ADONIRANDO


quem mora no Morro da Casa Verde
ou num barraco lá no bairro do Ermelino
quem já comeu no Bixiga, na casa do Nicola
conheceu Arnesto e tomou o trem das onze horas

quem amou Eugênia, Maria Rosa e Iracema
Pafunça, Malvina e todas as mariposas
fala nóis vem, nóis vai, nóis fumo e nóis vortemo

tem uma maloca saudosa
tem uma São Paulo que chora
choram Matogrosso e o Joca
e na Vila Esperança
todo mundo também chora

lamenta o apito do samba
soluça o meu tamborim
o cavaco se cala
fica mudo o violão
o poeta se foi
Deus quis assim
mas está vivo em nossos corações

o poeta se foi
foi ver Iracema
e virou uma estrela no céu
subiu na fumaça de um cigarro Iolanda
foi ver a banda tocar na favela


Poema escrito em homenagem a Adoniran Barbosa, publicado no Jornal do Bixiga, nº 03. Virou canção na melodia do compositor Lula Barbosa. Foi gravada pelo Conjunto Catavento no CD Adonirando da Movieplay; e, mais tarde, por Thobias da Vai-Vai no CD Paulicéia.

Tags: ,

Deixe um comentário