Uma História Comovente

Uma história comovente – por Levi Bucalem Ferrari
14 DE MARÇO DE 2016 WALTER SORRENTINO
Kim Kataguiri. Foto: Reprodução/YouTube.
Kim Kataguiri. Foto: Reprodução/YouTube.

Kim nasceu em 1996, tem 20 anos, e sofreu desde a infância uma tragédia que indigna, revolta e comove: o PT sempre esteve no poder federal. “Em termos de política nacional, os únicos exemplos que vivenciei vieram desse partido. Na República, os únicos valores que vi colocados em prática foram os petistas”. ”A dinastia petista obrigou toda uma geração a engolir a impunidade, a polarização da sociedade e do debate político, o desrespeito sistemático às instituições, o discurso de que, “se todos roubam, não adianta mudar o governo. O PT sonegou os valores da democracia a mim e a outros milhões de jovens.”
Kim não teve oportunidade de conviver com outro tipo de governo. Viveu 20 anos de “jugo” democrático, com autonomia dos poderes, sempre pode votar em todos os níveis, assistiu a muitas conquistas sociais, crescimento econômico, distribuição de renda e valorização da soberania nacional. Mas, para ele importa que, só experimentou duas presidências, Lula e Dilma.“A dinastia petista obrigou toda uma geração a engolir a impunidade, a polarização da sociedade e do debate político, o desrespeito sistemático às instituições, o discurso de que, “se todos roubam, não adianta mudar o governo. O PT sonegou os valores da democracia a mim e a outros milhões de jovens.”
Kim conclui que “Minha geração precisa viver a democracia. Ela nunca experimentou nada além da ditadura da propina implantada pelo PT. Nunca viu um diálogo entre o governo e o Congresso. Jamais assistiu ao Estado atender aos interesses da sociedade. Conhece apenas o ente estatal privatizado, propriedade de um partido.” A revolta de Kim Kataguiri está estampada na Folha de São Paulo de 13/03/2016, pg. 3, a mais nobre de um nobre domingo. Ali é colunista, além de presidente do Movimento Brasil Livre (MBL).
Sentindo uma tremenda pena de Kim e sua geração, procurei analogias com outras. A minha, p. ex. A primeira vez que votei para presidente foi junto com meu filho. Ambos alcançamos juntos o mesmo direito. Eu, com 44 anos, ele com 19. Gostosa coincidência democrática. Até então, com o dobro da idade de Kim, tudo que eu vira (antes de poder votar) foram os governos democráticos de Juscelino e os curtíssimos de Jânio e Jango. E, a partir de 1964, não deixaram mais que minha geração votasse. Nem para presidente, governador ou prefeito. Tínhamos que nos contentar com vereador, deputados e senador.
Também não existiam, Kim, poderes autônomos. Mandavam os militares e, por trás deles, empresas nacionais e multinacionais. Não tínhamos acesso à Folha, como a nenhum jornal. Às vezes, imprimíamos em “stencil”, folhetos em tiragens diminutas a serem distribuídos clandestinamente. E, com muito risco de sermos presos, torturados, mortos, desaparecidos. Você sabe o que é Coroa de Cristo, Kim. Procure saber.
Preso e torturado duas vezes, em 1969 e 1972, mesmo assim, tenho pena da geração de Kim Katiguiri. Com a minha aconteceram as barbaridades citadas acima, mas lutávamos por ideais. Líamos Marx, Engels, Sartre, Lukcacs, Gramsci, Celso Furtado, Baran, Sweezy, Marcuse… e gostávamos de Che Guevara, Fidel, Ho Chi Min, entre outros. Vibramos com a vitória de Cuba contra o ditador Batista e a do pequeno Vietnam contra a maior potência econômica e militar de nossos tempos. Tenho pena de uma geração que, tendo todos os livros citados à disposição, se deixa envenenar pelos meios de comunicação que sabemos parciais e mentirosos.
Tive muita sorte, Kim, mais do que a maioria de meus companheiros de luta que pereceram sob tortura, estão mortos ou desaparecidos; seus pais, viúvas e filhos enfrentando até hoje a dor e a incerteza de notícias sobre eles.
Ao contrário do que você pode estar pensando, Kim, não sou do PT e tenho reservas quanto à política econômica de Dilma e da visão estreita de alguns petistas. Por fim, meu jovem, procure ler algo mais que a Folha; procure assistir algo mais que a Globo, para uma segunda conversa.
Infelizmente, sei que você não fará isso porque o movimento que você coordena, Sr. Kataguiri, já foi catalogado por Luís Nassif: “Nas redes sociais e movimentações de rua surgem, da noite para o dia, movimentos como o “Movimento Brasil Livre” e “Estudantes Pela Liberdade”. Constatou-se, com o tempo, que eram financiados pelo Charles Kock Institute, ONG de dois irmãos, Charles e David, herdeiros donos de uma das maiores fortunas dos Estados Unidos. Os Kock ficaram conhecidos por financiar ONGs de ultradireita visando interferir na política norte-americana (http://migre.me/tbj3w). E tem obviamente ambições de ampliar seu império petrolífero explorando outras bacias fora dos EUA.
Repeat, after me, Kim: Good bye Petrobrás, Pré-sal, good bye Brasil… I did what my bosses command. Thanks Kim.

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Quem são os irmãos Koch?

Eles possuem Fortunas que, somadas, superam a de Bill Gates, e fazem reuniões com o Tea Party. Agora, seus nomes se misturam aos pedidos de impeachment no Brasil. CARTACAPITAL.COM.BR

Koch

Levi Bucalem Ferrari

UBE União Brasileira de Escritores

Diretor de Relações Internacionais

www.ube.org.br

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Sobre levi

Poeta, ficcionista, ensaísta, sociólogo e professor universitário. Presidente da UBE - União Brasileira de Escritores, diretor do Sindicato dos Sociólogos de S. Paulo e Presidente do IPSO - Instituto de Pesquisas e Projetos Sociais e Tecnológicos. Integra a Coordenação do Movimento Humanismo e Democracia e o Conselho de Redação da Revista Novos Rumos. Foi Presidente da ASESP – Associação dos Sociólogos do Estado de São Paulo, Administrador Regional de Santana -Tucuruvi (SP). Coordenador da Proteção dos Recursos Naturais do Estado de São Paulo. Livros Publicados: Burocratas e Burocracias (ensaio, SP, Ed. Semente, 1981); Ônibus 307 – Jardim Paraíso (poesia, SP, Muro das Artes, 1983); A Portovelhaca e as Outras (poesia, SP, Paubrasil, 1984). O Seqüestro do Senhor Empresário (romance, SP, Publisher/Limiar, 1998); O Inimigo (contos, Limiar – SP, 2003). Recebeu o Prêmio de Revelação de Autor da APCA – Associação Paulista de Críticos de Arte e outros. Publicou diversos artigos, contos, crônicas, poemas e resenhas literárias em coletâneas, jornais e revistas.
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