, menor a geração de emprego (para absorver a mão-de-obra que ingressa no mercado todos os anos, cerca de 2 milhões de novos jovens trabalhadores) maior a violência e a exclusão social. Por outro lado, a demanda gerada pelos investimentos na infra-estrutura econômica e social é uma demanda em parte por bens de consumo o que estimula a ampliação da produção e o investimento privado, investimento cujo prazo de maturação é mais curto, o que reduz a pressão inflacionária. Aliás, a China e a Índia têm crescido a taxas superiores a 7% a.a. sem que tenha ocorrido inflação significativa.
  22. Um segundo obstáculo, segundo os prudentes, seria que a economia brasileira não teria como gerar a poupança necessária à realização dos investimentos. Aí, há quatro respostas possíveis: a primeira, que o próprio Estado brasileiro, através de uma política de juros mais adequada, disporia de recursos adicionais significativos para investir direta ou indiretamente. A segunda, que ainda há vasto espaço para ampliação do crédito para investimento. A terceira, que não se pode afastar, tendo em vista o elevado grau de desconhecimento dos recursos do subsolo brasileiro, a possibilidade de descoberta de recursos naturais importantes, como foi o caso das descobertas no pré-sal que colocarão o Brasil entre os seis maiores produtores mundiais de petróleo. A quarta, que uma economia em expansão dinâmica, com as características do Brasil, atrairá como já se verifica, capitais externos em volumes significativos, como ocorreu e ocorre com a China. Aliás, os investimentos chineses (que têm 2,3 trilhões de reservas) estão chegando em volumes muito expressivos ao Brasil, na compra de sistemas de transmissão, na construção de hidroelétricas e na exploração do petróleo, tornando a China o terceiro maior investidor no Brasil.
  23. O terceiro obstáculo ao desenvolvimento a taxas mais elevadas seria a escassez de mão de obra qualificada, em especial de engenheiros, nos mais diversos setores, que já estaria sendo detectada. Aí há duas soluções possíveis, pelo menos: a primeira, expandir os programas de formação e de retreinamento de engenheiros o que poderia ser feito rapidamente a custo baixo já que estudos recentes indicam a existência de grande número de vagas disponíveis nas escolas de engenharia; a segunda, “importar” mão de obra qualificada sem prejudicar a mão de obra nacional, bastando exigir o respeito aos padrões salariais da categoria, aproveitando, inclusive, a situação de crise em que se encontram os países desenvolvidos, onde há abundância de mão de obra qualificada, desempregada.
  24. Porém, finalmente e por outro lado, caso se deseje manter o Brasil como país pobre e subdesenvolvido, basta crescer a taxas modestas, obedecendo a todas as metas e a supostos potenciais máximos de crescimento, e, assim, lograr manter a economia estável porém miserável. Este baixo crescimento corresponderá a um custo humano e social elevadíssimo para a imensa maioria da população, exceto para os super-ricos, que se transformarão, cada vez mais, em proprietários rentistas e absenteístas, distantes e alheios aos conflitos que se agravarão cada vez mais na sociedade brasileira.

Menalton Braff – Castelos de papel

10 de junho de 2010

Num dia comum, brincando com os netos num parque, um empresário milionário se depara com um sorveteiro, cujo simples olhar desencadeia toda uma verdadeira reviravolta existencial, com conseqüências que beiram o delírio.

É a partir desse encontro casual que Alberto repassa para si mesmo uma vida de vitórias, conquistadas nem sempre pelo esforço e pela competência profissional, mas muitas vezes com falcatruas, subornos, traições.

O aspecto épico desta obra aparece na nova batalha que o protagonista tem pela frente.  Agora não com seus inimigos, mas consigo mesmo. Este usa disfarces que ora o confundem com o sorveteiro, ora com o filho, ora com a própria esposa.

É nesse território de sombras que o velho guerreiro terá que lutar, exposto a encontros nada agradáveis com personagens do passado, supostamente enterrados, mas que agora ressurgem.

Tendo como fio condutor o drama de Alberto, o narrador vai aqui e ali traçando o perfil psicológico de outros membros da família.

Ao final, o romance pode ser lido também como uma viagem pelos meandros de uma família de classe alta no Brasil moderno, vivendo ao mesmo tempo sob a proteção do patriarca e sob o medo da violência urbana.

 

 

“Outras Palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura do Brasil.

Fernando Morais – Corações sujos

6 de junho de 2010

       Com a rendição do Japão em agosto de 1945, a Segunda Guerra Mundial chegava ao fim. Do outro lado do planeta, em São Paulo, nascia uma organização secreta japonesa, a Shimdo Renmei – ou Liga dos Caminhos dos Súditos.

        Para seus seguidores, a notícia da rendição era uma fraude dos inimigos para quebrar o orgulho dos japoneses em todo o mundo. Como aceitar a noticia da derrota, se em 2600 anos o Japão jamais perdera uma guerra?

        A colônia nipônica, com mais de 200 mil membros, se divide: de um lado, os kachigumi, os “vitoristas” da Shindo Renmei, apoiados pela maioria. Do outro, os makegumi, ou “derrotistas”, ou “corações sujos”.

        A Shindo Renmei decide fazer uma limpeza ideológica na colônia. Os tokkotai ou matadores assassinam 23 imigrantes e deixam cerca de 150 feridos.

        Em um ano, mais de trinta mil suspeitos dos crimes são presos e 381 são condenados. O presidente do Brasil deporta para o Japão oitenta dirigentes e matadores da Shindo Renmei, pondo fim a uma página sangrenta da história da imigração japonesa.

 

 

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Lucilia Junqueira de Almeida Prado – A esperança tem muitas faces

4 de maio de 2010

Em terras italianas, durante a 2ª. Guerra Mundial, o personagem Gian, ouve os prisioneiros nazi-fascistas entoarem a canção Lili Marlene enquanto se lembra de sua companheira Lívia.

Ao mesmo tempo, no Brasil, Lívia também pensa em Gian que havia partido sem deixar-lhe sequer um bilhete.

As intrigas já haviam separado o casal e a guerra aumentou ainda mais a distância entre ambos.

Este é o primeiro romance destinado ao público adulto, elaborado por Lucila de Almeida Prado, bastante conhecida por sua literatura infanto-juvenil. 

 

 

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João Gilberto Noll – Harmada

1 de maio de 2010

Esta narrativa está entre as mais importantes da literatura brasileira contemporânea.

Ela mostra a vida de um ex-ator de sucesso que vaga sem rumo por um país nominado da América Latina e anseia chegar à capital, Harmada.

Este país fictício é uma paródia do Brasil, sua sociedade e seus costumes.

Para provar a si mesmo e a quem o está lendo que ele vive num estado além da liberdade, o protagonista se esbalda em lama horrivelmente fétida participa de orgias sexuais ao lado de outros atores.

Após andar á deriva, passa a viver num asilo de mendigos. Lá encontra Cris, filha de alguém por quem tivera uma paixão fulgurante e fugaz.

Passa a sonhar em voltar com Cris para a cidade de Harmada, mas está retido por uma paralisia. Seu único consolo passa a ser o projeto de montar um espetáculo de teatro.

 

 

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Tatiana Belinki – 17 é Tov !

2 de fevereiro de 2010

A autora deste livro é a conhecida Tatiana Belinky, que deixou a Letônia para vir morar no Brasil aos dez anos.

Aqui a autora descreve os primeiros dezessete anos em São Paulo, por meio de crônicas divertidas e bem-humoradas.

Desde a chegada no bairro paulistano de Higienópolis até o casamento de seu irmão com uma prima, a autora narra casos, ou ‘acontecências’, como ela prefere, que marcaram sua vida e sua experiência em um novo país.

Hoje, uma das maiores escritoras de livros infantis em língua portuguesa, Tatiana Belinky faz deste livro de memórias um relato pouco convencional que combina histórias familiares, descobertas pessoais e um pouco da História do Brasil e do mundo.

 

 

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Lançamento: Brasil soberano – um plano nacional pós neoliberalismo

14 de dezembro de 2009

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HISTÓRIA DO PENSAMENTO ECONÔMICO

13 de novembro de 2008

Roberson de Oliveira e Adilson Marques Gennari
Ed. Saraiva

Esta obra apresenta a história do pensamento econômico desde o século V a.C. até os dias atuais. Estão presentes os pensadores mais importantes, as principais teorias e a influência que exercem na realidade brasileira.

O livro oferece uma análise do pensamento econômico no Brasil, demonstrando como nossos economistas assimilaram as teorias e as aplicaram ao estudo de nossa realidade. Aparecem também as contribuições originais que os brasileiros agregaram ao pensamento econômico mundial.

As questões econômicas complexas são apresentadas com profundidade, porém em linguagem acessível, tornando-as de fácil compreensão não apenas aos estudantes de economia e ciências humanas, mas ao público em geral.


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O FETICHE DAS TECNOLOGIAS – A EXPERIÊNCIA DAS FÁBRICAS RECUPERADAS

24 de fevereiro de 2008

Henrique Tahan Novaes
Ed. Expressão Popular

Temos assistido a um intenso processo de desemprego imposto pela globalização, pelas novas tecnologias e pelas políticas neoliberais adotadas desde os anos 80.

Em função disto, muitas fábricas foram fechadas. Mas, a novidade, neste livro, é que algumas destas fábricas estão sendo recuperadas pelos próprios trabalhadores.

Antes de chegar aos exemplos, entretanto, o autor acha necessário entender as causas do atual desemprego e demonstrar que há soluções concretas.

Assim, o neoliberalismo proporcionou uma concentração exagerada da riqueza. Deste modo, a tecnologia, que deveria servir a todos, passou a significar apenas desemprego para muitos.

E como podem reagir os trabalhadores? Na Argentina, por exemplo, várias empresas abandonadas pelos patrões estão sendo “recuperadas” pelos empregados que hoje estão no seu controle, direção e gestão.

Compreender melhor o significado destas lutas como respostas decisivas frente ao desemprego e subemprego na Argentina, Brasil e Uruguai é a principal contribuição deste livro.

Ouça aqui o programa:

[audio:http://blogs.utopia.org.br/levi/files/0164-henrique-tahan-novaes-o-fetiche-das-tecnologias.mp3]

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A ENERGIA DO BRASIL

24 de janeiro de 2008

Antônio Dias Leite
Ed. Elsiever

Na primeira edição, de 1997, este livro, A Energia no Brasil, recebeu o Prêmio Jabuti, apresentando uma visão panorâmica dos caminhos percorridos pela economia e política energética no Brasil.

A história é contada a partir da “era da lenha”, sucedida por controvérsias nacionais e decisões de governo que precisavam ser tomadas para desenvolver o setor.

São disputas que contrapõe, de um lado, nacionalistas e desenvolvimentistas, e, de outro, defensores do capital estrangeiro e da dependência econômica.

Outra questão muito debatida foi a da necessidade da intervenção direta do Estado, sem a qual, naqueles tempos, permaneceríamos na dependência da lenha e de empresas multinacionais.

Como sabemos, energia é qualidade de vida e desenvolvimento. Daí a importância deste livro: A energia do Brasil, de Antonio Dias Leite, publicado pela Editora Elsiever.

Ouça aqui o programa:

[audio:http://blogs.utopia.org.br/levi/files/0168-antonio-dias-leite-energia-do-brasil.mp3]

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O POVO BRASILEIRO

8 de janeiro de 2008

Darcy Ribeiro
Cia das Letras

Você já deve ter-se perguntado porque o Brasil é como é: um país muito rico com um povo paupérrimo, uma sociedade muito desigual, uma mistura de raças e religiões como não há em nenhum outro país do mundo, com preconceitos e injustiças sociais.

Por outro lado, há uma identidade cultural notável (todos se dizem brasileiros antes de qualquer coisa, até mesmo antes de africano, índio, nordestino, gaúcho, japonês). Nossa cultura social, feita de muitas misturas, teve como resultado essa capacidade de criar tal identidade.

Por que mesmo vítima de preconceito, discriminação, injustiça, o brasileiro segue dizendo que é brasileiro?  Quem nos explica é o antropólogo Darcy Ribeiro em seu livro O Povo Brasileiro. Nele, o autor busca as explicações em nossa formação colonial, por exemplo, enquanto portugueses escravizavam os indígenas, e se miscigenavam com eles, os ingleses, franceses e espanhóis queriam ver o índio longe, expulsavam ou matavam. Daí nossa relativa vantagem e a possibilidade de construirmos uma sociedade melhor, exemplar para o mundo em questões como a miscigenação e a tolerância.

Resta a desigualdade, cruel, mas que terá saída no acesso de todos à educação. O Povo Brasileiro é livro obrigatório para quem quer entender o Brasil.

Ouça aqui o programa:

[audio:http://blogs.utopia.org.br/levi/files/0093-darcy-ribeiro-o-povo-brasileiro.mp3]

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UMA VIDA NOVA E FELIZ

6 de dezembro de 2007

Ricardo Kotscho
Ed. Ediouro

O autor deste livro, Ricardo Kotscho, é um dos principais nomes do jornalismo brasileiro, tendo trabalhado em alguns dos principais jornais e revistas do país.

Ganhou prêmios como o Esso e Vladimir Herzog. Foi secretário de imprensa e divulgação da presidência da República, até novembro de 2004, durante o primeiro mandato do presidente Lula.

Neste livro, Uma Vida Nova e Feliz, o autor apresenta uma coletânea de seus textos publicados no extinto portal “NoMínimo”, entre 2005 e 2007.

O estilo objetivo de Ricardo Kotsho, aliado ao seu grande poder de observação, faz da obra um interessante painel sobre o cotidiano brasileiro dos últimos anos.

Ouça aqui o programa:

[audio:http://blogs.utopia.org.br/levi/files/0138-ricardo-kotsko-uma-vida-nova-e-feliz.mp3]

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O SOL SE PÕE EM SÃO PAULO

17 de outubro de 2007

Bernardo de Carvalho
Cia. das Letras

No Japão da Segunda Guerra, um triângulo amoroso envolve Michiyo, Jokichi e Masukichi – uma moça de boa família, um filho de industrial e um ator de kyogen, o teatro cômico japonês. À primeira vista, isso é tudo que Setsuko, a dona do restaurante japonês, tem a contar ao narrador de O Sol se põe em São Paulo, novo romance de Bernardo Carvalho.

Mas logo a trama se complica e se desdobra em outras mais, passadas e presentes, que desnorteiam seu próprio narrador. Este se vê compelido a um verdadeiro trabalho de detetive para completar a história em que se viu enredado. Pois o relato de Setsuko aponta para além do desejo, da humilhação e do ressentimento amorosos, e se vincula aos momentos mais terríveis da História contemporânea – tanto do Japão como do Brasil.

Obra sem fronteiras, o romance de Bernardo Carvalho entrelaça tempos e espaços que o leitor julgaria essencialmente separados – e nos quais a prosa de ficção brasileira não costuma se arriscar.

O narrador de O Sol se põe em São Paulo transita do bairro do Paraíso a um cybercafé na Tóquio pós-moderna; das fazendas do interior de São Paulo aos campos de batalha da guerra no Pacífico. Tudo a fim de deslindar uma trama tortuosa, que envolve ainda um soldado raso, um primo do imperador e questiona a própria identidade deste narrador-investigador.


“Outras Palavras”, programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura Brasil.

QUE TIPO DE REPÚBLICA?

11 de outubro de 2007

Florestan Fernandes

Este é o título de uma coletânea de artigos de Florestan Fernandes, considerado o maior sociólogo brasileiro dos tempos modernos. Neste livro, Florestan, que foi também Deputado Federal e profundo analista de nossas mazelas sociais, faz um balanço dos principais fatos políticos que marcaram o período da redemocratização do Brasil.

O livro tem prefácio de Fábio Konder Comparato e apresentação de Antonio Cândido. Traz ainda uma nota explicativa do próprio Florestan na qual se percebe sua atenção aos aspectos políticos imediatos vividos ou observados pelo autor.


“Outras Palavras”, programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura Brasil.

“Que tipo de República?” de Florestan Fernandes é uma publicação da Editora Globo.

GUERRA DO BRASIL

7 de outubro de 2007

Fábio Lucas e Luiz Gonzaga Belluzzo (orgs)
Ed. Textonovo

Com o título provocativo de Guerra do Brasil, um grupo de intelectuais brasileiros lançou um livro que trata também da “Reconquista do Estado Brasileiro” e oferece um conjunto de propostas para inserir o Brasil na luta contra o sistema mundial de dominação.

Discutem questões como privatizações, dívida pública, juros, a submissão da política econômica aos organismos internacionais e a dominação cultural que nos é imposta. Questões relevantes como o monopólio dos meios de comunicação, a identidade cultural e a soberania nacional são também abordadas no livro.

A Guerra do Brasil é organizado por Fábio Lucas e Luiz Gonzaga Belluzzo e conta também com a participação de Sérgio Xavier Ferolla, Williams Gonçalves, Luiz Toledo Machado e, principalmente, do saudoso Antônio Rezk. Entre outros.

São economistas, cientistas sociais, estrategistas e militantes. Brasileiros, enfim, que se preocupam com o futuro da nação brasileira. Oferecem seu diagnóstico e fazem suas propostas para um Brasil mais soberano, mais justo e democrático. A Guerra do Brasil é uma publicação da Editora Textonovo. Não deixe de ler.

Ouça aqui o programa:

[audio:http://blogs.utopia.org.br/levi/files/outraspalavras_009-a-guerra-do-brasil.mp3]

“Outras Palavras” é o programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura Brasil.

BRASIL NO LIMIAR DO SÉCULO XXI

14 de março de 2007

Henrique Ratner (org.)
Edusp – Editora da USP

Intelectuais e cientistas de orientações diversas, como Paul Singer, Octavio Ianni, Marcos Terena, José Goldemberg, Moacir Gadotti, entre outros, são os autores de ensaios sobre o Brasil que compõem este livro.

Os textos recobrem diversos temas: globalização, nacionalismo, política, democracia, economia, meio ambiente e sociedade civil. Alguns privilegiam as mudanças de rumo necessárias à adaptação do Brasil à nova fase do capitalismo, outros percebem a repetição de movimentos conhecidos do capitalismo e não perdem de vista a dinâmica política e econômica que move o país.

A tensão entre esses diferentes pontos de vista foi assumida, justamente para permitir uma reflexão produtiva sobre as dificuldades e alternativas para o país neste novo milênio. Brasil no Limiar do Século XXI é organizado pelo Prof. Henrique Ratner e publicado pela EDUSP.


“Outras Palavras”, programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura Brasil.

MEU BRASIL ANGOLANO

7 de março de 2007

Raul de Taunay
Ed. Prefácio

A relações de brasileiros com os portuguesas começa a render uma rica literatura. O maior exemplo disso é o romance Meu Brasil Angolano, escrito pelo diplomata Raul de Taunay que começa a puxar o fio deste relacionamento, que segue a mão inversa que sempre norteou a relação do Brasil com os povos oriundos da África.

A ida de brasileiros para viver em países africanos, especialmente os de língua portuguesa, cria um novo clima para esta relação. Se antes os povos africanos influenciaram nossa cultura, agora brasileiros começam a levar de volta o resultado desta influência.

Como um farol, as letras de escritores apontam para esta nova realidade. Naturalmente os resultados não ficam restritos à área da literatura, mas também da música e de todos os demais segmentos das manifestações artísticas.

Esta relação deve representar uma nova vertente para a produção de obras na língua portuguesa. O romance de Raul de Taunay já é um indicador disso, do quanto é promissora esta ligação que as ex-colônias portuguesas na África têm com o Brasil.

Além deste livro que é um marco na relação de dois povos, o diplomata brasileiro, Raul de Taunay, também já escreveu livros de poesias. Seus versos foram elogiados por um grande nome da poesia do nosso país: Vinícius de Moraes.

Vamos conhecer esta nova vertente na rica literatura brasileira através da leitura do romance Meu Brasil Angolano de Raul de Taunay.


“Outras Palavras”, programa de literatura de Levi Bucalem Ferrari na Rádio Cultura Brasil.